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terça-feira, setembro 25, 2012

EVOLUÇÃO





Dentro da esfera das possibilidades e probabilidades para a alma se elevar para além da sua humanidade, existem muitas oportunidades de desenvolvimento, incluindo aquela em que esta pode escolher um caminho de evolução mais recôndito, em vez daquele que lhe pareceria mais acessível ou adaptável à sua energia e vontade. Nessa circunstância, a consciência amplia-se e o desenvolvimento espiritual acontece. É uma porta que se abre, por onde a alma entra com coragem e confiança, avançando ao encontro da própria essência. As experiências que se seguem precisam de ser levadas com a segurança de quem sabe que sabe, com as ajudas necessárias à ultrapassagem de obstáculos, nem sempre fáceis, mas que permitem sentir a força que levará ao conhecimento adequado.












sexta-feira, setembro 07, 2012

RELAÇÕES


Vivemos em grupo, seja familiar, social ou religioso e o contacto que estabelecemos com cada membro, directa ou indirectamente, permite-nos uma comunicação que pode resultar em atracção ou repulsa. Vamos respondendo aos sinais que nos apontam o caminho a seguir. Quando falamos, olhando o outro nos olhos, o contacto é intenso, podendo desencadear desconforto ou mesmo medo. Se, pelo contrário, o nosso olhar provocar um sorriso podemos estar certos de que a comunicação estabelecida é favorável.
As sensações acordadas em nós pela reacção alheia, orientar-nos-ão no sentido adequado. As rejeições mais violentas são sentidas como uma necessidade de actuar de alguma maneira. Todo o corpo se agita e se prepara para a luta ou para a fuga. Quando a sintonia acontece a reacção principal é de conforto ou mesmo prazer. O corpo relaxa, abandona-se ao contacto, numa entrega total. Neste caso, a receptividade é uma constante e a comunicação dá-se nos dois sentidos, emissor e receptor na mesma onda, contruindo um diálogo e uma acção produtiva. Os instintos adormecidos reservam toda a energia para o objectivo que se apresentar.
A luta e a fuga são ferramentas extremamente eficazes desde que se usem na medida e ocasião próprias. Muitas pessoas não respeitam os sinais e confundem-nos, crendo que o uso da razão se deve sobrepor a tudo. A razão funciona, ela mesma, como instrumento de acção imediata, mas é apenas o braço que serve a intuição. Se estivermos atentos aos sinais, receberemos as mensagens e as propostas para actuar e servimo-nos então da razão para pôr em prática as ideias formuladas no pensamento.
O contacto com os outros é o espelho ideal, pois essas relações proporcionam um despertar da consciência. Quantas vezes ouvimos de alguém a palavra que faltava ao nosso discurso? Quantas vezes nos apercebemos de que a nossa conduta não estava de acordo com os princípios solidários, só porque houve uma reacção de desagrado da parte de quem connosco convive? E que dizer das companhias que atraímos? Não serão elas o reflexo do nosso estado de espírito? Diz-me com quem andas…
Os sinais não têm nada de misterioso. Aparecem sob várias formas, muitas vezes evidentes, e manifestam-se abertamente. O corpo agita-se ou acalma-se, de acordo com as provocações externas; muito para além da aparência estão aquelas manifestações de carácter vibratório que só escaparão aos menos atentos. A unidade que somos está, certamente, no TODO, como elos que somos de uma cadeia, sofremos influências que regem a nossa existência com um critério que, às vezes, e em parte, nos transcende, e ao qual chamamos destino ou obra de Deus.

Todo o mundo, toda a vida é um vasto sistema de inconsciências, operando através de consciências individuais. Assim como dois gases, passando por eles, uma corrente eléctrica, se faz líquido, também com duas consciências – a do ser concreto e a do ser abstracto – se faz, passando por elas a vida e o mundo, uma consciência superior”.

Fernando Pessoa in “O Livro do Desassossego”