DESAPEGO
DESAPEGO Falar de despejo não é fácil, pois pode soar a indiferença, o que não parece assentar em quem está no caminho da espiritualidade. Vivemos num mundo que apela ao desejo, ao consumo, no entanto, o desapego ajuda-nos a usufruir dos bens materiais, das relações e das circunstâncias. Com esta atitude passamos a ser mais livres, ao mesmo tempo que valorizamos o que temos. Estranho, não é?... Pensemos, então, num rio a vê-lo fluir, indiferente às margens que o ladeiam, sem deixar de as banhar e de as enriquecer. O céu reflecte-se nas suas águas, as nuvens passam ao alto, e o rio prossegue na sua caminhada em direcção ao mar ou ao seu próprio destino. Que importa?... É isto o desapego! Viver de acordo com as circunstâncias, gozar os prazeres ocasionais, aprender com as dores que nos batem à porta, porque não somos donos de nada, e o corpo é um mero instrumento que nos possibilita concretizar ...