UMA NOITE DE SILÊNCIO
UMA NOITE DE SILÊNCIO
Ponho
a mão no meu peito, e não sinto o coração a pulsar! Toco na garganta, e não
descubro as palavras que queria pronunciar. Os meus lábios fecham-se no
silêncio das sensações por adivinhar, com os meus olhos a fecharem-se com a
vontade de sonhar. Queria estar acordada para sempre ou dormindo na esperança
duma manhã luminosa. O meu corpo aquieta-se num ninho de emoções, tranquilas e
apressadas. Escuto as vozes da noite que, com o seu manto cobre os campos, o
céu e o mar. Imagino as estrelas que cintilam sem cessar, numa orgia celestial.
Como é possível estar só sem sentir solidão e perceber que a consciência de ser
e de estar é um factor primordial no desenvolvimento espiritual? Estou sozinha
porque tenho de ter a clarividência que me permita levar a bom termo a tarefa
que me foi destinada. E, no entanto, não estou só! Sozinha não podia ver
reflectida a minha imagem. O reflexo do que sou, como sou e como vou, leva-me a
seguir pelos caminhos do coração, os adequados ao momento que estamos a viver.
O desapego cresce em mim, na mesma medida em que amo com a minha alma!
Entrego-me e deixo-me levar sem medo, mas com a segurança de quem sabe que é
guiado e protegido. Os erros cometidos são exercícios de controlo e
discriminação: isto não! Isto não! O que importa torna-se patente a cada
instante. A partilha é criteriosa e necessária, pois através dela cresço e
multiplico-me, sem me afastar dos princípios que regem esta missão. Cada ser tocado
por esta energia, inicia a grande viagem das descobertas por direito, por necessidade
de se abrir à pacificação, ao conhecimento.
Sou
instrumento da vontade divina, e deixo-me estar a servir no papel que me cabe,
sem esperar ser servida, pois, nas recompensas me gratifico pelo dever
cumprido. Ao ser amada, amo também, depositária das boas vontades. No amor
mútuo nos completamos. Posso, por fim, gritar bem alto, no silêncio desta noite
tão noite, em que valeu a pena não perder a esperança, mesmo nos momentos de
cansaço e desânimo, sabendo do trabalho que ainda há para fazer. Muito tem sido
feito, vendo nascer a alegria no coração de tantos, fazendo-me sentir rainha,
num reino onde habita a vontade de chegar ao cume da mais alta montanha,
percebendo que outras haverá para subir!
Nesta
noite, onde o silêncio foi cúmplice, dou graças pelo privilégio concedido.
Estou só, mas não sozinha, apenas uma partícula cósmica que se entrega e
desintegra, para que a matéria seja exactamente aquilo que tem de ser. É o
mistério da vida na imensidão do espaço sideral! Ponho outra vez a mão no meu
peito e sinto o coração a bater devagar, para não acordar os anjos que, nos
seus sonhos velam para que esteja tudo em paz. Escuto as palavras que a minha
garganta guardava: AMO-ME, AMO-VOS!!!
OM SHANTI OM

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