FRAGILIDADES
FRAGILIDADES
Ao tomar consciência das minhas fragilidades, detenho-me a
pensar que o melhor é aceitar essa condição, perceber que a vida é feita de
altos e baixos, e que estou sujeita à circunstância própria de uma idade avançada,
e de um tempo em que o pensamento foi assumindo o papel principal, com o corpo
a reagir, manifestando a sua condição e as suas queixas. Sabendo da importância
de lhe dar atenção, vou-me servindo das ajudas e oportunidades para que esta
situação não me limite demasiado, permitindo-me continuar a servir a comunidade
em que me encontro, dando-me o ensejo de dar e receber na mesma medida. A
solidariedade reinante no ambiente familiar, e os contactos alargados ao grupo
de almas que fazem parte do meu caminho espiritual, é um factor da maior
importância e dou graças por ele. A humildade marca presença, pois aprendi que
o gosto de ajudar faz parte das relações dentro do grupo de almas, que vive com
a ideia de que é bom cuidar, para se ser cuidado. Reconhecer incapacidades requer um jeito de
ser e estar pronta e disponível, mesmo que algum orgulho tenha a sua medida. A
independência é valiosa, sem dúvida, mas depende também de uma tomada de
consciência, na medida em que a energia flui sempre que estamos abertos, e é
possível sentir que estamos sós, mas não sozinhos. Dentro dum círculo de
energia, acordam-se fragilidades, o que é bom pois é uma boa oportunidade para
que as partilhas se deem naturalmente.
Sempre que dermos atenção, surge a oportunidade de oferecer
o que nos sobra, como resultado do que tralhamos e recebemos dos que nos
rodeiam. Penso ser uma bênção estar em condições de, apesar das fragilidades,
ser capaz de promover as acções que levem ao bem-estar dos que me tocam ou são
tocados. Sempre que se dão trocas de energia, é um gosto, uma alegria, sabendo
da importância de partilhar, sem expectativas, mas com a garantia de que quando
a dádiva é pura e o destino receptivo, o ambiente reinante é de paz e
tranquilidade. As boas intenções nunca se perdem, pois ficam à disposição na
primeira ocasião em que houver abertura ou necessidade.
Assim vou fluindo, levada pela força que brota da fonte
cósmica, com o sol a nascer cada dia, e a lua a iluminar a noite escura para
não perder as referências, assumindo as fragilidades como meio de aprender o
real valor daquilo que a vida tem para me oferecer. Os pensamentos
predominantes vão estimulando a vontade, produzindo o impulso que me leve a
actuar de modo a concretizar cada objectivo proposto. A vida segue, com o apoio
dos meus deuses, e a consciência de ser e de estar aqui a agora, a meditar no sentir
que me despertou, para alinhavar estas palavras francas e simples, em que foi
possível manifestar o que a minha alma acordou, e que partilho com gosto!
OM
SHANTI OM

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