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ENCONTROS IMEDIATOS

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À BEIRA DO GANGES Começámos o dia pela visita a dois templos. O primeiro tinha um tanque com água, dita sagrada, e mal entrámos aproximou-se de nós um sacerdote oferecendo-se para nos fazer umas rezas e ungir-nos à custa de uma quantas rupias. À saída colocou-nos uma pinta vermelha na testa, acompanhada De outro pedido de rupias... O segundo templo era menos primitivo, não tinha tanque e como trazíamos a pinta na testa ficámos isentos do peditório. Pelo caminho visitámos o Ashram do Suami Sivananda e lá fomos atendidos por uma senhora muito simpática que nos deu o programa das actividades. Tínhamos que organizar bem as nossas visitas para não andarmos sempre de táxi o que fugia ao nosso curto orçamento. Curiosamente, o táxi, de vez em quando parava numa espécie de portagem e conseguimos perceber que passava por caminhos particulares e os donos teriam de ser informados das intenções dos viajantes. Quando chegámos ao hotel fomos...

PARAGEM NO TEMPO

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Acordei relativamente cedo, mas fiz um esforço para dormir até perto das sete porque tinha tido uma noite bastante agitada, talvez pelo cansaço e porque o barulho da ventoinha por cima de mim me incomodava. Quando o marido da minha amiga veio bater-me à porta para irmos tomar o pequeno almoço, soube que ela estava cheia de febre. Resolvemos que o melhor seria levá-la ao médico para cortar o mal pela raiz. Depois do pequeno-almoço, contratámos um táxi que nos levou ao pseudo hospital de Rishikesh. O motorista levou-nos directamente a uma médica que a medicou com os comprimidos suficientes para aquele dia, com ordens para lá voltarmos no dia seguinte. Não é como cá que passam receitas e, depois, ficamos com as caixas cheias de pílulas; lá dão os comprimidos suficientes para o tratamento e pronto! Passámos a manhã toda na conversa, fazendo companhia à doente. Almocei com o marido (a doentinha só queria fruta) e a seguir fomos dar uma volta até ao outro lado da ponte (vide foto acima) para...

A CAMINHO DE RISHIKESH

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O comboio era do tempo da outra senhora, como se costuma dizer, muito pior do que aquele que tomámos para Poona. Durante todo o caminho choviam coisas pretas o que nos impedia de ter as janelas abertas para não levarmos com elas em cima! No princípio da viagem ainda dava para observar o panorama que se ia desenrolando, bairros miseráveis que já não dava para estranhar, mas o que fez com que nos fartássemos de rir foi ver o espectáculo de dezenas de indivíduos a fazerem as suas necessidades à vista de todos! À nossa frente ia uma família indiana muito simpática: pai, mãe e uma filha crescida muito gira. O pai, logo ali tirou os sapatos e sentou-se no banco de pernas cruzadas. A certa altura, a mãe puxa dum farnel e o pai, continuando de pernas cruzadas, virou-se para o lado e preparou a mesa do repasto, caril de vegetais dentro dum saco de plástico, cebola crua, partida aos bocados, chapatis (pão indiano) e malaguetas. Lá comeram tudo à mão, não sem antes perguntarem se éramos servidos....

TAJ MAHAL

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A viagem durou 5 horas – a meio houve as habituais paragens para comer e fazer xixi. Por acaso, surpreendentemente, o sítio da paragem era uma espécie de oásis do Turismo oficial. É que parecia mesmo um oásis porque tinha um jardim, no meio de toda aquela pobreza e porcaria! Desta vez ficámos num bom hotel, do género daquele onde estivemos em Aurangabad, mas este até ar condicionado tinha o que proporciona outro conforto e descanso. Depois de almoçar não resisti a fazer uma sesta porque estava, realmente, cansada da viagem. Fui acordada para embarcar numa visita turística. Alugámos um carro e lá fomos até ao túmulo do avô da Imperatriz Mumtaz – a tal do Taj Mahal. Muito bonito e via-se que era preparatório para o futuro túmulo da Imperatriz. Situado no meio dum jardim e à beira do Rio Jamuna (rio irmão do Ganges, segundo reza a tradição). O seu estado de conservação deixava a desejar, mas compreende-se que num país onde há tanta miséria, é difícil pensar na conservação de monumentos, e...

JAIPUR - A CIDADE COR-DE-ROSA

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Aqui vamos nós, Índia acima, seguindo os passos estabelecidos ou improvisados. Como lhes disse, demo-nos ao luxo de apanhar um avião que nos levasse até Jaipur, a cidade cor-de-rosa. Esta parte estava programada porque com os transportes naquelas terras não se brinca… E, foi assim… Que apanhámos uma camioneta que nos deixou num modesto aeroporto onde tomámos o pequeno-almoço. A viagem não foi muito demorada e, à chegada, alugámos um Rikshaw com um condutor velhote amoroso que nos serviu de guia até ao fim do dia. Arranjou-nos um hotel, muito ao estilo de casa colonial. A minha amiga estava com um bocado de medo de novo encontro com as “amigas” baratas, mas as massas também não davam para outros luxos e, por isso, teve de se conformar. O hotel ficava dentro dum jardim, o que era excelente para nos proteger dos maus cheiros que vinham dos esgotos a céu aberto das redondezas. Depois do almoço demos início à visita à cidade que nos pareceu bastante bem delineada, com ruas largas e alcatroa...

OS TEMPLOS GRUTA

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A razão desta visita prendeu-se no interesse que estas grutas templo têm. Na Índia são muito comuns, contando-se quase 1200. Estas escavações não foram feitas a partir de grutas naturais. As rochas foram esculpidas de cima para baixo com ferramentas primitivas e a partir de planos feitos à partida. Os Budistas foram os primeiros a fazê-las. Os templos consistiam em duas zonas demarcadas: o templo propriamente dito e a zona residencial dos monges. As Grutas de Ellora são produto de três religiões: Budista, Bramanista e Jainista e contêm esculturas de deuses deusas representativas da sua fé. Chegámos ao Hotel Aurangabad Ashok onde ficámos muito bem instalados, se compararmos com as experiências anteriores. A janela do meu quarto dava para o jardim e, ao fundo, avistavam-se as montanhas. Depois dum rico banho e pequeno- almoço razoável, lá me enchi de coragem para resistir à tentação de mergulhar nos lençóis. Fomos até à “cidade”, se é que se pode chamar cidade a um amontoado de barracas...

SEGUE A VIAGEM...

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Cá estou novamente para vos contar como foi o caminho para Poona e respectiva estadia. É preciso que vos diga que a razão desta visita tem a ver com o facto de, nesta cidade, haver vários centros de Yoga e um Ashram do Suami Rajneesh, actualmente chamado Osho (já falecido). O que pretendíamos visitar era o centro dum grande Mestre de Hatha Yoga, Iyenger. Apanhámos o comboio na Estação de Vitória e lá nos sentámos numa carruagem onde nos reencontrámos com o suma-a-pau. A 1ª classe era bastante mais cara, por isso, optámos por poupar umas rupias, sacrificando o conforto. Por cerca de 120$00 tivemos direito a chá e uma refeição ligeira. A viagem até se fez muito bem pois passámos o tempo a contar as nossas aventuras e a ouvir as dele. Chegámos a Poona e, por coincidência, à saída encontrámos uma senhora que havíamos conhecido a caminho de Ganeshpuri que nos indicou um hotel ali perto. Infelizmente, esse estava cheio e acabámos por ir parar a um mais barato, tipo casa de passe, onde as ami...

EXPERIÊNCIAS VIVAS

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Depois de nos instalarmos, a nossa primeira participação nas actividades foi no Arati da tarde, os cânticos feitos em pé. O templo era muito giro, mas a “fauna” que por lá pairava era um tanto ou quanto esquisita, especialmente eles. Uns 20 e tal europeus completamente orientalizados pois viviam ali há muito tempo. A seguir à cantoria, tivemos a nossa primeira experiência de comer como mandam as regras: sentados no chão, usando só a mão direita (comer à mão mesmo) e em silêncio. Ao princípio deu-nos vontade de rir, mas depois tudo correu pelo melhor. Comer caril com a mão, apesar da ajuda dos chapatis não é, definitivamente, tarefa fácil para quem não está habituado. À saída cada um levava o seu prato e lavava-o no mesmo sítio onde se lavavam as mãos. Mais cânticos e rezas, desta vez sentados no chão e lá estivemos nós a tentar acompanhar durante uma hora. Regressadas ao quarto, preparámo-nos para a deita numas camas do tipo suma-a-pau com um mosquiteiro para que os mosquitos não se s...

GRANDE AVENTURA

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Agora é que é!!! Passo a contar-vos a grande aventura que foi chegar a este Ashram, aproveitando o diário de que vos falei. O relato fica, assim, mais rico. Se calhar este episódio da nossa viagem terá dois capítulos... Animem-se! Deixámos o Hotel às 10.30 h, para apanhar o autocarro 253 para Andheri, onde fomos encontrar um mar de lama e de gente... (é bom que saibam que na altura em que fomos a monção ainda andava por lá e as chuvadas eram uma constante). Carregadas como nós íamos, não dava para ter o moral muito elevado, sobretudo eu, confesso. Apanhámos o combóio com destino a Vasai Road, aonde chegámos ¾ de hora depois. Chovia bastante e o moral desceu mais uns degraus quando mergulhámos num novo mar de lama avermelhada (a outra era sobre o preto...). Chegou o autocarro, a cair aos bocados, e lá entrámos com a maralha toda. Dois minutos depois, voltámos a sair porque a geringonça não andava... Feita a mudança com a ajuda dum cavalheiro providencial, lá nos pusemos a caminho para m...

MEMÓRIA...

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A vantagem de escrevermos um diário de viagem é que a memória não nos atraiçoa… e, como descobri um caderno onde descrevi a viagem à Índia com bastantes pormenores, constatei que a tal visita ao “Ashram”, afinal, foi três dias depois da nossa chegada. Aqui fica o reparo, com as minhas desculpas. Depois da nossa excursão, antes de regressarmos ao hotel, ainda passámos por um Centro de Yoga que não despertou o nosso interesse pelo que nem nos demos ao trabalho de pedir informações. Como tínhamos almoçado bem, decidimos ir ao mercado comprar fruta e umas bolachas de água e sal para o jantar. Esse foi, muitas vezes, o nosso menu durante a viagem, gozando da variedade de fruta que há nas zonas tropicais. Por norma nunca comemos nada cru sem lavar e tirar a casca para evitar problemas intestinais o que, felizmente, nunca aconteceu. No dia seguinte, já mais repousados, metemo-nos a caminho até à estação onde obtivemos informação sobre o Instituto de Yoga da Indra Devi de que tínhamos ouvido ...

PEREGRINAÇÃO

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Ir à Índia fazia parte dos nossos projectos a partir do momento em que nos encontrámos estabelecidas neste caminho da espiritualidade que é o Yoga e foi exactamente isso que fizemos. Combinada a estratégia, lá embarcámos para uma nova aventura, a minha amiga, o marido e eu. Não fomos em excursão organizada como se usa agora; a única coisa que tínhamos marcado era o avião para Bombaim e o respectivo regresso, o resto nasceu sempre do improviso e da intenção primeira que era visitar sítios onde a prática do Yoga fosse comum e acessível. Claro que também tínhamos uma ideia do que seria importante conhecer e deixámo-nos guiar pela intuição e pelos sinais que nos apareciam de forma evidente. Levávamos connosco um livro que nos ajudou a encontrar soluções e nos dava dicas para nos orientarmos numa cultura tão diferente da nossa. Apesar de termos estado em Goa, sabíamos que a outra Índia era bem diferente. Aterrámos em Bombaim e, no próprio Aeroporto, procurámos alojamento adequado. É bom qu...

LUZ, APESAR DAS SOMBRAS

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“QUE DEUS FAÇA DE MIM, QUANDO EU MORRER, QUANDO EU PARTIR PARA O PAÍS DA LUZ, A SOMBRA CALMA DUM AMANHECER”. Florbela Espanca “NO CÉU BRILHAM AS ESTRELAS QUE VÃO APONTANDO CAMINHOS. SÃO PONTOS DE LUZ QUE SE ETERNIZAM PARA ALÉM DA SUA EXISTÊNCIA. OLHO, ENTÃO, O CÉU E VISLUMBRO NA NOITE ESCURA A ESPERANÇA DE VER CHEGAR AQUELA ESTRELA RSPLANDECENTE QUE, NO SEU FULFOR, FAZ DE CADA DIA UMA VIDA VIVIDA NA PLENITUDE DO AMOR. PASSO A PASSO, NA DIRECÇÃO CERTA, SIGO COM AS ESTRELAS QUE MORREM E, NO ENTANTO, CONTINUAM A BRILHAR.” Problemas familiares graves, puseram-me à prova e demonstraram à saciedade as vantagens do Yoga como filosofia e meio de encontrar um equilíbrio que se apresentava instável a nível afectivo e emocional. A vida é como o arco-íris, tem todas as cores e apresenta-se quando a tempestade se anuncia. Manter uma visão clara nos momentos difíceis é um factor decisivo para não nos afundarmos ou deixarmos de lutar pela nossa sanidade mental e prosseguir com os projectos que, de c...

GRANDE AZÁFAMA

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As ideias que foram surgindo com os trabalhos desde Inglaterra deram os seus frutos. Organizámos um primeiro Retiro de Yoga na Torre da Aguilha, um Seminário em S. Domingos de Rana, outro na casa de Retiros do Rodízio, na Praia Grande, ambos muito concorridos e bem sucedidos . O empenho que pusemos na sua organização deu os seus frutos. A vontade de fazer bem permitiu-nos ultrapassar a falta de experiência nestas matérias e é preciso que se diga que as pessoas que aderiram fizeram-no com a máxima abertura, colaborando o mais possível. Foi uma vivência plena de sentido e prazer. Muitos outros se seguiram, sendo que o mais trabalhoso foi aquele que fizemos em Sesimbra no antigo “Hotel Espadarte”. Foi a primeira vez que nos organizámos em pareceria com a “Associação de Yoga Sivananda”, de Madrid. Para o efeito, vieram Instrutores de lá para nos ajudarem à preparação do espaço e, o Mestre Sivayotir conduziu todo o Retiro em que participaram muitos alunos e alguns estreantes. Antes do Reti...

ENCRUZILHADA

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“ As encruzilhadas da Vida dão-nos uma hipótese de escolha para seguirmos sem vacilar, prosseguindo no cumprimento dos objectivos da nossa existência. Basta dar um pouco de atenção para perceber qual o Caminho que nos serve.” Retomando o fio à meada, passo a contar-vos como fomos parar a Espanha, depois de quatro anos a voar até ao Reino Unido. A nossa revolução foi evoluindo aos sobressaltos e, com ela, a nossa moeda foi dando saltos para baixo... E, vai daí, começámos a pôr as antenas no ar para nos virarmos para Espanha afim de continuarmos com a nossa formação como Instrutoras de Yoga. Para além de ser mais barato, pensámos que seria uma boa ideia começar a levar alunos que estivessem dispostos a avançar com os necessários conhecimentos e a respectiva prática. Como sempre, veio-nos parar às mãos informação sobre a “Asociacion de Yoga Sivananda” de Madrid, tendo despertado o nosso interesse o programa que nos apresentaram para umas Férias ióguicas. A língua foi, também, um factor a ...

ACRESCENTANDO UM PONTO...

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Isto para vos dizer que as informações das memórias vão chegando à minha mente de forma vertiginosa e, quando tal acontece, tenho de me virar para dentro, ou seja, meditar sem precisar de me sentar na conhecida postura para o efeito. A meditação há muito que passou a fazer parte integrante da minha vida como meio de me manter em sintonia com o universo onde está tudo que é preciso saber em cada momento, cada circunstância. Sempre que me concentro de forma total, aí começam a chegar as ideias ou as sugestões adequadas ao seguimento da tarefa que tenho em mãos. A mente transforma-se em antena e capta o que paira no nosso campo magnético, e assenta que nem uma luva no nosso coração como uma evidência tão clara quanto necessária. Às vezes não sei bem porque dou comigo a pensar em algo que, por acaso, nem tem nada a ver com o que estou a fazer no momento, mas que se “agarra” ao pensamento irremediavelmente. Quanto tal acontece, preciso de me debruçar sobre o assunto e ficar à espera de sina...

LEMBRANÇAS - 1980

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QUANDO MENOS SE ESPERA...

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“TUDO PASSA SEM DEIXAR MARCAS PARA ALÉM DAQUELAS QUE SÃO NECESSA´RIAS PARA AS LEMBRANÇAS SEREM LIÇÕES APRENDIDAS.” Tal como vos tinha dito, as aulas na Piscina dos Olivais tinham os dias contados, porque naquela altura o bairro era mais do tipo dormitório e, por isso não podia haver um grande desenvolvimento de actividades como o Yoga. Resolvi, pois, interromper e esperar pelos acontecimentos. Mais tarde, uma amiga minha falou-me na hipótese de dar aulas no Clube Atlético de Alvalade que ela frequentava nas classes de ginástica. Ficou-me a informação no ouvido e o bichinho da vontade de continuar despertou do seu sono... Resolvi telefonar para o Clube e perguntar se poderia falar com alguém da Direcção. Lá me apresentei e o entusiasmo que manifestaram perante a ideia foi imediato. Restava encontrar o sítio conveniente para a sua concretização. O único que nos pareceu aceitável, não tinha propriamente as melhores condições pois era uma sala usada por uma senhora que lá dava aulas de art...

OUTRA VEZ CARDIFF

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Gostava que soubessem que os relatos que vou fazendo das minhas aventuras ióguicas, têm uma componente de precisão porque os tenho baseado em escritos em que expressava o que ia sentindo ou com a própria descrição do que vivia, como num diário. Os meus apontamentos, embora sucintos, têm o conteúdo principal dos acontecimentos e até tenho achado uma certa graça relê-los e deixar que venham ao de cima as emoções então vividas. Tenho aproveitado para pôr alguma papelada em dia, guardando o essencial. Não me considero uma pessoa ordenada, mas tenho um sentido organizacional que me permite ir ao encontro daquilo que, na altura, me faz falta. Ao longo da existência foram-se perdendo registos e a memória é o que é... nem sempre a mais verdadeira. Quando descrevemos factos e sentimentos perto dos acontecimentos é natural que a verdade fique, apesar de tudo, mais próxima da realidade. Ontem, por exemplo, dei de caras com duas cartas para a família em que descrevia a viagem que nos levou à 2ª f...

A MINHA EXTERIOR EVOLUÇÃO...

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“A Vida é a minha exterior evolução... e a minha interior revolução.” Tal como vos disse, a vontade de aprender mais e melhor levou-nos para bem longe, o País de Gales, onde aterrámos no dia 15 de Agosto de 1977!!! Este destino foi a nossa escolha intuitiva, baseada igualmente, num certo bom senso. Como tinha estudado em Londres, conhecia a mentalidade Inglesa, por isso, escolhemos uma organização apoiada pela Câmara local, o que sempre garante alguma respeitabilidade. É preciso não esquecer que o Yoga era, então, pouco conhecido e muito associado à forma “hippie” de viver e, portanto, com uma certa aura negativa (drogas, álcool e Rock & Roll…). Felizmente, a nossa família confiava em nós, mesmo que alguma preocupação pairasse no ar. Rumámos, então, a Londres e, de lá partimos de comboio para o País de Gales, ou seja Cardiff. A viagem foi bastante tormentosa porque, para além duma greve da TAP que atrasou o nosso voo, apanhámos nevoeiro à chegada o que nos levou a aterrar em Paris ...

SURPRESA DAS SUPRESAS!

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Um dia acaba para que outro comece, e eu... ... Estou com aqueles que de mim precisam, sem buscar as razões desses encontros. A troca de experiências é necessária, imperiosa mesmo! Desses encontros frutíferos nasce a Força que nos leva até ao Absoluto. A ideia de dar aulas ficou no ar e, um dia mais tarde, a D. Maria Helena voltou a falar-me no assunto; que seria bom eu começar a dar umas aulas por conta própria, ao que respondi não me sentir assim tão preparada para enfrentar esse desafio, apesar do gosto e entusiasmo que a prática despertava em mim. Ela insistiu na ideia, prometendo ajudar-me com os seus próprios apontamentos e alguns livros que eu estudaria durante o Verão que se aproximava, corria o ano de 1976. Aconselhou-me, igualmente, a procurar um espaço e colocar um cartaz anunciando o propósito e a hora. Passei esse Verão debruçada sobre a matéria e a tomar algumas notas, mas foi só no princípio do ano seguinte que me aventurei a fazer exactamente o que ela me disse. Perto ...