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EM MOVIMENTO

“A energia em movimento provoca estados alterados de consciência que desencadeiam processos imparáveis, originando todos aqueles acontecimentos que se esperam, apesar de inesperados. O encontro das almas dá-se no instante em que se reconhecem como irmãs, fruto do mesmo ventre celestial. A unidade na diversidade é a prova que precisavam para acreditar.” Ter casa própria permitiu-nos desenvolver um trabalho de acordo com a vibração que se foi estabelecendo e concretizando. A frequência em que nos movimentamos é determinante para o processo em curso. A experiência adquirida ao longo dos anos é a mais valia para qualquer trabalho e muito mais quando nos metemos por caminhos de espiritualidade. O grupo que serviu de base a esta aventura, foi-se consolidando e esta dinâmica permitiu-me avançar com alguma temeridade e a confiança possível. As coisas foram-se fazendo, com as dificuldades próprias de projectos inovadores e mesmo arrojados para a época. O pioneirismo tem o seu preço, mas também ...

DE CAIXEIRO VIAJANTE À CASA PRÓPRIA

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A minha primeira experiência como uma verdadeira Instrutora de Yoga, deu-se quando decidi arriscar oferecendo os meus serviços ao Clube Atlético de Alvalade. Uma amiga fazia lá ginástica e disse-me que não tinham aulas de Yoga, por isso, resolvi apresentar-me à direcção do clube que se mostrou muito interessada. Nesse tempo o clube era muito modesto e gerido por carolas o que me agradou logo. O espaço que encontrámos não era a última maravilha.... um sala onde se faziam trabalhos de pintura decorativa, chão de cimento e com um acesso complicado (tinha de se passar pela sala de “ballet”). Mas, como a vontade de começar era muita, aceitei o desafio e começámos com cobertores no chão, um candeeiro de bicha e o aquecimento, tudo coisas que trouxe de casa. Apesar das condições precárias, começaram a aparecer alunos (mais alunas, claro!) e o entusiasmo pegou de tal maneira que, no ano seguinte, alcatifaram a sala. Duas das primeiras alunas, fizeram-se instrutoras e uma delas, apesar dos seus...

TEMPO DE LUTA, TEMPO DE CONQUISTA

Como o tempo “não” existe, não me tenho preocupado em demasia com a ordem cronológica dos acontecimentos porque, à medida que as memórias desfilam no meu Ser e no meu Estar, tento ver as situações com uma certa distância, alguma emoção e desapego pois o tempo também nos dá outra medida e outros olhares. Quando vos disse que, depois da viagem, se seguiram tempos difíceis, não estava a pintar as coisas demasiadamente escuras. A verdade é que a descoberta do Yoga fez com que se desse uma revolução em mim pois comecei a ter mais consciência do que era e como era a minha verdade e ao mesmo tempo que tentava acompanhar o crescimento dos meus filhos que estavam em adolescência aguda, todos ao mesmo tempo!!! Desequilíbrios de vária ordem que, várias vezes, me tiraram do sério... Lidar com uma família em crescimento acelerado, num tempo em que as portas de Portugal se abriram à Liberdade, foi tarefa ciclópica, com resultados nem sempre da melhor qualidade. Não vou entrar pelos caminhos do julga...

REGRESSO

A paragem em Bombaim foi de algumas horas o que deu para mais algumas compras. Eu, por exemplo, tive de adquirir uma mala para conseguir encaixar o que trazia e o que ainda comprei. As coisas são baratíssimas e uma tentação pela originalidade e, além disso, nós temos o costume de levar lembranças para a família. Nesse tempo não havia por cá o que há agora, é preciso que se note. Jantámos onde calhou, mas eu não estava muito bem disposta; os balanços do comboio fizeram-me enjoar quando poisei os pés em terra. Foram muitas horas com pouco descanso. Depois do jantar começámos a aventura da viagem para o aeroporto. Tínhamos deixado as malas na estação e de lá seguimos, tendo apanhado pelo caminho os festejos do dia de “São” Ganesha. Parecia Carnaval. Grupos de gente empunhando estátuas do deus todo enfeitado, cantavam, dançavam e atiravam “kum-kum” (pó vermelho para dar sorte) uns aos outros. Ao princípio achámos graça, mas a demora do trânsito tornou-se cansativa por causa do pó e do calo...

ÚLTIMOS CARTUCHOS

Chegámos ao último dia de estadia em terreno sagrado. Acordei cedo como sempre e tive de esperar que os meus amigos dessem à costa para tomarmos o pequeno-almoço. Enquanto esperava por eles, quem deu à costa foi o sr. Singh com dois rapazes amigos e curiosos. Fizeram-me companhia e lá estivemos a conversar, com o sr. Singh a fazer de interprete. Falámos de tudo um pouco, expliquei-lhes como era e onde era Portugal, como era a nossa cultura e a nossa religião, etc. Logo que nos despachámos, seguimos para o Ashram do Sai Baba, um mestre muito conhecido tanto lá como no Ocidente. A casa era uma moradia muito bem arranjada e tinha um guarda visto não estar lá ninguém. Como nada de interesse se passasse ali, seguimos em direcção à floresta, atravessando a ponte virámos a montante. Embrenhámo-nos floresta dentro e logo começámos a transpirar. A sensação de estar numa floresta densa, onde o Sol não penetra, é estranha e, de certo modo claustrofóbica. Visitámos uma gruta onde era suposto estar...

NOVAS VISITAS

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À tarde fomos então com o nosso guia visitar o Ashram do Maharish Mahesh que é o “Guru” da Meditação Transcendental. Metade do caminho era semelhante ao daquele em que fizemos a visita ao yogui da montanha, mas a certa altura atravessámos uma denssíssima floresta, linda, linda. O calor é que era sufocante e o suor corria-nos em bica. Ao chegarmos, ainda tivemos de subir uma grande rampa e, no fim, não nos deixaram entrar. Uma barreira de rapazes logo se impôs, dizendo que não era permitida a entrada sem uma licença especial. Por favor, deixaram que visitássemos um exemplar das cabanas próprias para meditar, do tipo “iglo”, com dois andares; em baixo o quarto, lá em cima o espaço suficiente para se ficar sentado e uma casa de banho lá fora. Via-se que havia uma certa pretensão na ideia, coisa do tempo em que os “Beatles” iam à Índia à procura de inspiração. Aliás foram eles que levaram o dito Guru para a América, que lá se está bem melhor do que na Índia... O que ficou estava entregue ...

CERIMÓNIA (PUJA)

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E, assim, fomos avançando na nossa viagem ao tempo de mestres e discípulos, uma etapa que se tornou num prenúncio da minha orientação futura em termos de prática e ensino. Naquela época éramos um tanto ou quanto autodidactas, apesar da frequência dos vários cursos em Inglaterra e País de Gales. A mim faltava-me um método que me permitisse dar um sentido mais consistente à minha maneira de ensinar e viver a própria experiência do Yoga e o contacto com os ensinamentos de Sivananda tornou-se marcante, principalmente, quando comecei a ler os seus escritos e, mais tarde, ao encontrar-me com um grupo dirigido por um dos seus discípulos, o que vos contarei a devido tempo. Rumámos até ao Ashram do mestre Sivananda para assistirmos às cerimónias do Ganesha Puja (louvor ao deus Ganesha), à beira do rio Ganges. Estava um belo dia, segundo me diz o meu diário, a prometer bastante calor. Quando chegámos, ainda estava pouca gente no sítio onde se encontrava uma imagem de Ganesha, considerado o deus ...

ENCONTROS IMEDIATOS

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À BEIRA DO GANGES Começámos o dia pela visita a dois templos. O primeiro tinha um tanque com água, dita sagrada, e mal entrámos aproximou-se de nós um sacerdote oferecendo-se para nos fazer umas rezas e ungir-nos à custa de uma quantas rupias. À saída colocou-nos uma pinta vermelha na testa, acompanhada De outro pedido de rupias... O segundo templo era menos primitivo, não tinha tanque e como trazíamos a pinta na testa ficámos isentos do peditório. Pelo caminho visitámos o Ashram do Suami Sivananda e lá fomos atendidos por uma senhora muito simpática que nos deu o programa das actividades. Tínhamos que organizar bem as nossas visitas para não andarmos sempre de táxi o que fugia ao nosso curto orçamento. Curiosamente, o táxi, de vez em quando parava numa espécie de portagem e conseguimos perceber que passava por caminhos particulares e os donos teriam de ser informados das intenções dos viajantes. Quando chegámos ao hotel fomos...

PARAGEM NO TEMPO

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Acordei relativamente cedo, mas fiz um esforço para dormir até perto das sete porque tinha tido uma noite bastante agitada, talvez pelo cansaço e porque o barulho da ventoinha por cima de mim me incomodava. Quando o marido da minha amiga veio bater-me à porta para irmos tomar o pequeno almoço, soube que ela estava cheia de febre. Resolvemos que o melhor seria levá-la ao médico para cortar o mal pela raiz. Depois do pequeno-almoço, contratámos um táxi que nos levou ao pseudo hospital de Rishikesh. O motorista levou-nos directamente a uma médica que a medicou com os comprimidos suficientes para aquele dia, com ordens para lá voltarmos no dia seguinte. Não é como cá que passam receitas e, depois, ficamos com as caixas cheias de pílulas; lá dão os comprimidos suficientes para o tratamento e pronto! Passámos a manhã toda na conversa, fazendo companhia à doente. Almocei com o marido (a doentinha só queria fruta) e a seguir fomos dar uma volta até ao outro lado da ponte (vide foto acima) para...

A CAMINHO DE RISHIKESH

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O comboio era do tempo da outra senhora, como se costuma dizer, muito pior do que aquele que tomámos para Poona. Durante todo o caminho choviam coisas pretas o que nos impedia de ter as janelas abertas para não levarmos com elas em cima! No princípio da viagem ainda dava para observar o panorama que se ia desenrolando, bairros miseráveis que já não dava para estranhar, mas o que fez com que nos fartássemos de rir foi ver o espectáculo de dezenas de indivíduos a fazerem as suas necessidades à vista de todos! À nossa frente ia uma família indiana muito simpática: pai, mãe e uma filha crescida muito gira. O pai, logo ali tirou os sapatos e sentou-se no banco de pernas cruzadas. A certa altura, a mãe puxa dum farnel e o pai, continuando de pernas cruzadas, virou-se para o lado e preparou a mesa do repasto, caril de vegetais dentro dum saco de plástico, cebola crua, partida aos bocados, chapatis (pão indiano) e malaguetas. Lá comeram tudo à mão, não sem antes perguntarem se éramos servidos....

TAJ MAHAL

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A viagem durou 5 horas – a meio houve as habituais paragens para comer e fazer xixi. Por acaso, surpreendentemente, o sítio da paragem era uma espécie de oásis do Turismo oficial. É que parecia mesmo um oásis porque tinha um jardim, no meio de toda aquela pobreza e porcaria! Desta vez ficámos num bom hotel, do género daquele onde estivemos em Aurangabad, mas este até ar condicionado tinha o que proporciona outro conforto e descanso. Depois de almoçar não resisti a fazer uma sesta porque estava, realmente, cansada da viagem. Fui acordada para embarcar numa visita turística. Alugámos um carro e lá fomos até ao túmulo do avô da Imperatriz Mumtaz – a tal do Taj Mahal. Muito bonito e via-se que era preparatório para o futuro túmulo da Imperatriz. Situado no meio dum jardim e à beira do Rio Jamuna (rio irmão do Ganges, segundo reza a tradição). O seu estado de conservação deixava a desejar, mas compreende-se que num país onde há tanta miséria, é difícil pensar na conservação de monumentos, e...

JAIPUR - A CIDADE COR-DE-ROSA

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Aqui vamos nós, Índia acima, seguindo os passos estabelecidos ou improvisados. Como lhes disse, demo-nos ao luxo de apanhar um avião que nos levasse até Jaipur, a cidade cor-de-rosa. Esta parte estava programada porque com os transportes naquelas terras não se brinca… E, foi assim… Que apanhámos uma camioneta que nos deixou num modesto aeroporto onde tomámos o pequeno-almoço. A viagem não foi muito demorada e, à chegada, alugámos um Rikshaw com um condutor velhote amoroso que nos serviu de guia até ao fim do dia. Arranjou-nos um hotel, muito ao estilo de casa colonial. A minha amiga estava com um bocado de medo de novo encontro com as “amigas” baratas, mas as massas também não davam para outros luxos e, por isso, teve de se conformar. O hotel ficava dentro dum jardim, o que era excelente para nos proteger dos maus cheiros que vinham dos esgotos a céu aberto das redondezas. Depois do almoço demos início à visita à cidade que nos pareceu bastante bem delineada, com ruas largas e alcatroa...

OS TEMPLOS GRUTA

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A razão desta visita prendeu-se no interesse que estas grutas templo têm. Na Índia são muito comuns, contando-se quase 1200. Estas escavações não foram feitas a partir de grutas naturais. As rochas foram esculpidas de cima para baixo com ferramentas primitivas e a partir de planos feitos à partida. Os Budistas foram os primeiros a fazê-las. Os templos consistiam em duas zonas demarcadas: o templo propriamente dito e a zona residencial dos monges. As Grutas de Ellora são produto de três religiões: Budista, Bramanista e Jainista e contêm esculturas de deuses deusas representativas da sua fé. Chegámos ao Hotel Aurangabad Ashok onde ficámos muito bem instalados, se compararmos com as experiências anteriores. A janela do meu quarto dava para o jardim e, ao fundo, avistavam-se as montanhas. Depois dum rico banho e pequeno- almoço razoável, lá me enchi de coragem para resistir à tentação de mergulhar nos lençóis. Fomos até à “cidade”, se é que se pode chamar cidade a um amontoado de barracas...

SEGUE A VIAGEM...

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Cá estou novamente para vos contar como foi o caminho para Poona e respectiva estadia. É preciso que vos diga que a razão desta visita tem a ver com o facto de, nesta cidade, haver vários centros de Yoga e um Ashram do Suami Rajneesh, actualmente chamado Osho (já falecido). O que pretendíamos visitar era o centro dum grande Mestre de Hatha Yoga, Iyenger. Apanhámos o comboio na Estação de Vitória e lá nos sentámos numa carruagem onde nos reencontrámos com o suma-a-pau. A 1ª classe era bastante mais cara, por isso, optámos por poupar umas rupias, sacrificando o conforto. Por cerca de 120$00 tivemos direito a chá e uma refeição ligeira. A viagem até se fez muito bem pois passámos o tempo a contar as nossas aventuras e a ouvir as dele. Chegámos a Poona e, por coincidência, à saída encontrámos uma senhora que havíamos conhecido a caminho de Ganeshpuri que nos indicou um hotel ali perto. Infelizmente, esse estava cheio e acabámos por ir parar a um mais barato, tipo casa de passe, onde as ami...

EXPERIÊNCIAS VIVAS

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Depois de nos instalarmos, a nossa primeira participação nas actividades foi no Arati da tarde, os cânticos feitos em pé. O templo era muito giro, mas a “fauna” que por lá pairava era um tanto ou quanto esquisita, especialmente eles. Uns 20 e tal europeus completamente orientalizados pois viviam ali há muito tempo. A seguir à cantoria, tivemos a nossa primeira experiência de comer como mandam as regras: sentados no chão, usando só a mão direita (comer à mão mesmo) e em silêncio. Ao princípio deu-nos vontade de rir, mas depois tudo correu pelo melhor. Comer caril com a mão, apesar da ajuda dos chapatis não é, definitivamente, tarefa fácil para quem não está habituado. À saída cada um levava o seu prato e lavava-o no mesmo sítio onde se lavavam as mãos. Mais cânticos e rezas, desta vez sentados no chão e lá estivemos nós a tentar acompanhar durante uma hora. Regressadas ao quarto, preparámo-nos para a deita numas camas do tipo suma-a-pau com um mosquiteiro para que os mosquitos não se s...

GRANDE AVENTURA

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Agora é que é!!! Passo a contar-vos a grande aventura que foi chegar a este Ashram, aproveitando o diário de que vos falei. O relato fica, assim, mais rico. Se calhar este episódio da nossa viagem terá dois capítulos... Animem-se! Deixámos o Hotel às 10.30 h, para apanhar o autocarro 253 para Andheri, onde fomos encontrar um mar de lama e de gente... (é bom que saibam que na altura em que fomos a monção ainda andava por lá e as chuvadas eram uma constante). Carregadas como nós íamos, não dava para ter o moral muito elevado, sobretudo eu, confesso. Apanhámos o combóio com destino a Vasai Road, aonde chegámos ¾ de hora depois. Chovia bastante e o moral desceu mais uns degraus quando mergulhámos num novo mar de lama avermelhada (a outra era sobre o preto...). Chegou o autocarro, a cair aos bocados, e lá entrámos com a maralha toda. Dois minutos depois, voltámos a sair porque a geringonça não andava... Feita a mudança com a ajuda dum cavalheiro providencial, lá nos pusemos a caminho para m...

MEMÓRIA...

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A vantagem de escrevermos um diário de viagem é que a memória não nos atraiçoa… e, como descobri um caderno onde descrevi a viagem à Índia com bastantes pormenores, constatei que a tal visita ao “Ashram”, afinal, foi três dias depois da nossa chegada. Aqui fica o reparo, com as minhas desculpas. Depois da nossa excursão, antes de regressarmos ao hotel, ainda passámos por um Centro de Yoga que não despertou o nosso interesse pelo que nem nos demos ao trabalho de pedir informações. Como tínhamos almoçado bem, decidimos ir ao mercado comprar fruta e umas bolachas de água e sal para o jantar. Esse foi, muitas vezes, o nosso menu durante a viagem, gozando da variedade de fruta que há nas zonas tropicais. Por norma nunca comemos nada cru sem lavar e tirar a casca para evitar problemas intestinais o que, felizmente, nunca aconteceu. No dia seguinte, já mais repousados, metemo-nos a caminho até à estação onde obtivemos informação sobre o Instituto de Yoga da Indra Devi de que tínhamos ouvido ...

PEREGRINAÇÃO

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Ir à Índia fazia parte dos nossos projectos a partir do momento em que nos encontrámos estabelecidas neste caminho da espiritualidade que é o Yoga e foi exactamente isso que fizemos. Combinada a estratégia, lá embarcámos para uma nova aventura, a minha amiga, o marido e eu. Não fomos em excursão organizada como se usa agora; a única coisa que tínhamos marcado era o avião para Bombaim e o respectivo regresso, o resto nasceu sempre do improviso e da intenção primeira que era visitar sítios onde a prática do Yoga fosse comum e acessível. Claro que também tínhamos uma ideia do que seria importante conhecer e deixámo-nos guiar pela intuição e pelos sinais que nos apareciam de forma evidente. Levávamos connosco um livro que nos ajudou a encontrar soluções e nos dava dicas para nos orientarmos numa cultura tão diferente da nossa. Apesar de termos estado em Goa, sabíamos que a outra Índia era bem diferente. Aterrámos em Bombaim e, no próprio Aeroporto, procurámos alojamento adequado. É bom qu...

LUZ, APESAR DAS SOMBRAS

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“QUE DEUS FAÇA DE MIM, QUANDO EU MORRER, QUANDO EU PARTIR PARA O PAÍS DA LUZ, A SOMBRA CALMA DUM AMANHECER”. Florbela Espanca “NO CÉU BRILHAM AS ESTRELAS QUE VÃO APONTANDO CAMINHOS. SÃO PONTOS DE LUZ QUE SE ETERNIZAM PARA ALÉM DA SUA EXISTÊNCIA. OLHO, ENTÃO, O CÉU E VISLUMBRO NA NOITE ESCURA A ESPERANÇA DE VER CHEGAR AQUELA ESTRELA RSPLANDECENTE QUE, NO SEU FULFOR, FAZ DE CADA DIA UMA VIDA VIVIDA NA PLENITUDE DO AMOR. PASSO A PASSO, NA DIRECÇÃO CERTA, SIGO COM AS ESTRELAS QUE MORREM E, NO ENTANTO, CONTINUAM A BRILHAR.” Problemas familiares graves, puseram-me à prova e demonstraram à saciedade as vantagens do Yoga como filosofia e meio de encontrar um equilíbrio que se apresentava instável a nível afectivo e emocional. A vida é como o arco-íris, tem todas as cores e apresenta-se quando a tempestade se anuncia. Manter uma visão clara nos momentos difíceis é um factor decisivo para não nos afundarmos ou deixarmos de lutar pela nossa sanidade mental e prosseguir com os projectos que, de c...

GRANDE AZÁFAMA

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As ideias que foram surgindo com os trabalhos desde Inglaterra deram os seus frutos. Organizámos um primeiro Retiro de Yoga na Torre da Aguilha, um Seminário em S. Domingos de Rana, outro na casa de Retiros do Rodízio, na Praia Grande, ambos muito concorridos e bem sucedidos . O empenho que pusemos na sua organização deu os seus frutos. A vontade de fazer bem permitiu-nos ultrapassar a falta de experiência nestas matérias e é preciso que se diga que as pessoas que aderiram fizeram-no com a máxima abertura, colaborando o mais possível. Foi uma vivência plena de sentido e prazer. Muitos outros se seguiram, sendo que o mais trabalhoso foi aquele que fizemos em Sesimbra no antigo “Hotel Espadarte”. Foi a primeira vez que nos organizámos em pareceria com a “Associação de Yoga Sivananda”, de Madrid. Para o efeito, vieram Instrutores de lá para nos ajudarem à preparação do espaço e, o Mestre Sivayotir conduziu todo o Retiro em que participaram muitos alunos e alguns estreantes. Antes do Reti...