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terça-feira, julho 27, 2010

PEGADAS




Hoje em dia, fala-se muito na ideia de que deixamos pegadas à nossa passagem pela experiência de vida na Terra. Considero que, para além das próprias pegadas que vamos deixando pelo caminho, há aquelas que são deixadas por quem passa pela nossa existência, marcando a sua presença de um modo ou de outro. Quando olhamos para trás, essas marcas são uma constante lembrança daquilo que significaram para nós num dado momento. As pessoas que têm passado pela minha vida, deixando impressas as memórias desses momentos ou dessas etapas vividas em comum, fazem parte importante do meu processo de desenvolvimento e, sobretudo, do auto-conhecimento essencial ao avanço no cumprimento do meu/nosso Karma.
Naturalmente, foram os meus pais e os meus irmãos, os primeiros a afirmarem-se como elementos essenciais à minha educação e consciência do lugar que ocupo neste seio familiar e, mais tarde, no mundo. Não conheci os meus avós, mas também eles têm o seu papel na relação com a ascendência. Os amigos de infância fizeram, igualmente, parte deste conjunto que se prolongou até à adolescência. No tempo em que permanecemos em África, os amigos foram sempre cúmplices de muitas aventuras e guardo na memória esses episódios, pois fortaleceram em mim a ideia da partilha e da solidariedade. Quando viemos viver para Lisboa, o cenário e as acções mudaram radicalmente, visto que a liberdade dos trópicos não se coadunava com a vida numa grande cidade. O convívio era feito na escola, com as colegas (os rapazes estavam noutra escola…) ou em casa com os meus irmãos, principalmente com o meu irmão que tem uma idade mais próxima da minha. A minha mãe passou a ter o papel principal na nossa educação porque o meu pai voltou para África, onde permaneceu bastante tempo, com muita pena minha/nossa. No seu regresso definitivo, estranhou encontrar adolescentes feitos… Felizmente, a adaptação não criou problemas de maior, até me casar e partir para a Índia onde o meu marido/noivo se encontrava em comissão de serviço.
O facto de ter viajado bastante, para acompanhar o meu marido, permitiu-me abrir horizontes e ter e criar amizades duradouras, que prezo especialmente. Os filhos começaram a poisar os seus pés e a deixarem a sua marca indelével. Ainda hoje é assim e, agora, também os meus netos vão fazendo o mesmo. Em continuidade, a partir do momento em que comecei a dar aulas de Yoga e a acompanhar o desenvolvimento dos que se ligam espiritualmente a mim, fez com que goze o privilégio de reconhecer as pegadas que vão marcando o caminho que percorremos juntos, com alegria e confiança. Tenho, realmente, sido abençoada com o facto de ter por companhia os que precisam da minha energia e de quem recebo tanto, numa troca que só termina quando a necessidade deixa de existir ou sempre que é preciso “treinar” o desapego.
O caminho traçado segue, assim, em boa companhia e a viver cada experiência com a certeza de que há ainda muitas lições para aprender…

Fiquem bem, apesar do calor que aperta sem desculpa!



quarta-feira, julho 14, 2010

DOIS E DOIS, QUATRO?...


Acredito que a contabilidade na vida nem sempre dê certo! Não acreditam? Então, vejamos: se assumirmos uma identidade e nos mostrarmos tal qual somos, os resultados dessa atitude pode, muito bem, fugir ao nosso controlo ou às nossas expectativas. O que os outros vêem em nós pode escapar ao nosso entendimento e será difícil corresponder inteiramente ao que esperam de nós. Quando nos entregamos a um projecto ou a uma relação, não é possível controlar as consequências à distância, em termos de tempo e de espaço, visto que vamos vivendo as circunstâncias de acordo com o sentir de cada momento, procurando o equilíbrio entre dar e receber, para que, na devida altura, possamos escapar a desilusões e mágoas, ou prosseguir com as acções que alimentem e consolidem a situação em questão. Só através das acções de cada dia conseguimos perceber os nossos próprios limites e satisfação que a entrega proporciona.
Devemos estar vigilantes, mas não excessivamente prevenidos para evitar eventuais desastres. Os afectos, como qualquer construção, são baseados em riscos que têm o seu preço e vão deixando as suas marcas que servirão como sinais que nos obrigam a maiores cautelas sem, no entanto, fecharmos as portas a novas experiências que farão parte do nosso processo de desenvolvimento. Pecamos imensas vezes por defeito e isso faz parte da nossa humanidade. Somos o que somos e seguiremos de acordo com o que vai fluindo pelos caminhos traçados, cujo fim não enxergamos… FELIZMENTE!!!
As pessoas aproximam-se e afastam-se de acordo com os seus próprios interesses ou necessidades e as roturas, apesar de dolorosas e, talvez, difíceis de compreender e aceitar, são reflexo da tal contabilidade. Cada um sabe de si e o que, na realidade, conta é a intenção que regula a lei do Karma, essa mesma de contas sempre certas… Cabe-nos lamber as feridas, saborear as pequenas vitórias e continuar com a esperança em alta e de expectativas moderadas. Por mim, continuo a achar que é bom que dois e dois nem sempre sejam quatro…
Fiquem bem!