A minha Lista de blogues

segunda-feira, dezembro 29, 2008

FESTA É FESTA!!!




Não há volta a dar... Começa a aproximar-se o Natal e lá estamos nós a refilar com a perspectiva dos trabalhos que essa festividade anual dá! Falo por mim, claro, pois, todos os anos me preocupo em viver a quadra com um mínimo de tranquilidade e boa disposição, com a certeza de que não escapo à organização dos eventos sociais, familiares e afectivos. Ao mesmo tempo, dá-me gozo começar a projectar aquilo que me obriga a minha condição de mentora do “Satsanga” e “matriarca” de uma família biológica alargada. Embora tenha ajudas pontuais, sou eu que tenho de deitar mãos à obra e inventar Natais que sejam agradáveis e simples. A partir do momento em que as ideias me ocorrem e as aceito, o resto flui naturalmente.
Felizmente, tudo funcionou de acordo com as perspectivas e a contento de adultos e crianças de várias idades. Houve tempos em que esta época era marcada por algumas depressões, reflexo de memórias e saudades. Agora que a crise nos está a bater à porta, a simplicidade dos actos é aceite sem reservas. Antigamente, olhava-se mais à medida das ofertas... Já se sabe que ainda podemos dizer que, pelas ofertas e manifestações de outra ordem (mensagens, e-mails, cartões cada vez mais raros), entendemos quanto valemos nas relações, tendo em conta a intenção. Pessoalmente, gosto de trocar afectos com quem sinto afinidade e necessidade de equilibrar o dar e receber. Nesse aspecto, posso dar-me por feliz visto que o saldo é positivo, apesar de algumas desilusões temperarem a contabilidade. Vamos desligando-nos de uns e de outros, à medida que os nossos Karmas se saldam ou se completam. Fechamos ciclos, preparados para abrir outros, numa atitude de desapego e total liberdade. A Vida é mesmo assim.
Preparamo-nos para receber o novo ano, aproveitando como habitualmente, para fazer bons votos e desejar que esta etapa siga com um mínimo de sobressaltos e que todos possamos vivê-la em Paz, com a consciência do papel que nos cabe, para conseguirmos contribuir com a nossa quota parte de solidariedade e a ecologia própria daqueles que se aplicam a explorar novas e boas ideias para a sobrevivência deste planeta. Todos ficamos a ganhar...
Fiquem bem!

BOM ANO!!!

segunda-feira, dezembro 15, 2008

UM LAGO TRANQUILO EM ALVOROÇO


De repente, deu-me vontade de reler alguns textos, contidos num livro que publicámos em 1998 e a que demos o nome de “CONTACTOS – Corpo – Mente – Espírito”, escrito em parceria com Paula Mora, numa época de grandes “despertares” no Caminho espiritual.
Como me pareceu encaixar nesta época natalícia, resolvi trazê-lo ao vosso olhar e ao vosso Sentir, esperando que alvoroce o vosso lago interior e o desperte para novas e ideais vivências:

"
Um Lago tranquilo, mas de águas profundas, reflectia no seu remanso as nuvens que pairavam no azul do Céu. O vaivém das pequenas ondas refrescava as margens cobertas de verdura. Não fora o doce marulhar, diríamos que o tempo ali tinha parado. E, no entanto, aquela calmaria significava apenas uma pausa, uma espera até que chegasse a hora de actuar.
O canto dos pássaros, levado pela brisa, anunciava a boa nova: uma nova estrela estava prestes a despontar no firmamento daquele microcosmos. Na morada dos mágicos, havia uma certa agitação. O momento, há muito esperado, anunciava-se para breve. O alvoroço era inevitável, mas sentia-se a protecção divina dando segurança e tranquilidade.
As dores sofridas durante o período de gestação restavam ainda na memória. A grandeza do acontecimento assim o exigira e, apesar da obscuridade ter carregado os contornos, a Luz despontando no horizonte era uma promessa de exaltação e alegria. Essa Luz, de poder e beleza infinitos, tocou então as águas daquele Lago profundo e tranquilo. Nessa hora, viu-se chegado o momento. Era, foi o passo que faltava para chegar ali. Nasceu, por fim, um novo SER que se manifestou alegremente, brilhando. A emoção que esse nascimento desencadeou, não se podia conter!!! A alegria fez brotar as lágrimas, que dos nossos olhos correram confundindo-se com sorrisos...
O mistério da Vida desvendava-se perante nós. Desde esse instante, ficámos em adoração àquele cálice sagrado onde o Amor nos surpreendeu.
Nada será como dantes!... "



Fiquem bem e...


BOM NATAL!!!









quinta-feira, dezembro 04, 2008

SINAIS


Sou, normalmente, uma pessoa atenta ao que se passa à minha volta e vou registando as informações que me vão chegando, seja por palavras, gestos ou acções, para que possa gerir as energias que circulam nos ambientes em que estou inserida. Como lido com muita gente, preciso de captar os sinais que vou descodificando de modo a me orientar em termos de comportamentos próprios ou alheios.
O que dizemos e fazemos em cada circunstância, determina a continuidade das ligações temporárias ou de longo prazo. Os interesses comuns levam-nos a explorar relações que se estabelecem por necessidade de evolução e esses interesses fundamentam os alicerces do nosso Ser e do nosso Estar como individualidade dentro de um TODO do qual fazemos parte a nível de alma. O contacto físico pressupõe uma troca de energia, que se deseja equilibrada e satisfatória para ambas as partes e quando essa condição já não faz sentido, as manifestações exteriores acontecem por instinto.
As palavras pronunciadas espontaneamente, bem com as atitudes apresentadas em determinado momento, dão-nos a ideia do ponto da situação em que aquela relação se encontra. Infelizmente, porque somos apegados por natureza, o que sentimos nem sempre se coaduna com a realidade estampada na nossa cara, porque a nossa auto-estima depende, muitas vezes, de afectos que nos parecem consistentes e que nos iludem ao ponto de acreditarmos que a nossa entrega vale mesmo a pena. Acontece muito nas relações amorosas, pensar-se que aquele amor é para sempre, mas na verdade o “para sempre” não sabemos bem até quando será.
Na filosofia do Yoga encontramos um conceito que dá pelo nome de “Maya” e “Maya” significa ilusão. Vivemos numa permanente ilusão de que a vida tem uma consistência que, realmente, não tem. Olhando a matéria, nua e crua, pensamos que ela se mantém inalterável e que a sua aparência é imutável. Se nos dermos ao trabalho de olhar mais atentamente podemos reconhecer alterações que, à partida, nos passavam despercebidas. As nossas células, por exemplo, nascem e morrem a cada passo e o que somos agora nada tem a ver com o que éramos há pouco tempo atrás. Assim acontece nas relações pessoais, afectivas, sociais ou profissionais. Inconscientemente, vamos gerindo emoções e sensações, de acordo com as necessidades, saboreando momentos de agradável convívio e colmatando os vazios que acontecem naturalmente.
Somos montras ambulantes! Mostramo-nos a quem por nós passa e somos atraídos pelo que vemos expostos nos outros. Umas vezes abrimos as portas, outras vezes respondemos à curiosidade e partimos à descoberta do outro, na esperança de encontrar o que nos faz falta e corresponder a uma qualquer necessidade alheia. Se dermos atenção, os sinais aí estão para nos indicar o caminho a seguir. Ninguém está com quem não deve estar, nem tão pouco onde não deve estar. A Natureza ou o Universo, levam-nos aos sítios certos e às companhias que servem à nossa evolução e propósito de vida, mesmo que nos rebelemos contra essa ordem inexorável.
Estar atento aos sinais que se manifestam com alguma insistência, permite-nos levar por diante a existência com o mínimo de percalços, sabendo que, no fim, está tudo bem e que viver de ilusões também não é assim tão mau… Somos humanos, não é?
Quando o dia amanhece solarengo esquecemo-nos de que todos os sinais apontam para a chegada do Inverno e quando chove e faz frio, pensamos que a Primavera já não demora…
Divirtam-se a interpretar os sinais e contem com algumas surpresas.
Fiquem bem!

quarta-feira, novembro 26, 2008

A VIDA POR UM FIO...


Chegamos ao mundo ao partir do NADA. Crescemos em vários os sentidos, ansiando por voltar ao NADA!”

Quando tomamos consciência da existência, mergulhando no mistério que é a Vida e deparando com as fragilidades que ela apresenta em termos físicos e emocionais, descobrimos que, realmente, chegamos ao mundo vindo do nada, nada que é tudo ou se quiserem chamem-lhe Essência. Na verdade, não sabemos a razão de ser disto a que chamamos Vida e que nos obriga a trabalhar para a sua sustentação com dignidade e algum sentido. Quem sou, para que serve a minha existência, é uma questão que todos nos pomos, uma vez por outra. Um mistério que, para mim, se baseia no facto de sermos habitantes de um planeta que o universo suporta e mantém no seu girar contínuo.
Não acredito em extra-terrestres (no sentido habitual do termo), mas penso que haverá outras vidas noutros espaços não, necessariamente, com a mesma aparência e estado de evolução. Ao ver documentários sobre o universo, sinto-me muito pequena perante aquela imensidão de luz e cor que escapa ao meu fraco entendimento da matéria. Buracos negros, estrelas que deixaram de existir e, no entanto, continuam a brilhar, planetas que se vão dando a conhecer através de telescópios potentíssimos e tudo o mais que se apresenta como um quadro pintado por um qualquer pintor, inspirado sabe-se lá porquê ou por quem e que me surpreende e fascina.
Falamos constantemente em Deus, eu própria assumo a necessidade de pensar que há deuses que me acompanham neste processo. Se pensarmos bem, teremos de considerar que a ideia de um Deus, criador e protector, é uma fantasia que nos faz sentir seguros, protegidos e enaltecidos. Se fomos criados à imagem de Deus, temos que ser fantásticos e imortais, apesar da nossa vida estar sempre por um fio… O corpo merece a nossa atenção porque se manifesta de uma maneira ou de outra, acordando necessidades e desejos que nos põem, por vezes, ansiosos e descrentes ou num estado de exaltação perante acontecimentos que nos tocam desse jeito.
Os dias vão passando, as estações seguem o seu curso e os anos crescem, acrescentando memórias à nossa biografia. Nós vamos, igualmente, fluindo e deixando que o fio da Vida, mesmo frágil, nos leve até ao NADA de onde partimos, com a sensação de que vale a pena viver neste planeta que, como nós, voltará ao NADA de onde surgiu.
Fiquem bem!

quinta-feira, novembro 20, 2008

UNIDADE NA DIVERSIDADE


Ainda a propósito do Grupo de Almas de que vos falei, debruço-me hoje sobre o tema acima mencionado que encaixa perfeitamente nesta ideia.
A “Unidade na Diversidade” é um conceito que resulta da consciência de que somos uma partícula da divindade ou essência, manifestada naquilo que compõe o nosso corpo como “habitat” da Alma. A energia que somos encontra-se temporariamente aprisionada pelos elementos que se debatem na adversidade residual. Cada movimento, cada acção, arrasta consigo as projecções de um passado, próximo e distante, avançando para que o equilíbrio se mantenha em qualquer circunstância, ao mesmo tempo que a percepção da relação com o TODO aumenta.
Meditamos e, de repente, o tempo para, de tão estabelecido que fica naquele momento, sem que tenha importância o que foi e o que será; tão ilusório como as nuvens que, ao longe, parecem pairar sobre a montanha que se avista. De frente para o mar, constatamos que o mundo é, definitivamente, redondo e que a sua forma esférica nos permite concluir que rolamos no espaço, desafiando o desconhecido. Nesta longa viagem, sustentamos ideias, conceitos e fomentamos preconceitos que nada têm de verdade porque se constroem e desconstroem a cada instante.
O momento que assim vivemos é um eterno presente e, por isso, intemporal. Tentando segurá-lo na palma da mão, podemos ver o coração sangrando na dor da ignorância. Viver neste “presente” deixa-nos ver o que não está à vista, o que está para além do sofrimento e da escuridão que envolve as mentes que se agarram a passados que não têm futuro. Esta jornada da inteligência e da consciência, é uma prática de Yoga que nos leva à integração, de maneira que o que esteja fora seja igual ao que está dentro. Deste modo vamos lutando até que alcancemos um estado de graça em que a nossa vibração se mantenha sempre elevada.
Pertencer a um grupo de Almas dá-nos a segurança e a confiança que nos permite, algumas vezes, entrar em contacto com outras almas noutros grupos para que possamos partilhar, mais amplamente, o que vamos “experienciando” e aprendendo com a ajuda dos nossos próprios pares.
Continuemos, pois, a vibrar como uma unidade na diversidade, formando uma corrente de energia em que os elos se reforçam para resistir ao impacto de forças provocadoras de instabilidade e crescendo no sentido próprio de uma frequência grupal, dentro de um TODO que é este Universo.
Fiquem bem!

segunda-feira, novembro 10, 2008

CONCEITOS



“Penso ser importante transmitir aquilo que vamos sabendo ou sendo, à medida que avançamos neste caminho de buscas, dúvidas e alegrias. Nada realmente nos pertence. Cada palavra ou ideia intuída é de todos aqueles que buscam a Verdade ou pelo menos uma compreensão mais próxima da Verdade, que sabemos estar para além do visível que habitamos.
Os contactos deveriam estabelecer-se entre um SER e outro SER, independentemente do sexo e dos laços afectivos ou familiares. Cada indivíduo tem um caminho único, independentemente do papel que representa no seu convívio com os outros. Como se pode limitar a dimensão de quem se quer livre e autónomo? Ninguém é dono de ninguém! Juntos porque se amam, mas em caminhos diferentes, vivendo uns com os outros, mas não tendo de viver a vida uns dos outros. Respeitem-se, pois, amando-se na vossa individualidade.”

SETH



Já devem ter reparado que falo muitas vezes em “Grupo de Almas”. Esta ideia é um conceito que se baseia no sentimento de pertença que todos gostamos de ter, seja a nível familiar ou a nível social. O mesmo se passa no campo espiritual, pois o que se passa em baixo, passa-se em cima.
Ao longo dos anos, em que se foram aproximando de mim Seres dispostos a caminhar pela senda espiritual, que escolhi também ser a minha, foram despertando no meu “sentir”, a impressão de que um Grupo de Almas se ia formando com base em características próprias da missão a que estava destinado. As pessoas que se foram sentindo tocadas por essa energia não eram escolhidas por mim, nem por elas próprias. Formavam-se elos instantâneos, sem razão aparente e lógica, para além do facto de, naturalmente, se sentirem bem connosco. A certa altura, começava-se a desenhar uma característica comum: todos tinham vontade de evoluir para melhor ajudar o próximo, sem preocupação com o modo como o poderiam fazer. Cedo concluí que éramos um grupo de Almas, formado por curadores. Mantenho essa ideia até hoje, pois todos os que têm circulado por esta energia, têm uma frequência vibratória que se manifesta nesse sentido, nos desejos e nas acções de todos e cada um.
Esta será a base deste “Grupo de Almas” que mantém a ideia de que a verdadeira espiritualidade está na liberdade que se alcança através do desapego, amando e respeitando a individualidade de cada um e de todos, com a sensação de pertença, tal como numa família cujos membros são livres de caminhar por conta própria e, ao mesmo tempo, sabendo onde encontrar refúgio num lugar onde se aprende e ensina.
Conseguir fluir e gerir este conceito é o Caminho do Amor incondicional e de uma boa relação CORPO-MENTE-ESPÍRITO. Não é fácil, mas vale a pena, pois cada conquista é um passo em frente na mira desse objectivo.
Fiquem bem!

quarta-feira, outubro 29, 2008

A PROPÓSITO DE COMPAIXÃO




Quantas vezes damos connosco a dizer que temos pena desta ou daquela pessoa ou de alguma coisa?... Para, logo a seguir, pensarmos que “pena” é um sentimento pobre, chegando mesmo a exclamar que: “penas são para as galinhas!…” Emendando, então, para a palavra “compaixão”, cuja conotação soa a mais elevado como sentimento…
Mas, será que “pena” é assim tão mau?... Não temos nós pena de tanta coisa? Pessoalmente tenho muitas “penas” acumuladas e acredito que sejam, de um modo geral, justas. Tenho pena quando alguém se afasta, sem saber porquê, tenho pena de não conseguir alcançar o verdadeiro mistério das relações humanas, embora encontre algumas justificações no conceito de Karma e Reencarnações, que me permite aceitar que estamos com quem temos de estar em cada momento. Os que nos acompanham nas etapas da Vida, são aqueles com quem já convivemos ou que precisam de aprender connosco e ensinar-nos o que nos falta saber. Esta ideia dá-me algum sossego, mas continuo a ter dificuldade em perceber porque razão os afastamentos se dão bruscamente, sem razão aparente e sem aviso prévio ou quando nada indicaria que essa separação estava na calha… É verdade que, também, nem sempre se entende a razão de ser de aproximações inesperadas, que escapam à nossa própria vontade ou necessidade. Uns partem, outros chegam, num eterno retorno que nos mantém alerta e disponíveis para dar e receber sem julgamentos nem expectativas, tomando isso como lições de vida no campo da humildade e da tolerância.
Compaixão é um sentimento nobre, sim, mas tem um peso e coloca-nos à distância, pois dá-nos a ideia de que nada podemos fazer para além desse sentir, talvez associada à noção de Amor incondicional, nem sempre fácil. Quando temos pena, essa energia parte do Plexo Solar, aí onde residem as emoções e a necessidade de dar e receber na mesma medida, ao passo que a compaixão é um sentimento que vem do peito (“Chakra” do Coração) e, então, a distância é a forma do desapego e da liberdade que no alegra e conforta. Sentimos que a nossa energia se expande para além de nós, sem termos de actuar de forma directa, o que é uma sensação agradável e nos proporciona bem-estar.
Aceito, pois, ambos sentimentos e vou trabalhando sobre eles de acordo com as circunstâncias, para não ter de bater no peito, com pedidos de perdão, um costume muito próprio da nossa cultura judaico-cristã. Tenho pena, sim senhor! Tenho compaixão também! Resta-me aprender a gerir estas energias quando elas me tocam.
Fiquem bem, por compaixão e sem pena porque é bom estar aqui!

terça-feira, outubro 14, 2008

REFLEXÕES

Jardim das Amoreiras (Lisboa)



Estamos no Outono, uma estação que nos leva a um certo recolhimento para reflectir, depois da agitação que o Verão implica. Há pessoas que não gostam desta época, talvez por verem a natureza a despir-se e a resguardar-se, preparando-se para o Inverno. Eu, por acaso, gosto do Outono quando ele se apresenta com as sua cores vivas e a suavidade dos dias sem vento e a temperatura naquele ponto em que, durante o dia ainda consigo andar sem muita roupa e à noite a saber-me bem o aconchego do edredão, para mim, uma das melhores sensações pois que me lembra a protecção do ventre materno.
A propósito de Outono, tenho dado comigo a pensar que, também eu estou no Outono da vida. Vou avançando na idade, com a consciência de ter feito um percurso de alma em que as acções tiveram um papel e o seu registo uma marca. O “Satsanga” completou 25 anos, estou casada há quase 50, tive 4 filhos, tenho 8 netos, cerca de 20 sobrinhos, já perdi a conta aos sobrinhos-netos, escrevi 4 livros e plantei umas quantas árvores! Curiosamente, tive a sensação de ser eterna quando nasceu o nosso primeiro neto… Quando nascem os filhos somos ainda muito novos para pensar nesse conceito e um neto permite-nos realizar que a família se prolonga no tempo e no espaço, levando consigo a marca dos valores em que acreditamos, impressa nos seus genes. Naquele dia tive a certeza de que não ia morrer!
Agradeço, aqui e agora, as palavras amáveis que me dispensaram nesta celebração e, neste Outono tranquilo, saúdo todos quantos têm feito parte da minha Alma e os seus percursos, família, amigos e companheiros nesta viagem espiritual, sabendo como é importante estarmos sós, mas não sozinhos.
Fiquem bem!

sexta-feira, outubro 03, 2008

ANIVERSÁRIO


Caros Amigos (as),

O Amor pode tomar muitas formas e muitos aspectos:

Pode ser sentir o Céu e a Terra num ponto de Luz, chegar ao mais profundo dos Mares e ver a transparência das águas, respirar por todos os poros e deixar que a energia penetre sem dor, numa absorção total.
♥ Amor pode ser saber que Deus existe, simplesmente porque existe, tocar num corpo sem invadir a sua privacidade e chegar à sua alma sem lhe perturbar a paz.
♥ Amor é sentir que fazemos parte dum TODO sem perder a individualidade, cumprir a missão que nos cabe sem expectativas mas com esperança.
♥ Amor é respeitar o corpo como templo da alma e instrumento da sua evolução.
♥ Amor é servir com devoção e agradecer a oportunidade de o fazer, sem procurar uma razão.
♥ Amor é o privilégio de estar aqui convosco e partilhar a alegria que sinto, com a esperança em constante processo de renovação.”

Agora que o “Satsanga” completa 25 anos, não posso deixar de agradecer a todos quantos me têm apoiado neste Caminho, acreditando que vale a pena lutar por um espaço onde a Paz se instalou para que seja possível cada um crescer de acordo com o seu potencial e seu destino, programado algures no espaço e no tempo.
Agradeço, em especial, à minha Família e àqueles que se entregaram a este projecto com Amor Incondicional: os Instrutores que fomos formando ao longo dos anos e aos que se foram tornando Discípulos (as) devotos e sinceros.
Por fim, tenho de estar especialmente grata aos meus Deuses que sempre vieram em meu auxílio, nos momentos de dúvida ou medo. Sem eles não teria sido possível chegar aonde chegámos e confiar num futuro que sabemos provável.
Estamos juntos por algum motivo…

OM SHANTI OM

Maria Emília (Mangalam)

quinta-feira, outubro 02, 2008

UMA QUESTÃO DE IDADE





De vez em quando mandam-me umas mensagens/postais que se referem à questão da idade, chamando às pessoas, “idosas”, para não lhes chamarem “velhas” ou da “3ª idade”!... E, ontem, foi “celebrado” o Dia do Idoso. BOA !!! Quando, ao jantar disse ao meu marido que tinha sido o “nosso” dia, ele respondeu logo que não tinha nada com isso… Tinha acabado mais um dia de trabalho intenso!
Na primeira situação fazia-se a comparação entre ser “velho” e ser “idoso”, sendo que esta última designação era a mais elogiosa. Quando li, até concordei com o que lá vinha escrito, reconhecendo que era bem melhor ser “idoso” do que “velho”, qualidades que me assentam naturalmente. No entanto, comecei a matutar sobre o assunto e cheguei à conclusão de que não gosto nada de classificações, sejam elas quais forem, o que não quer dizer que não saiba estarmos, o meu marido e eu, numa faixa etária avançada (72 e 69 anos). Mas como se classificarão os que, como nós, ainda se encontram activos, saudáveis mental e fisicamente?... “Velhos” persistentes ou “idosos” militantes?...
Infelizmente, nunca conheci nenhum dos meus avós, o que representa uma falha lamentável na minha história de vida, mas a minha Mãe (de saudosa memória) viveu até aos 88 anos, a minha sogra vai nos 91 e a sogra do meu irmão conta quase 98 e nunca me passou pela cabeça classificá-las disto ou daquilo. Vá lá que, por brincadeira ou carinho as chamemos de “velhotas”. A sério, são apenas senhoras de idade respeitável, umas mais activas e vivas do que outras.
Ainda bem que se vai dando atenção às pessoas que, com idade provecta e fracas condições físicas e materiais (para não falar nas afectivas), pois não têm outra maneira de ter um dia mais alegre, providenciando ainda alguma dignidade a quem não tem as condições ideais para ir chegando ao fim da sua caminhada pela Vida. Já agora, era bom que percebêssemos que não basta alongar a existência e que devíamos ser preparados para continuar a ser úteis à sociedade a longo prazo. A reforma chega aos 65 (quando não é mais cedo), mas uma pessoa dura até aos 80/90! São muitos anos para pesar aos outros e um aborrecimento de primeira apanha. Pessoalmente, detesto acordar sem objectivos ou desafios que estejam ao meu alcance.
Peço sempre aos meus Deuses que nos ajudem a viver ocupados e alegres até que chegue a nossa hora, sem nos tornarmos um fardo para os nossos filhos.
Desculpem este desabafo… Fiquem bem!

segunda-feira, setembro 22, 2008

NOVA ETAPA





Os Deuses falaram através das “Runas” e disseram:

"Nesta nova etapa, a paciência é um factor a ter em conta, pois o Caminho da auto-realização requer uma atenção dada à partilha como acto sagrado, para que se possa avançar com a coragem necessária para enfrentar os obstáculos a transpor e aceitar os privilégios que fazem parte do processo de iniciação inevitável."

Esta mensagem, que passei para o Grupo espiritual onde me encontro, contém dicas importantes que importa realçar quando damos atenção ao que está expresso. Falo por mim…
À medida que avançamos no processo evolutivo, vamos ganhando alguma flexibilidade ou tolerância para com os demais mas, por vezes, falta-nos a paciência para aceitar que o desapego é a coisa mais difícil de atingir, sem que se torne em indiferença declarada. No meu caso, por exemplo, cansa-me ter de trabalhar "o deixar ir" os que comigo caminharam grandes e importantes etapas. Entendo perfeitamente o sistema, ou seja, sei que só estamos neste mundo para aprender e ensinar e que quem surge no nosso caminho tem um desses papéis ou funciona como espelho enquanto for preciso. Na minha perspectiva, aprendemos muito quando ensinamos e só ensinamos aos que estiverem disponíveis para aprender. Tenho aprendido imenso com quem não faz ideia de que me está a ensinar… É claro que é tambem muito agradável estar com alguém em boa companhia, num “dar” e “receber” contínuo e equilibrado mas, mesmo essas, são ocasiões para grandes lições de vida. A convivência com os meus pares tem sido a minha grande Escola! A atenção que damos aos outros e às acções conjuntas, permitem-nos avaliar comportamentos próprios e alheios e perceber em que ponto de evolução nos encontramos. A partilha, seja ela qual for, é um acto sagrado e, como tal, precisa de ser regulada para satisfação de ambas as partes. Não podemos dar a quem não está em condições de receber, nem devemos forçar a nossa presença para que a troca de energia se dê harmoniosamente e seja enriquecedora para ambas as partes.
Aceitar os privilégios, creiam que não é fácil, porque a nossa auto-estima nem sempre está no seu melhor. É verdade que, quando temos obstáculos a ultrapassar, nos sentimos vítimas do sistema, mas quando as ajudas chegam ou nos acontece algo extraordinário, achamos que não tínhamos feito nada para o merecer. O gozo e o prazer são vivências que escapam ao culto do sofrimento que faz parte da ideia de que só atingimos o Céu quando nos sacrificamos! É evidente que este sentimento é mais apanágio das mulheres que têm de se sentir culpadas por isto ou por aquilo. Que me perdoem os homens...
O processo de iniciação é inevitável, não dá para olharmos para trás, a não ser para louvarmos a nossa história, as nossas memórias que formam o manancial de sabedoria que conquistámos de alguma maneira. Essa é a lei do Karma.
Meditar é o que nos permite descobrir e seguir em frente com confiança. Acabei de meditar convosco e, só por isso, estou grata pela oportunidade de partilhar “sentires”.
Fiquem bem!

segunda-feira, setembro 15, 2008

EMOÇÕES À SOLTA



Este fim-de-semana foi particularmente excitante, com as emoções a dispararem. Venho contar-lhes, porque tenho esta mania de partilhar sensações, alegrias e tristezas, com quem aprecia e vive nesta mesma onda.
O meu neto mais velho, estava inscrito para a Faculdade de Medicina e as notas dele são excelentes, mas não a ponto de ficar descansado quanto à possibilidade de entrar, sobretudo em Lisboa. Como sabem, as notas para estes cursos são muito elevadas, pois as vagas não são tantas quanto as necessidades do país e tirar um curso fora de casa é um grande rombo na carteira, para além da grande preocupação para quem está habituado a ter os filhos debaixo da asa. Portanto, a ansiedade estendeu-se até à meia-noite de sábado para domingo, com a família reunida em frente ao computador, de elementos de identificação em punho para o acesso à notícia esperada, ao mesmo tempo que se faziam apostas quanto às probabilidades propostas pelo candidato.
Dado o sinal de “partida”, introduzido o nome e o B.I. do rapaz, logo ali ficámos a saber que ele, não só tinha entrado, como lhe calhou a Faculdade que mais lhe interessava (a Nova, em São José)!!! Se lhes disser que houve saltos e choros de alegria, será pouco para descrever a onda de emoções que varreu aquela sala. Para além dos abraços, começámos a partilhar com familiares e amigos a boa nova e a noite prolongou-se para além do habitual com a adrenalina ao rubro! O rapaz tinha realmente trabalhado muito para alcançar o seu objectivo, vê-lo concretizado é uma sensação por demais agradável e consoladora para todos quantos contribuíram para este sucesso, família, professores e, principalmente, a mãe dedicada.
Resta-me dizer que o meu neto Gonçalo, juntamente com uma sobrinha neta, é a 4ª geração de médicos na nossa família! Desejo que ele continue a ser o que tem sido até agora e que honre as qualidades que são precisas para uma profissão bonita mas bastante dura e trabalhosa. É mesmo preciso ter vocação e sentir que esse é o caminho. Estamos orgulhosos e felizes e prontos a ajudar no que for preciso.
Obrigada pela disponibilidade e: PARABÉNS GONÇALO!!!
Fiquem bem!

quinta-feira, setembro 04, 2008

RECORDAR É VIVER...






De volta à cidade, depois de posta a vida em ordem para podermos começar os trabalhos, estou neste momento disponível para partilhar convosco uma vivência particularmente feliz.
A minha filha e os filhos dela, estiveram a passar uns dias connosco. Num dos dias em que o tempo não estava próprio para a ida à praia da Adraga (aquela das fotos bonitas), decidimos ocupar o tempo a fazer algo diferente e vistar a Quinta da Regaleira em Sintra, que eles não conheciam. A Quinta da Regaleira é um monumento surpreendente que foi construído no fim da monarquia. Os melhoramentos e respectiva ampliação foram feitos por um ricaço, conhecido pelo Monteiro dos Milhões (Dr. Carvalho Monteiro de seu nome), um homem de espírito científico, de vasta cultura e grande sensibilidade com uma visão cosmológica cujas raízes mergulham na Tradição Mítica Lusa e Universal. Ali se fundem o Céu e a Terra.
Metemo-nos a caminho, seguindo pela estrada de Monserrate e, de folheto informativo em punho, fomos percorrendo os caminhos propostos, descobrindo os mistérios daquele mundo esotérico mágico e fascinante. Passámos umas horas bem agradáveis e o exercício de subir e descer inúmeras escadas, pôs à prova as nossas perninhas que se portaram à altura, as minhas, que as das crianças não se queixaram naturalmente!.. O Sol foi-se abrindo, o apetite foi fazendo a sua aparição e regressámos a casa para o satisfazer e, por fim, preparar a ida à praia.
Deixo-vos algumas fotos como registo desse dia memorável. Se puderem não percam uma visita à Quinta da Regaleira! Aconselho-vos a irem com um guia (nós não o tivemos porque era preciso ir a umas determinadas horas e chegámos tarde). Já lá tinha estado com o Grupo do Yoga e a Guia explicou tudo muito bem. Vale mesmo a pena.
Fiquem bem!

segunda-feira, agosto 25, 2008

Conversas

PRAIA DA AGRAGA



A Montanha conversa com o mar, projectando a sua sombra carinhosamente e as ondas respondem beijando-a com a sua espuma. O som ecoa pelo espaço, vibrando na frequência adequada às circunstâncias e ao espaço. O vento interfere neste diálogo sem perturbar uma relação tão chegada.


O passos deixados pelo homem diluem-se sem deixar vestígios. Amanhã é outro dia nesta praia de sonho e magia, onde me delicío com esta partilha tão generosa.


Em breve regresso à cidade, ao bulício e ao trabalho que me espera, depois destes dias de pausa e introspecção. Ficam na memória os momentos de lazer e de convívio com a família e os Amigos.


Retomarei, então, o contacto convosco de forma regular como habitualmente.


Até breve. Fiquem bem!


terça-feira, agosto 05, 2008

FÉRIAS DE VERÃO









Pela segunda vez consecutiva, escolhemos a praia da Adraga como poiso para um período de descanso que nos permita avançar com os projectos de desenvolvimento pessoal e colectivo, com o entusiasmo de sempre, apesar da crise que nos persegue e assusta a todo o pé de passada.
Olhando o mar revolto, sinto a sua energia poderosa e reduzo-me à minha insignificância que não tem nada a ver com falta de auto-estima ou submissão… Insignificância aqui quer dizer que a natureza é muito poderosa e nós estamos sujeitos à sua força! Quando as ondas sobem de “tom” é preciso respeitá-las e não arriscar a nossa segurança. Resta-nos uns banhos de areia para refrescar as ideias, lavar a Alma e admirar aquela paisagem fascinante, sempre diferente.
Este tempo serve essencialmente para repensar o meu percurso de Vida que já vai longa. Os sentimentos afloram a cada momento, questionando os processos em que estou empenhada como individualidade e dentro do Grupo de Almas a que pertenço. À medida que vamos progredindo no Conhecimento e nos apercebemos da razão do nosso Sentir, a discriminação é um factor determinante nas escolhas dos caminhos, o que representa um grande desafio quanto a criatividade e vontade expressa em actos e palavras.
Temos de considerar que a evolução pessoal e colectiva depende das circunstâncias e da relação de forças que predominam em cada momento e o momento que estamos a atravessar não dá tréguas a quem quer continuar o seu caminho como Ser inteiro. Ao mesmo tempo, o desapego é um factor que se mostra a cada instante, principalmente no que respeita às relações afectivas. A vida processa-se a um ritmo acelerado e tão depressa estamos juntos como cada um vai à sua vida. As relações são como muitas coisas… descartáveis! Possivelmente é isso que andamos a aprender: o DESAPEGO. Ao longo dos anos, tenho vindo a aprender o desapego, com o cuidado de não me tornar distante nem indiferente, porque isso é algo que escapa à minha maneira de ser e de estar. O desapego é a forma mais evoluída de liberdade, um gosto que está ao alcance apenas daqueles que foram escolhendo esse caminho, essa atitude, guardando na memória as boas lembranças e tudo o que com essas experiências aprendemos.
O mar ensina-nos muito!!! Eu continuo atenta para aprender com ele em mais umas férias de Verão, gozando os privilégios concedidos e as boas companhias que sempre me tocam.
Boas férias também
Fiquem bem!

sexta-feira, julho 25, 2008

SER E ESTAR

Quando dizem: “Quero saber quem sou”, partem do princípio que há uma versão completa do vosso Ser que, talvez, se tenha perdido pelo caminho. Ao quererem encontrar Deus, pensam exactamente da mesma maneira. No entanto, estão “em si mesmos” o tempo todo e, constantemente, a tornar-se no que são… Deus e a psique em permanente estado de expansão – silenciosamente e em constante mutação.

Seth (“The Nature of the psyche)


O Mestre Seth é uma entidade que se pronuncia através de comunicações mediúnicas (canalizações) que começaram nos anos 70 com Jane Roberts e o seu marido Robert F. Butts, uma relação que se prolongou durante seis anos. O material captado está publicado numa série de livros que são lições de vida para quem está em processo de ampliação da consciência.
Tive contacto com o primeiro destes livros, em 1980, num tempo em que pouco ou nada chegava cá informação desta natureza. Confesso que só mais tarde me debrucei sobre ele, curiosamente, num momento em que necessitava de ter resposta para questões que me foram surgindo, com vivências pessoais e terapias que exigiam uma atenção fora do comum. De repente, pensei que encontraria nesse livro o que procurava e o que me surpreendia e, na verdade, quando lhe peguei só o consegui largar quando cheguei ao fim e tomei todas as notas de que precisava. Fui apanhada pelas informações que me foram chegando em catadupa e, desde aí passei a ter uma relação com o Mestre Seth que se veio a desenvolver em contactos directos, através de uma das minhas discípulas que despertou para essa capacidade com a prática do Yoga e da Meditação. Foram experiências fascinantes que deram origem a um Caderno a que demos o nome de “Lições do Seth”, pois as comunicações eram, na verdade, lições sobre diversos temas que, nós próprias íamos sugerindo de acordo com as nossas inquietações.
Hoje em dia, sempre que tenho dúvidas ou preciso de resolver alguma questão, entro em contacto com ele e, logo, recebo as respostas. É um privilégio e uma grande ajuda visto que o caminho espiritual é bastante solitário, mesmo que não o façamos sozinhos e a responsabilidade de dirigir um Grupo de Almas, às vezes, parece-me excessiva para a minha modesta condição de Mulher, Mãe e Avó.
Como diz Seth, a nossa consciência de Ser e de Estar, está em constante expansão e mutação, sem que demos por isso. Não há palavras que sirvam para exprimir o sentido da nossa evolução e o processo dá-se naturalmente. O Universo está em contínuo movimento e é feito de uma consciência e de uma energia que a tudo e a todos afecta. Esse movimento faz com que as diferentes partículas se diferenciem umas das outras e desenvolvam movimentos próprios. À medida que vamos tomando consciência do que está para além da aparência faz com que o que percebemos se torne em algo completamente diferente. Ser e Estar e, na verdade, a essência da Vida manifesta-se a cada passo, em cada acção, em cada gesto e em cada palavra, de uma forma imprevisível e surpreendente. A Lei do Karma a governar inexoravelmente o processo em que estamos inseridos, projectando-se num futuro provável.
Bom fim-de-semana.
Fiquem bem!

quinta-feira, julho 17, 2008

CAMINHOS



Quando chego ao fim de cada ano lectivo, procuro fazer uma revisão do caminho percorrido, em termos de processo evolutivo e experiências vividas até à saciedade. Mentalmente, deixo passar o “filme” realizado pelo Grupo de Almas a que pertenço e que me honro de orientar os passos individuais e colectivos, aprendendo com os que se dispõem a aprender, aqui e agora, comigo e com aqueles que me assistem nesta tarefa.
Nestas ocasiões, dedico alguma atenção às mensagens que os Deuses me proporcionaram, nos momentos cruciais da minha existência, nesta busca de auto-conhecimento e auto-realização e pelas quais estou grata pela ajuda na tomada de consciência e na capacidade de prosseguir, sem vacilar. Os momentos mais obscuros revelam-se como indicadores da necessidade de confiar cada vez mais em mim e no que faço. Creiam que não é fácil caminhar sem directrizes próprias, numa forma de actuar que se baseia na espontaneidade. Sei que nada está decidido, embora tudo tenha sido delineado à partida, mesmo antes do meu nascimento, uma escolha feita por quem sabe e que aceitei por considerar e contar com as ajudas de Mestres e Guias que, certamente, me conhecerão muito bem. A decisão de actuar no campo físico tem-me permitido transmutar o Amor e criá-lo em obras que, por si só, parecem nada ter a ver com ele. Através das acções se manifesta o Amor que transparece naturalmente.
Ensinar a pensar é um campo de acção em que se projectam questões cuja resposta terá de ser encontrada por meio de um pensamento claro e inteligente, mantendo uma correspondência com a acção, pois é aí que reside o verdadeiro Conhecimento. A alegria sentida quando mergulhamos no nosso Ser mais profundo, ao encontro da Alma, ajuda-nos a actuar no mundo material que, embora implique respostas palpáveis, engana visto que, nessa visibilidade nem sempre transparece a dimensão da obra que é vista noutro plano.
Estou disponível e confiante no Caminho traçado, com a consciência ampliada o suficiente para fluir de acordo com as circunstâncias e a perceber que o que for… SERÁ! Os Deuses nunca me deixaram ficar mal…


OM SHANTI

Fiquem bem

quinta-feira, julho 03, 2008

CONSCIÊNCIA E SENSAÇÕES



Podemos voltar ao passado como se fosse hoje, mas é preciso entender que o mesmo não se passa com as sensações dessa mesma vivência. O objecto da nossa observação será o mesmo, a sensação é que passa a ser outra pois as circunstâncias são diversas, a distância amadurece a discriminação e a consciência ampliada dá uma nova perspectiva da situação. Passamos a olhar aquele “retrato” com outros olhos, fazendo uma avaliação dessa informação com clarividência e alguma objectividade. Quando a memória circunstancial dispara, ficamos perante uma pista preciosa que nos permite trabalhar sobre as impressões deixadas por essa experiência que, de algum modo, nos marcou.
Se, por exemplo, eu for invadida por uma súbita onda de tristeza, não posso ignorá-la! É um dado que a minha consciência me oferece e eu aceito-a por saber que faz parte de mim e me quer dizer alguma coisa. Até posso dar comigo a pensar que não tenho razão para estar triste, mas uma coisa sou “eu” outra é aquela tristeza e que a tristeza passará e eu NÃO. A tristeza, assim sentida, é um assomo da minha memória que se manifesta com o seu propósito ou intenção e só tenho de reflectir, mergulhar na sensação e esperar que o corpo se manifeste, acordando sinais a que devo dar atenção para trabalhar a razão desse despertar emocional.
Vivemos de memórias que se repetem num eterno retorno, mesmo que temperadas por uma consciência valorizada por um trabalho em que a meditação tem um papel importantíssimo, visto que nos possibilita entrar em contacto com o nosso Ser mais profundo, a raiz da nossa existência, a Alma que procura a cura com a ajuda da personalidade que somos e que nos permite ser o instrumento ideal nesta passagem pela Vida. A consciência das sensações é a ferramenta própria para que o nosso processo de desenvolvimento se dê com o mínimo de sobressaltos e a confiança necessária para continuarmos a acreditar que vale mesmo a pena fazer o Caminho da espiritualidade.
Olhemos as memórias como um manancial da Sabedoria que nos assiste, saboreando, como acto sagrado, reviver a nossa história.
Fiquem bem!

segunda-feira, junho 23, 2008

RITUAIS



























Rituais são cerimónias em que se reforçam laços e se estabelece contacto com a natureza, salientando as intenções postas nos objectivos a alcançar.
Ao chegarmos ao fim do curso “Sentir Energia – Processo de Desenvolvimento”, como meio ideal de discriminação e de orientação para que a Vida prossiga com clarividência e a segurança necessária, preparámos um Ritual que decorreu com muito empenho e a alegria de todos quantos puderam participar. Terminou com a distribuição de diplomas e o convívio habitual.
A oração que aqui vos apresento foi criada para este momento e foi lida por todos para que essa vibração se propagasse e chegasse a todos quantos estão nesta frequência.

ORAÇÃO

É meu desejo ter paz de espírito e fazer com que à minha volta reine a concórdia e o Amor.

Por isso:

· Preciso de ter tempo para meditar e sentir o meu corpo abrir-se ao contacto com o Universo.
· Preciso de continuar a perseguir o meu ideal de solidariedade, sentindo cada momento como se fosse o último.

Para isso:

· Peço o apoio dos meus Deuses, Guias e Mestres e a ajuda dos Anjos que seguem os meus passos para poder ser livre, trabalhar e evoluir sem cessar, ultrapassando todos os obstáculos, atento(a) às intenções postas em cada acção.

Com isso:

· Sigo o meu Caminho na companhia dos meus Pares, aqueles que comigo partilham o seu Karma e a sua espiritualidade.

OM SHANTI


terça-feira, junho 10, 2008

SENTIMENTOS



O único propósito da existência humana é acender uma luz naquilo que é simplesmente SER. Pode-se mesmo afirmar que, assim como o subconsciente nos afecta, o ampliar da consciência afecta, igualmente, o subconsciente.”

C. Yung, in “Memórias, Sonhos e Reflexões”

Os sentimentos são fruto de experiências vividas intensamente e, por isso, se reflectem no contacto com os outros. São luz que se acende na escuridão do simplesmente SER num eterno retorno de que fala Carl Yung na sua auto-biografia. O subconsciente armazena informações e, quando se amplia a consciência, o subconsciente volta a guardá-las, recriadas, na memória.
Nos tempos que correm, é fundamental perceber a importância da consciencialização de cada acto e, porque não, de cada pensamento, pois que essa energia é uma mais valia para a evolução pessoal e ambiental. Quem pratica meditação está, à partida, habilitado a gerir as forças dominantes, aplicando essa sabedoria inata para seu bem e dos que delas usufruem.
É, cada vez mais, necessário que nos apliquemos na atenção dada aos sentimentos demonstrativos das emoções que inundam o nosso ser e o nosso estar, reflectindo vivências e impressões que transvazam para o exterior espontaneamente e nos permitem perceber o nosso estado da Alma em processo de autocura. Cada gesto, cada palavra, exprimem naturalmente uma verdade que é única, por ser pessoal. Não temos de ser rigorosos ao ponto de estarmos, constantemente, a olhar para a sombra ou para os passos que damos, nem tão pouco andar a bater no peito ou a ansiar por uma qualquer redenção!
Somos o que somos e vamos seguindo pelos caminhos que se deparam à nossa frente, de cabeça erguida e a esperança alimentada na confiança nas leis que regem o Universo onde nos encontramos e que nos permitem saber que sabemos, que não estamos adormecidos na ilusão de futuros prováveis. Pés assentes na terra e com a cabeça nas nuvens, para que a energia flua até que termine a nossa missão aqui e agora.
Neste prenúncio de Verão, vos desejo que mantenham a vossa luz bem acesa, não deixando que a escuridão vos ensombre.
Fiquem bem!

sexta-feira, maio 30, 2008

SOLIDARIEDADE







“A partir do momento em que a consciência do “EU se torna realidade, as mudanças internas fazem-se com confiança no processo de desenvolvimento, agindo cautelosamente, embora sabendo que o crescimento não pode parar!
A solidariedade é um dos factores primordiais no avanço do Conhecimento e no sentido da Realização pessoal. A partilha é um acto sagrado e, como tal, tem de ser feita de modo a proporcionar bem-estar e provocar sentimentos que se manifestam em alegria que se expressa em palavras, gestos e acções. Quando nos sentimos bem é porque estamos a fazer o que está certo e, o que está certo significa uma boa ligação com as mais altas esferas. Na verdade, os Guias e os Mestres apontam-nos o Caminho e estão lá para nos ajudar, mas somos nós a desejar seguir por ele.”


Ao reler este pensamento, sinto acordar em mim a vontade de ser e estar, cada vez mais, em contacto com aqueles que gravitam no meu círculo de energia e com quem contacto física e mentalmente sempre que o apelo surge e a necessidade obriga. Os que passam pela minha vida, fazem parte de um processo de desenvolvimento individual e conjunto, sendo gratificante perceber que não estou só, mesmo quando as ausências se dão e os afastamentos se concretizam. O pensamento viaja pelo espaço sideral à velocidade da Luz e toca quem está disponível ou a precisar desse contacto. Surpreendo-me constantemente com o efeito que têm as concentrações que faço quando tento ajudar alguém à distância ou quero perceber melhor o que se passa com a minha existência, principalmente quando ela se encontra em suspenso. Quero dizer com isto que, às vezes, parece que não se passa nada e que o que faço aparenta inutilidade e inconsequência. Depois, aterro, perante a apresentação de factos demonstrativos de que as acções se reproduzem em resultados, por vezes inesperados e surpreendentes, com os pensamentos projectados a materializarem-se em manifestações que acordam a consciência e os sentimentos de gratidão e humildade. O corpo regista as informações e guarda-as para se apresentarem oportunamente, se lhe dermos um tempo e uma atenção. A alma busca a cura inserida neste corpo e capta a energia que lhe serve em cada circunstância ou a cada momento.
Confio nos Deuses que me assistem e me proporcionam tantas e tantas oportunidades de vida e de amor. Confirmo, aqui e agora, que sou uma privilegiada por poder viver a SOLIDARIEDADE num registo de amor incondicional!
A propósito, a minha amiga e companheira Aldina vai lançar o seu novo disco MULHERES AO ESPELHO” e os que a amam e admiram lá estarão, na Casa Fernando Pessoa, para saborear o que a sua voz tem para partilhar connosco uma vez mais. BEM HAJAS Aldina!!! É uma alegria ver-te crescer como pessoa e como artista (para que conste…).
Fiquem bem!

quinta-feira, maio 22, 2008

PACIFICAÇÃO




Como é difícil pacificar emoções!!!... Neste dia chuvoso de uma Primavera adiada, dei comigo a entrar no meu Ser mais profundo e a questionar as emoções que brotam a cada pensamento espontâneo. Procuro observá-las, com alguma distância, na esperança de usar algum pragmatismo na aceitação da minha condição humana. Por vezes, rejeito o que me vem à cabeça por não gostar do que espelha a minha Alma; não que me sinta capaz de estar acima de qualquer suspeita, de me rever no meu lado obscuro... Em sinceridade vos digo, aqui e agora, que as teorias são mais acessíveis do que as práticas e nem sempre consigo aceitar que, apesar de me considerarem uma pessoa forte e determinada, tenho o direito a fragilidades próprias de quem vive na matéria e está sujeita a confrontos, dúvidas e medos.
Estou a chegar a uma etapa da minha Vida em que posso olhar para trás e rever as minhas memórias com amor e reconhecimento de que fui cumprindo o meu Karma com a consciência e aceitação dos factos. Muito do que semeei deu os seus frutos e o que foi ficando pelo caminho também faz parte do meu processo de cura. O papel que represento na vida de algumas pessoas que me têm acompanhado e acompanham, está para além de mim e muito me tem surpreendido por me escapar a sua importância. Vou fluindo à medida dos acontecimentos e das relações pessoais; deixo-me levar, mesmo quando me questiono e me admiro com aquilo que passo aos outros.
Neste dia chuvoso de uma Primavera adiada, aproveito para pacificar as emoções que teimam em andar à deriva, obrigando-me a reflectir sem a carga de culpa que, normalmente, acompanha estes sentimentos, rejeitados por uma sociedade que teima em se assumir perfeita, mas que trás consigo o peso de uma cultura judaico cristã que continua a não perdoar fraquezas...
Neste dia chuvoso de uma Primavera adiada, vejo o Sol a espreitar por entre as nuvens e sinto o calor dessa luz que me faz vibrar na frequência de todos aqueles que pertencem a este Grupo de Almas que seguem o seu rumo e confiam nas ajudas e na orientação necessária ao cumprimento das missões atribuídas.
Fiquem bem!

segunda-feira, maio 12, 2008

OLHOS NOS OLHOS






Quando me concentro no meu Blog ou nas diferentes formas de comunicação actuais, dou comigo a pensar como é fácil comunicar com o universo que me rodeia! No entanto, também me fica a estranha sensação de estar a “falar” sozinha… Somos capazes de receber, instantaneamente, uma mensagem que vem do outro lado do mundo e, curiosamente, nem sempre falamos com os nossos vizinhos… Eu, por exemplo, acho fantástico os meios de comunicação modernos e a eles aderi de imediato com a curiosidade e o entusiasmo de uma criança, mas continuo a privilegiar o contacto directo, olhos nos olhos, pois não dispenso o sentir a presença do outro e a respectiva troca de energia que esse contacto proporciona.
É claro que as facilidades de comunicação por estes meios electrónicos nos permitem alguma reserva e algumas defesas, o que é perfeitamente legítimo e cómodo. Sabendo que, apesar de tudo, a energia posta nestes actos passa tanto quanto as palavras, não posso deixar de pensar que a comunicação verbal imprime sensações que não se podem transmitir de outro modo e que, sem o factor contacto, poderão ser interpretadas de forma aleatória. A escrita tem a sua própria força, dependendo da intenção colocada nesse gesto e projecta-se sem uma direcção específica, mesmo que a ideia básica tenha um determinado sentido. Os receptores são atingidos de acordo com a sua disponibilidade e capacidade de interpretação e não há retorno a não ser quando a necessidade de manifestação se apresenta e a comunicação se completa.
Estas linhas, que vão nascendo no meu papel imaginário, serão implantadas no meu “caderno” virtual para que cheguem sabe-se lá onde, para serem lidas sem eu saber por quem. Este tiro no escuro carregado de boas intenções, faz-me sentir em contacto com amigos reais e virtuais que me acompanham nesta viagem pela vida que é feita de experiências vividas até à exaustão. Felizmente, também, tenho muitas oportunidades de comunicar, olhos nos olhos, e é bom termos acesso a tão diversas formas de interagir com aqueles que pairam na nossa frequência e fazem parte do nosso processo de desenvolvimento pessoal e espiritual, de uma maneira ou de outra.
Fiquem bem!

quarta-feira, abril 30, 2008

MEDITAR








Meditar é mergulhar no nosso espaço interior e entrar em contacto com a Alma que se manifesta através de sensações e impressões. Meditar ao ar livre, com o mar em frente e a brisa a passar pelos nossos cabelos, é uma experiência única. A integração dos elementos faz-se natural e espontaneamente, sentindo aquele espaço como nosso. Os sentidos ampliam-se consideravelmente, mantendo a ligação à terra. Podemos voar com toda a segurança, um voo que nos transcende e nos eleva. Os cheiros penetram nas nossas narinas e falam-nos dos sabores e dos saberes da existência; sentimos na pele o calor de um Sol primaveril.
Somos privilegiados no que respeita a paisagens e não devemos perder uma única oportunidade para meditar em comunhão com a natureza, tão pródiga e tão disponível. Foi isso que fizemos no nosso último Encontro. Caminhámos pelas arribas da Praia Grande até à vista da Praia das Maçãs, onde poisamos o nosso Ser e o nosso Estar, em perfeita comunhão com tudo e com todos, presentes e ausentes! Assim celebrámos, uma vez mais, os 25 anos do Satsanga.
Fiquem bem!

domingo, abril 20, 2008

PARCEIROS ESPIRITUAIS E DESAPEGO



O Caminho espiritual, como qualquer outro caminho, implica associações de vária ordem para que cada etapa seja levada a cabo com sucesso e esforço partilhado. Desde que comecei nestas andanças da tomada de consciência fui-me apercebendo de que havia contactos pessoais e de grupo que tinham, como propósito específico, ajudar-me a desenvolver capacidades e alguns aspectos da minha essência e personalidade a ela agregada e que essas relações tinham uma duração adequada para que o processo seguisse com segurança e alegria.
Como devem calcular, não percebi de imediato por que razão algumas pessoas se aproximavam, espontaneamente, de mim e se integravam, ou não, no Grupo de Almas que, eu própria, sem saber como nem porquê, ia formando. Pessoas que se tornavam familiares e muito estimáveis, com quem aprendi e partilhei o que se apresentava a cada momento em termos de acção e Conhecimento.
Sempre que se dava um afastamento (natural ou brusco), sentia que, aparentemente, não fazia sentido que relacionamentos tão intensos e profícuos se transformassem em indiferenças e ausências definitivas! Estranhava que essas pessoas, até ali importantes na minha vida, deixassem, de repente, de o ser. É preciso ver que o tipo de vida que levava até começar a praticar e a ensinar Yoga, era muito género caseiro, mãe de família, mulher e filha e irmã. O mundo onde me encontrava inserida, era simples e com regras estabelecidas e, por isso, a minha estranheza quando se davam convulsões no círculo espiritual que escapavam ao meu entendimento. Achava-me tonta por ter visto qualidades e gostos nos meus pares que, depois, se transformavam em atitudes incompreensíveis de acordo com os meus princípios e estrutura educacionais.
Levei bastante tempo a aceitar que, nesta passagem pela Terra, há relações que têm o seu papel na nossa evolução e, quando esse objectivo é atingido, o afastamento é inevitável, desejável até. Aquilo a que chamo “parceiros espirituais”, são os Seres que nos acompanham bem de perto, sem terem de viver connosco e que nos proporcionam bem-estar e total aceitação do modus vivendi de cada circunstância e nos entendem muito para além das palavras. Têm passado pela minha vida, parceiros espirituais excepcionais, o que me tem permitido atingir graus de consciência elevados e chegar à minha Alma de uma maneira que jamais julguei possível, para além das várias concretizações que nos permitem dizer que há obra feita.
O desapego entra quando os afastamentos se dão sem brusquidão, por vezes necessária para que esse afastamento se dê, e que se torna difícil pelo rastro que esses contactos deixaram. Não sou saudosista, mas lembro com saudade experiências vividas com paixão e exaltação, que acordaram o meu lado mais luminoso, sentindo como são transcendentes e fortes as vivências espirituais apegadas a um corpo que, a todo o momento, reflecte emoções contraditórias. A Auto-estima é um factor frágil e susceptível de ser abalado porque, quando mantemos uma relação espiritual e ela tem de passar para outro nível, persiste a dificuldade em deixar de desejar que esse contacto se prolongue no tempo.
É evidente que precisamos de aceitar a nossa condição humana e o que temos ainda de trabalhar kármicamente, sendo por isso que os nossos parceiros espirituais têm um papel tão importante, por servirem de espelho onde se projecta o que, realmente somos e em que ponto de evolução nos encontramos. Há parceiros que passam por nós como estrelas cadentes ou cometas que deixam a sua luz durante um tempo; outros parceiros prolongam a sua permanência connosco enquanto o seu papel for necessário ao nosso e seu desenvolvimento. No campo espiritual é como na vida material, há relações de vária ordem e grau, o que está em cima está em baixo e vice-versa. Nas minhas vidas (material e espiritual), tenho tido a sorte de ser acarinhada por muitos amigos e parentes que me têm acompanhado o suficiente nas dificuldades maiores, o que não me tem permitido desistir, mesmo quando me apetecia mais descansar apenas na Essência de onde provenho. A luta e a fuga presente, a balançar cada uma para o seu lado...
O meu Amigo e Mestre Seth dizia que viver na matéria não é nada fácil por ser um meio de grande densidade, mas se é preciso que o façamos, mais vale estar em boa companhia e seguir com a confiança nos Deuses que nos assistem e nos guiam.
Fiquem bem e obrigada por Serem Estarem comigo, aqui ou em qualquer outro lado...

OM SHANTI

terça-feira, abril 08, 2008

CELEBRANDO


Praia Grande
5 e 6 de Abril 2008
"SATSANGA" - 25 ANOS

O Grupo de Almas que respondeu à chamada, reunia as condições necessárias para os trabalhos que propusemos e para os quais contribuíram todos os que fazem parte do núcleo duro do “Satsanga”, os Instrutores que foram desenvolvendo matérias que combinam na perfeição com a ideia de que todos precisamos de várias ferramentas para conseguir atingir os desafios propostos para esta encarnação, num processo de cura da Alma que, assim, se apresenta disponível para avançar com toda a confiança e com a consciência plena dos seus valores e condição. Um percurso longo e esforçado, premiado com a alegria de sentir e de tudo perceber em plenitude, tomando as experiências como forma do verdadeiro Conhecimento.
O Grupo estabeleceu-se, no tempo e no espaço, e deu-se espontaneamente a integração total, sem lugar para dúvidas ou hesitações que impedissem o normal fluxo dos trabalhos que seguiram com a habitual disciplina e com o espírito de solidariedade a ser uma constante, pois a inter-ajuda é essencial. Os medos que, naturalmente, pairam nestas circunstâncias, depressa se dissiparam e todos assumiram a posição de Guerreiros, prontos a lutar pela Paz que se constrói de dentro para fora, sabendo que estamo sós, mas não sozinhos.
A Luz iluminou os nossos passos e os Deuses estiveram sempre connosco para que, nada nem ninguém nos perturbasse e pudéssemos chegar ao fim de mais esta etapa com o coração a transbordar muito para além de nós e do espaço que nos acolheu durante estes dois dias. Estou certa que o contacto estabelecido com os presentes foi extensivo a todos quantos pertencem a este Grupo de Almas, que gravitam na sua frequência e cuja presença foi sentida apesar da ausência física.
Cumprida a nossa missão, nos despedimos com saudade e alegria até ao próximo encontro.
Fiquem bem! OM SHANTI OM.

quarta-feira, março 26, 2008

MESTRES E MESTRES



Na minha já longa experiência de praticante de Yoga e sua Filosofia de Vida, tenho-me deparado com mestres que me proporcionaram a oportunidade de aprender o que tinha de aprender em cada etapa da minha evolução pessoal e espiritual. Há muito que percebi que ninguém ensina nada a ninguém e que somos nós que nos disponibilizamos para absorver os ensinamentos que nos são destinados. O contacto que se estabelece com aqueles que se apresentam capazes de nos oferecer dados da sua própria experiência, é o factor primordial para avançarmos neste processo para o qual despertámos a nossa consciência.
Tenho tido o privilégio de viver experiências de contacto com mestres de vária ordem e diferentes condições. Todos precisamos dessa vivência única para que, por fim, encontremos o nosso Mestre interior. Os meus primeiros mestres foram, certamente, a minha Mãe e o meu Pai que me deram a base que me permite seguir o meu Caminho sem vacilar e com a confiança dos que se sentem protegidos e guiados, considerando que a vida na matéria não é nada fácil.
Mas, como podemos definir alguém como mestre? Como e onde encontrá-los? Será que esses Seres especiais têm de andar de túnica e estar em permanente meditação? Ou, ainda, mostrarem-se superiores para que nos curvemos perante a sua presença?... Pois, digo-vos, que há mestres nesta Terra que passam bastante despercebidos, humildes até. Podemos reconhecê-los pela sua postura e suas acções, alem de uma sabedoria que não se inscreve nos livros, mas que não deixa margem para dúvidas a quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir. Tenho tido a grande sorte de me ter encontrado com alguns que me deixaram o coração cheio e com a certeza de que só temos que dar atenção e estar disponível para receber os dons que estes contactos nos proporcionam. Creio que esses mestres que passam despercebidos aos comuns dos mortais, são Grandes Mestres que estão nesta encarnação a descansar e, por isso, não precisam de se anunciar ou ser mediáticos. São pessoas de grande refinamento no trato e capazes de dar sábios conselhos com a maior naturalidade e são um exemplo para a comunidade onde se encontram inseridos.
Há mestres e mestres e cada um descobrirá o seu quando estiver pronto para aprender e louvar cada momento vivido nesse contacto, efémero ou de longa duração.
Fiquem bem!

quinta-feira, março 20, 2008

PÁSCOA

Neste tempo que vivemos, em que a esperança morre ao virar de cada esquina, temos a felicidade de gozar momentos que nos enchem a Alma e nos permitem viver a experiência de tocar a transcendência.
Esta Páscoa coincide com o equinócio da Primavera e em plena Lua cheia, o que só se repetirá daqui a umas centenas de anos e, talvez por isso, sejamos abençoados com vivências excepcionais.
Não podia deixar de vos contar que, ontem, fomos assistir a uma sessão relacionada com o dia mundial da poesia, sessão passada na Casa de Fernando Pessoa (claro), com o privilégio de termos a cantar para nós a Aldina Duarte! O espaço foi pequeno para os que a quiseram ouvir e sentir. O meu marido, eu e uma dúzia de pessoas tivemos de ficar sentados nas escadas de acesso ao andar de cima, mas nem por isso deixámos de saborear cada palavra, cada nota da guitarra e da viola que, como sempre, acompanharam a artista com maestria e grande sintonia.
A maioria dos que assistiam, estavam presos àquela energia tão poderosa quanto delicada e os aplausos estoiraram com cada fado e no "encore"!
Foi uma noite vivida em plenitude que nos deixou purificados depois de um dia de trabalho.
Bem hajas Aldina! Que os Deuses te acompanhem e te elevem sempre. Nós cá estamos para te ouvir e acompanhar como Amigos, Fãs e companheiros de viagem.

Feliz Páscoa!

Fiquem bem.


quarta-feira, março 12, 2008

CONTACTO


Tenho andado afastada deste campo, sem que isso manifeste uma distância… Outros afazeres não me têm permitido deixar-me levar pelo impulso que me empurra para a comunicação escrita, via espaço sideral. A preparação do nosso Encontro (ver Site) e as ocupações do dia a dia, não me davam o espaço que preciso para entrar nesta onda.
No entanto, hoje, tive um chamamento que proporcionou descobrir uma das mensagens que os meus Deuses me fazem chegar e que encaixa perfeitamente no momento que estamos a viver, a celebração dos 25 anos do “Satsanga”. É assim:

As luzes brilham em tons de azul que é a calma instalada neste Grupo de Almas. O Amor paira neste espaço que recria a energia cósmica onde tudo É e pode SER. Nada, nem ninguém, vos pode impedir de seguir pelos Caminhos da verdadeira Paz, sem que as sombras vos perturbem.
Estão aqui, respondendo ao apelo dos Mestres e dos Guias para cumprirem a missão para a qual foram escolhidos.”

OM SHANTI



terça-feira, fevereiro 26, 2008

A GUERRA "IN LOCO"



Continuando com as minhas estórias de vida, venho hoje contar-vos a minha ida para a guerra…
O meu marido foi destacado para ir comandar a Flotilha de Lanchas do Lago Niassa, uma das zonas de campanha de Moçambique (1967). Como podem calcular, o céu desabou-nos em cima! Tivemos de tomar decisões drásticas e dramáticas que iriam provocar problemas emocionais e psicológicos que, naturalmente, deixaram as suas marcas. Mais uma vez se iria ter de dar uma separação e avançar para situações de risco. Acabámos por mandar um dos nossos filhos para Lisboa e, contrariando ordens superiores, lá fomos de avião até àquela terra distante. Partimos para a cidade da Beira e de lá para Vila Cabral e, por fim, Metangula cujo acesso só podia ser feito com um avião pequeno (Cessna), visto que as estradas estavam cortadas por causa das minas.
Instalámo-nos numa casa que apenas tinha dois quartos, uma cozinha e uma casa de banho. A sala de jantar era num anexo feito em forma de palhota. Aliás, uma das razões porque não pudemos levar os filhos todos, era precisamente o facto da casa ser muito pequena e porque, quando fui para Lourenço Marques ter com o meu marido, o meu filho mais velho ter ficado em Lisboa com uma das irmãs, achámos em consciência que seria a altura dos avós mimarem o outro neto. Dividir irmãos nunca será uma boa ideia, mas foi a decisão que nos pareceu menos má e que, à partida, não deveria ser por muito tempo.
Lá nos instalámos para viver a experiência de um grande isolamento e com a guerra mesmo à porta. Quantas e quantas vezes estávamos a jantar e a ouvir tiros quando a aldeia era atacada. É curioso como nos habituamos a certas condições e conseguimos tirar partido das parcas condições de vida, condicionados pela proximidade do perigo e pelo próprio Lago que é imenso (curiosamente, 365x52 milhas). A camaradagem que se estabelece nestas situações é a ajuda fundamental para se aguentar as faltas próprias das condições em que nos encontrávamos. Fizemos amigos cuja amizade dura até hoje, e procurámos manter um nível de dignidade na aparência e nos modos. Na dita palhota, reuníamos com outros casais e alguns oficiais que se encontravam sem família, a melhor forma de escapar às depressões que a situação provocava.
Ocupava-me das crianças e da horta onde cresciam feijões, tomates, ervilhas, piripiri e tudo o mais que se semeasse pois a terra era generosa. Antes de ir, tive o cuidado de me prevenir com sementes e material de trabalhos manuais que me ocupassem o tempo. Nessa altura, aprendi a fazer croché e aperfeiçoei o tricô que já praticava naturalmente. Durante a convivência com as mulheres dos camaradas do meu marido aplicávamo-nos na confecção de sobremesas e deram-se muitas trocas de receitas que guardo religiosamente.
Infelizmente, durante a estadia neste local sofri a perda do meu Pai e também tivemos de mandar o nosso filho mais velho para Lisboa, uma vez que não estava a ter aproveitamento na escola pelo facto de ser o único a falar português convenientemente. Outra razão foi a minha Mãe estar a ter dificuldade em aguentar o meu filho sozinho. Os dois irmãos juntos suavizaram a situação, mas mesmo assim, tive de acabar por me ir embora antes do meu marido acabar a comissão de serviço. Regressei a Lisboa, via Lourenço Marques e lá acudi aos problemas o melhor que pude. Ainda esperámos uns bons meses até que voltássemos a estar novamente reunidos, agora definitivamente, em nossa casa! Começava outra etapa bem diferente, mas não menos agitada.
Fiquem bem!

domingo, fevereiro 17, 2008

SOLIDARIEDADE E LIBERTAÇÃO




A partir do momento em que a consciência do “Si” (Self) se torne realidade, as mudanças internas fazem-se com confiança no processo de desenvolvimento, passando nós a agir com cautela, mas sabendo que o crescimento não pode parar.
A solidariedade é um dos factores primordiais no avanço do Conhecimento e no sentido da realização pessoal. A partilha é um acto sagrado, e como tal, tem de ser feita de modo a proporcionar bem-estar e provocar sentimentos que se manifestem em alegria, que se expressa por meio de palavras, gestos e acções. Quando nos sentimos bem a fazer o que estamos a fazer é porque estamos no caminho certo e o que está certo significa que existe uma boa ligação com as mais altas esferas.
Na verdade, os Guias e os Mestres apontam-nos a direcção a seguir, mas somos nós a desejar e a conseguir seguir por aí! Pessoalmente tenho a agradecer aos Deuses que me acompanham, a oportunidade de ter vindo ao mundo e poder vivenciar o Amor Incondicional no encontro com os meus Pares. Pertencer a um Grupo de Almas que buscam a própria Paz e a levam aos seus semelhantes, deixa-me em êxtase por acreditar que vale mesmo a pena lutar pelos ideais mais elevados.
Obrigada por SEREM e ESTAREM comigo aqui e agora.
Fiquem bem e deixem que a chuva penetre na terra e o vento passe por entre os ramos nus das árvores que anseiam pela Primavera.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

SEGUE A DANÇA



O tempo que passámos na Estação Rádio Naval, na Machava, a cerca de 15 km de Lourenço Marques (agora chamada Maputo), deu para organizar a família e conviver como pessoas normais, numa sociedade de estilo africano em que a vida ao ar livre e despreocupada parecia não ser tocada pela guerra que se desenrolava a Norte. Os miúdos mais velhos começaram a frequentar a escola, enquanto as mais pequenas gozavam os prazeres de um amplo jardim e, ao fim de semana, refrescávamo-nos na piscina da Estação. Foi lá que as crianças deram as primeiras braçadas, aprendendo a nadar por conta própria e com a ajuda dos adultos que frequentavam aquele espaço.
Apesar das óptimas condições em que nos encontrávamos, comecei a sentir-me bastante isolada e deprimida, pois não tinha muito com que me ocupar, visto ter vários empregados, como era habitual naquelas paragens. De manhã ia às compras, destinava as refeições que o fantástico cozinheiro nos fazia, dava volta ao jardim e à horta, o que dava para ocupar toda a manhã. A parte da tarde era mais difícil de preencher porque não sou dada à vida social e a distância a que me encontrava, dificultava as idas à cidade e o meu marido estava sempre muito ocupado. A depressão acabou por tomar conta de mim e passei uns tempos bastante complicados, porque estes estados de espírito não eram muito bem aceites e tão compreendidos como agora. Um médico que me começou a tratar aconselhou-me a tirar a carta e foi, exactamente, isso que acabei por fazer, tendo comprado um carrito em 2ª mão o que me permitiu fazer as deslocações à cidade por conta própria. Tendo chegado à conclusão de que tinha de arranjar uma ocupação, resolvi procurar um emprego em part-time e foi o que fiz. Comecei a trabalhar da parte da tarde num escritório como tradutora e disse adeus à depressão. Já nesse tempo achava que a cura passa pela auto-cura...
Durante esta comissão (era assim que chamavam ao serviço fora do Continente), tivemos ocasião de fazer bastantes amigos que recebíamos na nossa casa e com quem partilhámos as alegrias e as dificuldades próprias de quem se encontra longe da família de origem e da sua terra. A solidariedade, nestas circunstâncias, é fundamental e essa nunca nos faltou felizmente.
Mas, como não há bem que sempre dure, ao fim de dois anos, o meu marido foi mandado para o Lago Niassa e o sonho de vida com a família unida, desfez-se em dois tempos... Mais uma vida que se esgotou quase sem darmos por isso para passarmos à seguinte, bem diferente e, no entanto, bastante aventurosa!
Esta resenha das minhas vidas, que vos tenho apresentado, servem para mostrar como a Vida é a nossa verdadeira Escola, aquela onde aprendemos a conhecer o que somos, como somos e a ter como espelho as circunstâncias e as pessoas que por nós passam. Os momentos em que mergulhamos com paixão e entrega totais permitem-nos crescer como Seres e estar de corpo e alma no processo que se vai desenrolando sem tempo e sem olhar para trás. Se, por ventura, quiserem rever estas vivências com outro ponto de vista, terão de voltar atrás aos primeiros textos deste Blog que criei a 13 de Novembro de 2005. Lá encontrarão outras estórias desta mesma vida!
Um abraço.
Fiquem bem!

domingo, janeiro 27, 2008

A SAGA CONTINUA

As mil e uma Vidas que vos prometi contar, seguem agora com a minha ida para Moçambique onde pretendia passar uma temporada com o meu marido que, nessa altura, estava embarcado numa fragata. Como pensava ter uma estadia relativamente curta, agarrei em dois dos meus filhos (o 2º e a 4ª, ainda bebé) e meti-me num navio de passageiros que era a única maneira de conseguir lá chegar sem despender muito dinheiro que, como sabem, não abundava. A viagem durou cerca de 20 dias e, quando atracamos na, então chamada, cidade de Lourenço Marques, tivemos a notícia de que a guerra tinha rebentado também naquela terra longínqua. Passava-se isto em 1964, três anos depois do mesmo ter sucedido em Angola. Não fiquei muito assustada pois informaram-nos de que os problemas se passavam no norte. Outra novidade que fui encontrar, tem a ver com o facto do meu marido me dizer que iríamos ficar numa casa que ele havia alugado pois a ideia de irmos para uma Residencial com duas crianças não lhe parecia cómodo nem agradável. Habituada como estava a adaptar-me a todas as circunstâncias, não tugi nem mugi... E lá nos instalámos num 3º andar com meia dúzia de tarecos que uns primos meus nos emprestaram. Meia dúzia, se calhar, até é contar por cima, porque o que tínhamos era: uma cama, um colchão, uma cama de campanha onde o meu filho dormia, um parque que servia de cama à pequenina, uma mesa quadrada e um sofá que vieram do consultório do Pai da minha prima, um pequeno fogão (não me lembro se era a gás ou a petróleo) e um frigorifico que não funcionava e que, por essa razão, passou a servir de armário de cozinha. Pratos, talheres, panelas e restante enxoval, tivemos nós de comprar. Como podem ver o palácio não dava para dar nas vistas nem aparecer nas revistas cor-de-rosa!
A estadia era para ser só de dois meses, o tempo em que o navio patrulha permanecia na cidade, mas acabámos por ir ficando com a perspectiva do meu marido conseguir passar para terra e podermos mandar vir o resto da família que tinha ficado com s meus Pais em Lisboa. Consegui manter um certo espírito guerreiro com a ajuda dos primos que conheci e com quem nos demos muito bem. Se lhes disser que quando ficava sozinha com as crianças, tinha medo, não se admirem. Acho que foi aí que o meu sistema nervoso começou a abalar... No entanto, posso dizer que passámos também um bom tempo, tirando partido da convivência com outras famílias que estavam em circunstâncias semelhantes. Não sou uma pessoa muito social, mas a vida em África a ela nos obriga, pelo clima e as facilidades aí encontradas.
A passagem para um posto em terra, permitiu-nos reunir a família. A minha sogra fez-nos o favor de se meter no navio com os meus outros filhos e lá nos reunimos todos uma vez mais. Ela ainda nos fez companhia durante uns meses até que achou que o seu lugar era em Lisboa.
O tempo que passámos a seguir, foi um tempo mais confortável, mais normal, mas isso vos contarei no próximo encontro aqui.
Fiquem bem!

segunda-feira, janeiro 14, 2008

PRIVILÉGIO






A semana passada, para além de ter andado muito ocupada e de ter tido uma inflamação na garganta que me cansou demais, tive o privilégio de viver uma experiência única e inesperada que me fez esquecer estas pequenas fragilidades.
Estava muito sossegada no meu canto, quando recebo uma mensagem escrita da minha Amiga Aldina Duarte a participar que tinha a matriz do seu próximo disco e que gostaria muito que eu o ouvisse em primeira-mão. Claro que não hesitei em aceitar tão gentil convite e passámos a tarde juntas, atentas e deliciadas com o momento. O disco, de seu nome “Mulheres ao Espelho”, é fantástico e vem confirmar aquilo que eu sinto em relação à sua forma de cantar, ou seja a Aldina Duarte é a Juliette Gréco do fado! As letras, na maioria suas, são espectaculares e o acompanhamento dos músicos é excepcional, como sempre. Espero que se consiga a sua rápida edição pois é uma mais valia para a música portuguesa e, particularmente, para o fado na sua essência. A Aldina Duarte tem feito uma evolução como artista e como pessoa que faz com que me orgulhe de a ter como Amiga e companheira e, aqui e agora, publicamente lhe agradeço a atenção da dedicatória que me vai fazer e da alegria que me proporcionou. Desejo ardentemente que alguém tenha ouvidos para ouvir e olhos para ver a qualidade deste trabalho. Pessoalmente, não esqueço o último concerto na Culturgest e anseio pelo próximo, com estas música que me foram dadas ouvir no dia 08.01.08, aqui no espaço onde trabalho, medito, descanso e converso com os meus Deuses.
OBRIGADA Aldina, por seres e estares connosco!
Um abraço. Fiquem bem!

segunda-feira, janeiro 07, 2008

MIL E UMA VIDAS III



Acabadas que foram as festas, retomo o fio à meada para vos contar um pouco das minhas numerosas Vidas, que têm sido a minha grande fonte de aprendizagem e desenvolvimento pessoal e espiritual, pois tive de me adaptar a várias circunstâncias e a vários acontecimentos que me obrigaram a crescer muito para além da própria idade.
Quando nasceu o nosso terceiro filho, já na nova casa, tivemos a alegria de receber nos braços uma linda menina de olhos azuis que encantou quantos a receberam. Nesse tempo não havia ecografias, por isso, a surpresa foi grande. Tinha tido dois rapazes, daí pensarem que o terceiro também seria do género masculino! Entretanto, acontecimentos familiares, não muito agradáveis, obrigaram-nos a procurar nova casa!!! Não foi fácil porque, com três filhos e pouco dinheiro, as casas em Lisboa já muito caras e não haver as facilidades de empréstimos como há agora. Acabámos por ir parar aos Olivais Sul que, nessa altura, começava a desenvolver-se e era considerado um bairro social misto, portanto mais acessível a certas bolsas. Desembarcámos numa zona que se considerava quase fora de Lisboa, os transportes não abundavam e nós nem sequer tínhamos carro. O telefone demorou bastante tempo a lá chegar. Tempos bem diferentes dos de hoje…
Com três crianças bem pequenas e mais uma que já nasceu nesta casa, a vida processava-se com um ritmo quase campestre e de muito trabalho. Sempre que podia, levava as crianças para os montes em frente à casa e por lá ficava debaixo das oliveiras a entreter os miúdos. De vez em quando ia a Lisboa a casa dos meus Pais que sempre foram o meu grande apoio.
Entretanto, o meu marido teve como destino embarcar para Moçambique e lá fiquei eu sozinha à espera do 4º filho, outra rapariga, mas de olhos castanhos. Nasceu um mês depois do Pai partir e só o veio a conhecer com sete meses, ou seja, o meu marido só acompanhou o nascimento de dois dos filhos!!! Olhando para trás, tenho de reconhecer que não deve ter sido nada fácil para uma miúda, como eu era (quando nasceu o 4º filho só tinha 24 anos), viver estas experiências a nível emocional, apesar de todo o apoio familiar que nunca me faltou. Hoje em dia, quando contacto com raparigas desta idade, percebo quão imatura devia ser e, talvez por isso, o meu sistema nervoso tenha sido bastante afectado até ao ponto de um esgotamento. No entanto, dou graças a Deus por ter proporcionado aos meus filhos um crescimento envolto em ambiente familiar, cimentando uma união que tem servido para ultrapassarmos todos os obstáculos que a Vida nos apresenta e, creiam, que não foram e não têm sido poucos.
Até breve. A saga continua…
Fiquem bem!

quinta-feira, janeiro 03, 2008

FELIZ 2008





Caros Amigos(as),

Num tempo em que a a consciência nos leva a perdoar, a esquecer e a pôr toda a energia captada na ideia de que o que, realmente, conta é o Amor Incondicional para que alcancemos a verdadeira Paz, nada mais é preciso para entrarmos no novo ano com alegria.
Caminhemos, pois, com a esperança em alta e a força que nos dá sabermos que estamos sós, mas não sózinhos.
A todos quantos me acompanharam nesta senda, durante o ano que finda, BEM HAJAM!!!

Um grande a fraterno abraço,


OM SHANTI OM