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segunda-feira, janeiro 07, 2008

MIL E UMA VIDAS III



Acabadas que foram as festas, retomo o fio à meada para vos contar um pouco das minhas numerosas Vidas, que têm sido a minha grande fonte de aprendizagem e desenvolvimento pessoal e espiritual, pois tive de me adaptar a várias circunstâncias e a vários acontecimentos que me obrigaram a crescer muito para além da própria idade.
Quando nasceu o nosso terceiro filho, já na nova casa, tivemos a alegria de receber nos braços uma linda menina de olhos azuis que encantou quantos a receberam. Nesse tempo não havia ecografias, por isso, a surpresa foi grande. Tinha tido dois rapazes, daí pensarem que o terceiro também seria do género masculino! Entretanto, acontecimentos familiares, não muito agradáveis, obrigaram-nos a procurar nova casa!!! Não foi fácil porque, com três filhos e pouco dinheiro, as casas em Lisboa já muito caras e não haver as facilidades de empréstimos como há agora. Acabámos por ir parar aos Olivais Sul que, nessa altura, começava a desenvolver-se e era considerado um bairro social misto, portanto mais acessível a certas bolsas. Desembarcámos numa zona que se considerava quase fora de Lisboa, os transportes não abundavam e nós nem sequer tínhamos carro. O telefone demorou bastante tempo a lá chegar. Tempos bem diferentes dos de hoje…
Com três crianças bem pequenas e mais uma que já nasceu nesta casa, a vida processava-se com um ritmo quase campestre e de muito trabalho. Sempre que podia, levava as crianças para os montes em frente à casa e por lá ficava debaixo das oliveiras a entreter os miúdos. De vez em quando ia a Lisboa a casa dos meus Pais que sempre foram o meu grande apoio.
Entretanto, o meu marido teve como destino embarcar para Moçambique e lá fiquei eu sozinha à espera do 4º filho, outra rapariga, mas de olhos castanhos. Nasceu um mês depois do Pai partir e só o veio a conhecer com sete meses, ou seja, o meu marido só acompanhou o nascimento de dois dos filhos!!! Olhando para trás, tenho de reconhecer que não deve ter sido nada fácil para uma miúda, como eu era (quando nasceu o 4º filho só tinha 24 anos), viver estas experiências a nível emocional, apesar de todo o apoio familiar que nunca me faltou. Hoje em dia, quando contacto com raparigas desta idade, percebo quão imatura devia ser e, talvez por isso, o meu sistema nervoso tenha sido bastante afectado até ao ponto de um esgotamento. No entanto, dou graças a Deus por ter proporcionado aos meus filhos um crescimento envolto em ambiente familiar, cimentando uma união que tem servido para ultrapassarmos todos os obstáculos que a Vida nos apresenta e, creiam, que não foram e não têm sido poucos.
Até breve. A saga continua…
Fiquem bem!

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