A minha Lista de blogues

sexta-feira, dezembro 29, 2006

NATAL DE DEUSES





Olho o Céu, vejo o Mar e as sombras que se projectam na areia e quedo-me em meditação, penetrando nos mistérios da existência.
Quem sou eu?
O Céu, o Mar, as sombras ou a areia?...
A minha Alma expande-se e segue ao encontro do Grupo de Almas a que pertenço e a alegria torna-se num estado em que se diluem as diferenças, se ampliam as semelhanças e, contudo, a condição de Ser “Único” continua a dar respostas ao impulso de evolução deste Ego terreno voluvelmente saudável.
Medito e, ao fundo, vejo o Natal dos Homens transformar-se em Natal de Deuses. A leveza do Ser permite-me um movimento imparável em direcção ao Absoluto. Descanso, por fim, na própria Essência.”

SO HAM, SO HAM, SO AHM, SO HAM
EU SOU, EU SOU, EU SOU, EU SOU

Fiquem bem, avançando para o novo ano com determinação e alegria, fechando as portas ao que passou, guardadas na memória as experiências vividas como parte da vossa história!

sábado, dezembro 23, 2006

ACONTECIMENTO





Chegou, no dia 20, o oitavo elemento da 3ª geração da nossa Família! Escusado será dizer que foi a melhor prenda de natal que podíamos ter. Estamos imensamente felizes porque o mundo precisa muito de crianças desejadas, entregues a Pais conscientes e com uma grande capacidade de amar. Confesso que, tive a noção de eternidade quando nasceu o primeiro neto, hoje com belos 16 anos. Quando nascem os filhos, somos muito novos para pensar nessas coisas, mas os netos apresentam-se numa altura da nossa existência em que valorizamos os anos que passam, desejando que a nossa “marca” não se apague. O sentimento que emergiu ao ter nos braços aquele pequenino Ser, foi de grande alegria e imenso orgulho por saber que ele representava a continuidade de uma família com características próprias, numa sistémica geracional bem ordenada. Aprendi o valor da união familiar, o respeito pela ética e pela ordem e é com alegria que vejo a família crescer com esses valores, não impostos, que acontecem naturalmente através do exemplo. Temos duas netas que a Vida afastou do nosso convívio, mas que estão sempre presentes no nosso coração.
E, assim, aqui estou a partilhar convosco a alegria deste nascimento que se veio juntar à publicação do meu novo livro. Desejo a todos umas belas festas e que o novo ano seja vivido com a consciência dos que sabem que sabem, preparando a nova era.
Agradeço a todos e a cada um, a atenção dispensada, prometendo novo encontro para breve.
Fiquem bem!

sexta-feira, dezembro 15, 2006

UM FILHO, UMA ÁRVORE, UMLIVRO...






Pois é... Dizem que uma pessoa se realiza quando tem um filho, planta uma árvore e escreve um livro. Eu tive quatro filhos, tenho quase oito netos (a última está mesmo a chegar), já plantei algumas árvores e, o livro que vos apresento, é o também o quarto! Como sabem, a escrita faz parte da minha vida como forma de expressão de sentimentos mais do que de ideias, tendo nascido espontaneamente. Na minha família corre o sangue das letras que põem no papel o que vai na alma ou quando se tem necessidade de passar informações úteis. O primeiro que publiquei, “O Caderno do Praticante” (edição da Associação de Yoga Sivananda portuguesa), nasceu da necessidade de ajudar os que se iam formando como Instrutores de Yoga, o segundo, “Contacto – Corpo, Mente e Espírito”, surgiu como consequência do desenvolvimento espiritual da minha discípula Paula Mora e os seus textos representam esse processo que acompanhei com muito amor, o terceiro, “O Caminho da Sabedoria”, já chegou através de uma editora que “encontrei” pelo Caminho e com a qual me entendi no primeiro instante (Editorial Angelorum Novalis). Este livro é testemunho e resultado de muitos anos de ensino e de experiência, tendo sido muitos os que colaboraram para que saísse bem. O quarto, que me veio parar hoje às mãos, foi feito em pareceria com a mesma editora e tem a ver com o meu próprio processo, pessoal e espiritual em curso. É um gozo partilhar com os meus semelhantes o que me vai na Alma e um privilégio que agradeço aos meus Deuses e a todos quantos colaboram para que esta realização se tivesse tornado realidade. Para que um livro tome forma é preciso, para além da escrita, que alguém o ponha em pé, com todas as letras e com a sua essência estampada na capa.
Este livro, poderão encontrá-lo no Centro a partir de 2ª feira e, em Janeiro, nas livrarias. Espero, desejo sinceramente, que gostem tanto de o ler como gostei de o passar à sua forma actual.
Fiquem bem! BOM NATAL outra vez!!!

segunda-feira, dezembro 11, 2006

UM NATAL MAIS BRANCO






Habitualmente, representa-se o Natal sob a forma de paisagem em que a neve predomina. À neve, na sua brancura, associa-se a ideia de pureza, estado de elevação espiritual a que conduz, ou devia conduzir, a época de Natal. Mas, será que essa brancura existe? Será que o processo de branqueamento não é antes um processo de escurecimento?...
A sociedade de consumo em que vivemos, leva-nos a festejar o Natal numa euforia de gastos supérfluos que, lá para meados de Janeiro nos dão amargos de boca, depressa fazendo esquecer o repicar dos sinos. A paisagem fica, subitamente, enegrecida e os votos de Bom Natal diluem-se como nuvens esfarrapadas em dia de ventania.
Jesus, ao nascer pobre, desceu à Terra despojado de bens materiais. Nasceu humilde – NASCEU! Nascer significa abrir os olhos à Vida, enfrentar o mundo com o grito do primeiro choro. Enfrentar o Mundo é o primeiro acto do primeiro instante da existência. A partir daí, é uma evolução constante e progressiva que nos permite sobreviver num ambiente, à partida, hostil. Na realidade, nós nascemos todos os dias! De cada vez que saímos da cama é como fazer uma nova entrada no mundo. O líquido amniótico está, aqui, representado pelos lençóis que envolviam o nosso corpo e nos davam a protecção necessária durante a noite. E, levantar pela manhã nem sempre é fácil... Quanto mais nascer!!!
Sobretudo, para quem não tiver consciência de que cada dia que passa é menos um, menos uma oportunidade de trabalharmos para o nosso desenvolvimento. Devíamos, todos, “Morrer por viver e não viver para morrer”, como dizia o Suami Sivananda. A Vida passa-nos por entre os dedos de uma mão aberta e, quando se aproxima o Natal, o que nos preocupa são as prendas que temos de dar e devíamos receber...
Quantos ressentimentos, quantas desilusões semeia o Natal?.... Quantos de nós vivem realmente o Natal, despojados, humildes e com vontade de re-começar?... Voltando a citar Sivananda, na sua Oração Universal “Amar a Deus sob todos os nomes e todas as formas. Servir a Deus sob todos os nomes e todas as formas”, seria um bom voto, um bom propósito,
Neste Natal, procuremos nascer para uma Vida mais harmoniosa, mais simples, pensando mais em vós do que em nós. É muito mais Cristão, é muito mais yóguico e faria desta quadra uma verdadeira paisagem branca de neve.
Fiquem bem e BOM NATAL!!!

terça-feira, dezembro 05, 2006

ESTÓRIA DUM NATAL




O Natal é uma época de contradições, de alegrias e tristezas sem fim e muitas saudades, mas também é uma altura em que podem acontecer coisas engraçadas.
Quando estava a matutar sobre o que me apetecia escrever nestas conversa siderais, veio-me à cabeça uma estória passada num, longínquo, Natal de família. Durante muitos anos, tínhamos o hábito de nos juntarmos todos em casa do meu irmão, o único com espaço suficiente para o grande grupo que formamos entre irmãos, filhos e netos respectivos, mais alguns colaterais. Como é evidente, o menu era construído a partir de um plano elaborado pela minha cunhada que é uma pessoa organizadíssima. Cada família tinha de levar um prato salgado e outro de sobremesa, de acordo com o número dos seus membros e a sua aptidão para a cozinha. Nas sobremesas, a mim calhava-me sempre as filhós (algumas pessoas chamam coscorões àquele tipo que faço) e naquele ano, pediram-me que apresentasse um perú com recheio de castanhas. Normalmente havia mais do que um o que se prestava a comparações e alguma competição nas receitas.
Em casa havia dois gatos e um cão, ainda do tempo em que os meus filhos por lá andavam. Um dos gatos, chamado Shiva, era um tigre, de aspecto e potência, muito guloso e comilão. Estávamos prontos para arrancar para o Estoril, onde mora o meu irmão e, entretanto, fazíamos sala com um dos meus afilhados e respectiva família, que sempre nos vai visitar na véspera de Natal para a habitual troca de prendinhas. A filha mais nova, nessa época ainda muito novinha, ia-se deliciando com um prato de filhós, aliás, a partir de então ficou minha freguesa anual. Terminada a visita natalícia, preparámo-nos para avançar para a nossa festa e fomos direitos à cozinha para recolher os acepipes e encaixar as prendas de maneira a que as pudéssemos transportar em segurança. Qual não é o nosso espanto, quando demos com o belo perú destituído de parte do seu saboroso peito!!! O Shiva tinha acabado de festejar o seu Natal felino...Até me caiu a alma aos pés!!! Quem já se deu ao trabalho de preparar um perú natalício, saberá avaliar o meu “desgosto”... E preocupação... Que fazer? Àquela hora já não era possível arranjar outro e parecia-nos um pecado deitar fora o belo petisco! Pensando bem, acabei por lhe tirar a parte tocada pelo amigo Shiva, e compus a cena o melhor que pude. Só lhes digo que foi um sucesso, tudo acabou em bem e numa bela risota.
Para a próxima conto outra...
Fiquem bem!

terça-feira, novembro 28, 2006

PEQUENAS COISAS



Sempre achei que há pequenas coisas que fazem a diferença na nossa vida e na dos outros, mas foi quando comecei a dar aulas de Yoga que entendi a sua importância. Atitudes, gestos ou palavras não têm de ser espectaculares para sortirem efeito no ambiente que nos rodeia. Muitas acções que, para mim, eram naturais, surpreendiam aqueles com quem comecei a contactar sem a proximidade familiar ou afectiva. Aprendi a dar atenção às pessoas com a minha Mãe que nos ensinou a validade dessa forma de estar na vida. Ao longo de tantos anos foram passando pelas minhas aulas, muitas pessoas que vinham à descoberta do Yoga como filosofia ou, simplesmente, para aprenderem o bem-estar que as técnicas e as práticas ensinam. Alguns ficavam admirados quando, passado tempo de ausência, voltavam e eu me lembrava dos seus nomes! Faço questão de conhecer as pessoas pelo nome que usam e, para isso, me concentro com alguma insistência quando as caras não se apresentam com assiduidade. É claro que, passados tantos anos, há muitas pessoas que ficam no fundo da memória à espera de novo contacto ou esquecidas naturalmente. A vida separa as pessoas ou junta-as conforme a necessidade, mas quando prestamos atenção essa separação não tem grande significado e podemos retomar o contacto no ponto em que o deixámos. Tudo depende da marca que ficou na relação.
O cuidado que pomos nas relações permite-nos desenvolver um espírito de solidariedade que nos faz sentir UM no TODO que somos. Quando alguém vai viajar e me pergunta se quero que me tragam alguma coisa, o que respondo é: “Se vir um objecto e ele o faça pensar em mim, então é porque vale a pena trazer e eu agradeço do coração.” Foi assim que o Centro ficou cheio de pequenas lembranças que representam o Amor que cada pessoa pôs naquela dádiva e a energia dessa oferenda enche o espaço para benefício de todos que o frequentam. Pequenas coisas que fazem grande diferença e proporcionam prazer à vista e despertam emoção calorosa. Imaginem que estão lá representados mais de 15 países, desde o Equador até ao Japão!
Tenho a sorte de estar rodeada de atenções, a começar pela minha família que desenvolveu o gosto por esta maneira de ser e de estar e dos que me acompanham nesta senda espiritual, mas esse Amor tem de ser alimentado, gerido com o cuidado necessário e suficiente para que não se estabeleçam dependências nem apegos. O tal amor incondicional de que vos falei no texto anterior. Não temos de ser santos, a não ser com a ideia de que santidade é paz de espírito e grande liberdade de pensamento. Tudo começa nas pequenas coisas que fazem grande diferença.
Fiquem bem!

segunda-feira, novembro 20, 2006

AMOR INCONDICIONAL





Isto do amor incondicional tem muito que se lhe diga! No meu próximo livro, a sair antes do Natal (“A Alma e os seus Percursos”, editorial Novalis), é mencionado várias vezes, mas penso que por ali vão entender o que quero dizer quando dele falo. Quem está familiarizado com o sistema de Chakras perceberá que este amor só acontece quando se alcançou um determinado estado de evolução. O plexo solar está relacionado com as emoções e, em consequência, com os afectos em que a norma é dar e receber na mesma medida, amar e ser amado(a) e, por isso, é uma zona do nosso corpo que se manifesta constantemente e sofre das perturbações mais comuns: dores de estômago, desarranjos intestinais, etc.. Amar incondicionalmente implica ter o Chakra do coração aberto e perceber que se pode amar sem gostar... Foi isso que eu disse: amar, mesmo sem gostar. Os afectos têm, por necessidade, que ter troca, enquanto quando se ama, a troca é implícita, ou seja, quando amo alguém sem dele, ou dela, nada esperar, acabo por receber em troca o simples prazer dessa dádiva que acabará por ter um retorno, às vezes, sob outra forma. A lei do Karma é inexorável (acção-reacção). Amo, ponto final! Ao longo dos anos fui aprendendo que não se pode gostar de toda a gente, mas que todos são dignos de ser amados e, essa atitude, valeu-me como defesa própria. O Amor quando se aplica desta maneira, deixa no ar uma energia purificadora que assenta naqueles que estão distantes afectivamente. A proximidade requer uma atenção e uma afinidade que acontece pela necessidade de contacto quando há um Karma a cumprir, quando as ligações exigem um comportamento adequado às circunstâncias. Há Karma de país, Karma de família, Karma de Grupo, que nos obriga a uma relação tão equilibrada quanto possível para que os destinos se cumpram.
Ao longo dos anos fui convivendo e trabalhando com muitas pessoas que foram extremamente importantes para o processo de evolução em que estou inserida. Enquanto foram precisas, essas relações, duraram e foram muito profícuas. Logo que deixaram de ser necessárias, extinguiram-se por conta própria ou levadas pelas circunstâncias que provocaram o afastamento, mais ou menos doloroso ou difícil, mas necessário a ambas as partes. Nós somos, por natureza, seres em que os apegos são uma constante. O caminho espiritual, não se compadece com essa atitude e, à medida que avançamos, percebemos que é bom amar sem apego, que essa maneira é aquela que nos proporciona maior liberdade de acção para podermos escolher com quem queremos conviver, trabalhar ou formar família. O Homem é multifacetado na sua essência e precisa de vários contactos para se sentir inteiro e perceber quem, verdadeiramente, é.
O amor incondicional é, se quisermos, o AMOR ele próprio, pois o Amor É! Não sei se me fiz entender?... Às vezes passam-me assim umas coisas pela cabeça e apeteceu-me partilhar convosco este pensamento... Até gostava que se manifestassem, partilhando comigo o que pensam também sobre o assunto.
Fiquem bem
!

segunda-feira, novembro 13, 2006

ANIVERSÁRIO


Como o tempo passa... Faz hoje um ano que embarquei neste desafio que é comunicar através dum blogue. Passados que foram oitenta e tal textos, posso considerar que tem sido uma experiência, para além de positiva, fascinante. A perspectiva que tenho deste universo é sentir que estou próximo de muita gente que me “descobre”, sem a proximidade física que outros contactos exigem e, por isso, me permite gozar da liberdade própria de quem escreve sem expectativas, mas com a esperança de encontros sem apegos. Para além dos que se manifestam nos comentários, através de e.mails ou mesmo pessoalmente, há leitores anónimos que me privilegiam com a sua presença, facilmente constatada pelo número de visitas. Acho que ninguém escreve desta maneira sem esperar que alguém veja, senão bastaria criar um diário pessoal e privado. Escrevo porque gosto desta forma de comunicação e porque a timidez que me caracteriza faz com que, assim, seja mais fácil falar das minhas experiências de vida, cujas vivências podem ser um exemplo para outros e saber que não estamos sós nesta aventura que é a nossa passagem pela Terra.
Há quem tenha um blogue para discutir assuntos ou expressar opiniões sobre acontecimentos mundanos, políticos ou sociais. Não é essa a minha intenção. Essas discussões guardo-as para o privado familiar ou quando a ocasião se apresenta no convívio com os alunos do Centro ou nos atendimentos individuais. Gosto mais do confronto de ideias em conversa amena, cara a cara. Tenho as minhas convicções que expresso naturalmente e demonstro através do meu próprio comportamento que é sempre a melhor maneira de explicar sentimentos. Somos o que praticamos e praticamos o que somos. O pensamento de acordo com a acção, o dentro em harmonia com o fora, sabendo que não ensinamos nada a ninguém porque são as pessoas que aprendem, ou não. Se houver quem esteja a aprender com as minhas estórias, o mérito é de cada um que as lê e interpreta como pode e está preparado para entender. Ao longo da minha, já longa, vida tenho aprendido com muita gente que nem sabe que me está a ensinar. O importante de facto, é a disponibilidade interior para receber as informações que chegam, seja por escrito ou por outra via. O contacto entre os Seres é uma experiência essencial para que tenhamos espelhos onde nos possamos “ver” com outros olhos. O que os outros provocam em nós diz muito do nosso estado de evolução ou as memórias que acorda. Se estivermos atentos aos sinais teremos respostas a perguntas que não ousamos ou pensaríamos fazer.
O blogue, tal como o contacto com grupos de trabalho, família ou amigos, é uma oportunidade única para evoluir como pessoa integrada, apesar da individualidade. Agradeço a todos os que me têm acompanhado em mais esta aventura, pois a partilha me obriga a organizar-me em termos de ideias e de ideais. Sinto o mesmo quanto aos meus livros pois, também, eles me fizeram acreditar que não estou só e que o grupo a que pertenço é físico, mental e espiritual. Todas as dimensões numa só: SER e ESTAR neste TODO a que pertencemos. Seguirei como sempre, de acordo com o meu próprio SENTIR.
Obrigada. Fiquem bem!

quarta-feira, novembro 08, 2006

ESPERAR O INESPERADO








De vez em quando dá-me para voltar atrás e rebuscar no meu baú das memórias, vivências tão extraordinárias quanto divertidas e que, ao mesmo tempo, sejam lições de vida para os que me acompanham como foram para mim.
Numa altura em que o contacto com a “Fundação Yoga para a Paz” (Espanha) era frequente, foi-me proposto participar numas “Férias Inteligentes” que organizam anualmente e que pretendem dar às pessoas a oportunidade de gozarem uma férias repousantes e, simultaneamente, enriquecedoras com várias actividades, práticas e teóricas que fazem com que as pessoas aprendam e convivam num meio saudável e alegre. A mim calhou-me fazer um mini curso de “Shiatsu” durante três semanas, para além de atendimentos individuais, ao mesmo tempo que podia participar nas meditações matinais, nas aulas de Yoga e nas palestras que suscitassem o meu interesse. O local escolhido nesse ano, foi um belo Hotel, na Praia Branca, em Lanzarote, corria o ano de 1993.
Como devem calcular, o desafio não era pequeno, pois tinha de falar em castelhano para um grupo de cerca de sessenta e tal pessoas! Comigo estavam cinco alunos do Centro que foram em gozo de férias. A aventura, no entanto, começou logo à chegada. Imaginem que, ao chegar ao quarto dei de caras com uma companheira que, sorridente, me cumprimentou com um “belo” cigarro na mão!!! Nem queria acreditar no que me estava a acontecer... Uma acompanhante fumante era o que menos esperava naquelas circunstâncias. Entrei em contacto com os organizadores, que ficaram um tanto ou quanto embaraçados, explicando-me que, a senhora era galega e, por isso, pensaram que nos entenderíamos melhor... Infelizmente o hotel estava cheio e não havia hipóteses de me mudarem, a não ser que, de repente aparecesse uma solução. Dei comigo a pensar: “Se calhar tenho de aceitar estas condições que terão o seu propósito kármico...”. Foi isso que fiz. Ao voltar ao quarto, falei com a pequena, pedindo-lhe que passasse a fumar na varanda o que ela fez sem problema. O Karma ainda me apresentou outra situação a provocar a minha capacidade de adaptação... A rapariga tinha caído ali na esperança de encontrar consolo para um grave problema da vida dela; a filha adolescente havia desaparecido de casa há mais de um ano!!! Como devem calcular o panorama não se apresentava animador quanto a sossego e paz de espírito para levar a bom termo as minhas tarefas agendadas. Na verdade, as coisas acabaram por se harmonizar, apesar das nossas enormes diferenças de actuação. Para além do fumo, havia a questão das dormidas... Ela não dormia de noite, vagueava pelos jardins do hotel ou ficava a fumar na varanda até de madrugada, quando eu me preparava para me levantar e seguir para a meditação da manhã. Lá nos fomos organizando, cada uma respeitando o espaço e as condições da outra e acabei por tratar dela um pouco. A Maria, assim se chama, era uma artista plástica que tinha o seu atelier na Corunha e o desaparecimento da filha foi um desastre a que não estava capaz de dar solução e pensou que aquelas férias a poderiam ajudar de alguma maneira. Só que, ela não participava em nenhuma actividade e, tanto quanto me lembro, as suas refeições eram feitas fora de horas... A cura não passava por ali!
Os meus trabalhos seguiram de acordo com o estabelecido, entremeados com as práticas que me interessavam e o convívio com os participantes activos que fui conhecendo. A ilha de Lanzarote é magnífica, apesar da sua rudeza vulcânica. Os atendimentos individuais proporcionaram-me uma experiência riquíssima pois deu-me oportunidade para contactar com pessoas inteiramente desconhecidas o que não acontecia no Centro porque os meus pacientes eram, de um modo geral, alunos ou conhecidos. Foi um tempo fantástico em que aprendi imenso e fiz alguns amigos que, me passaram a visitar em Lisboa. Pelas fotos que vos mostro, podem ver que não minto...
No ano seguinte, voltei a participar nestas férias inteligentes, desta vez, em Tenerife. Um dos meus alunos (bailarino de profissão) que, entretanto se fez instrutor de Yoga, também foi comigo para trabalhar danças, coisa que ele tinha demonstrado em Lanzarote. Confesso que, a estadia em Tenerife (na zona sul) não foi tão interessante em termos turísticos, mas os trabalhos em que participei, Shiatsu e Expressão e Criatividade, correram bem. O problema destas coisas é que, gosto mais de trabalhar com grupos pequenos e envolver-me mais com as pessoas, o que não acontece nestas condições. Acabava sempre por ter de fazer terapias improvisadas, deixando de ter tempo para as minhas próprias práticas o que se tornava deveras cansativo. Decidi, pois, que aquela seria a última vez. Algumas das pessoas que circulam nos meios esotéricos, pensam que os seus problemas se resolvem por obra e graça ou que a sua solução vem de fora e não de dentro. Para além disso, as práticas de Yoga, seja físico, mental ou espiritual, despertam emoções, por vezes incontroláveis e trazem à superfície problemas há muito esquecidos ou bem guardados. Felizmente, as práticas são bastante úteis quando levadas a sério e conduzidas com competência o que foi acontecendo sempre, apesar dos acontecimentos trágico-cómicos. O Yoga é uma filosofia que nos ajuda a perceber melhor a vida e o nosso papel na passagem por ela.
Fiquem bem!

quinta-feira, novembro 02, 2006

OS ELEMENTOS

OS ELEMENTOS

COMBINAM-SE PARA SEREM

VIDA,

MOVIMENTO,

LUZ,

ENERGIA E

AMOR



Neste dia em que a chuva nos tocou, saudamos essa energia purificadora, deixando que a nossa Alma seja consagrada no altar do Amor incondicional.
A serenidade do Outono é uma passagem e um tempo de reflexão para que possamos escutar o silêncio que vai crescendo dentro de nós, resguardados, protegidos e confiantes, chegando onde temos de chegar.
As folhas caem, baloiçando ao vento, tocam o chão que as recebe para serem o alimento da esperança, com os olhos postos na Primavera que nos espera.

Fiquem bem!

domingo, outubro 29, 2006

CALOR




Olho o Céu que espreita da janela do meu escritório caseiro e, não fora as árvores mostrarem os seus ramos meio desnudados, pensaria que estávamos ainda no Verão... O calor aperta mas não apetece praia! Sente-se no ar um desejo a Outono pois é confuso ter tempo de férias e estar a trabalhar. Por um lado há queixas e comentários: “Este tempo quente não é normal... estamos fartos de calor!!!”. No entanto, como somos criaturas contraditórias, também não nos cansamos de dizer que, apesar de tudo, este tempo sem chuva nem frio é bom... Nas traseiras do meu escritório propriamente dito avisto uma nespereira que, coitada, está baralhada com este clima e já começou a dar flor o que é suposto ser só lá para Janeiro. Na sua inocência de simples árvore de fruto, não entendeu o que estava a acontecer e, por isso, segue o esquema calor = a Primavera.
Paciência... Serve esta introdução para falar de livre arbítrio. Será que o temos verdadeiramente?... Que forças nos comandam para que tenhamos de prosseguir com os nossos “Karmas” sem os questionar? Que hipóteses temos nós de escolher o que mais nos convém ou agrada?...Eu diria, talvez pela experiência de Vida que já conto na minha bagagem/memória, que o livre arbítrio é uma concessão dos Deuses que nos passam para a mão a responsabilidade de escolhermos a maneira como vivemos e resolvemos esses “Karmas” para que, de futuro, o nosso destino seja bem mais risonho, ou talvez diferente.
Sabemos que temos pela frente uma série de desafios, propostos pelo que nos vem à cabeça ou “inventados” por outrem, mas o que ignoramos é como nos vamos desembaraçar deles e inventar novos. A Vida é, ela própria, um desafio, coisa que não é novidade para ninguém! Chegar ao Mundo sem saber o que vamos encontrar é, certamente, o primeiro grande passo, de tal maneira grande que começamos a berrar a plenos pulmões. Dizem que é preciso chorar para que eles funcionem... Para mim faz sentido porque, entrar de rompante nesta enorme “sala”, é um verdadeiro susto!!! Para além disso há que marcar a nossa presença e fazer ouvir a nossa voz, sem o que nem comíamos nem bebíamos, nem tão pouco andaríamos vestidos à maneira.
Aqui está o uso primordial do livre arbítrio, chamar a atenção para a nossa pessoa como Ser pertencente a um Grupo. Começa o caminho. É preciso aprender a percorrê-lo, descobrindo atalhos, subindo montes, descendo vales e perceber quando é preciso parar para observar os sinais e, esperar o tempo necessário para os descodificar. Lá está outra vez o livre arbítrio... Descodificar sinais depende da nossa vontade, da nossa atenção e, principalmente da nossa disponibilidade. Temos sempre tanta pressa de chegar, quando o que importa é o fascínio que é percorrer um caminho, olhando em volta para que fique na memória um manancial de informação que nos permitirá reconhecer caminhos já percorridos, permitindo acelerar o nosso passo quando a ocasião se apresenta.
O calor tem destas coisas... quando acorda em nós sensações, dá-nos que pensar... Cá está, outra vez, o livre arbítrio a funcionar: PENSAR!!! O pensamento é, realmente, a nossa grande ferramenta. Precisamos usá-la com a consciência da sua força e todo o seu potencial e, para isso, nada melhor do que meditar. Meditar é elevar ao mais alto nível a vibração que nos dá a capacidade para vencer qualquer obstáculo, receber informação que será a luz que alumia todos os caminhos a percorrer. Meditemos pois.
Fiquem bem!

terça-feira, outubro 24, 2006

UMA CASA CHEIA



Os que me têm acompanhado neste desfilar de memórias, já devem ter percebido que a minha vida é como uma casa cheia. Comecei por nascer numa família que se foi reproduzindo sem preconceitos ou demasiada programação. Os meus Pais tiveram quatro filhos (infelizmente, um morreu bébé) que, por sua vez se multiplicaram até aos treze netos que vieram a dar fruto, sendo que se contam, até agora 30 e, em breve, 31 bisnetos!!!
Enquanto a minha Mãe foi viva, e a conta de bisnetos não estava tão avançada, conseguíamos reunir-nos no Natal em casa do meu irmão (no último que lá passámos seríamos umas sessenta pessoas). A minha Mãe fazia muita questão nessa reunião de família, mas o grupo começava a pesar aos hospedeiros, apesar da boa vontade e do espaço ser, apesar de tudo, bastante. Quando a minha Mãe passou para outra dimensão, livre do corpo que já lhe pesava, decidimos que era altura de cada um ficar na sua própria casa, o que vem acontecendo desde então. Agora encontramo-nos mais espaçadamente e em ocasiões em que se celebram acontecimentos particulares (casamentos, baptizados, etc.), acompanhando-nos uns aos outros dentro do possível.
Quando me entreguei ao projecto “Satsanga”, levei comigo o mesmo ideal de família e, assim, esta casa, também, está sempre cheia com todos aqueles que dela se aproximam, seja para umas aulas de Yoga, seja para uma conversa a sós ou, simplesmente, para partilharem alegrias ou preocupações. Foram chegando a pouco e pouco, aproximando-se do núcleo central, e muitos fizeram daquele espaço a sua Casa, à medida que se iam sentindo identificados com a vibração reinante. Acabei por criar outra família, de natureza espiritual, que tem vindo a crescer e a desenvolver-se em liberdade, com a segurança que dá a sensação de pertença. Criei os meus filhos, dando-lhes o sentido da responsabilidade, no gozo da liberdade que essa atitude pressupõe. Na família “Satsanga”, como alguns já lhe chamam, o espírito é o mesmo. Cada um que chega, e se sente tão confortável como uma peça de puzzle que encaixa no seu lugar, não obedece a regras nem se faz seguidor; as regras são aceites por se acharem justas e próprias para uma ordem conveniente e ninguém “segue” ninguém porque, simplesmente, caminhamos lado a lado, sabendo cumprir dentro do que a cada um cabe cumprir. Ao longo dos anos fui dando a perceber que, o ideal é que cada Ser saiba o que quer e o que vale dentro duma comunidade e, quando se dá o respectivo valor às competências, tudo funciona na perfeição. Os que mandam, mandam quando é esse o seu papel e os que recebem instruções sabem que a humildade é fundamental, humildade que nada tem a ver com submissão, é bom que se entenda. A autoridade é reconhecida e, naturalmente, aceite pois a ordem é fundamental em qualquer sociedade.
A minha vida é uma casa cheia de energia que sinto mesmo quando estou só. A presença dos que me marcaram e dos que me acompanham, é indelével! A ligação espiritual é qualquer coisa de formidável, mesmo transcendente e não tem que ver com relações de natureza emocional. Muitos dos que contribuíram para que a minha vida fosse uma casa cheia, já cá não “moram” fisicamente, no entanto, continuam a ter um lugar no meu coração onde reina o amor incondicional. Como numa casa de família, os filhos crescem e, às vezes, têm de partir para outras paragens. O desapego é um factor primordial para que se consiga continuar em alegria e, sobretudo, liberdade.
Os Deuses que me acompanham, dão-me a segurança que me permite continuar de porta aberta para que o vazio nunca se instale e a Casa continue sempre cheia. Eu, apenas, me entrego e me deixo guiar, pois só assim é possível chegar ao fim da minha passagem pela Terra e dizer: VALEU A PENA!!!
Fiquem bem!

domingo, outubro 22, 2006

UM TEMPO




Temos de ter em consideração que é preciso um tempo para que o entendimento com os outros se faça sem que seja preciso romper barreiras defensivas que todos, de um modo ou de outro, criamos ao longo da existência. Por esse facto, podemos dizer que amar é ter consciência do tempo daqueles com quem privamos, saber escutar e fazer a ligação de forma amorosa, dando sem expectativas, mas com a certeza de que nas acções, como nos pensamentos o que conta é a intenção, controlando as emoções para que se possa experimentar uma sensação de bem-estar enquanto se esperam respostas que dêem as pistas necessárias para se prosseguir com este ou aquele contacto.
A relação com os outros dá-nos uma perspectiva do que sentimos e permite-nos avaliar o estado de evolução em que nos encontramos, um verdadeiro espelho onde nos revemos, de preferência, sem julgamentos apressados. É preciso um tempo para perceber o que está para além do imediato instinto que nos avisa da necessidade de lutar ou fugir. Consideremos, pois, que os relacionamentos requerem uma sensibilidade, um bom senso e um tempo de espera que dê a garantia de que os passos seguintes sejam seguros e certos. As situações alteram-se e o que sentimos hoje em relação a alguém pode ser completamente diferente amanhã. As acções são determinantes para podermos perceber se os sentimentos têm, ou não, razão para persistir. As circunstâncias e os interesses que se alteram são factores a considerar, e a nossa liberdade, em consciência, é um bem a preservar. Assim, estamos com quem temos de estar porque o Karma o determina e tudo segue a seu tempo, fluindo com a confiança própria de quem sabe que os Deuses, os Guias, os Mestres e os Anjos se mantêm atentos ao desenrolar das nossas vidas atribuladas e, por vezes, confusas. Demos, pois, um tempo, confiantes e amorosos.
Fiquem bem!

quarta-feira, outubro 18, 2006

"DHARMA" E SAÚDE

Este texto que vos deixo fui buscá-lo ao meu livro "O Caminho da Sabedoria" (Editorial Angelorum Novalis que também vai publicar o meu próximo, com o o título "A Alma e os seus Percursos) e vem a propósito duma conversa com uma amiga em que falávamos da palavra "Dharma", consciência do dever e sua relação com a saúde.

“A CADA INSTANTE, O CÉREBRO TEM AO SEU DISPÔR QUALQUER COISA DE MUITO ÚTIL E ESPECIAL: A REPRESENTAÇÃO DINÂMICA DUMA ENTIDADE COM UMA AMPLITUDE LIMITADA DE ESTADOS POSSÍVEIS A QUE SE CHAMA CORPO.”
In “O Sentimento de Si”
António Damásio


A troca de experiências, a aprendizagem e o convívio são os principais factores que unem os indivíduos, seja no trabalho, na escola ou em sociedade e, mesmo, em família. Estes interesses podem ser mais ou menos mesquinhos, mais ou menos generosos de acordo com as tendências de cada um. A verdade é que é preciso buscar nos encontros a satisfação física, mental e espiritual para se crescer com a capacidade de aprender por conta própria e saber que a Vida é uma viagem solitária que se faz sem solidão quando nos alimentamos dos contactos que fazemos e proporcionamos, sem que isso represente apego ou dependência. É a saúde que está em causa.
No entanto, convém lembrar que precisamos de saber qual o nosso lugar, qual o nosso papel e, para isso, são precisas algumas regras que podemos definir, no seu conjunto, por “Dharma” ou consciência do dever. Pode parecer estranho que um dever tenha a haver com a saúde ou a harmonia, mas tem e muito... Senão, vejamos:
Quando funcionamos de acordo com o papel que nos cabe, sentimo-nos bem e, isso, vai reflectir-se no nosso corpo em termos de tranquilidade. As tensões provocadas pela desarmonia em termos de funcionamento, deixam as suas marcas. A inveja, o ciúme a insegurança e o azedume instalam-se dando origem a muito mal estar. Não respeitamos nem somos respeitados, não amamos, nem somos amados, não somos livres nem damos liberdade.
A dificuldade aparente é saber qual o nosso dever em cada momento ou circunstância. Aceitar o que nos é imposto ou assumir a responsabilidade de uma tarefa com independência é algo que acontece a toda a hora. Se nos sentirmos bem a fazer o que estamos a fazer, quer dizer que está tudo certo. O nosso corpo descontrai-se e a energia flui sem obstáculos de maior. A harmonia prevalece e a saúde é um dado adquirido que se sente e se vê, no olhar, na pele, na postura, nos gestos e no desenvolvimento pessoal e espiritual.
Cumprimos o nosso “Dharma”. Construímos um bom “Karma”.
O estado de harmonia é um direito que se conquista à medida que a consciência se amplia.
Fiquem bem!

quinta-feira, outubro 12, 2006

OUTONO NO JARDIM






“Saídos da escuridão procuramos a Luz. A nossa coluna é a árvore da Vida que nos prende à terra para que o processo de evolução seja uma realidade. Sejamos firmes e flexíveis para que a seiva continue a fluir até à realização final.”

Não posso deixar de vos dizer como é maravilhoso o espectáculo das Ginkobilobas no Jardim das Amoreiras, em Lisboa, chegado o Outono! Por enquanto ainda não atingiram o ponto que vos mostra a fotografia acima, tirada o ano passado. Vale a pena estarem atentos. Este jardim é mágico e inspira qualquer um que por lá se detenha em pausa da lufa-lufa do dia a dia. Uma das muitas árvores tornou-se minha amiga, chama-se Fausta. Como esse encontro se deu, está contado no meu próximo livro “A Alma e os seus Percursos” que está previsto sair em meados de Dezembro (Editorial Angelorum Novalis).
Esta estação do ano, em Lisboa, tem uma Luz particular, um Verão a despedir-se suavemente, deixando as lembranças das férias bem guardadas. Um tempo para, devagarinho, irmos mergulhando no nosso Ser mais profundo, onde nos recolhemos para meditar no Caminho que estamos a percorrer e preparar terreno para novas sementeiras, novas ideias. Pessoalmente, penso melhor com o tempo mais fresco, por isso, gosto desta altura do ano em que dá para pensar em novos projectos, estimulada a criatividade, pela necessidade de avançar e procurar desafios interessantes e esperar encontros enriquecedores.
O Mundo está num grande desassossego, a precisar dos que acreditam que a Paz se constrói de dentro para fora e não de fora para dentro. A Paz individual é um elo de uma imensa corrente de energia que se propaga naturalmente; requer uma grande atenção, um trabalho, uma disciplina e, sobretudo, uma intenção que está para lá de ideias feitas e de facilidades mágicas que muitos apregoam. Não basta ter pensamento positivo, é preciso que as acções tenham a sua correspondência. Não basta ler instruções ou passarem-nos receitas milagrosas para que a Vida passe a correr sobre rodas! A consciência é algo que tem de ser trabalhado de forma criteriosa e com toda a humildade do mundo. Soluções fáceis para os problemas não representam garantias para coisa nenhuma!!! O auto-conhecimento é, apenas, um passo para a solidariedade, absolutamente necessária para o desenvolvimento pessoal e de grupo. A unidade na diversidade devia ser o nosso lema. Somos UM, pertencendo a um TODO, como células de um tecido e, se cada um souber como É e como ESTÁ, a harmonia estabelece-se naturalmente. Um sociedade equilibrada depende da ordem e a ordem depende, por sua vez, da responsabilidade individual e colectiva, cumprindo um “Dharma” (Dever) que fará com que o Karma também se cumpra.
Não percam, pois, a visão fantástica das Ginkobilobas no Outono e respirem a tranquilidade daquele jardim ou de qualquer outro que encontrem no vosso deambular e sintam aquela paz a instalar-se. Vale a pena meditar na árvore que somos e sentir a seiva correr-nos pelas veias, alimentando o corpo e a alma.
Fiquem bem!

domingo, outubro 08, 2006

MEMÓRIAS



Calha estar neste momento a gozar um curtíssimo período de férias no sul de Espanha e, logo, as memórias dos tempos em que por cá viajávamos para atender cursos de Instrutores. De facto, posso dizer que conheci muitos lugares deste país pois os cursos não eram sempre feitos no mesmo sítio e as escolhas dependiam da disponibilidade de seminários ou colégios em férias escolares. Os primeiros funcionaram na serra de Gredos, não muito longe de Talavera de la Reina; seguiram-se Cervera de Pisuerga, de que já vos falei, bem a norte, a caminho de Santander e com os Picos da Europa por perto o que nos permitiu dar uns belos passeios nos poucos tempos livres que nos restavam dos estudos e práticas intensivas. A oportunidade de conhecer as zonas em redor deve-se ao facto de o nosso mestre ser uma pessoa bem relacionada, e, por isso, nos levava a sítios não muito turisticamente conhecidos. Outro lugar que nos deixou lembranças, umas até engraçadas, foi Dueñas, perto de Valladolid. Como curiosidade vos digo que nessa terra havia uma bela igreja onde os reis católicos se tinham casado e, perto, havia um mosteiro de monges que se dedicavam à confecção de óptimos chocolates que vendiam aos que por lá passavam. Os seus cânticos gregorianos encantavam-nos quando, ao fim do dia, podíamos lá ir escutar e meditar num ambiente todo ele transpirando espiritualidade. No curso que aconteceu aqui, levámos cinco portuguesas e mais alguns acompanhantes. Uma das futuras instrutoras já dava aulas em Lisboa e, talvez por isso, pensou que as coisas seriam mais fácies para ela, no entanto, verificou que não era tanto assim porque tinham que dar uma aula aos colegas que, depois, faziam as suas apreciações. Coisa nada fácil para a maioria como devem calcular. Ela aprontou-se para dar a aula, nós ficámos à espera, muito disciplinadamente, e… nada!!! Depois de algum silêncio, eis senão quando, a pequena deu à sola para não mais ser vista… até que, um dos nossos companheiros de viagem, a veio a encontrar, chorando à beira do rio que por ali passava. Creiam que a situação foi bastante complicada pois não soubemos dela durante algum tempo. Os nervos durante os cursos atacavam muito boa gente que tinha empenho na boa sucessão da coisa.
Nestes cursos, havia o hábito de promover um espectáculo semanal ensaiado pelos alunos. Aos portugueses cabia, quase sempre, cantar o fado, mas em Dueñas não havia nenhuma “fadista” e, perante a insistência dos instrutores da organização, tivemos de arranjar um número à pressa. Tive, então, a ideia de fazer um quadro de pseudo-revista em que faziam tudo por mímica, visto os nossos amigos espanhóis não entenderem patavina de português. Representámos o quarto das portuguesas, contando estórias sobre o comportamento de cada uma delas, coisas engraçadas e próprias de colégio interno. Foi um sucesso e lá ficou a nossa honra salva!
Os cursos funcionam em regime de internato, durante quatro semanas o que dá para conhecer muito bem a natureza humana, no seu melhor e no seu pior. Conheci pessoas fantásticas, vi gente que passava de santo a diabo em dois tempos, como tive a felicidade de ver desvendadas qualidades excepcionais em pessoas que, até aí, não se haviam mostrado na sua plenitude. Viver em comunidade não é para todos. Exige muita generosidade, muita paciência, muita humildade, um teste que determina a capacidade de cada um vencer os obstáculos que se deparam na sua própria vida. O problema é que as pessoas que frequentam estes cursos já não são crianças em idade escolar e chegam cheios de ideias preconcebidas e de ilusões de espiritualidade que não se compadecem com um sistema militar, uma disciplina dura de roer… Tive um colega, ele mesmo militar, que dizia que o curso era pior que a tropa. Levantar todos os dias às seis, trabalhar todo o dia e ainda ter tempo para estudar, é obra! Havia muito boa gente que se escapava quando podia, aos trabalhos, à meditação da manhã ou a qualquer outra actividade que lhes parecesse mais pesada ou desagradável. Os portugueses deram sempre cartas em termos de comportamento, mesmo quando a ansiedade apertava. Na verdade, os que iam já sabiam com que contar, por isso, deram por bem empregue o tempo lá passado.
Um dos últimos cursos em que participámos em Espanha, foi em Vitória, perto de Burgos. Participaram dois portugueses, um casal que, como todos, cumpriram bem as suas obrigações. Uma das dificuldades a ultrapassar era a língua, apesar de arranharmos o espanhol, não é o mesmo que manter uma comunicação fluida com os “nuestros hermanos”.
Fiquem bem! Outras estórias vos contarei.

Nota: texto escrito no dia 6 de manhã e postado só hoje por me ter esquecido da extensão para a “Internet”…

domingo, outubro 01, 2006

REVELAÇÕES



Qualquer relação pressupõe uma gestão de energia que por ela circula e que resulta de uma combinação de forças, umas vezes complementares, outras contraditórias. A harmonia estabelece-se em consequência duma expressão contínua de sentimentos que se vão desenvolvendo à medida que o conhecimento mútuo se aprofunda e se consolida. As afirmações ou as negações do que somos, ou gostaríamos de ser, são pistas que nos levam a descobrir que o que verdadeiramente conta é a Essência e tudo quanto está por detrás das aparências é uma Luz que surge no meio das sombras, iluminando o nosso campo de acção para que não hajam dúvidas. O que revelamos ou desejamos que nos seja revelado, jamais pode ser confundido com as projecções resultantes das experiências vividas no compasso de espera, amadurecendo o suficiente para não agirmos na vulgaridade das sensações passageiras e mesquinhas. O jogo de luzes a que nos habituámos serve, simplesmente, para esconder aquilo que, na verdade, só pode ser dado a conhecer a quem tiver o entendimento adequado, a sensibilidade própria de Seres que habitam as altas esferas do Conhecimento.
As barreiras que acontecem numa relação , são sistemas de segurança para não nos perdermos pelo labirinto das emoções, exigindo aos intervenientes, uma grande atenção e alguma destreza de pensamento. Ao descobrirmos que, afinal, fazemos parte da mesma história, podemos, facilmente, aceitar uma vivência que, tantas vezes, nos confunde e assusta, mas se tivermos uma nova perspectiva das coisas, passamos a não ter tantas expectativas, nem sermos surpreendidos pelos acontecimentos e sensações. O que temos em comum com alguém ou com um grupo, deve ser um meio de libertação gerado pela confiança estabelecida com paciência, perseverança e muito diálogo. Deixamos de precisar de “adivinhar” os sonhos que sonhamos, interpretando-os de acordo com os anseios e as dúvidas de quem faz um Caminho onde as incertezas se vão esfumando com cada etapa. A realização final depende da atenção dada ao que se sente, gozando a alegria de viver uma experiência espiritual que nos permite ser agentes de cura, própria e alheia.
As projecções do passado não devem ser impedimento para a abertura necessária à transformação que se deseja. É imperioso libertar tensões e criar um novo espaço, uma nova atitude, olhando para experiências que são nossas por direito ou por opção, partilhando com o outro ou com o grupo as vivências transcendentes que se vão acontecendo. Sintonizar com os que estão dentro do nosso círculo de energia é natural, no entanto, esse contacto tem de ser feito com amor e, porque não, algum desapego. Dessa sintonia nascem e se reforçam os laços das ligações que, por isso, nos tornam responsáveis pela evolução, própria e conjunta.
Assim, fluindo, dando e recebendo, levados pela força que brota da fonte cósmica, vemos o Sol nascer cada dia e a Lua a iluminar as noites escuras.
Fiquem bem neste Outono ensolarado!

domingo, setembro 24, 2006

AMIZADE


















A Amizade é um sentimento que liga as Almas sem que seja preciso uma razão. A sintonia existente é um estado de exaltação que desencadeia processos de auto-conhecimento e consequente desenvolvimento.
A Amizade é a verdadeira expressão do Amor incondicional, não se explica e tem um tempo i-limitado de duração. Este Amor puro serve os propósitos do cumprimento do Karma das Almas unidas por esse elo tão forte quanto misterioso. Experienciar a Amizade é uma vivência gratificante quando as expectativas não têm uma correspondência ao nível do Ego. Ama-se simplesmente porque amar é um estado de evolução superior que não se controla conscientemente, mas pode

usar-se essa energia de modo que cada dia seja vivido em plenitude.
Ao longo da minha existência tenho tido a felicidade de ser brindada com muitos Amigos e o Amor que me têm proporcionado, retribuo-o com a certeza de os ter sempre no meu coração. Isto não significa que estejam todos em “presença” constante, alguns raramente vejo, outros seguem ao meu lado numa troca que se mantém equilibrada. Creio que estamos com quem temos de trabalhar, aprendendo, ensinando ou, simplesmente pelo prazer da sua convivência que nos alimenta e pacifica. Todos os que me marcaram com a sua presença, continuam presentes no meu espírito mesmo que a materialidade dos seus corpos e das suas emoções não façam parte do meu cenário vivencial. Nós não somos o corpo, nem tão pouco a mente! Nós SOMOS!!!.
As estórias que vos vou contando retratam experiências que deixaram a sua marca no meu Ser e fizeram de mim uma pessoa cujo valor só é possível por fazer parte do tal Grupo de Almas de que vos tenho falado. Sou célula de um tecido nascido num tear cósmico e fui descobrindo o meu papel para que tudo funcione sem réstia de dúvidas e o nosso destino se cumpra sem mácula.
A Amizade é, de facto, o símbolo do Amor incondicional e a plenitude é um estado de alma que resulta dessa consciência, dessa evidência que nos surpreende a cada instante. Gozo este privilégio sabendo que o que nos une tem um sentido.
Fiquem bem!

domingo, setembro 17, 2006

COISAS EXTRAORDINÁRIAS



Eu sou o mar, tu és a gota de água que se dilui nas minhas ondas, numa dissolução total.
Eu sou o rio, tu és o peixe prateado que nada no meu seio de águas límpidas, fluindo com a corrente.
Eu sou a árvore, tu és o vento que agita os seus ramos provocando um balanço sem a arrancar do chão.
Eu sou a lenha, tu és o fogo que me queima sem ferir, buscando a purificação nas chamas alaranjadas.

O contacto com os outros faz-se de acordo com os elementos em acção e o resultado corresponde a uma combinação que será tanto ou mais perfeita quanto maior for a entrega dos intervenientes, respondendo aos impulsos mais profundos e confiando na entrega.
Mergulharmos na dor ou banharmo-nos na alegria é sentir a Vida em todos os aspectos, na certeza de que sairemos reforçados e livres, enfrentando todos os desafios com plena consciência da capacidade de seguir pela senda que escolhemos, com determinação e segurança. Tocar os outros, deixando que os movimentos se desencadeiem, sem expectativas nem restrições, é uma experiência emocionante pois leva-nos à aventura e a grandes descobertas. Estamos sós, mas não sozinhos! Podemos acreditar que a solidariedade é uma circunstância onde tudo pode acontecer: os que têm dão aos que precisam, sem provocar desfalques. O princípio dos vasos comunicantes ao mais alto nível.
Coisas extraordinárias podem acontecer e, de facto acontecem. Por mim falo... Para começar, chegar a este mundo e “calhar” numa Família fantástica que me deu a estrutura básica para que a minha caminhada pela Vida fosse feita com consciência e determinação, é já uma coisa extraordinária que priveligio constantemente. Sem estas fundações não me tinha sido possível experienciar o que experienciei e continuo a experienciar. Vivi estas aventuras que vos tenho relatado com a confiança que o apoio me permite ter. Avancei sempre para o que se apresentava, com a certeza de que aquele era o Caminho certo e nem sequer me passou pela cabeça que havia riscos a correr. Alguma inocência?... Olhando para trás, acho que havia uma segurança que não posso explicar, mas que advém da sensação da inevitabilidade da acção. Faça agora, pense depois...? Não é bem assim... Só que o que, às vezes, me vem ao pensamento é demasiado forte e persistente para ignorar os sinais!!! Não me atiro de cabeça para as coisas, no entanto, quando sei que sei, não há raios nem coriscos que me demovam e, a verdade é que quando tenho mesmo de fazer alguma coisa, as ajudas aparecem ou, então, são os outros que se transformam em mensageiros ou estimuladores das iniciativas. Estou muito sossegadinha no meu canto, a fazer o que tenho para fazer, eis senão quando me desafiam... e lá vou eu...
Coisas extraordinárias têm acontecido na minha vida porque pessoas extraordinárias me têm tocado irremediavelmente: a minha Família de origem, aquela que me “aconteceu”, biológica e afectivamente, os Amigos de longa data e a Família espiritual que foi crescendo sem eu dar por isso, se manifesta a cada instante e cresce como “Deus” manda porque, verdadeiramente, a partir de certa altura me “conformei” com esse destino. Quanto digo “conformei”, quer dizer que passei a aceitar esse privilégio e essa responsabilidade que o meu Guia me encomendou há alguns anos atrás e à qual resisti por não me achar capaz e digna. Foi um caminhar lento e difícil que vai dando os seus frutos. Hoje formamos um Grupo de Almas que tem como missão a Cura, seja ela por acções, palavras ou gestos; respeitamos a individualidade de todos e cada um, vamos aprendendo o que temos de aprender para que a nossa Luz não se apague nunca e tomando nas nossas mãos o papel a desempenhar, com toda a humildade. Coisas extraordinárias que se sentem e se assumem com algum orgulho pois são resultado de muito trabalho, muita paciência e muita esperança, mesmo quando o ânimo falta.
Aqueles que comigo convivem neste Blog sem pretensões, também podem considerar este contacto que a blogosfera permite, extraordinário. Bem hajam por Serem e Estarem aqui comigo através deste desfiar e emoções.
Fiquem bem!

domingo, setembro 10, 2006

SUBIR A MONTANHA E OLHAR O MUNDO

Quando nos propomos iniciar um Caminho, fazemos os nossos planos e colocamo-nos um objectivo a alcançar. De acordo com esse objectivo preparamo-nos para o atingir, pensando, com optimismo, que nada pode falhar pois nada nos falta. Ao pretendermos viajar temos, à partida, conhecimento do destino pretendido e só precisamos de arranjar um meio de transporte ideal e acessível, marcar a data, fazer as malas e partir na hora aprazada.
Embarcamos, confiantes e seguros. O tempo de viagem depende da distância que nos separa do ponto de chegada. Pelo caminho vamos saboreando, apreciando, a paisagem e as pessoas que connosco viajam ou connosco se cruzam. As peripécias e experiências que vão sucedendo serão importantes, ou talvez não. O que importa verdadeiramente é chegar, por isso, é necessário não parar demasiado tempo nos lugares de passagem e não perder o “Norte” tomando a direcção errada. No entanto, creio que essa perda de direcção é momentânea e voltaremos a tomar a direcção certa, o caminho inicialmente proposto. No Yoga também é assim.
Começar a praticar Yoga é como iniciar uma escalada. Olhamos o cume da Montanha que se avista por detrás das nuvens que passam, fazendo-nos sonhar com a facilidade de o alcançar. Consciente ou inconscientemente reunimos os necessários apetrechos: inscrição num Centro de Yoga, promessas de autodisciplina e trabalho, humildade que baste, leituras suficientes, assistência atenta a palestras, cursos, etc. O nosso coração palpita com a certeza de que em breve poderemos olhar o mundo lá do alto.
Os primeiros passos são dados com energia e determinação. Sentimo-nos bem, tão bem que nos apetece gritar aos quatro ventos: “Olhem que bem que eu me sinto! Venham comigo e ficarão assim também!...” A primeira desilusão! Os que gostaríamos de ver a caminhar ao nosso lado nem sequer nos ouvem ou sorriem benevolentes “Aquilo passa-lhe...” Da euforia se passa à depressão, ao desânimo. Se é bom para mim porque é que os outros não gostam ou nem sequer querem experimentar?... No entanto é bom sonhar que um dia a experiência nos dará a Sabedoria necessária para que as palavras e os pensamentos sejam aquela luz que ilumina os nossos passos e as nossas acções e leve cada vez mais gente a ampliar a consciência e a sentir o apelo para chegar ao cimo da montanha em boa companhia.

Como é bom estar numa nuvem, envolta pela brancura e pela leveza de uma energia que se desloca ao sabor do vento, reflectindo a Luz do Sol.
De repente, passo a ser nuvem... Como é bom ser nuvem e pairar lá no alto, leve e livre!!! Por fim...
Desço à Terra e junto-me ao Grupo de Trabalho, no “Satsanga”.
O Sol enche a sala com o seu brilho, e aquele esplendor permanecerá para sempre na vida dos que ali estavam. As portas foram-se abrindo, uma a uma, e a Luz tocou-nos a todos, profunda e irremediavelmente. Fluímos, então, ao sabor de uma suave brisa, como flores exalando um perfume delicado que ficou a pairar no ar.
Descobrimos que o Amor se pode expressar de muitas maneiras para podermos saciar a nossa sede de Saber e viver em plenitude. Um estado de graça reservado aos eleitos, longe das sombras onde o Sol não penetra, perto da Essência que se reflecte, também, na aparência. Os olhos a brilharem, um sorriso a iluminar os rostos. No silêncio, podia-se ouvir o pulsar dos corações, palpitando ao ritmo do Universo que se experimentava ali.
A surpresa que estas vivências proporcionam são um fascínio que se manifesta na certeza de que vale a pena encarar a Vida de peito feito e alma leve, sem hesitações e com a determinação dos heróis que se dão integralmente. Isto é Amor, isto é Liberdade!
Fiquem bem!

segunda-feira, setembro 04, 2006

CONSCIÊNCIA


¨ Quando a consciência governa a fala, com a fala podemos dizer todas as palavras.

¨ Quando a consciência governa a respiração, com a inspiração podemos cheirar todos os perfumes.

¨ Quando a consciência governa a audição, com os ouvidos podemos ouvir todos os sons.

¨ Quando a consciência governa a língua, com a língua podemos saborear todos os gostos.

¨ Quando a consciência governa a mente, com a mente podemos pensar todos os pensamentos.

¨ Não é o discurso que deveríamos querer conhecer, mas quem discursou.

¨ Não são as coisas que foram vistas que deveríamos querer conhecer, mas quem as viu.

¨ Não são os sons que deveríamos querer conhecer, mas quem os ouviu.

¨ Não são os pensamentos que deveríamos querer conhecer, mas quem pensou.

Kaushitaki Upanishad

terça-feira, agosto 29, 2006

INICIAÇÃO

Palestra


Iniciaçã Celebração


“Uma iniciação não é propriamente um exame. É, antes, um processo em que se trabalha a ampliação da consciência e se avança passo a passo, de etapa em etapa. A expansão dá-se em todos os sentidos, não é um caminho puramente ascendente. A verdadeira iniciação acontece quando há concordância entre a razão e a intuição e se aceitam os factos que vão acontecendo sem os questionar, apesar das dúvidas que possam surgir, sem a tentação de voltar atrás por achar mais seguro, mais fácil.”

À medida que o curso avançava, íamos pensando no Mantra que gostaríamos de usar, bem como o nome espiritual que nos atraísse. No final dava-se a cerimónia de iniciação, um momento solene que mexe sempre com as emoções. Nesse dia, depois do exame escrito que nos habilitava a um Diploma de Instrutor, fazia parte cada um preparar um Prasad (oferenda) constituído por flores, fruta e umas moedas. A confecção implicava algum esmero pois era representativo da nossa própria energia. Como estávamos no campo, foi fácil arranjar flores silvestres o que fez com que o conjunto das oferendas ficasse muito bonito.
As iniciações eram feitas por grupos, de acordo com os Mantras. Na foto acima, podem ver a iniciação da Teresa Pissarra que ficou com o nome espiritual de Sita (princesa regastada por Rama) que lhe assenta tão bem que nunca mais a tratei pelo nome próprio. É a Instrutora que nos representa em Almada depois de eu ter saído de lá. O meu nome espiritual é Mangalam (auspiciosa) que eu já tinha ao ser iniciada pelo Suami Vishnu Devananda, num Festival de Yoga organizado pela Associação Sivananda (1983). Ao meu marido calhou-lhe o nome Hanuman (símbolo da solidariedade). Do resto do nosso grupo, sinceramente, não me lembro porque lhes perdi o rasto com o tempo.
No fim das iniciações fomos direitos ao rio para lá deitar as flores (foto da direita), uma cerimónia plena de significado e muita alegria. Começaram as despedidas com abraços e lágrimas ao canto do olho. Não é em vão que se vivem intensamente experiências únicas e transcendentes que modificaram muitas vidas, durante quatro semanas.
Outras estórias virão de outros cursos em que participei como acompanhante.

Fiquem bem!

quarta-feira, agosto 23, 2006

NOVAS ESTÓRIAS


CURSO DE INSTRUTORES (1985)

Voltando às minhas estórias...
Em 1984 seguiu para Espanha o primeiro grupo de portugueses para se formarem como Instrutores de Yoga da Associação de Yoga Sivananda de Madrid. Tanto quanto me lembro, eram uns nove. Eu não pude ir nesse ano, porque tinha o Centro a despontar, mas no seguinte já não tive falta. Nesse tempo os cursos tinham a duração de quatro semanas e, por isso, convenci o meu marido a acompanhar-nos para não ficarmos tanto tempo separados. O grupo que formámos (foto acima), meteu-se a caminho Cervera de Pisuerga no Norte de Espanha. Pernoitámos em Castelo Branco em casa da mãe de uma participante (a Teresa Pissarra) e, pela madrugada, rumámos até ao nosso destino. Lá descobrimos a aldeia, muito simpática por sinal e aterrámos uns quilómetros adiante, numa antiga Pousada da Juventude do tempo do General Franco, que foi reactivada para receber o nosso curso. A primeira notícia que tivemos à chegada foi que tínhamos de carregar com as camas para o sótão, visto que ninguém queria dormir em camas de molas!!! Depois de mil e tal quilómetros era mesmo do que estávamos a precisar...É bom que se diga que durante aquelas quatro semanas vivemos em comunidade e éramos nós que fazíamos tudo. Havia três dormitórios, dois para “chicas” e um para “chicos”. Eu fiquei com mais dezoito espanholas e o meu marido lá foi arrumar-se com os “chicos”, sem protestar. Feita a primeira reunião de apresentação, ficou determinado o esquema das tarefas. Cada semana dividiam-se os grupos pelas várias tarefas que iam desde cozinhar, pôr e levantar as mesas, lavar a loiça, manter a sala arrumada e limpar as casas de banho. A mim calhou-me na primeira semana, lavar as panelas, eu diria panelonas pois havia que cozinhar para 60 e tal pessoas. O ambiente era animado e logo ali começámos a conhecer-nos. Aquilo a que chamo fazer cooperativa é excelente para pôr a conversa em dia, fazer amigos e perceber quem é quem e quem faz, ou faz que faz.... Pedia-se que trabalhássemos duas horas para a comunidade, para além das aulas e do estudo, o chamado Karma Yoga.
O nosso dia começava às seis quando nos vinham bater à porta a cantar OM, OM, OM, ao qual tínhamos de responder, sinal de que estávamos acordados. Reuniam-nos na sala para a primeira meditação do dia que incluía uma parte com cânticos em sânscrito (“Kirtana”), o que dava mais ou menos uma hora. Em seguida uma aula de Hatha Yoga de hora e meia, pequeno almoço farto e um pequeno intervalo para a higiene. Às dez, uma palestra com o Suami que nos obrigava a fazer o seu resumo escrito cada dia. Ao meio dia, tempo para as tarefas agendadas ou para ensaios. Estes ensaios destinavam-se aos espectáculos que todos os sábados se apresentavam com aqueles que tinham jeito para “teatrices”. O elenco era escolhido de acordo com as tendências e vontade de cada um. Foram momentos muito divertidos e de grande animação que serviam para descontrair ao fim de cada semana de trabalho intenso. Ao almoço comíamos sandes e fruta ou, quem quisesse podia ir à aldeia saborear algum petisco que não fosse carne nem peixe. As tardes passavam-se a estudar e a fazer os resumos ou a descansar um pouco. Às cinco era a aula teórica/prática de Hatha Yoga e mais uma aula ou outra (nutrição, anatomia, etc.). Ás sete jantávamos, depois dum rico banho que nos aliviava o cansaço. O dia terminava com mais meditação e cânticos, seguido de outra palestra (esta não precisava de resumo, felizmente!). É claro que chegávamos à cama de gatas e nem a tagarelice das espanholas, me impedia de cair num sono profundo até à madrugada seguinte. Uma vez por semana, no dia livre, organizavam-se passeios com pic-nic. Foi assim que conhecemos a zona e arredores. Fomos a Santander, visitámos as grutas de Altamira, caminhámos nos Picos da Europa, subimos em teleféricos e ainda deu para visitarmos a fábrica de bolachas Cuetara (nesse tempo ainda não tinham chegado a Portugal) que não ficava muito longe. As visitas à aldeia eram outro dos passatempos e as gentes de lá conviviam connosco naturalmente. Perto da Pousada, passava o rio Pisuerga, onde nos refrescávamos e à beira do qual se fez a cerimónia de iniciação. Nesse tempo o rio ainda não estava poluído como veio a acontecer mais tarde no tempo em que uma das nossas professoras lá foi fazer o seu curso (1987).
Mais vos contarei sobre esta experiência inesquecível.
Fiquem bem!

quinta-feira, agosto 17, 2006

OS ELEMENTOS, DIA A DIA

As minhas estórias passam muito pelas vivências que elas representam. Cada momento, olhado em retrospectiva, dá-me sempre que pensar na natureza dos acontecimentos e sua influência na evolução pessoal e colectiva. Não é por acaso que vivemos determinadas experiências e conhecemos quem conhecemos, daí estes intermezzos filosóficos que vos podem dar ideia dos meus “sentir” e dos meus “estar”.
Quando mergulhamos na nossa Essência, libertos do corpo físico, das preocupações, angústias e medos, deparamos com a nossa realidade – aquilo que somos, porque somos e para onde caminhamos. Tudo fica mais claro! A compreensão das coisas torna-se natural, como naturais são os elementos de que somos feitos: Terra, Água, Fogo e Ar. Mexer o corpo, conhecendo cada músculo, cada articulação, respirar cada respiração, transformada em “Prana”, é algo transcendente. Ouvir o bater do coração ao ritmo do EU, é sentir que o silêncio é, de facto, a música da alma.
Através da prática do Yoga, como exercício físico, mental e espiritual, vamo-nos conhecendo, aumentando a responsabilidade que temos em evoluir, dentro daquilo que somos. Ajudando-nos a nós mesmos, acabaremos por ajudar também o Mundo. Essa é a descoberta essencial que se faz quando se mergulha nesta filosofia que chegou até nós pelos ensinamentos dos Mestres. Com essa ajuda passamos a ter mais consciência de que a evolução pessoal toma a forma de um desabrochar, suave e harmonioso que não causa perturbação, mesmo que o processo pareça um pouco difícil, pois há, ao mesmo tempo, o entendimento, a compreensão de que o resultado segue a lei do Karma (acção/reacção).
Este ano representou, mais uma vez, a tomada de consciência de uma evolução pessoal, fruto de vários acontecimentos, uns difíceis, outros extremamente gratificantes que me puseram perante a minha realidade actual. Quando comecei a ensinar Yoga (que sei eu?...), estava bem longe de prever o volume da tarefa que cairia sobre os meus ombros!... Acreditar na validade desta prática foi o que me fez avançar, com alguma dose de inconsciência consciente, pensando que “se é bom para mim pode ser bom para os outros...”
Nestes últimos anos, e já lá vão uns quantos, dediquei a minha vida ao desenvolvimento do meu conhecimento do Yoga, numa busca permanente que, mais tarde ou mais cedo, conduziria ao encontro de um Caminho, de uma direcção que fosse aquela que me permitisse sentir-me cada vez mais EU. Percebi que é essencial haver um método de trabalho que seja o apoio firme que necessitamos para continuar sem sobressaltos. Para se acender uma vela é preciso lume... A escolha de um Mestre aconteceu e a busca cessou. Sivananda é um dos meus Mestres. Os seus ensinamentos chegaram até nós através da sua obra, dos seus numerosos livros e dos seus discípulos mais próximos. O seu espírito prevalece para sempre no lema que nos deixou AMA, SERVE, MEDITA E REALIZA-TE”, que nos dá a ideia da sua grandeza e importância num Mundo cheio de guerras, ódios e materialismo. É uma esperança onde não há esperança!
Não é um caminho fácil. A nossa/minha fraqueza é a minha/nossa condição humana. É preciso trabalhar e, sobretudo, é preciso muita humildade para re-começar, sendo cada dia vivido até à última gota. O tempo urge, não o podemos deixar escapar...
É bom pensar que não estou só. É bom pensar que posso fazer companhia, sempre!!!
Fiquem bem!

sexta-feira, agosto 11, 2006

ALEGRIA DE VIVER

A alegria de viver manifesta-se em cada gesto, em cada palavra pronunciada, em cada acção concretizada através do Amor incondicional, quando trabalhamos no sentido duma materialização consequente, reconhecendo as nossas capacidades e projectando-as de forma plena e generosa com a consciência que nos dá uma Sabedoria própria, assente na humildade e no dever de ensinar para que possamos aprender.
É importante meditar e entrar em contacto com o Eu Superior, mergulhando fundo até descobrir o que está para além das emoções geridas pelo Ego, observando o mundo sob outro prisma e fazendo das opções tomadas um acto de plena consciência. As mudanças podem abalar os avanços iniciados, mas a necessidade de evoluir torna-se um impulso irresistível. O bom senso deverá, apesar de tudo, imperar e as emoções descontroladas hão-de ser harmonizadas até se atingir um estado de verdadeira calma e serenidade.
A ponte entres estados de consciência (vigília e alterado), faz-se escutando a voz interior que nos fala da divindade que somos, confiando no que se sabe para além da razão. Somos solitários no mundo material e, por isso, a busca interior é imperiosa. O silêncio meditativo desencadeia um processo em que as mudanças exteriores são o resultado das mudanças interiores. A solidão não acontece porque a consciência se amplia para além dos limites do corpo. A tolerância e a ausência de arrogância são fruto de uma atitude, de uma capacidade de discernir transformando os medos acordados, medos que são uma forma de energia que precisa de luz, sombras de um passado que sempre nos assalta de todas as vezes que a ocasião se proporciona.
A determinação para seguir em frente é resultante da consciência que temos em relação ao papel que desempenhamos. Cumprimos um ciclo de vida inerente à materialização e cumprimento de um Karma e, nessa medida, nos podemos considerar livres de usar a capacidade de escolher a forma e o tempo. As transformações dar-se-ão apesar das dificuldades em trabalhar no sentido do desapego. A renovação dos processos caducos requer uma atenção e um tempo de introspecção sem o qual não se podem entender os sinais que vão surgindo em cada etapa, tomando diversas formas. Destruir para construir. Centrados na Essência progredimos, sem vacilar, até à plenitude do Ser.
Este é o ponto de partida onde concentraremos todas a nossa energia, preparados para a grande expansão. Com os nossos companheiros encetaremos um novo Caminho, uma nova etapa, continuando o processo de desenvolvimento que iniciámos noutro tempo, noutro espaço. A alegria é uma constante que ilumina os nossos passos para que pisemos sempre chão seguro. Com os olhos postos no horizonte, deixamo-nos levar confiantes, sem expectativas, mas com a certeza nos nossos corações.
Fiquem bem!

domingo, agosto 06, 2006

CONHECIMENTO E ORDEM

Uma mente pura tem a consciência de que Corpo, Mente e Espírito é uma e a mesma coisa. Sendo assim, não se deixa perturbar pelos desejos feitos pensamentos, consegue distinguir a Verdade da realidade e sabe que a Essência está para além da aparência. Para chegar a este Conhecimento tem de se entender que os desejos provocam emoções, expectativas e desilusões e que é preciso uma ordem e uma disciplina que estabelece os alicerces da liberdade, desenvolvendo a sensibilidade que é a verdadeira inteligência, o sentir que se manifesta em cada acção, cada gesto.
O Conhecimento é a fonte inesgotável das experiências vividas que deixam a sua marca indelével. A informação que chega é importante, mas convém ter em conta que há que discernir, eliminando o que não encaixa no sentir. A evolução dá-se na continuidade do estabelecido e o pensamento fluirá, dando origem aos desejos que permitem estar disponível para outras tantas experiências que farão parte do processo em que se está inserido.
O esforço posto no desenvolvimento pessoal reflectir-se-á na evolução colectiva que conduzirá a uma transformação do mundo em termos de consciência cósmica, possibilitando a exploração de potencialidades e buscando novos interesses. É este o Caminho da verdadeira sintonia com os outros e com o próprio universo.
Vem tudo isto a propósito das férias que comecei a gozar no dia 1. Pela primeira vez deixei o Centro entregue ao grupo de Instrutores que partilharão tarefas, recebendo os alunos como eles estão habituados. A minha experiência em sentir disse-me que estava na altura de ir largando o cordão umbilical porque os que comigo trabalham já tinham aprendido o suficiente para se manterem dentro da vibração daquele espaço e eu estou feliz e contente por assim ser. A mesma atitude que tive/tenho em relação aos meus filhos que são pessoas independentes, na medida em que gozam da liberdade conquistada com o seu esforço, o seu trabalho e a confiança que lhes deu uma boa estrutura familiar. Independência não significa indiferença, porque, verdadeiramente, uma Família biológica ou espiritual, deve caminhar em companhia com a consciência da individualidade. Estamos presentes de corpo e alma, por gosto e por Amor, sempre que a ocasião se oferece ou é necessário. Estou apostada em saborear este tempo para pensar, para descansar e organizar-me interiormente para que o próximo ano seja um desafio a enfrentar com alegria e aproveitamento para todos e cada um.
O contacto com a blogsfera continuará a ser uma realidade pois escrever faz parte do meu pensar, do meu sentir, com a liberdade de sempre e o prazer de estar com quem se cruze comigo neste caminho sideral.

Fiquem bem!

domingo, julho 30, 2006

À DESCOBERTA



VISITAS

As almas curiosas buscam no encontro respostas às questões que ainda não sabem pôr. Precisam de ajuda, suave e firme, para poderem ascender às mais altas esferas, aí onde as respostas não têm perguntas. BASTA OLHAR. BASTA VER. BASTA SENTIR!!!”

No subconsciente jaz o Conhecimento adquirido ao longo dos tempos. Essa Sabedoria implícita é importante para levar a cabo o nosso processo de transformação que seguirá de acordo com a necessidade de avançar, mantendo o equilíbrio e a serenidade. As respostas virão sem que sejam formuladas perguntas. Somos aprendizes da própria Vida e como Mestres passaremos o testemunho com a responsabilidade própria de quem sabe que os caminhos se abrem à medida da nossa disponibilidade. O êxito é a resposta a um dever cumprido no sentido da União (Yoga) dos opostos – atracção e repulsa (Raga e Devesha). O Amor incondicional é a realidade assumida sem medo, prova de tolerância e aceitação das diferenças.
Serve esta introdução para continuar com as minhas estórias, centradas agora, no Centro que inaugurámos em Lisboa. Tal como tinha acontecido em Almada, foram passando por lá muitas pessoas que nos vieram ajudar à descoberta de novos caminhos e respectivas ferramentas que possibilitaram um grande trabalho de auto-conhecimento. Um leque variado de personagens que se dispuseram a partilhar connosco a sua experiência e os seus conhecimentos. O ano de 1987 foi particularmente profícuo nesse aspecto. Uns vieram falar-nos de Nutricionismo, outros de Grafologia (estudo da letra), “Touch for Health” (uma mistura de quinesiologia e quiroprática), Radiestesia (uso do pêndulo) e Regressão, sem esquecer visitas de suamis (Mestres de Yoga) que nos levaram a mergulhar mais fundo na senda da espiritualidade.
A Terapia Regressiva teve grande impacto na minha vida e no meu trabalho. O Hipnoterapeuta Steve Macgruder era um americano globetrotter que tinha por hábito ficar em casa das pessoas que se dispunham a acolhê-lo enquanto atendia voluntários para viverem a experiência de andar para trás no tempo. Como não entendia patavina de português, um aluno e eu (não podíamos fazer duas seguidas por ser extremamente cansativo e exigente em termos de cuidado e atenção), funcionámos como tradutores intérpretes sempre que a necessidade a isso obrigava. Como as sessões eram, normalmente, muito longas ele não atendia senão duas pessoas por dia, para além do facto de algumas terapias resultarem bastante fortes emocionalmente. Foi um corrupio que se estendeu por mais de um ano; ocasião para aprendermos a técnica e vivermos experiências próprias que nos marcaram sobremaneira. Posso dizer-vos que ainda hoje tenho na memória as regressões que ele me fez. Só bastante mais tarde me atrevi a pôr em prática o que havia aprendido, dado que as aulas de “Hatha Yoga” me ocupavam bastante, mais a direcção do próprio Centro que se ia desenvolvendo e afirmando como escola de vida.
Hoje em dia, as terapias que me foram chegando ao conhecimento fazem parte integrante da minha vida e, como o Homem é um todo, passámos a chamar a estes atendimentos individuais, Globoterapia.
Entretanto, todos os anos seguiam para Espanha pessoas interessadas em se formarem como Instrutores de Yoga. Foram muitos os que se decidiram a experimentar viver em regime de internato e a trabalhar intensamente todas as matérias e práticas dos cursos ministrados pela Associação de Yoga Sivananda de Madrid, que tinham a duração de quatro semanas. De todos quantos se atreveram, creio que muito poucos sobreviveram à partilha dos conhecimentos adquiridos. Dar aulas de Yoga não é moleza não!... Passar a palavra e fazer sentir que nós não somos o corpo, nem tão pouco a mente, é um trabalho que implica paciência, persistência e muito auto-perfeiçoamamento; nem todos aguentam o que é preciso para ter credibilidade com o seu próprio desenvolvimento. Uma das heroínas, Maria de Fátima Frias (Durga), de seu nome, ainda trabalha connosco, tendo vencido obstáculos sem conta para, hoje, gozar o respeito e o Amor de quantos aprenderam a reconhecer os seus méritos. O Grupo de Instrutores que foram crescendo connosco, vão dando provas de grande generosidade e empenho, dando a sua contribuição incondicional à escola que os viu nascer. Tenho um imenso orgulho no trabalho que apresentam dia a dia, oferecendo aos alunos o melhor de si. Cada um com a sua especialidade e capacidade, têm desenvolvido o carácter único deste espaço que tem como lema o respeito pela individualidade, com a consciência de que fazemos parte dum TODO, células dum tecido, perfeitamente cientes do seu papel. Trabalhamos em perfeita sintonia porque sabemos qual a frequência vibratória em que estamos inseridos e a respeitamos naturalmente. As informações passam de forma implícita e manifestam-se nas acções, explícita e harmoniosamente. Esta é uma grande conquista, fruto de muito trabalho, muitas mágoas, muitos gostos e desgostos e a alegria imensa de sentir que tem valido a pena lutar pelo ideal de solidariedade e amor incondicional que é o nosso. Considero-me uma privilegiada por pertencer a este Grupo de Almas e não me canso de agradecer aos Deuses que me “empurraram” para este caminho e esta missão que, apesar de difícil é muito gratificante.
Fiquem bem!

terça-feira, julho 25, 2006

ARTE DE VIVER

Quando nos tornamos instrumentos da vontade divina estamos em condições de canalizar o fluxo dessa energia cósmica de maneira que ela se torne expressão de criatividade. Somos a materialização daquela vontade e, como tal, temos de deixar transparecer os dons concedidos, sem inibições nem arrogância. A criatividade é um processo de gestação que tem um tempo próprio e dá origem a novas vivências, frutos que manterão ternamente ligados os intervenientes no processo. Essa ligação ultrapassa a compreensão humana pois a criatividade é a forma de aceitarmos a nossa divindade.
A serenidade só é possível quando existe um tempo de pausa e de reflexão, escutando o silêncio que cresce dentro de nós, transformando-se em canto de pássaros numa manhã de Primavera. É imprescindível que a nossa alma seja banhada pela Luz para que se renove a esperança de forma inequívoca.
Estar aqui e agora, num momento em que o meu corpo pede descanso, é transcender a matéria e sentir que não somos, realmente, o corpo, nem tão pouco a mente. O que está para além de nós é a própria Vida, a Essência mais pura que nos leva para onde temos de ir e que se molda aos tempos e aos espaços.
Estamos aqui para cumprir um destino e, por fim, alcançarmos a libertação destes pesos, ultrapassando os obstáculos que nos impedem de ser o que temos de ser, fazer o que temos de fazer. A materialização do pensamento passa por uma purificação. Vamos retirando os véus da ignorância, reconhecendo o que está por detrás do esquecimento. Sabíamos e não sabíamos que sabíamos! Tudo o que gostaríamos de ser ou fazer não tem a mínima importância pois tudo o que somos ou fazemos são apenas passagens para outros mundos. As diferentes formas de expressão que usamos são meros veículos que nos levam a alcançar outros tempos, outros espaços.
É preciso silêncio para calar bem fundo aquilo que não precisamos ser para SER. O silêncio é um mar de calma onde os pássaros reflectem as suas asas, pairando ao vento. Nas profundezas de um Oceano de Paz mergulhamos para receber o Conhecimento que algum dia nos escapou. Envoltos pelas águas, diluímos a nossa consciência como uma gota que se confunde, se integra nas águas temperadas pelo sal da Vida.
Não é preciso querer ser alguma coisa pois já somos tudo! As dores, os cansaços, as alegrias não são o obstáculo. A relação com os outros far-se-á cada vez mais pelos silêncios do que pelas palavras. Jamais precisaremos de explicar tanto a tanta gente. Seremos mais simples no dia-a-dia para que sobre mais tempo para o que é importante: A CRIATIVIDADE – ARTE DE VIVER.

Fiquem bem!

segunda-feira, julho 17, 2006

IMPRESSÕES

UM HOMEM SÁBIO SÓ AGE DE ACORDO COM A SUA PRÓPRIA NATUREZA.”


O principal objectivo da Vida é a auto-realização. Todos buscamos a felicidade de alguma maneira embora o sofrimento seja a pedra de toque neste mundo em que vivemos, porque o Homem desta sociedade moderna perdeu o contacto com a natureza afastando-se da sua divindade. No entanto, a dor não é mais do que uma chamada de atenção para que o Homem se volte novamente para as coisas de Deus. A busca da Felicidade faz parte da natureza do Homem, mas já não há quem ensine o Homem a encontrar o Caminho da Felicidade visto que toda a humanidade se virou para si própria e não para os outros, tal como o escorpião, dentro de um círculo de fogo, volta a sua cauda contra si pensando que a morte é o fim. O egocentrismo reinante faz parte desta era que tarda em mudar, exigindo dos mais conscientes um trabalho e uma persistência que só é possível quando se encontra um grupo de apoio. É fundamental entrar em contacto com todos os que estejam na nossa vibração, reforçando alianças sem perder a individualidade.
As emoções são rabanadas de vento que vão levantando poeira pelo caminho. O Homem não vê que não é nas coisas grandes que está a Felicidade, não é no enaltecer do Ego que está a verdadeira grandeza. Surdo, não ouve o som emanante do seu próprio coração, insensível, não se preocupa em servir os outros, entregar-se aos outros. Mudo, deixou de poder pronunciar aquelas palavras que amaciam o surgir da revolta e da angústia. O seu olfacto não serve já para se deliciar com os perfumes da liberdade. A sua língua, coberta de “lama” não é capaz de saborear os verdadeiros manjares de leite e mel. O seu abraço é tudo menos um cais onde as embarcações aflitas se possam acostar antes de retomar a viagem. Poucos são os que perguntam “Quem sou eu?”, “Para onde vou?”, “Porque vou?...”. A vida mundana é demasiado agitada para que possa haver tranquilidade e paz de espírito. As duas correntes, atracção e repulsa, são demasiado fortes para que o sentido de discriminação faça a sua presença notada. É tempo de mudança!
Cada dia que passa não devia ser um dia mais próximo da morte. Cada dia que passa devia ser sim um passo para a Eternidade e, para isso, o Homem terá de se preparar, sacudir a poeira das suas vestes e iniciar a grande caminhada em direcção à Essência onde poderá, por fim, descansar e ser verdadeiramente feliz. Para que os obstáculos não sejam muito difíceis de ultrapassar, é preciso que se faça um trabalho tanto físico como mental. O Yoga é uma Filosofia de Vida de origem Hindu. Um sistema que abrange todos os aspectos da Vida sabendo que o Homem é um TODO e como tal deve agir.
Os vários tipos de Yoga são diferentes graus de evolução que levam à MEDITAÇÃO, para que o Ego não faça mais sentido e perceber, como diz Khalil Gibran, que
“Nenhum homem vos poderá revelar nada que não repouse já adormecido no vosso Conhecimento e o Mestre que caminha à sombra do Templo entre os seus discípulos, não reparte a sua Sabedoria mas antes a sua fé e o seu Amor. Se for verdadeiramente sábio não vos convidará a entrar na sua Casa, mas levar-vos-á aos umbrais do vosso próprio espírito porque a visão dum homem não pode emprestar as asas a outro homem!"

Fiquem bem!

sexta-feira, julho 14, 2006

INAUGURAÇÃO



Chegou, por fim, o grande dia (7 de Outubro de 1986). A sala ficou toda enfeitada pela Sita que tem um gosto especial para estes arranjos como podem ver pelas fotos que vos apresento. Começámos com uma meditação, seguida de demonstração da Saudação Sol, uma das praticantes de Almada cantou e terminámos com um belo lanche constituído, como sempre, por fantásticas e generosas iguarias trazidas pelas pessoas. O entusiasmo animou-nos nesta nova etapa e esse entusiasmo dura até hoje, apesar de termos atravessado períodos de grandes problemas. O prédio muito antigo, com a maioria das casas sem recuperação adequada, teve como consequência fazer-nos sofrer de inundações constantes que nos obrigaram a arranjar soluções e acudir sempre que a chuva nos entrava pela casa dentro já para não falar da má vontade de alguns vizinhos menos entendidos nestas matérias ióguicas.
Valeu-nos a solidariedade de muitos fiéis praticantes que ora nos emprestavam um aspirador para tirar água da alcatifa, ora nos ajudavam a limpar e a recuperar dos estragos. Este Karma da água durou bastante tempo e a um grande despendio de energia e de dinheiro para irmos controlando a situação. Mas o espírito reinante foi suficiente para que nunca tivéssemos parado de trabalhar com a mesma alegria e competência. Confesso que eu própria me admiro como foi que ninguém se foi embora por ter de atravessar uma sala com plásticos no chão e húmidade no ar!!! Conseguimos manter-nos centrados e não deixar que as circunstâncias nos abatessem, apesar do esforço que isso representava. Sempre que o tempo ameaçava chuva, lá íamos nós de corrida para ver o que se tinha passado... Chegava a ser cómico, a meio duma aula irmos todos a correr para pôr baldes na sala pequena e depois voltávamos para continuar com os trabalhos. A minha filha, na brincadeira, dizia que eu tinha de ir para Cabo Verde a ver se lá caía água... A coisa só parou quando a vizinha de cima e o do prédio ao lado, fizeram obras. Sempre que chove com força, tenho de afastar o pensamento daquelas memórias.
Com tudo se aprende e acreditem que aprendi bastante, sobretudo a paciência e a tolerância, já para não falar na ideia de que nada, nem ninguém, me faria desistir do que estávamos a construir. Tal como tinha acontecido em Almada, muita gente passou por este espaço, deixando a sua mensagem e a sua sabedoria, aumentando os nossos conhecimentos e ampliando a nossa consciência de forma criteriosa e com toda a segurança. Fomos desenvolvendo o nosso Ser o nosso Estar e afirmando um estilo de comportamento que foi criando marca. A persistência é um dos factores principais para se alcançaremos os objectivos propostos e quando está em causa as pessoas que em nós confiam, é preciso ter os pés bem assentes na terra e a cabeça nas nuvens, ou seja, alimentar a espiritualidade sem esquecer que temos corpo, emoções e uma cultura própria. Deixo-vos com um verso feito na altura:



VIVÊNCIA

ESTAR AQUI E AGORA,
NESTE TEMPO E NESTE ESPAÇO,
SÓ MAS NÃO SOZINHA,
ENVOLTA NUM ABRAÇO.

ENERGIA QUE EMANA DO MEU CENTRO,
ESPIRAL GIRANDO, GIRANDO,
MIL CORES DUM ESPECTRO,
SINTO-AS TÃO VIBRANTES!!!

VIDA

ESSE SOPRO, VERDADEIRO ALENTO
DOS PRESENTES AQUI COMIGO
A TODA A HORA E MOMENTO,
ANSIOSOS POR ABRIR
A PORTA PARA O INFINITO,
NUMA PAZ FEITA SILÊNCIO.

FORÇA

DAMOS ÍNICIO À CAMINHADA...


OM SHANTI OM

Fiquem bem!