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quarta-feira, agosto 23, 2006

NOVAS ESTÓRIAS


CURSO DE INSTRUTORES (1985)

Voltando às minhas estórias...
Em 1984 seguiu para Espanha o primeiro grupo de portugueses para se formarem como Instrutores de Yoga da Associação de Yoga Sivananda de Madrid. Tanto quanto me lembro, eram uns nove. Eu não pude ir nesse ano, porque tinha o Centro a despontar, mas no seguinte já não tive falta. Nesse tempo os cursos tinham a duração de quatro semanas e, por isso, convenci o meu marido a acompanhar-nos para não ficarmos tanto tempo separados. O grupo que formámos (foto acima), meteu-se a caminho Cervera de Pisuerga no Norte de Espanha. Pernoitámos em Castelo Branco em casa da mãe de uma participante (a Teresa Pissarra) e, pela madrugada, rumámos até ao nosso destino. Lá descobrimos a aldeia, muito simpática por sinal e aterrámos uns quilómetros adiante, numa antiga Pousada da Juventude do tempo do General Franco, que foi reactivada para receber o nosso curso. A primeira notícia que tivemos à chegada foi que tínhamos de carregar com as camas para o sótão, visto que ninguém queria dormir em camas de molas!!! Depois de mil e tal quilómetros era mesmo do que estávamos a precisar...É bom que se diga que durante aquelas quatro semanas vivemos em comunidade e éramos nós que fazíamos tudo. Havia três dormitórios, dois para “chicas” e um para “chicos”. Eu fiquei com mais dezoito espanholas e o meu marido lá foi arrumar-se com os “chicos”, sem protestar. Feita a primeira reunião de apresentação, ficou determinado o esquema das tarefas. Cada semana dividiam-se os grupos pelas várias tarefas que iam desde cozinhar, pôr e levantar as mesas, lavar a loiça, manter a sala arrumada e limpar as casas de banho. A mim calhou-me na primeira semana, lavar as panelas, eu diria panelonas pois havia que cozinhar para 60 e tal pessoas. O ambiente era animado e logo ali começámos a conhecer-nos. Aquilo a que chamo fazer cooperativa é excelente para pôr a conversa em dia, fazer amigos e perceber quem é quem e quem faz, ou faz que faz.... Pedia-se que trabalhássemos duas horas para a comunidade, para além das aulas e do estudo, o chamado Karma Yoga.
O nosso dia começava às seis quando nos vinham bater à porta a cantar OM, OM, OM, ao qual tínhamos de responder, sinal de que estávamos acordados. Reuniam-nos na sala para a primeira meditação do dia que incluía uma parte com cânticos em sânscrito (“Kirtana”), o que dava mais ou menos uma hora. Em seguida uma aula de Hatha Yoga de hora e meia, pequeno almoço farto e um pequeno intervalo para a higiene. Às dez, uma palestra com o Suami que nos obrigava a fazer o seu resumo escrito cada dia. Ao meio dia, tempo para as tarefas agendadas ou para ensaios. Estes ensaios destinavam-se aos espectáculos que todos os sábados se apresentavam com aqueles que tinham jeito para “teatrices”. O elenco era escolhido de acordo com as tendências e vontade de cada um. Foram momentos muito divertidos e de grande animação que serviam para descontrair ao fim de cada semana de trabalho intenso. Ao almoço comíamos sandes e fruta ou, quem quisesse podia ir à aldeia saborear algum petisco que não fosse carne nem peixe. As tardes passavam-se a estudar e a fazer os resumos ou a descansar um pouco. Às cinco era a aula teórica/prática de Hatha Yoga e mais uma aula ou outra (nutrição, anatomia, etc.). Ás sete jantávamos, depois dum rico banho que nos aliviava o cansaço. O dia terminava com mais meditação e cânticos, seguido de outra palestra (esta não precisava de resumo, felizmente!). É claro que chegávamos à cama de gatas e nem a tagarelice das espanholas, me impedia de cair num sono profundo até à madrugada seguinte. Uma vez por semana, no dia livre, organizavam-se passeios com pic-nic. Foi assim que conhecemos a zona e arredores. Fomos a Santander, visitámos as grutas de Altamira, caminhámos nos Picos da Europa, subimos em teleféricos e ainda deu para visitarmos a fábrica de bolachas Cuetara (nesse tempo ainda não tinham chegado a Portugal) que não ficava muito longe. As visitas à aldeia eram outro dos passatempos e as gentes de lá conviviam connosco naturalmente. Perto da Pousada, passava o rio Pisuerga, onde nos refrescávamos e à beira do qual se fez a cerimónia de iniciação. Nesse tempo o rio ainda não estava poluído como veio a acontecer mais tarde no tempo em que uma das nossas professoras lá foi fazer o seu curso (1987).
Mais vos contarei sobre esta experiência inesquecível.
Fiquem bem!

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