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terça-feira, fevereiro 05, 2008

SEGUE A DANÇA



O tempo que passámos na Estação Rádio Naval, na Machava, a cerca de 15 km de Lourenço Marques (agora chamada Maputo), deu para organizar a família e conviver como pessoas normais, numa sociedade de estilo africano em que a vida ao ar livre e despreocupada parecia não ser tocada pela guerra que se desenrolava a Norte. Os miúdos mais velhos começaram a frequentar a escola, enquanto as mais pequenas gozavam os prazeres de um amplo jardim e, ao fim de semana, refrescávamo-nos na piscina da Estação. Foi lá que as crianças deram as primeiras braçadas, aprendendo a nadar por conta própria e com a ajuda dos adultos que frequentavam aquele espaço.
Apesar das óptimas condições em que nos encontrávamos, comecei a sentir-me bastante isolada e deprimida, pois não tinha muito com que me ocupar, visto ter vários empregados, como era habitual naquelas paragens. De manhã ia às compras, destinava as refeições que o fantástico cozinheiro nos fazia, dava volta ao jardim e à horta, o que dava para ocupar toda a manhã. A parte da tarde era mais difícil de preencher porque não sou dada à vida social e a distância a que me encontrava, dificultava as idas à cidade e o meu marido estava sempre muito ocupado. A depressão acabou por tomar conta de mim e passei uns tempos bastante complicados, porque estes estados de espírito não eram muito bem aceites e tão compreendidos como agora. Um médico que me começou a tratar aconselhou-me a tirar a carta e foi, exactamente, isso que acabei por fazer, tendo comprado um carrito em 2ª mão o que me permitiu fazer as deslocações à cidade por conta própria. Tendo chegado à conclusão de que tinha de arranjar uma ocupação, resolvi procurar um emprego em part-time e foi o que fiz. Comecei a trabalhar da parte da tarde num escritório como tradutora e disse adeus à depressão. Já nesse tempo achava que a cura passa pela auto-cura...
Durante esta comissão (era assim que chamavam ao serviço fora do Continente), tivemos ocasião de fazer bastantes amigos que recebíamos na nossa casa e com quem partilhámos as alegrias e as dificuldades próprias de quem se encontra longe da família de origem e da sua terra. A solidariedade, nestas circunstâncias, é fundamental e essa nunca nos faltou felizmente.
Mas, como não há bem que sempre dure, ao fim de dois anos, o meu marido foi mandado para o Lago Niassa e o sonho de vida com a família unida, desfez-se em dois tempos... Mais uma vida que se esgotou quase sem darmos por isso para passarmos à seguinte, bem diferente e, no entanto, bastante aventurosa!
Esta resenha das minhas vidas, que vos tenho apresentado, servem para mostrar como a Vida é a nossa verdadeira Escola, aquela onde aprendemos a conhecer o que somos, como somos e a ter como espelho as circunstâncias e as pessoas que por nós passam. Os momentos em que mergulhamos com paixão e entrega totais permitem-nos crescer como Seres e estar de corpo e alma no processo que se vai desenrolando sem tempo e sem olhar para trás. Se, por ventura, quiserem rever estas vivências com outro ponto de vista, terão de voltar atrás aos primeiros textos deste Blog que criei a 13 de Novembro de 2005. Lá encontrarão outras estórias desta mesma vida!
Um abraço.
Fiquem bem!

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