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quarta-feira, outubro 29, 2008

A PROPÓSITO DE COMPAIXÃO




Quantas vezes damos connosco a dizer que temos pena desta ou daquela pessoa ou de alguma coisa?... Para, logo a seguir, pensarmos que “pena” é um sentimento pobre, chegando mesmo a exclamar que: “penas são para as galinhas!…” Emendando, então, para a palavra “compaixão”, cuja conotação soa a mais elevado como sentimento…
Mas, será que “pena” é assim tão mau?... Não temos nós pena de tanta coisa? Pessoalmente tenho muitas “penas” acumuladas e acredito que sejam, de um modo geral, justas. Tenho pena quando alguém se afasta, sem saber porquê, tenho pena de não conseguir alcançar o verdadeiro mistério das relações humanas, embora encontre algumas justificações no conceito de Karma e Reencarnações, que me permite aceitar que estamos com quem temos de estar em cada momento. Os que nos acompanham nas etapas da Vida, são aqueles com quem já convivemos ou que precisam de aprender connosco e ensinar-nos o que nos falta saber. Esta ideia dá-me algum sossego, mas continuo a ter dificuldade em perceber porque razão os afastamentos se dão bruscamente, sem razão aparente e sem aviso prévio ou quando nada indicaria que essa separação estava na calha… É verdade que, também, nem sempre se entende a razão de ser de aproximações inesperadas, que escapam à nossa própria vontade ou necessidade. Uns partem, outros chegam, num eterno retorno que nos mantém alerta e disponíveis para dar e receber sem julgamentos nem expectativas, tomando isso como lições de vida no campo da humildade e da tolerância.
Compaixão é um sentimento nobre, sim, mas tem um peso e coloca-nos à distância, pois dá-nos a ideia de que nada podemos fazer para além desse sentir, talvez associada à noção de Amor incondicional, nem sempre fácil. Quando temos pena, essa energia parte do Plexo Solar, aí onde residem as emoções e a necessidade de dar e receber na mesma medida, ao passo que a compaixão é um sentimento que vem do peito (“Chakra” do Coração) e, então, a distância é a forma do desapego e da liberdade que no alegra e conforta. Sentimos que a nossa energia se expande para além de nós, sem termos de actuar de forma directa, o que é uma sensação agradável e nos proporciona bem-estar.
Aceito, pois, ambos sentimentos e vou trabalhando sobre eles de acordo com as circunstâncias, para não ter de bater no peito, com pedidos de perdão, um costume muito próprio da nossa cultura judaico-cristã. Tenho pena, sim senhor! Tenho compaixão também! Resta-me aprender a gerir estas energias quando elas me tocam.
Fiquem bem, por compaixão e sem pena porque é bom estar aqui!

2 comentários:

Rita Gomes disse...

Muito bom...gostei muito deste "propósito de compaixão". Também tenho pena de muita coisa, como por exemplo, de escrever como escreve! Rita

Maria Emília disse...

Muito obrigada pela visita e pelo comentário.
Um abraço,

ME