A minha Lista de blogues

segunda-feira, novembro 28, 2005

SOLIDARIEDADE

De vez em quando “recebo” mensagens dos meus Deuses, aqueles de quem já vos falei. O contacto com energias elevadas permite-nos captar informações de utilidade pontual e que servem para muitas outras ocasiões. Partilho-as convosco pois, na verdade, não me pertencem, tal como a estória da minha vida que é um retrato como qualquer outro.
Aproveito para agradecer os vossos comentários pois me ajudam a fluir as ideias que vão surgindo passo a passo. Juntos fazemos uma corrente por onde passa o Amor incondicional.
Até breve.

OM SHANTI



SOLIDARIEDADE

A partir do momento em que a consciência do “EU” se torna uma realidade, as mudanças internas fazem-se com confiança no processo de desenvolvimento, agindo cautelosamente, embora sabendo que o crescimento não pode parar!
A solidariedade é um dos factores primordiais no avanço do Conhecimento e no sentido da Realização pessoal. A partilha é um acto sagrado e, como tal, tem de ser feita de modo a proporcionar bem estar e provocar sentimentos que se manifestam em alegria que se expressa em palavras, gestos e acções. Quando nos sentimos bem é porque estamos a fazer o que está certo e, o que está certo significa uma boa ligação com as mais altas esferas.. Na verdade, os Guias e os Mestres apontam-nos o Caminho, estão lá para nos ajudar, mas somos nós a desejar seguir por ele.

sábado, novembro 26, 2005

A TRAVESSIA NO TEMPO E NO ESPAÇO

A TRAVESSIA NO ESPAÇO E NO TEMPO


Uma pessoa nunca pode prever o que lhe vai acontecer e, se acreditarmos em Karma ou Destino, é certo e sabido que vamos fazer o que estava escrito nas estrelas. Por um lado é bom que se guarde algum mistério, senão, a vida ficaria bastante desinteressante. O que temos de viver e experimentar faz parte do mapa da nossa existência. O livre arbítrio é o que se nos oferece para que usemos escolher a forma como fazemos o nosso Caminho. Tudo isto para dizer que não me passava pela cabeça ir parar a Goa e, na verdade, foi exactamente isso que me aconteceu! Eu conto...
O meu namorado lá partiu, com grande pena
minha/dele. Mantivemos contacto regular através de longas missivas onde registávamos as “conversas” possíveis. Não havia telemóveis e, mesmo os telefones não funcionavam com a ligeireza de agora. Assentar no papel as emoções e os sentimentos, qual diário, fez com que permanecêssemos unidos no espaço e no tempo. Faltava o toque e som das palavras vivas, mas nem tudo se perdeu. Quando penso nestas coisas, vem-me à lembrança a ideia de que o tempo, realmente, não existe e que a separação física é um mero condicionamento que se ultrapassa com a força do pensamento e, sobretudo, do Amor.
A certa altura, talvez ao fim de um ano, numa dessas missivas vinha uma proposta: “E se eu ficasse na Índia outra comissão e tu viesses cá ter?...” Grande surpresa e grande excitação! Confesso que não me lembro muito bem de como passei aos meus Pais a mensagem, mas duma coisa estou certa, eles não devem ter achado graça nenhuma à ideia e, talvez, até pensassem que era coisa de adolescentes apaixonados. Curiosamente, nunca falei com eles sobre o assunto, mas, agora, que sou Mãe e Avó, posso imaginar o susto que apanharam e a tristeza que devem ter sentido com a perspectiva de uma nova separação. Podiam ter-me impedido de seguir o impulso de aceitar a proposta pois eu ainda era menor de idade (nesse tempo só se atingia a maioridade aos 21 anos e, eu, só tinha 19, portanto, precisava de ter o consentimento deles para me casar. No entanto, resta-me acrescentar que essa autorização já me tinha sido dada quando resolvemos casar pelo civil (por procuração) para que ele usufruísse de um subsídio, ainda antes de ter aparecido a ideia duma nova comissão. Aos meus Pais deve ter-lhes passado pela cabeça que esse casamento fazia parte duma estratégia, mas não... tudo teve a ver com o tal Karma/Destino. Quando decidi que, uma vez que ele não vinha, o melhor era eu ir lá ter, os meus Pais concordaram desde que me casasse pela Igreja antes de ir, não fosse eu cometer um grande pecado... Também é preciso referir que, naquela época, eu acreditava que só estando casada pela Igreja me sentiria casada. O meu “marido” ainda alvitrou a ideia de nos casarmos à chegada (tinha pedido ao capelão da Marinha para o fazer), mas os meus Pais acharam que isso era pedir de mais... O que eles devem ter aturado e sofrido! Apesar de maior, por via do casamento, os meus Pais mantinham uma certa ascendência sobre a minha vontade e não me deixaram ir embora sem ser realmente casada e não achei a força suficiente para os contrariar pelo muito Amor que lhes tinha e me tinham. Se fosse hoje...
Lá nos casámos, cada um para seu lado, eu na Igreja de São João de Deus em Lisboa e, ele, algures em Goa. Olhando para as fotos, vejo uma muito jovem noiva que mais parecia estar a fazer a comunhão solene! A cerimónia e a festa que se seguiu em casa, foi, apesar de tudo, alegre e, ao mesmo tempo, estranha e diferente, visto, no fim, ter ficado em casa sem o meu par! Recebi o carinho de toda a minha família e amigos que me acompanharam sem reservas naquela loucura. Já prometi a mim mesma que, na próxima encarnação, não me vou casar sem ter o noivo por perto. Para compensar, e se lá chegarmos, tencionamos re-casar quando fizermos 50 anos. Um bom propósito, não acham?
Esperei cerca de quinze dias para poder embarcar e partir de avião (não era ainda muito vulgar este meio de transporte) para aterrar no Aeroporto de Pangim em meados de Abril. A longuíssima viagem, fez-se sem sobressaltos, parando em vários sítios para reabastecimento. Passámos por Malta, Beirute (na altura, considerada a Paris do Oriente), Damasco, Bareihn e, por fim, Goa. Trinta e seis horas depois, lá estava o meu, agora, verdadeiro marido, à minha espera. Desci as escadas, meio atordoada e, se calhar, nervosa e o primeiro choque deu-se com a diferença de temperatura. O calor, a húmidade terríveis e a diferença horária fizeram com que percebesse que estava no outro lado do mundo. A emoção da chegada e do encontro fez com que esse mundo novo me agradasse, apesar de tudo. O que se passou durante a nossa permanência naquelas terras a partir desse memorável momento, contou com algumas peripécias que nada têm a ver com uma lua-de-mel nas Caraíbas.... Essa parte fica para a próxima.
Fiquem bem!

segunda-feira, novembro 21, 2005

domingo, novembro 20, 2005

QUEM CONTA UM CONTO...

“O ENCONTRO DAS ALMAS FAZ-SE À SOMBRA DUMA
ÁRVORE FRONDOSA, COM A RAÍZES BEM ASSENTES NA TERRA.
OS FRUTOS SACIAM A FOME E A SEDE DE APRENDER.”



CONTINUANDO...

Disse que tinha começado um namoro que acabou em casamento e é isso que vos vou contar agora.
Quase a fazer dezoito anos, fui acompanhar uma amiga a um baile no CNOCA (Clube de vela da Marinha, no Alfeite). Nesse tempo as raparigas não iam sozinhas aos bailes, principalmente quando havia algum rapaz na esteira... Não sou, não era, muito dada a actividades dessa natureza, embora gostasse de dançar, mas não foi grande o sacrifício pois a amizade é um valor que preso especialmente e a minha amiga estava, naturalmente, entusiasmada com a perspectiva dum possível namoro. Por acaso (será que existem?...), acabou por vir dar em casamento que, como o meu, dura até hoje! E, não é que, nesse baile, me foi apresentado um rapaz que insistiu em dançar comigo?... Já adivinharam?... Ainda hoje, passados 50 anos, continua a ser meu par, agora, nas danças da vida. A esta distância, a estória tem foros de romântica e, talvez, seja realmente. Tomando em consideração as regras antigas, o meu pretendente teve de pedir ao amigo interessado na minha amiga, que mo apresentasse, senão, nada feito!...
A partir desse dia, fui “perseguida” até aceitar o pedido de namoro e, esse sim, foi, de facto, romântico pois foi feito num passeio de barco à vela no Tejo. Confesso que, muito embora desconfiasse do interesse, que fui surpreendida e, mesmo, assustada com tão repentina ideia. Começar um relacionamento sem grande conhecimento mútuo não estava nos meus planos. Acabei por aceitar o desafio (cá está o velho impulso). Formalizámos o assunto no dia em que fiz 18 anos, com o consentimento dos meus Pais que, para além de respeitarem o meu desejo, também, acharam o rapaz simpático. O convívio com jovens sempre foi apanágio dos meus Pais, principalmente, da minha Mãe, ela própria bastante jovem de corpo e espírito, para além de ser muito sociável, bem mais do que eu que tinha fama de bicho do mato.
O namoro seguiu tranquilamente, com um misto de liberdade e alguma vigilância, de acordo com os preceitos da época. Ao fim de seis meses, o meu namorado anunciou-me a sua vontade e disposição de ir em comissão para a Índia, então, Portuguesa, pois isso seria uma mais valia para a sua carreira e uma oportunidade para ganhar mais. De notar que, nesses tempos, os oficiais de Marinha não eram diferentes do resto da população no que respeita a salários. Ganhava-se mal e as comissões representavam um aumento desse pecúlio por via da deslocação. Escusado será dizer que foi um choque esta notícia e até me passou pela cabeça acabar o namoro por me vir à lembrança os anos de separação quando o meu Pai voltou para África e nós tivemos de ficar por causa dos estudos. Essa circunstância pesou bastante na minha adolescência, apesar da minha Mãe ter sido um grande “Pai”.
A verdade é que acabei por me conformar e aceitar as boas intenções da vontade de partir e, quando chegou a hora, estava bem longe de me passar pela cabeça as consequências dessa longa viagem!... Fiquemos por aqui hoje. Para a próxima vos contarei o que se passou a seguir. Fiquem bem, vivendo as vossas estórias.

Um abraço,

Maria Emília

quinta-feira, novembro 17, 2005

Dia 17.11.05

NOTAS À MARGEM

Tenho uma certa tendência para ser disléxica quando escrevo no computador e, nem sempre, consigo que o texto saia limpinho, mesmo com o cuidado duma revisão. Não reparem, pois, se depararem com troca de letras e outros deslizes!... À partida, sou exigente, mas estou a aceitar esta forma de comunicação com a tónica na espontaneidade, com o rigor possível e com as ajudas caseiras.

QUEM CONTA UM CONTO...

Lisboa 13.11.05

QUEM CONTA UM CONTO...

Sempre funcionei por impulsos e, agora, que me disponho a criar um Blog, não é excepção. A minha Amiga Paula que, por acaso, há muito criou o seu (Era...uma...vez, se chama), nessa altura, desafiou-me para fazer o mesmo mas, volto a dizer, funciono por impulsos e, naquela fase, esta acção não fez clic na minha cabeça. Um dia destes, quando tratava da minha neta Mafalda (além de outras coisas que vão saber) sou terapeuta de Shiatsu) que anda nervosa com tantos testes na escola, “caiu-me” a ideia do Blog... Quando tal me acontece é certo e sabido que esse pensamento não me larga até entrar em acção, que é o que estou a fazer neste momento. Pelo facto de contar com uns bons anos e ter vivido muitas situações extraordinárias, acho que, talvez, achem graça às minha estórias. Quem conta um conto... acrescenta os temperos necessários para que a cena resulte interessante e a participação dos que lerem estes escritos venha a ser uma mais valia para a comunicação que se quer franca e ligeira. A partilha é um factor indispensável para o desenvolvimento pessoal e colectivo e, por isso, a exerci e exerço constantemente, sendo uma delas a escrita. Passo a contar um pouco do que sou e como aqui cheguei, para que possam situar-se sem, necessariamente, entrar em pormenores pessoais ou irrelevantes.
Nasci em África (Angola). Esse facto tem a sua importância visto que me deu, à partida, uma grande vantagem, na medida em que os meus horizontes se formaram alargados como a própria paisagem. Para além desse facto, a minha estrutura familiar ancestral, representa um suporte que me permitiu percorrer muitos caminhos e explorar mundos inesperados. Todas as vezes que se me apresentou um desafio, tinha de consultar aquilo a que ouso chamar “os meus Deuses”, ou seja, esperar pelo tal impulso irresistível que me levasse a responder afirmativamente à proposta. Fui habituada a não hesitar, a seguir em frente, mesmo quando a facilidade dos projectos não primavam pela evidência. Quando é preciso fazer... faz-se! Quando é preciso ir... vai-se! A confiança do bom sucesso da empreitada seria/é baseada na capacidade de inventar novos passos, ou dar os que forem precisos, e ser suficientemente flexível para torcer em vez de quebrar.
Cresci numa África distante, ordenada e rica e, apesar de lá ter saído bastante cedo para poder estudar (nesse aspecto a riqueza não passava por lá...), tenho as melhores memórias de sempre dos tempos em que corria veloz na minha bicicleta que, sem qualquer dúvida, me levava a viver as aventuras próprias de crianças livres e despreocupadas. Devo dizer que o meu encontro com Lisboa não foi dos mais alegres. De repente, vi-me fechada num 5º andar, com a minha preciosa liberdade perdida e um mundo completamente diferente daquele a que estava habituada. Tanta cerimónia!!! Tantas limitações de espaço e de movimentos!!! Todos quantos viveram em África sabem como a vida lá era bem mais arejada... No entanto, o ambiente familiar e a nova escola, permitiram-me uma adaptação relativamente fácil. Este novo mundo tinha a sua riqueza e amplitude, apesar das grandes limitações que a ditadura de então impunha.
No Verão passávamos as férias em S. Martinho do Porto que nos dava um cheirinho da África perdida, sem contar com o clima, claro... Voltei às bicicletadas, às conversas pachorrentas com os novos amigos e aos passeios/pic-nics inesquecíveis. A adolescência foi avançando com os respectivos estudos até que, os meus Pais se lembraram de nos mandar, à minha irmã e a mim para Londres afim de aperfeiçoar o Inglês. O meu irmão, um bocado mais novo, ficou-se pelo Colégio Militar. Não sei se repararam, mas eu disse “mandaram-nos”, não perguntaram a nossa opinião (nesse tempo era assim...)!
A esta distância parece algo sem grande importância mas, naquele tempo, não se ia para Londres estudar com a mesma facilidade com que hoje os jovens se deslocam com o mesmo fim. A minha Mãe, grande mulher e grande educadora, sempre nos ensinou que liberdade implica responsabilidade e confiança mútua. Lá fomos, então, entregues a nós próprias e a um respeitável lar de freiras católicas (não podia ser de outro modo...). A frequência dum ano lectivo, longe da protecção e aconchego familiar, foi gratificante e instrutivo mas, também, um pouco duro de aguentar as saudades. Era a primeira vez que me afastava da casa paterna. A minha irmã já tinha vivido essa experiência, quiçá mais dura ainda, quando esteve a estudar no colégio das Doroteias em Sá da Bandeira, bem longe da Lunda onde vivíamos.
Escusado será dizer que, ao regressarmos à santa terrinha, estranhámos a estreiteza de espírito reinante... Nova adaptação, nova vida. Tive de começar a trabalhar. Éramos um família burguesa, mas pouco indinheirada e, também, é verdade que não tinha à vista uma grande vontade de voltar a estudar. Comecei, então, a dar aulas de Inglês a criancinhas... A experiência foi relativamente curta pois, entretanto, comecei um namoro que acabou em casamento. (Devo confessar, igualmente, que o ensino daquela matéria não me entusiasmou por aí além. Não parecia ser a minha vocação e, no entanto, o futuro veio desmentir-me, mas isso é para vos contar mais adiante).
Quem conta um conto... Na próxima vez continuaremos estas estórias de vida. Vale a pena!
Agradeço a vossa atenção, esperando o vosso contacto e, se desejarem, pelas vossas estórias.
Um abraço
Maria Emília