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segunda-feira, fevereiro 27, 2006

A MINHA EXTERIOR EVOLUÇÃO...





“A Vida é a minha exterior evolução... e
a minha interior revolução.”



Tal como vos disse, a vontade de aprender mais e melhor levou-nos para bem longe, o País de Gales, onde aterrámos no dia 15 de Agosto de 1977!!! Este destino foi a nossa escolha intuitiva, baseada igualmente, num certo bom senso. Como tinha estudado em Londres, conhecia a mentalidade Inglesa, por isso, escolhemos uma organização apoiada pela Câmara local, o que sempre garante alguma respeitabilidade. É preciso não esquecer que o Yoga era, então, pouco conhecido e muito associado à forma “hippie” de viver e, portanto, com uma certa aura negativa (drogas, álcool e Rock & Roll…). Felizmente, a nossa família confiava em nós, mesmo que alguma preocupação pairasse no ar. Rumámos, então, a Londres e, de lá partimos de comboio para o País de Gales, ou seja Cardiff. A viagem foi bastante tormentosa porque, para além duma greve da TAP que atrasou o nosso voo, apanhámos nevoeiro à chegada o que nos levou a aterrar em Paris até que passasse esse clima e para conseguirmos apanhar o comboio tivemos de correr como loucas. Desembarcámos em Cardiff sem ter a mínima ideia onde ficava a Duffryn House! Confiámos num motorista de táxi que, de pronto, nos levou, por fim, ao nosso destino.
Mal saímos do carro, fomos surpreendidas pela beleza do local. Um parque lindíssimo e um palácio medieval que nos deixou quase sem respiração! Mas, é preciso ver que, depois do que havíamos passado na viagem, merecíamos tal recompensa… Chegámos mesmo a tempo do “tea-break”, por isso, a recepção foi calorosa; a verdade é que fomos praticamente assaltadas, principalmente por um grandalhão que, ao longo dos dias acabou por ser nosso companheiro em todas as refeições. Depois do cházinho que nos soube muito bem, seguimos para a sala de aula. Não pudemos participar em termos práticos porque não tínhamos tido tempo de mudar de roupa e não queríamos perder nada. As primeiras impressões foram excelentes e o Dr. Dasarathy, um indiano de 35/40 anos encheu-nos logo as medidas e entrámos facilmente na sua sintonia. A sala era pequena e o grupo era constituído por 22 pessoas que se sentavam em semicírculo. O Dr. Dasarathy começava por explicar as posturas e para que parte do corpo se destinavam e, em seguida, exemplificava com mestria. Depois formavam-se dois grupos e um de cada vez repetia o que havia sido demonstrado. Apesar do grande cansaço, conseguimos acompanhar a classe sem ficarmos mal vistas. O trabalho prolongou-se até depois das seis; seguimos para o nosso quarto para nos refrescarmos com um belo banho e estarmos, mais ou menos, em forma para o jantar às 7 horas. A seguir ao jantar, assistimos a uma passagem de”slides” de posturas (Asanas). Chegámos à cama a cair de podre pois não havíamos pregado olho há 24 horas. Dormimos regaladas até às 6 da manhã e, às 7.15 h estávamos na rua a fazer um passeio em silêncio. Como o parque era grande e lindo de morrer, cada um seguia por onde lhe dava na gana, absorvendo o ar puro e toda aquela beleza, tendo sido surpreendida por um esquilo e uma lebre que por ali andavam na maior liberdade. Antes do pequeno-almoço tivemos uns exercícios de aquecimento, já dentro da sala (Saudações ao Sol, e mais umas posturas). Tomámos o pequeno-almoço à inglesa e, deixem que vos diga que aquela gente come bem!!! Trabalhámos até às 11 e, na hora do chá aproveitámos para contactar com os nossos simpáticos colegas, trocar impressões com o Mestre e dar uma vista de olhos por alguns livros em exposição.
A meio da semana, tive o momento mais alto do curso. Estávamos a praticar uma postura de meditação, específica para controlar a energia sexual (Rishi Asana) através da meditação e, pela primeira vez, senti o que era meditação! Se não estivesse prevenida e bem acompanhada, tinha-me assustado… Logo que cheguei à dita postura, comecei a concentrar-me na respiração e esta, ganhando velocidade fez com que o fluxo energético subisse por mim acima! Toda a parte superior do tronco, a partir do Chakra do coração, parecia ligada à corrente e as batidas do coração eram fortes, mas muito espaçadas e as mãos transpiravam. Sentia-me leve e, ao mesmo tempo, fora do corpo, feliz, em transe (estado alterado de consciência).
A minha amiga, que estava ao meu lado, ficou um tanto ou quanto preocupada quando começou a ouvir a minha respiração acelerada. Depois de sair da postura, o que fiz com alguma dificuldade por me sentir agarrada àquela sensação, as mãos estavam molhadas e a tremer, tendo-me assaltado uma enorme vontade de chorar, uma emoção tremenda que não esquecerei jamais. Falando com o Mestre, ele mostrou-se agradavelmente surpreendido com a minha experiência. Depois do que me aconteceu, uma página da minha vida virou para entrar num capítulo que me entusiasmou e, ao mesmo tempo, me assustou pois, logo ali, antevi um longo e árduo caminho.
Aquela semana marcou-nos particularmente visto que aprendemos muitíssimo e vivemos experiências inesquecíveis. O grupo era bastante homogéneo e, pessoalmente, acabei por fazer amizade com uma rapariga que me ajudou, na medida em que nos pôs em contacto com organizações de Yoga como a British Wheel of Yoga, da qual me fiz assinante para receber informações sobre cursos futuros. A nossa vida mudou definitivamente e a dinâmica desencadeada tornou-se imparável!!!
Até à próxima. Fiquem bem.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

SURPRESA DAS SUPRESAS!

Um dia acaba para que outro comece, e eu...

... Estou com aqueles que de mim precisam, sem buscar as razões desses encontros. A troca de experiências é necessária, imperiosa mesmo! Desses encontros frutíferos nasce a Força que nos leva até ao Absoluto.


A ideia de dar aulas ficou no ar e, um dia mais tarde, a D. Maria Helena voltou a falar-me no assunto; que seria bom eu começar a dar umas aulas por conta própria, ao que respondi não me sentir assim tão preparada para enfrentar esse desafio, apesar do gosto e entusiasmo que a prática despertava em mim. Ela insistiu na ideia, prometendo ajudar-me com os seus próprios apontamentos e alguns livros que eu estudaria durante o Verão que se aproximava, corria o ano de 1976. Aconselhou-me, igualmente, a procurar um espaço e colocar um cartaz anunciando o propósito e a hora. Passei esse Verão debruçada sobre a matéria e a tomar algumas notas, mas foi só no princípio do ano seguinte que me aventurei a fazer exactamente o que ela me disse. Perto da minha casa está a Piscina dos Olivais que, para além da natação tinha outras modalidades e os respectivos espaços. Aliás, era lá no ginásio que praticava ginástica antes de começar com o Yoga. O espaço que me foi cedido era a sala de judo, bastante simpática e com janelas a dar para um jardim. O problema era o horário disponível; só as manhãs estavam livres. Mesmo assim resolvi avançar com a experiência e, surpresa das surpresas, apareceram três alunos (a São o Pedro e o Luís) e, no dia 1 de Fevereiro de 1977, dei a minha primeira aula!!! * Pagava 40$00 pelo aluguer de cada hora, como podem ver no recibo que vos mostro que guardo como memória activa. Os alunos, apesar de poucos, eram entusiastas e manifestavam o seu agrado por aquilo que eu lhes passava. Mais tarde vieram outros três, entre eles duas amigas minhas. Apesar da minha insegurança, sentia-me muito bem e tinha o cuidado de preparar as aulas ao pormenor, lembrando-me constantemente do que sentia quando eu estava no papel de aluna, ou seja, sintonizava com aquela energia que actuava como um elo de ligação com a fonte de inspiração, neste caso a Mestra que me despertou para este Caminho. Naquela altura, apenas o entusiasmo me levou a arregaçar as mangas e lançar-me numa tarefa que estava bem longe de supor fazer com que a minha Vida desse uma grande, enorme volta. Acredito que tenham sido os meus deuses a fazer daquela senhora uma medianeira, e eu, na mais pura das inocências deixei-me levar sem medir as consequências; outra vez o impulso irresistível a empurrar-me para a linha da frente. Hoje, não posso imaginar a minha Vida sem este trabalho e esta filosofia de vida que me tem ajudado a ser mais e melhor daquilo que, realmente, sou. Não podemos fugir ao nosso destino, isso digo-vos eu!... Quando nos sentimos bem ou há qualquer coisa que nos diz que é por ali o caminho, está tudo certo, mesmo quando as dificuldades apertam e as dúvidas nos assaltam.
Este princípio, como muitos, teve o seu fim. O horário não se ajustava às necessidades das pessoas e, por isso, deixei de dar aquelas aulas, apesar do “bichinho” ter ficado em mim e nas pessoas que em mim acreditaram. No Verão desse ano resolvi com a minha amiga que, entretanto também havia começado a mesma aventura, irmos para a Grã Bretanha para uma formação adequada, visto que por cá não havia nada que nos proporcionasse os conhecimentos que nos permitissem uma maior segurança e garantia de qualidade para os alunos. A verdade é que o que fazíamos sabia-nos bem, mas não tínhamos nenhuma noção das razões para esse efeito. A nossa professora não era muito dada a explicações; talvez achasse que o melhor seria nós descobrirmos por conta própria, e foi isso exactamente o que fizemos! Para tal, serviu-nos o facto de eu ainda andar no Instituto Britânico que nos pôs nas mãos uma série de folhetos anunciando cursos intensivos de Yoga no Verão. O engraçado é que a menina da secretaria não fazia a mínima ideia do que era Yoga… Lembro-vos que Portugal ainda estava na infância da democracia… Distribuídas as tarefas, cada uma escreveu a pedir informações e, perante as respostas, escolhemos o professor e o sítio que nos pareceu de mais confiança.
Já vos contarei como tudo aconteceu e como foi essa etapa. Creiam que é uma estória fantástica!!!
Fiquem bem! OM SHANTI OM
* - Recibo

terça-feira, fevereiro 14, 2006

DESCOBERTA

As Almas curiosas buscam no encontro respostas às questões que ainda não sabem pôr. Precisam de ajuda para ascender às mais altas esferas, aí onde essas questões não necessitam de perguntas. Basta olhar. Basta ver. Basta sentir!!!

No subconsciente jaz o Conhecimento adquirido ao longo dos tempos. Essa Sabedoria implícita pode assustar-nos, mas se percebermos que o que sabemos é importante para levar a cabo o nosso destino, o processo de transformação seguirá de acordo com a necessidade de avançar, mantendo o equilíbrio e a serenidade. As respostas virão sem que sejam formuladas perguntas. Somos aprendizes da própria Vida e, como Mestres passaremos o testemunho com a responsabilidade própria de quem sabe que sabe que os caminhos se abrem à medida da nossa disponibilidade. O êxito é a resposta a um dever cumprido no sentido da União (Yoga). O Amor incondicional é a realidade assumida sem medo, prova de tolerância e aceitação das diferenças.
Serve esta introdução para que entendam que não foi por acaso que os Deuses me levaram à prática do Yoga. É verdade que durante dois anos gozei o prazer da descoberta. Apesar de as sessões se centrarem, principalmente, no “Hatha Yoga”, não deixávamos de sentir que havia mais alguma coisa para além disso, em termos filosóficos. A Professora Maria Helena de Freitas Branco passava uma imagem em que esse aspecto lhe assentava como uma luva; não era nem intelectual nem atlética e a maneira como conduzia as aulas fazia com que nos sentíssemos diferentes e especiais, sem que percebêssemos muito bem como, nem porquê. Agora tenho condições para entender que era a sua energia que passava naturalmente através das palavras e dos gestos. Confesso que, inicialmente, saía das sessões um pouco baralhada com o que sentia! Habituada a fazer exercício estranhava não sentir dores musculares nem qualquer outro desconforto, antes pelo contrário. A leveza de corpo e mente que aqueles momentos me proporcionavam deixavam-me encantada e curiosa. O que posso dizer é que outra coisa que me entusiasmou foi encontrar um mundo que tinha a ver comigo, pessoas que entendia e me entendiam para além das palavras! Falávamos a mesma “língua”!!! Entretanto, continuava no Instituto Britânico e os estudos da língua inglesa ocupavam-me bastante também, pois fui avançando mais do que estava à espera.
Eis, senão quando… A nossa professora pediu-nos, à minha amiga e a mim, para a substituir visto ter de ir fazer uma formação em Inglaterra. Ficámos um bocado atrapalhadas com o convite porque não nos sentíamos preparadas para tal responsabilidade, mas como ela insistisse acabámos por aceitar o desafio e lá nos preparámos o melhor que pudemos. As aulas deviam durar uma hora, mas a verdade é que, ao fim de vinte minutos tínhamos esgotado a nossa ciência. Acabámos a sessão em conversa animada e amena e ninguém levou a mal. UFF, UFF!... Ainda hoje estou para saber porque razão nos escolheu … Coisas do destino… E, não é que o destino voltou a fazer das suas?... Pois. Um belo dia, estávamos nós preparadas para entrar para aula, quando nos vieram dizer que a senhora tinha telefonado a avisar que não podia ir dar a aula. As minhas colegas, olharam para mim (a minha amiga nesse dia não estava) e disseram: “Porque é que não dás tu a aula?” “Eu???” “Sim tu, outro dia deste e foi bom, por isso preferíamos que fizesses qualquer coisa connosco.” Não sei bem o que me levou a arriscar, mas arrisquei mesmo e, segundo elas, não me saí mal e, para dizer a verdade, senti-me muito bem também. As palavras fluíram naturalmente e o gosto pela experiência foi marcante. Na aula seguinte o grupo que se havia “submetido” à minha orientação, manifestou o seu contentamento sobre o acontecido o que foi uma agradável surpresa para mim pois não esperava tanto afecto. O facto é que o prazer que senti em partilhar o pouco que sabia acordou no meu coração a vontade de aprofundar mais ainda aquela filosofia que abriu um novo capítulo na minha vida de forma tão clara, que é impossível que a sua semente não estivesse já pronta a germinar. Mal sabia eu como era difícil o Caminho que se apresentava, à partida, tão sedutor. O problema é que aquele velho impulso que sempre me leva a fazer o que sinto, voltou em força e segui em frente à descoberta de quem eu era afina, usando todas as técnicas que se foram apresentando e com as quais sobrevivi a dificuldades e momentos dolorosos da nossa vida pessoal. Não esquecerei jamais o dia em que a nossa professora me propôs um desafio maior: ensinar por conta própria! Não me passava pela cabeça aonde podia chegar, se pensar que a experiência daquela aula tinha sido dada por mero companheirismo e solidariedade. A Vida é uma surpresa permanente se deixarmos que a criança que há em nós ser livre e pura. O Yoga deu-me uma vida nova e a possibilidade de exaltar a minha criatividade em cada momento, dos mais fáceis ao mais transcendentes. Por isso e tudo o mais que vos contarei, agradeço aos meus Deuses e, com humildade me disponibilizo para prosseguir enquanto as forças e a clarividência o permitirem. Bem hajam por seguirem também comigo em União (Yoga).
OM SHANTI

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

TERRA NOSSA MÃE


“Sintamos a Terra como nossa Mãe. Caminhemos com a segurança própria de Sábios que, na sua humildade, desejem ser Mestres, Amigos e Irmãos seguindo na direcção da Luz., Respiremos a Vida e apaziguemos as emoções que nos assaltam para que não seja perdido um só instante.”

terça-feira, fevereiro 07, 2006

REVOLUCIONÁRIOS E DESCOBRIDORES







Lisboa, 19.04.98

Maria Emília,

Claro que quero falar-te. Tens um caminho de Luz. Nesse Caminho, aqueles passos ou momentos que, de repente, te surgirão mais obscuros significam que tens de confiar ainda mais em ti e no que fazes. É difícil caminhar sem um livro aberto que te dê directrizes. O caminho que segues é de espontaneidade. Nada está decidido, embora tudo esteja já delineado por ti própria antes do nascimento. Cruzámo-nos já várias vezes em várias existências, próximas e não só. Tenho acompanhado o teu trabalho sempre, pois sou um Mestre neste estado em que me encontro. Esse trabalho estás tu a executá-lo como um cargo. Seguidamente será continuado, como eu e tantos outros, fora da matéria. Decidiste actuar no campo físico pois esse mundo ensina-te a transmitir o Amor, a criá-lo em obras que, aparentemente, nada têm a ver com ele. Ensinas o Amor e os outros a encontrarem-no dentro de si próprios. Eu ensino a pensar pois no meu campo de acção projecto questões cuja resposta terá que ser encontrada através de um pensamento claro e inteligente. Embora sejam vias diversas trabalhamos para o mesmo; tudo o que é equilíbrio entre o Pensamento e o Saber. Nele reside o Conhecimento. Ambos caminhamos na sua direcção, sabendo que a resposta nele encerrada é a alegria que sentiremos penetrar em nós. O que te estou a dizer é dito para que compreendas ou sintas mais claramente qual o teu trabalho, para que o faças e com quem o fazes. Actuar no mundo material, embora implique respostas visíveis, engana pois nessa visibilidade nem sempre surge a dimensão da obra. Esta é vista noutro plano, aquele onde eu actuo.
Somos irmãos e seguimos no caminho da Luz. Confia Irmã.

SETH

Esta mensagem foi canalizada pela minha amiga e discípula Paula (Umabel), num momento em que algumas dificuldades se apresentavam mais prementes. Achei oportuna como introdução à etapa que se segue, uma viragem na minha vida a todos os títulos surpreendente e com consequências inesperadas, tanto para mim como para tantos quantos sofreram a influência dessa mudança.
O Mestre Seth dizia-me para confiar. Confiar será, talvez, das coisas mais difíceis e complexas de acontecer, pois implica auto-estima e, em simultâneo, submissão o que pode parecer confuso... A auto-estima é a confiança em si mesma e, a submissão uma continuidade nessa atitude. Quando vivemos experiências transcendentes ou que escapam ao entendimento comum, questionamos o privilégio concedido até percebermos que esse privilégio vem acompanhado duma responsabilidade e uma necessidade de aceitação. Passamos a ser instrumentos de acções que estão muito para além do Ego. Apesar de “saber” que me disponibilizei para uma determinada missão, a minha natureza humana nem sempre tinha/tem a vontade de prosseguir com o ânimo necessário. Viver na matéria é um assunto que não escapa a cansaços e dúvidas... Mas o impulso para continuar é suficientemente forte para que o tempo de pausa seja breve. As ajudas sempre chegam no momento certo e, como vos disse já, funciono por impulsos, sendo a espontaneidade uma característica que me tem acompanhado ao longo da vida. Quantas vezes fazemos coisas por impulso sem saber porquê nem para quê, mas com um sentimento de segurança que não se compadece com a razão mais razoável!...
Cheguei ao Yoga sem saber o que me esperava, no entanto, o que senti desde a primeira hora só o consegui definir por palavras bem mais tarde. Há sensações que vão ganhando forma à medida que vamos mergulhando num processo que se apresenta como um desafio, ao mesmo tempo excitante e assustador.
Aquela amiga que conheci em Goa, tinha estado nos EUA com o marido e foi lá que teve conhecimento desta prática. Sabendo que havia aulas no Ginásio Clube Português, apressou-se a inscrever-se. Em conversa falou-me do seu entusiasmo pela descoberta do valor desta prática e eu deixei a ginástica para a acompanhar. Janeiro de 1974, marcou o início daquilo que considero um dos grandes passos da minha vida, para além do casamento e dos filhos. Sinceramente, a experiência que fui adquirindo, ultrapassava o meu entendimento. É preciso que se diga que, nesses tempos, a abertura de espírito reinante por estas paragens do Globo, era praticamente nula e, por isso, as sensações passavam muito pelo bem estar do corpo físico que, naturalmente tinham o seu reflexo na mente e nas emoções. O porquê destes efeitos mais profundos não nos era explicado, e falar do espírito era absolutamente proibido!!! Espírito era o mesmo que espiritismo, algo condenado pela Igreja Católica predominante. Felizmente, logo a seguir deu-se o 25 de Abril e tudo mudou, mesmo que lentamente. O processo tornou-se imparável para Revolucionários e Descobridores.