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segunda-feira, fevereiro 20, 2006

SURPRESA DAS SUPRESAS!

Um dia acaba para que outro comece, e eu...

... Estou com aqueles que de mim precisam, sem buscar as razões desses encontros. A troca de experiências é necessária, imperiosa mesmo! Desses encontros frutíferos nasce a Força que nos leva até ao Absoluto.


A ideia de dar aulas ficou no ar e, um dia mais tarde, a D. Maria Helena voltou a falar-me no assunto; que seria bom eu começar a dar umas aulas por conta própria, ao que respondi não me sentir assim tão preparada para enfrentar esse desafio, apesar do gosto e entusiasmo que a prática despertava em mim. Ela insistiu na ideia, prometendo ajudar-me com os seus próprios apontamentos e alguns livros que eu estudaria durante o Verão que se aproximava, corria o ano de 1976. Aconselhou-me, igualmente, a procurar um espaço e colocar um cartaz anunciando o propósito e a hora. Passei esse Verão debruçada sobre a matéria e a tomar algumas notas, mas foi só no princípio do ano seguinte que me aventurei a fazer exactamente o que ela me disse. Perto da minha casa está a Piscina dos Olivais que, para além da natação tinha outras modalidades e os respectivos espaços. Aliás, era lá no ginásio que praticava ginástica antes de começar com o Yoga. O espaço que me foi cedido era a sala de judo, bastante simpática e com janelas a dar para um jardim. O problema era o horário disponível; só as manhãs estavam livres. Mesmo assim resolvi avançar com a experiência e, surpresa das surpresas, apareceram três alunos (a São o Pedro e o Luís) e, no dia 1 de Fevereiro de 1977, dei a minha primeira aula!!! * Pagava 40$00 pelo aluguer de cada hora, como podem ver no recibo que vos mostro que guardo como memória activa. Os alunos, apesar de poucos, eram entusiastas e manifestavam o seu agrado por aquilo que eu lhes passava. Mais tarde vieram outros três, entre eles duas amigas minhas. Apesar da minha insegurança, sentia-me muito bem e tinha o cuidado de preparar as aulas ao pormenor, lembrando-me constantemente do que sentia quando eu estava no papel de aluna, ou seja, sintonizava com aquela energia que actuava como um elo de ligação com a fonte de inspiração, neste caso a Mestra que me despertou para este Caminho. Naquela altura, apenas o entusiasmo me levou a arregaçar as mangas e lançar-me numa tarefa que estava bem longe de supor fazer com que a minha Vida desse uma grande, enorme volta. Acredito que tenham sido os meus deuses a fazer daquela senhora uma medianeira, e eu, na mais pura das inocências deixei-me levar sem medir as consequências; outra vez o impulso irresistível a empurrar-me para a linha da frente. Hoje, não posso imaginar a minha Vida sem este trabalho e esta filosofia de vida que me tem ajudado a ser mais e melhor daquilo que, realmente, sou. Não podemos fugir ao nosso destino, isso digo-vos eu!... Quando nos sentimos bem ou há qualquer coisa que nos diz que é por ali o caminho, está tudo certo, mesmo quando as dificuldades apertam e as dúvidas nos assaltam.
Este princípio, como muitos, teve o seu fim. O horário não se ajustava às necessidades das pessoas e, por isso, deixei de dar aquelas aulas, apesar do “bichinho” ter ficado em mim e nas pessoas que em mim acreditaram. No Verão desse ano resolvi com a minha amiga que, entretanto também havia começado a mesma aventura, irmos para a Grã Bretanha para uma formação adequada, visto que por cá não havia nada que nos proporcionasse os conhecimentos que nos permitissem uma maior segurança e garantia de qualidade para os alunos. A verdade é que o que fazíamos sabia-nos bem, mas não tínhamos nenhuma noção das razões para esse efeito. A nossa professora não era muito dada a explicações; talvez achasse que o melhor seria nós descobrirmos por conta própria, e foi isso exactamente o que fizemos! Para tal, serviu-nos o facto de eu ainda andar no Instituto Britânico que nos pôs nas mãos uma série de folhetos anunciando cursos intensivos de Yoga no Verão. O engraçado é que a menina da secretaria não fazia a mínima ideia do que era Yoga… Lembro-vos que Portugal ainda estava na infância da democracia… Distribuídas as tarefas, cada uma escreveu a pedir informações e, perante as respostas, escolhemos o professor e o sítio que nos pareceu de mais confiança.
Já vos contarei como tudo aconteceu e como foi essa etapa. Creiam que é uma estória fantástica!!!
Fiquem bem! OM SHANTI OM
* - Recibo

3 comentários:

aldina disse...

O que mais me surpreende, tendo em conta a época e o desconhecimento geral duma matéria como o Yoga para o povo português e, talvez para a maioria dos ocidentais, a Maria Emília, e uns tantos muito poucos, avançava e arriscava mas também compreendia os sinais duma vocação que apesar de desconhecida era profundamente familiar ao seu íntimo, acompanhando o seu blog percebe-se claramente que há um reconhecimento espontaneo e activo de qualquer manifestação relacionada com o Yoga, paar além do seu caracter aventureiro nato!

beijos!

Aldina!

Lady Butterfly disse...

Olá, a senhora parece ter uma vida interessante e cheia de boas experiências. Sou uma jovem estudante e adoro literatura, assim como escrever, o que me liberta a alma... Gostei muito do seu blog e dos seus textos. Excelente postura de escrita. Saudações, fique bem. Passe pelo meu se quiser que ainda é novinho...

Maria Emília disse...

Obrigada Lady Butterfly pela sua presença. Realmente, escrever é como voar e poisar de flor em flor, absorvendo o nectar que nos alimenta a alma. As minhas esrórias são um testemunho de vida que podem servir de espelho a todos quantos se ligam à existência de forma plena.
Terei muito gosto em "vistá-la" minha jovem amiga.
Um abraço