DESCOBERTA

No subconsciente jaz o Conhecimento adquirido ao longo dos tempos. Essa Sabedoria implícita pode assustar-nos, mas se percebermos que o que sabemos é importante para levar a cabo o nosso destino, o processo de transformação seguirá de acordo com a necessidade de avançar, mantendo o equilíbrio e a serenidade. As respostas virão sem que sejam formuladas perguntas. Somos aprendizes da própria Vida e, como Mestres passaremos o testemunho com a responsabilidade própria de quem sabe que sabe que os caminhos se abrem à medida da nossa disponibilidade. O êxito é a resposta a um dever cumprido no sentido da União (Yoga). O Amor incondicional é a realidade assumida sem medo, prova de tolerância e aceitação das diferenças.
Serve esta introdução para que entendam que não foi por acaso que os Deuses me levaram à prática do Yoga. É verdade que durante dois anos gozei o prazer da descoberta. Apesar de as sessões se centrarem, principalmente, no “Hatha Yoga”, não deixávamos de sentir que havia mais alguma coisa para além disso, em termos filosóficos. A Professora Maria Helena de Freitas Branco passava uma imagem em que esse aspecto lhe assentava como uma luva; não era nem intelectual nem atlética e a maneira como conduzia as aulas fazia com que nos sentíssemos diferentes e especiais, sem que percebêssemos muito bem como, nem porquê. Agora tenho condições para entender que era a sua energia que passava naturalmente através das palavras e dos gestos. Confesso que, inicialmente, saía das sessões um pouco baralhada com o que sentia! Habituada a fazer exercício estranhava não sentir dores musculares nem qualquer outro desconforto, antes pelo contrário. A leveza de corpo e mente que aqueles momentos me proporcionavam deixavam-me encantada e curiosa. O que posso dizer é que outra coisa que me entusiasmou foi encontrar um mundo que tinha a ver comigo, pessoas que entendia e me entendiam para além das palavras! Falávamos a mesma “língua”!!! Entretanto, continuava no Instituto Britânico e os estudos da língua inglesa ocupavam-me bastante também, pois fui avançando mais do que estava à espera.
Eis, senão quando… A nossa professora pediu-nos, à minha amiga e a mim, para a substituir visto ter de ir fazer uma formação em Inglaterra. Ficámos um bocado atrapalhadas com o convite porque não nos sentíamos preparadas para tal responsabilidade, mas como ela insistisse acabámos por aceitar o desafio e lá nos preparámos o melhor que pudemos. As aulas deviam durar uma hora, mas a verdade é que, ao fim de vinte minutos tínhamos esgotado a nossa ciência. Acabámos a sessão em conversa animada e amena e ninguém levou a mal. UFF, UFF!... Ainda hoje estou para saber porque razão nos escolheu … Coisas do destino… E, não é que o destino voltou a fazer das suas?... Pois. Um belo dia, estávamos nós preparadas para entrar para aula, quando nos vieram dizer que a senhora tinha telefonado a avisar que não podia ir dar a aula. As minhas colegas, olharam para mim (a minha amiga nesse dia não estava) e disseram: “Porque é que não dás tu a aula?” “Eu???” “Sim tu, outro dia deste e foi bom, por isso preferíamos que fizesses qualquer coisa connosco.” Não sei bem o que me levou a arriscar, mas arrisquei mesmo e, segundo elas, não me saí mal e, para dizer a verdade, senti-me muito bem também. As palavras fluíram naturalmente e o gosto pela experiência foi marcante. Na aula seguinte o grupo que se havia “submetido” à minha orientação, manifestou o seu contentamento sobre o acontecido o que foi uma agradável surpresa para mim pois não esperava tanto afecto. O facto é que o prazer que senti em partilhar o pouco que sabia acordou no meu coração a vontade de aprofundar mais ainda aquela filosofia que abriu um novo capítulo na minha vida de forma tão clara, que é impossível que a sua semente não estivesse já pronta a germinar. Mal sabia eu como era difícil o Caminho que se apresentava, à partida, tão sedutor. O problema é que aquele velho impulso que sempre me leva a fazer o que sinto, voltou em força e segui em frente à descoberta de quem eu era afina, usando todas as técnicas que se foram apresentando e com as quais sobrevivi a dificuldades e momentos dolorosos da nossa vida pessoal. Não esquecerei jamais o dia em que a nossa professora me propôs um desafio maior: ensinar por conta própria! Não me passava pela cabeça aonde podia chegar, se pensar que a experiência daquela aula tinha sido dada por mero companheirismo e solidariedade. A Vida é uma surpresa permanente se deixarmos que a criança que há em nós ser livre e pura. O Yoga deu-me uma vida nova e a possibilidade de exaltar a minha criatividade em cada momento, dos mais fáceis ao mais transcendentes. Por isso e tudo o mais que vos contarei, agradeço aos meus Deuses e, com humildade me disponibilizo para prosseguir enquanto as forças e a clarividência o permitirem. Bem hajam por seguirem também comigo em União (Yoga).
OM SHANTI
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Beijinhos!