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terça-feira, fevereiro 14, 2006

DESCOBERTA

As Almas curiosas buscam no encontro respostas às questões que ainda não sabem pôr. Precisam de ajuda para ascender às mais altas esferas, aí onde essas questões não necessitam de perguntas. Basta olhar. Basta ver. Basta sentir!!!

No subconsciente jaz o Conhecimento adquirido ao longo dos tempos. Essa Sabedoria implícita pode assustar-nos, mas se percebermos que o que sabemos é importante para levar a cabo o nosso destino, o processo de transformação seguirá de acordo com a necessidade de avançar, mantendo o equilíbrio e a serenidade. As respostas virão sem que sejam formuladas perguntas. Somos aprendizes da própria Vida e, como Mestres passaremos o testemunho com a responsabilidade própria de quem sabe que sabe que os caminhos se abrem à medida da nossa disponibilidade. O êxito é a resposta a um dever cumprido no sentido da União (Yoga). O Amor incondicional é a realidade assumida sem medo, prova de tolerância e aceitação das diferenças.
Serve esta introdução para que entendam que não foi por acaso que os Deuses me levaram à prática do Yoga. É verdade que durante dois anos gozei o prazer da descoberta. Apesar de as sessões se centrarem, principalmente, no “Hatha Yoga”, não deixávamos de sentir que havia mais alguma coisa para além disso, em termos filosóficos. A Professora Maria Helena de Freitas Branco passava uma imagem em que esse aspecto lhe assentava como uma luva; não era nem intelectual nem atlética e a maneira como conduzia as aulas fazia com que nos sentíssemos diferentes e especiais, sem que percebêssemos muito bem como, nem porquê. Agora tenho condições para entender que era a sua energia que passava naturalmente através das palavras e dos gestos. Confesso que, inicialmente, saía das sessões um pouco baralhada com o que sentia! Habituada a fazer exercício estranhava não sentir dores musculares nem qualquer outro desconforto, antes pelo contrário. A leveza de corpo e mente que aqueles momentos me proporcionavam deixavam-me encantada e curiosa. O que posso dizer é que outra coisa que me entusiasmou foi encontrar um mundo que tinha a ver comigo, pessoas que entendia e me entendiam para além das palavras! Falávamos a mesma “língua”!!! Entretanto, continuava no Instituto Britânico e os estudos da língua inglesa ocupavam-me bastante também, pois fui avançando mais do que estava à espera.
Eis, senão quando… A nossa professora pediu-nos, à minha amiga e a mim, para a substituir visto ter de ir fazer uma formação em Inglaterra. Ficámos um bocado atrapalhadas com o convite porque não nos sentíamos preparadas para tal responsabilidade, mas como ela insistisse acabámos por aceitar o desafio e lá nos preparámos o melhor que pudemos. As aulas deviam durar uma hora, mas a verdade é que, ao fim de vinte minutos tínhamos esgotado a nossa ciência. Acabámos a sessão em conversa animada e amena e ninguém levou a mal. UFF, UFF!... Ainda hoje estou para saber porque razão nos escolheu … Coisas do destino… E, não é que o destino voltou a fazer das suas?... Pois. Um belo dia, estávamos nós preparadas para entrar para aula, quando nos vieram dizer que a senhora tinha telefonado a avisar que não podia ir dar a aula. As minhas colegas, olharam para mim (a minha amiga nesse dia não estava) e disseram: “Porque é que não dás tu a aula?” “Eu???” “Sim tu, outro dia deste e foi bom, por isso preferíamos que fizesses qualquer coisa connosco.” Não sei bem o que me levou a arriscar, mas arrisquei mesmo e, segundo elas, não me saí mal e, para dizer a verdade, senti-me muito bem também. As palavras fluíram naturalmente e o gosto pela experiência foi marcante. Na aula seguinte o grupo que se havia “submetido” à minha orientação, manifestou o seu contentamento sobre o acontecido o que foi uma agradável surpresa para mim pois não esperava tanto afecto. O facto é que o prazer que senti em partilhar o pouco que sabia acordou no meu coração a vontade de aprofundar mais ainda aquela filosofia que abriu um novo capítulo na minha vida de forma tão clara, que é impossível que a sua semente não estivesse já pronta a germinar. Mal sabia eu como era difícil o Caminho que se apresentava, à partida, tão sedutor. O problema é que aquele velho impulso que sempre me leva a fazer o que sinto, voltou em força e segui em frente à descoberta de quem eu era afina, usando todas as técnicas que se foram apresentando e com as quais sobrevivi a dificuldades e momentos dolorosos da nossa vida pessoal. Não esquecerei jamais o dia em que a nossa professora me propôs um desafio maior: ensinar por conta própria! Não me passava pela cabeça aonde podia chegar, se pensar que a experiência daquela aula tinha sido dada por mero companheirismo e solidariedade. A Vida é uma surpresa permanente se deixarmos que a criança que há em nós ser livre e pura. O Yoga deu-me uma vida nova e a possibilidade de exaltar a minha criatividade em cada momento, dos mais fáceis ao mais transcendentes. Por isso e tudo o mais que vos contarei, agradeço aos meus Deuses e, com humildade me disponibilizo para prosseguir enquanto as forças e a clarividência o permitirem. Bem hajam por seguirem também comigo em União (Yoga).
OM SHANTI

1 comentário:

aldina disse...

Ao ler este seu Blog, aprendo sempre mais, essencialmente, sobre o imprevisto, a prática da imaginação, a liberdade deixada pelo enfrentar de medos vários, alguns como formas válidas de consciência moral e fisica e outros puramente egóticos... Aprender a ouvir e a falar com o nosso corpo é a minha aprendizagem mais recente, confesso que durante anos apenas o intelecto foi motivo da minha admiração e dedicação... estou agora, na altura em que estou mais preparada, na nesta nova aventura, afinal and 24h00 com esta identidade chamada Meu Corpo:-)))

Beijinhos!