A minha Lista de blogues

domingo, setembro 24, 2006

AMIZADE


















A Amizade é um sentimento que liga as Almas sem que seja preciso uma razão. A sintonia existente é um estado de exaltação que desencadeia processos de auto-conhecimento e consequente desenvolvimento.
A Amizade é a verdadeira expressão do Amor incondicional, não se explica e tem um tempo i-limitado de duração. Este Amor puro serve os propósitos do cumprimento do Karma das Almas unidas por esse elo tão forte quanto misterioso. Experienciar a Amizade é uma vivência gratificante quando as expectativas não têm uma correspondência ao nível do Ego. Ama-se simplesmente porque amar é um estado de evolução superior que não se controla conscientemente, mas pode

usar-se essa energia de modo que cada dia seja vivido em plenitude.
Ao longo da minha existência tenho tido a felicidade de ser brindada com muitos Amigos e o Amor que me têm proporcionado, retribuo-o com a certeza de os ter sempre no meu coração. Isto não significa que estejam todos em “presença” constante, alguns raramente vejo, outros seguem ao meu lado numa troca que se mantém equilibrada. Creio que estamos com quem temos de trabalhar, aprendendo, ensinando ou, simplesmente pelo prazer da sua convivência que nos alimenta e pacifica. Todos os que me marcaram com a sua presença, continuam presentes no meu espírito mesmo que a materialidade dos seus corpos e das suas emoções não façam parte do meu cenário vivencial. Nós não somos o corpo, nem tão pouco a mente! Nós SOMOS!!!.
As estórias que vos vou contando retratam experiências que deixaram a sua marca no meu Ser e fizeram de mim uma pessoa cujo valor só é possível por fazer parte do tal Grupo de Almas de que vos tenho falado. Sou célula de um tecido nascido num tear cósmico e fui descobrindo o meu papel para que tudo funcione sem réstia de dúvidas e o nosso destino se cumpra sem mácula.
A Amizade é, de facto, o símbolo do Amor incondicional e a plenitude é um estado de alma que resulta dessa consciência, dessa evidência que nos surpreende a cada instante. Gozo este privilégio sabendo que o que nos une tem um sentido.
Fiquem bem!

domingo, setembro 17, 2006

COISAS EXTRAORDINÁRIAS



Eu sou o mar, tu és a gota de água que se dilui nas minhas ondas, numa dissolução total.
Eu sou o rio, tu és o peixe prateado que nada no meu seio de águas límpidas, fluindo com a corrente.
Eu sou a árvore, tu és o vento que agita os seus ramos provocando um balanço sem a arrancar do chão.
Eu sou a lenha, tu és o fogo que me queima sem ferir, buscando a purificação nas chamas alaranjadas.

O contacto com os outros faz-se de acordo com os elementos em acção e o resultado corresponde a uma combinação que será tanto ou mais perfeita quanto maior for a entrega dos intervenientes, respondendo aos impulsos mais profundos e confiando na entrega.
Mergulharmos na dor ou banharmo-nos na alegria é sentir a Vida em todos os aspectos, na certeza de que sairemos reforçados e livres, enfrentando todos os desafios com plena consciência da capacidade de seguir pela senda que escolhemos, com determinação e segurança. Tocar os outros, deixando que os movimentos se desencadeiem, sem expectativas nem restrições, é uma experiência emocionante pois leva-nos à aventura e a grandes descobertas. Estamos sós, mas não sozinhos! Podemos acreditar que a solidariedade é uma circunstância onde tudo pode acontecer: os que têm dão aos que precisam, sem provocar desfalques. O princípio dos vasos comunicantes ao mais alto nível.
Coisas extraordinárias podem acontecer e, de facto acontecem. Por mim falo... Para começar, chegar a este mundo e “calhar” numa Família fantástica que me deu a estrutura básica para que a minha caminhada pela Vida fosse feita com consciência e determinação, é já uma coisa extraordinária que priveligio constantemente. Sem estas fundações não me tinha sido possível experienciar o que experienciei e continuo a experienciar. Vivi estas aventuras que vos tenho relatado com a confiança que o apoio me permite ter. Avancei sempre para o que se apresentava, com a certeza de que aquele era o Caminho certo e nem sequer me passou pela cabeça que havia riscos a correr. Alguma inocência?... Olhando para trás, acho que havia uma segurança que não posso explicar, mas que advém da sensação da inevitabilidade da acção. Faça agora, pense depois...? Não é bem assim... Só que o que, às vezes, me vem ao pensamento é demasiado forte e persistente para ignorar os sinais!!! Não me atiro de cabeça para as coisas, no entanto, quando sei que sei, não há raios nem coriscos que me demovam e, a verdade é que quando tenho mesmo de fazer alguma coisa, as ajudas aparecem ou, então, são os outros que se transformam em mensageiros ou estimuladores das iniciativas. Estou muito sossegadinha no meu canto, a fazer o que tenho para fazer, eis senão quando me desafiam... e lá vou eu...
Coisas extraordinárias têm acontecido na minha vida porque pessoas extraordinárias me têm tocado irremediavelmente: a minha Família de origem, aquela que me “aconteceu”, biológica e afectivamente, os Amigos de longa data e a Família espiritual que foi crescendo sem eu dar por isso, se manifesta a cada instante e cresce como “Deus” manda porque, verdadeiramente, a partir de certa altura me “conformei” com esse destino. Quanto digo “conformei”, quer dizer que passei a aceitar esse privilégio e essa responsabilidade que o meu Guia me encomendou há alguns anos atrás e à qual resisti por não me achar capaz e digna. Foi um caminhar lento e difícil que vai dando os seus frutos. Hoje formamos um Grupo de Almas que tem como missão a Cura, seja ela por acções, palavras ou gestos; respeitamos a individualidade de todos e cada um, vamos aprendendo o que temos de aprender para que a nossa Luz não se apague nunca e tomando nas nossas mãos o papel a desempenhar, com toda a humildade. Coisas extraordinárias que se sentem e se assumem com algum orgulho pois são resultado de muito trabalho, muita paciência e muita esperança, mesmo quando o ânimo falta.
Aqueles que comigo convivem neste Blog sem pretensões, também podem considerar este contacto que a blogosfera permite, extraordinário. Bem hajam por Serem e Estarem aqui comigo através deste desfiar e emoções.
Fiquem bem!

domingo, setembro 10, 2006

SUBIR A MONTANHA E OLHAR O MUNDO

Quando nos propomos iniciar um Caminho, fazemos os nossos planos e colocamo-nos um objectivo a alcançar. De acordo com esse objectivo preparamo-nos para o atingir, pensando, com optimismo, que nada pode falhar pois nada nos falta. Ao pretendermos viajar temos, à partida, conhecimento do destino pretendido e só precisamos de arranjar um meio de transporte ideal e acessível, marcar a data, fazer as malas e partir na hora aprazada.
Embarcamos, confiantes e seguros. O tempo de viagem depende da distância que nos separa do ponto de chegada. Pelo caminho vamos saboreando, apreciando, a paisagem e as pessoas que connosco viajam ou connosco se cruzam. As peripécias e experiências que vão sucedendo serão importantes, ou talvez não. O que importa verdadeiramente é chegar, por isso, é necessário não parar demasiado tempo nos lugares de passagem e não perder o “Norte” tomando a direcção errada. No entanto, creio que essa perda de direcção é momentânea e voltaremos a tomar a direcção certa, o caminho inicialmente proposto. No Yoga também é assim.
Começar a praticar Yoga é como iniciar uma escalada. Olhamos o cume da Montanha que se avista por detrás das nuvens que passam, fazendo-nos sonhar com a facilidade de o alcançar. Consciente ou inconscientemente reunimos os necessários apetrechos: inscrição num Centro de Yoga, promessas de autodisciplina e trabalho, humildade que baste, leituras suficientes, assistência atenta a palestras, cursos, etc. O nosso coração palpita com a certeza de que em breve poderemos olhar o mundo lá do alto.
Os primeiros passos são dados com energia e determinação. Sentimo-nos bem, tão bem que nos apetece gritar aos quatro ventos: “Olhem que bem que eu me sinto! Venham comigo e ficarão assim também!...” A primeira desilusão! Os que gostaríamos de ver a caminhar ao nosso lado nem sequer nos ouvem ou sorriem benevolentes “Aquilo passa-lhe...” Da euforia se passa à depressão, ao desânimo. Se é bom para mim porque é que os outros não gostam ou nem sequer querem experimentar?... No entanto é bom sonhar que um dia a experiência nos dará a Sabedoria necessária para que as palavras e os pensamentos sejam aquela luz que ilumina os nossos passos e as nossas acções e leve cada vez mais gente a ampliar a consciência e a sentir o apelo para chegar ao cimo da montanha em boa companhia.

Como é bom estar numa nuvem, envolta pela brancura e pela leveza de uma energia que se desloca ao sabor do vento, reflectindo a Luz do Sol.
De repente, passo a ser nuvem... Como é bom ser nuvem e pairar lá no alto, leve e livre!!! Por fim...
Desço à Terra e junto-me ao Grupo de Trabalho, no “Satsanga”.
O Sol enche a sala com o seu brilho, e aquele esplendor permanecerá para sempre na vida dos que ali estavam. As portas foram-se abrindo, uma a uma, e a Luz tocou-nos a todos, profunda e irremediavelmente. Fluímos, então, ao sabor de uma suave brisa, como flores exalando um perfume delicado que ficou a pairar no ar.
Descobrimos que o Amor se pode expressar de muitas maneiras para podermos saciar a nossa sede de Saber e viver em plenitude. Um estado de graça reservado aos eleitos, longe das sombras onde o Sol não penetra, perto da Essência que se reflecte, também, na aparência. Os olhos a brilharem, um sorriso a iluminar os rostos. No silêncio, podia-se ouvir o pulsar dos corações, palpitando ao ritmo do Universo que se experimentava ali.
A surpresa que estas vivências proporcionam são um fascínio que se manifesta na certeza de que vale a pena encarar a Vida de peito feito e alma leve, sem hesitações e com a determinação dos heróis que se dão integralmente. Isto é Amor, isto é Liberdade!
Fiquem bem!

segunda-feira, setembro 04, 2006

CONSCIÊNCIA


¨ Quando a consciência governa a fala, com a fala podemos dizer todas as palavras.

¨ Quando a consciência governa a respiração, com a inspiração podemos cheirar todos os perfumes.

¨ Quando a consciência governa a audição, com os ouvidos podemos ouvir todos os sons.

¨ Quando a consciência governa a língua, com a língua podemos saborear todos os gostos.

¨ Quando a consciência governa a mente, com a mente podemos pensar todos os pensamentos.

¨ Não é o discurso que deveríamos querer conhecer, mas quem discursou.

¨ Não são as coisas que foram vistas que deveríamos querer conhecer, mas quem as viu.

¨ Não são os sons que deveríamos querer conhecer, mas quem os ouviu.

¨ Não são os pensamentos que deveríamos querer conhecer, mas quem pensou.

Kaushitaki Upanishad