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domingo, janeiro 27, 2008

A SAGA CONTINUA

As mil e uma Vidas que vos prometi contar, seguem agora com a minha ida para Moçambique onde pretendia passar uma temporada com o meu marido que, nessa altura, estava embarcado numa fragata. Como pensava ter uma estadia relativamente curta, agarrei em dois dos meus filhos (o 2º e a 4ª, ainda bebé) e meti-me num navio de passageiros que era a única maneira de conseguir lá chegar sem despender muito dinheiro que, como sabem, não abundava. A viagem durou cerca de 20 dias e, quando atracamos na, então chamada, cidade de Lourenço Marques, tivemos a notícia de que a guerra tinha rebentado também naquela terra longínqua. Passava-se isto em 1964, três anos depois do mesmo ter sucedido em Angola. Não fiquei muito assustada pois informaram-nos de que os problemas se passavam no norte. Outra novidade que fui encontrar, tem a ver com o facto do meu marido me dizer que iríamos ficar numa casa que ele havia alugado pois a ideia de irmos para uma Residencial com duas crianças não lhe parecia cómodo nem agradável. Habituada como estava a adaptar-me a todas as circunstâncias, não tugi nem mugi... E lá nos instalámos num 3º andar com meia dúzia de tarecos que uns primos meus nos emprestaram. Meia dúzia, se calhar, até é contar por cima, porque o que tínhamos era: uma cama, um colchão, uma cama de campanha onde o meu filho dormia, um parque que servia de cama à pequenina, uma mesa quadrada e um sofá que vieram do consultório do Pai da minha prima, um pequeno fogão (não me lembro se era a gás ou a petróleo) e um frigorifico que não funcionava e que, por essa razão, passou a servir de armário de cozinha. Pratos, talheres, panelas e restante enxoval, tivemos nós de comprar. Como podem ver o palácio não dava para dar nas vistas nem aparecer nas revistas cor-de-rosa!
A estadia era para ser só de dois meses, o tempo em que o navio patrulha permanecia na cidade, mas acabámos por ir ficando com a perspectiva do meu marido conseguir passar para terra e podermos mandar vir o resto da família que tinha ficado com s meus Pais em Lisboa. Consegui manter um certo espírito guerreiro com a ajuda dos primos que conheci e com quem nos demos muito bem. Se lhes disser que quando ficava sozinha com as crianças, tinha medo, não se admirem. Acho que foi aí que o meu sistema nervoso começou a abalar... No entanto, posso dizer que passámos também um bom tempo, tirando partido da convivência com outras famílias que estavam em circunstâncias semelhantes. Não sou uma pessoa muito social, mas a vida em África a ela nos obriga, pelo clima e as facilidades aí encontradas.
A passagem para um posto em terra, permitiu-nos reunir a família. A minha sogra fez-nos o favor de se meter no navio com os meus outros filhos e lá nos reunimos todos uma vez mais. Ela ainda nos fez companhia durante uns meses até que achou que o seu lugar era em Lisboa.
O tempo que passámos a seguir, foi um tempo mais confortável, mais normal, mas isso vos contarei no próximo encontro aqui.
Fiquem bem!

segunda-feira, janeiro 14, 2008

PRIVILÉGIO






A semana passada, para além de ter andado muito ocupada e de ter tido uma inflamação na garganta que me cansou demais, tive o privilégio de viver uma experiência única e inesperada que me fez esquecer estas pequenas fragilidades.
Estava muito sossegada no meu canto, quando recebo uma mensagem escrita da minha Amiga Aldina Duarte a participar que tinha a matriz do seu próximo disco e que gostaria muito que eu o ouvisse em primeira-mão. Claro que não hesitei em aceitar tão gentil convite e passámos a tarde juntas, atentas e deliciadas com o momento. O disco, de seu nome “Mulheres ao Espelho”, é fantástico e vem confirmar aquilo que eu sinto em relação à sua forma de cantar, ou seja a Aldina Duarte é a Juliette Gréco do fado! As letras, na maioria suas, são espectaculares e o acompanhamento dos músicos é excepcional, como sempre. Espero que se consiga a sua rápida edição pois é uma mais valia para a música portuguesa e, particularmente, para o fado na sua essência. A Aldina Duarte tem feito uma evolução como artista e como pessoa que faz com que me orgulhe de a ter como Amiga e companheira e, aqui e agora, publicamente lhe agradeço a atenção da dedicatória que me vai fazer e da alegria que me proporcionou. Desejo ardentemente que alguém tenha ouvidos para ouvir e olhos para ver a qualidade deste trabalho. Pessoalmente, não esqueço o último concerto na Culturgest e anseio pelo próximo, com estas música que me foram dadas ouvir no dia 08.01.08, aqui no espaço onde trabalho, medito, descanso e converso com os meus Deuses.
OBRIGADA Aldina, por seres e estares connosco!
Um abraço. Fiquem bem!

segunda-feira, janeiro 07, 2008

MIL E UMA VIDAS III



Acabadas que foram as festas, retomo o fio à meada para vos contar um pouco das minhas numerosas Vidas, que têm sido a minha grande fonte de aprendizagem e desenvolvimento pessoal e espiritual, pois tive de me adaptar a várias circunstâncias e a vários acontecimentos que me obrigaram a crescer muito para além da própria idade.
Quando nasceu o nosso terceiro filho, já na nova casa, tivemos a alegria de receber nos braços uma linda menina de olhos azuis que encantou quantos a receberam. Nesse tempo não havia ecografias, por isso, a surpresa foi grande. Tinha tido dois rapazes, daí pensarem que o terceiro também seria do género masculino! Entretanto, acontecimentos familiares, não muito agradáveis, obrigaram-nos a procurar nova casa!!! Não foi fácil porque, com três filhos e pouco dinheiro, as casas em Lisboa já muito caras e não haver as facilidades de empréstimos como há agora. Acabámos por ir parar aos Olivais Sul que, nessa altura, começava a desenvolver-se e era considerado um bairro social misto, portanto mais acessível a certas bolsas. Desembarcámos numa zona que se considerava quase fora de Lisboa, os transportes não abundavam e nós nem sequer tínhamos carro. O telefone demorou bastante tempo a lá chegar. Tempos bem diferentes dos de hoje…
Com três crianças bem pequenas e mais uma que já nasceu nesta casa, a vida processava-se com um ritmo quase campestre e de muito trabalho. Sempre que podia, levava as crianças para os montes em frente à casa e por lá ficava debaixo das oliveiras a entreter os miúdos. De vez em quando ia a Lisboa a casa dos meus Pais que sempre foram o meu grande apoio.
Entretanto, o meu marido teve como destino embarcar para Moçambique e lá fiquei eu sozinha à espera do 4º filho, outra rapariga, mas de olhos castanhos. Nasceu um mês depois do Pai partir e só o veio a conhecer com sete meses, ou seja, o meu marido só acompanhou o nascimento de dois dos filhos!!! Olhando para trás, tenho de reconhecer que não deve ter sido nada fácil para uma miúda, como eu era (quando nasceu o 4º filho só tinha 24 anos), viver estas experiências a nível emocional, apesar de todo o apoio familiar que nunca me faltou. Hoje em dia, quando contacto com raparigas desta idade, percebo quão imatura devia ser e, talvez por isso, o meu sistema nervoso tenha sido bastante afectado até ao ponto de um esgotamento. No entanto, dou graças a Deus por ter proporcionado aos meus filhos um crescimento envolto em ambiente familiar, cimentando uma união que tem servido para ultrapassarmos todos os obstáculos que a Vida nos apresenta e, creiam, que não foram e não têm sido poucos.
Até breve. A saga continua…
Fiquem bem!

quinta-feira, janeiro 03, 2008

FELIZ 2008





Caros Amigos(as),

Num tempo em que a a consciência nos leva a perdoar, a esquecer e a pôr toda a energia captada na ideia de que o que, realmente, conta é o Amor Incondicional para que alcancemos a verdadeira Paz, nada mais é preciso para entrarmos no novo ano com alegria.
Caminhemos, pois, com a esperança em alta e a força que nos dá sabermos que estamos sós, mas não sózinhos.
A todos quantos me acompanharam nesta senda, durante o ano que finda, BEM HAJAM!!!

Um grande a fraterno abraço,


OM SHANTI OM