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segunda-feira, março 09, 2009

DIÁLOGO INTERIOR


Registo de um diálogo com o meu Guia S. Pedro, durante um Retiro na Quinta das Murtas em S. Pedro de Sintra, corria o ano 2002. Partilho convosco este momento que recordo com a alegria de ter podido viver experiências tão transcendentes quanto praseirosas:

“S. Pedro, figura austera e amorosa, presente na minha vida há longos anos, representa o meu EU autoritário e consciente que promove o encontro das Almas. Eu, Maria Emília, nasci no momento em que S. Pedro me propôs que conduzisse um grupo de Almas destinado a promover a verdadeira Paz, sem bandeiras, nem armas. Até então, era eu, mulher e mãe, criada numa família tradicional e, no entanto, revolucionária nos seus comportamentos e atitudes. Estruturalmente bem-educada, respeitadora da ética e com um apoio a toda a prova, cresci sem preconceitos, disponível para amar incondicionalmente, apesar dos apegos afectivos inerentes à condição humana. Amo a minha família natural, considerando essa oportunidade de amar um privilégio e uma recompensa, para além de alimento de corpo e a alma.
S. Pedro achou-me com as condições ideais para o trabalho que aceitei, por fim, fazer. Não foi fácil tomar nas mãos tal missão, pois me parecia não estar ao meu alcance. Quando me “convidou”, custou-me dizer-lhe que sim. Depois de alguma insistência, e com a promessa das ajudas necessárias, acedi a arregaçar as mangas e deitar mãos à obra. Ainda me lembro como se fosse hoje! Estava sentada, lá em cima numa nuvem em profunda meditação, quando S. Pedro me apareceu com a sua túnica branca, sandálias nos pés e barbas a tocar o peito. Pôs-me a mão na cabeça e disse: “Há um Grupo de Almas que te espera para que as acompanhes na caminhada pela Vida, para que essa Vida seja cheia, enriquecida com as experiências pessoais para serem partilhadas integralmente”. Ao que eu, surpreendida, respondi: “Eu? Não sou capaz de tomar tal responsabilidade! É muito trabalho e, além disso, tenho a minha própria família que me dá que fazer suficiente…” S. Pedro insistiu: “Eu sei, mas é essa a tua missão, não podes fugir. A tua família seguir-te-á, confiando na tua sabedoria e, os que te esperam, têm no seu seio enviados nossos que te ajudarão nos momentos mais duros e quando o desânimo apertar. Não te preocupes pois estarei sempre contigo, pronto para responder aos teus apelos e satisfazer as tuas necessidades mais prementes.” Suspirei conformada e, ainda um pouco renitente respondi: Está bem, vou tentar e logo vejo o que posso fazer!”
Foi assim que desci ao mundo e, na minha ingenuidade e alguma incredulidade quanto às capacidades inatas, avancei vida fora, fazendo sempre aquilo que tinha de fazer, sem questionar os objectivos e os resultados. Desbravei matas, aplainei terrenos rochosos, subi montanhas, descobri grutas misteriosas, mergulhei em mares revoltos e frios e, no silêncio das águas mais profundas, encontrei arcas prenhas de sabedoria, quais pérolas que fui enfiando num colar que brilha no meu colo, deixando transparecer o gozo que, apesar de tudo, esta missão me dá. A dureza das pérolas é o símbolo da minha resistência e a prova de que tem valido a pena caminhar e descobrir a riqueza que se encontra em cada Ser que, deste Grupo de Almas, se aproxima. As penas enfeitam um chapéu imaginário, lembranças “esquecidas”, guardadas na memória à espera de regeneração.
Vai longe o dia em que S. Pedro poisou a sua mão na minha infantil cabeça. Desde então cresci sem pressa, passo a passo. O Grupo de Almas que me “calhou”, arrastou-me por montes e vales, sem me deixar olhar para trás um só instante. As dificuldades encontradas em cada etapa foram ultrapassadas com as ajudas prontas e generosas do Anjos que me acompanham. Sem eles não teria conseguido chegar até aqui, com a certeza de quanto caminho ainda falta percorrer! Muitas graças me foram concedidas e, por elas, luto por merecer tais dons. O meu EU pequenino e incrédulo continua a subsistir, talvez um pouco mais recatado, espreitando de quando em vez para me surpreender com novos desafios.
Neste recanto da Quinta das Murtas, em S. Pedro de Sintra, saboreio o silêncio dos sons da natureza que me rodeia. Oiço o canto dos pássaros que celebram a Primavera, deslumbro-me com uma rosa, baloiçando ao vento, enquanto a água corre na fonte, seguindo o caminho que a leva ao lago onde as algas purificadoras flutuam. Lá em cima, na casa que nos acolhe neste dias, trabalha-se com afinco e alegria. Os meus Anjos cumprem o seu papel, levando pela mão os futuros Guerreiros da Paz. Estamos aqui pelo puro prazer de trabalhar à descoberta do que somos, retirando os véus da ignorância e dançando ao ritmo da música celestial que nos embala carinhosamente. Gozemos o privilégio dos escolhidos e sejamos merecedores da missão transcendente, mas não transcendental que nos cabe, continuando a ser crianças na inocência e na alegria da descoberta. Cresçamos juntos com a certeza de nunca estarmos sós, mesmo quando viajamos por outros tempos e outros espaços. S. Pedro agradece, eu agradeço! Está tudo certo, não está?”
Fiquem bem

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