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domingo, maio 24, 2009

HOMENAGEM


Chegamos ao Mundo a partir do NADA. Crescemos em todos os sentidos, ansiando por voltar ao NADA.”

Esta semana, duas amigas minhas, perderam os seus companheiros de longa data e não podia deixar de as homenagear em mais esta difícil etapa. Ambas são pessoas dedicadas e fiéis aos seus ideais, tendo dado o seu amor, a sua devoção a quem partilhou consigo alegrias e tristezas ao longo da vida em comum. Nos tempos que correm, é de assinalar comportamentos excepcionais e grandeza de sentimentos a toda a prova. Chegamos ao mundo a partir do nada e temos de viver com essa consciência para que possamos regressar ao nada e descansar na Essência.
Ao prestar aqui a minha homenagem, manifesto publicamente a grande amizade que me une a elas. Partilhámos tanta coisa, vivemos perto e longe sem nunca, verdadeiramente, nos separarmos. Amizade é, para mim, a manifestação sublime do amor incondicional, aquele Amor que não se explica, apenas se sente em cada acção e cada palavra. O corpo regista emoções, afectos e reproduz a cada passo as memórias nele impressas. O tempo não conta neste processo porque tudo acontece ao mesmo tempo. Somos e estamos com quem vibra na nossa frequência sem que haja uma razão.
A homenagem que presto a estas duas mulheres é modesta mas sincera. Estou certa que vencerão mais este obstáculo pois sei que acreditam não serem só um corpo, nem tão pouco a mente! As Almas seguem o seu curso, deixando o rasto dos pensamentos e das obras que a Vida lhe permitiu e que o livre arbítrio lhes proporcionou.
A todos quantos já viveram perdas significativas e, apesar disso, seguiram em frente com a coragem de sempre, deixo o meu fraterno abraço, desejando que...
Fiquem bem!


Nota: Texto escrito no dia em que o meu Pai faria anos... Coincidência?...

sexta-feira, maio 15, 2009

MUDANÇAS

Acácias


Agapantos



Há quase 26 anos que faço o mesmo trajecto de manhã para vir trabalhar. Vou observando o caminho e o que me rodeia, ao mesmo tempo que oiço música. Quando estou a chegar à Praça do Marquês de Pombal, avisto à direita o Parque Eduardo VII. Nos primeiros tempos, na Primavera, deliciava-me com as flores lilases e brancas que rodeavam a praça e, mais bonito ainda, as acácias floridas que enchiam de cor o Parque.
Infelizmente, tenho vindo a constatar que as flores da praça foram substituídas por rosas. Nada a reclamar, a não ser que as anteriores combinavam perfeitamente com as árvores que pintavam de índigo os verdes circundantes.
É com grande tristeza que tenho vindo a assistir à gradual degradação desta paisagem citadina, à medida que as pobres acácias vão sendo consumidas pela poluição dos carros, para além do seu envelhecimento natural. A mancha azul está a desaparecer a pouco e pouco! Acontece o mesmo às árvores que enfeitavam a rua mais acima, por onde também passo. Há mudanças que custam e para as quais não vemos solução. Eu confesso que contribuo, igualmente, para a poluição, visto que venho de carro. Isso acontece porque - com muita pena minha – não tenho transporte fácil de casa. Aliás, o grande problema desta cidade é não haver bons transportes e não vejo jeito de acontecer essa mudança…
No entanto, considero-me privilegiada por ter um belo jardim à frente da janela onde me encontro agora a escrever e, onde moro, há relva e árvores, embora estas já não se encham de flores como antigamente. São ameixoeiras de jardim que davam umas ameixas muito azedas, mas que faziam as delícias dos miúdos que passavam por ali a caminho da escola. Não há como comer directamente da fonte… As crianças, também, já não passam por ali, visto que a entrada da escola mudou.
Temos de ir fluindo com as mudanças, sejam elas quais forem, e tirar partido do que se nos oferece ainda. A evolução é um processo imparável, constituindo um desafio permanente à nossa imaginação, criatividade e recomendada consciência ecológica.
Bom fim-de-semana. Fiquem bem!

quarta-feira, maio 06, 2009

RELATIVIDADE


“Os anos passam, mas o tempo fica. O que é o tempo afinal? Sabemos que há horas, minutos e segundos e, no entanto, não lhe conseguimos tomar a medida. O tempo, umas vezes, passa devagar, outras vezes, corre veloz atrás das sombras que nos perseguem a cada passo, é engraçado o tempo…”

In “Caminho da Sabedoria” de Maria Emília (editorial, “Angelorum Novalis”)

Como devem calcular, estou sempre a receber, via internet, aquilo a que chamo “postais”, que nos trazem belas imagens e palavras sábias que nunca são demais, para além de algumas informações úteis ou alguns ditos jocosos. Algumas coisas, pelo seu interesse, guardo para utilização futura, outras são de passagem rápida. Uma das que, recentemente, chamou a minha atenção, foi um”Site” que permitia calcular a nossa idade nos diversos planetas, Terra inclusive. Puro divertimento, mas que me deu para pensar na relatividade das situações. Assim, posso escolher viajar até Marte onde a minha idade é 37 anos se, por ventura, essa época tiver sido agradável recordar. Nessa altura estava a mergulhar em força na prática e divulgação do Yoga. Não sendo saudosista, é bom reviver os bons momentos que o pioneirismo me/nos proporcionou. Se tiver curiosidade, experimentarei ir até Júpiter que me dá 5,8 anos de idade… Nesse tempo estava ainda a viver em Angola, onde nasci e vivi até perto dos 10. Tanto quando me recordo, também foi uma boa fase da minha vida. Se apontar como destino Saturno, ainda regrido mais, pois nesse planeta teria 2,36 anos!!! Penso que tenha sido uma idade sem preocupações e de muita atenção por parte dos meus pais.
Além de não ser saudosista, considero o futuro apenas provável e não me atrai, minimamente, saber o que me vai acontecer daqui a alguns anos. Mas, se me der na gana, poderei dar um salto até Vénus para ver como seria ter 113,4 anos, onde não espero chegar aqui na Terra… Razão tinha Einstein! Não vale mesmo a pena tanta preocupação com o tempo que temos ou não temos. Mentalmente, podemos sempre viajar para trás e para a frente mas, no fim, o que importa é o momento. Hoje está um belo dia de Primavera e apetece-me saborear o calor do Sol, sentir na pele os cheiros das flores e ouvir o canto dos pássaros que alegram a cidade com saudade dos campos. Deste modo, gozo os meus 69,7 anos neste nosso lindo e mal amado planeta.
É engraçado o tempo… Relatividade a toda a prova.
Fiquem bem!