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sexta-feira, setembro 07, 2012

RELAÇÕES


Vivemos em grupo, seja familiar, social ou religioso e o contacto que estabelecemos com cada membro, directa ou indirectamente, permite-nos uma comunicação que pode resultar em atracção ou repulsa. Vamos respondendo aos sinais que nos apontam o caminho a seguir. Quando falamos, olhando o outro nos olhos, o contacto é intenso, podendo desencadear desconforto ou mesmo medo. Se, pelo contrário, o nosso olhar provocar um sorriso podemos estar certos de que a comunicação estabelecida é favorável.
As sensações acordadas em nós pela reacção alheia, orientar-nos-ão no sentido adequado. As rejeições mais violentas são sentidas como uma necessidade de actuar de alguma maneira. Todo o corpo se agita e se prepara para a luta ou para a fuga. Quando a sintonia acontece a reacção principal é de conforto ou mesmo prazer. O corpo relaxa, abandona-se ao contacto, numa entrega total. Neste caso, a receptividade é uma constante e a comunicação dá-se nos dois sentidos, emissor e receptor na mesma onda, contruindo um diálogo e uma acção produtiva. Os instintos adormecidos reservam toda a energia para o objectivo que se apresentar.
A luta e a fuga são ferramentas extremamente eficazes desde que se usem na medida e ocasião próprias. Muitas pessoas não respeitam os sinais e confundem-nos, crendo que o uso da razão se deve sobrepor a tudo. A razão funciona, ela mesma, como instrumento de acção imediata, mas é apenas o braço que serve a intuição. Se estivermos atentos aos sinais, receberemos as mensagens e as propostas para actuar e servimo-nos então da razão para pôr em prática as ideias formuladas no pensamento.
O contacto com os outros é o espelho ideal, pois essas relações proporcionam um despertar da consciência. Quantas vezes ouvimos de alguém a palavra que faltava ao nosso discurso? Quantas vezes nos apercebemos de que a nossa conduta não estava de acordo com os princípios solidários, só porque houve uma reacção de desagrado da parte de quem connosco convive? E que dizer das companhias que atraímos? Não serão elas o reflexo do nosso estado de espírito? Diz-me com quem andas…
Os sinais não têm nada de misterioso. Aparecem sob várias formas, muitas vezes evidentes, e manifestam-se abertamente. O corpo agita-se ou acalma-se, de acordo com as provocações externas; muito para além da aparência estão aquelas manifestações de carácter vibratório que só escaparão aos menos atentos. A unidade que somos está, certamente, no TODO, como elos que somos de uma cadeia, sofremos influências que regem a nossa existência com um critério que, às vezes, e em parte, nos transcende, e ao qual chamamos destino ou obra de Deus.

Todo o mundo, toda a vida é um vasto sistema de inconsciências, operando através de consciências individuais. Assim como dois gases, passando por eles, uma corrente eléctrica, se faz líquido, também com duas consciências – a do ser concreto e a do ser abstracto – se faz, passando por elas a vida e o mundo, uma consciência superior”.

Fernando Pessoa in “O Livro do Desassossego”





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