ESTRANHA FORMA DE VIDA

 

ESTRANHA FORMA DE VIDA

Quando acordo a pensar na vida, vêm-me à cabeça muitas memórias e uma consciência da etapa em que me encontro, o que me permite fazer uma revisão da matéria, ao mesmo tempo que tento analisar o conjunto de circunstâncias das diferentes circunstâncias da minha vida. Posso dizer que a comecei por nascer em África, propriamente em Angola, onde vivi até aos dez anos. Feita a quarta classe e exame de admissão ao liceu, que era assim que funcionava, e para esse dito exame, tivemos de percorrer mais de mil quilómetros, a distância entre a Companhia de Diamantes, onde vivíamos e Malange. O problema que se pôs, a partir daí, era onde, eu e os meus irmãos, poderíamos prosseguir os estudos, visto que não era possível no local de residência, sendo uma das alternativas irmos para um colégio internos em Sá da Bandeira, onde a minha irmã mais velha tinha estado, ou ir para a chamada metrópole, Portugal. Tanto quanto me lembro, essa ideia dava-me pesadelos, pois sabia quanto a minha irmã lá tinha sofrido! Foi então decidido que o melhor era irmos para Lisboa, e foi o que aconteceu. Vimo-nos transportados para lá, infelizmente com o meu pai a ter de voltar ao trabalho, depois das férias, com a nossa vida a funcionar com a presença da minha mãe. A adaptação não foi fácil, habituada como estava à liberdade e a outro tipo de cultura social. Estranhava muito as cerimónias e os comportamentos reservados a que não estava habituada! Em África era tudo mais leve…

Estudámos no Colégio Académico, tendo terminado no quinto ano, com o meu irmão numa escola própria para a idade dele, tendo, mais tarde, acabado por ir para o Colégio Militar, cena que não foi das mais agradáveis, embora reconhecendo a mais valia daquela instituição.

Quando a minha irmã terminou o curso de secretariado, os nossos pais acharam por bem que fossemos estudar inglês para Inglaterra, onde permanecemos durante um ano lectivo. Lá fizemos amizades com alguns estudantes portugueses, tomando contacto com uma civilização bem diferente da que estávamos habituadas, com uma liberdade de que, na nossa terra não usufruíamos. Durante a permanência tivemos ocasião de arranjar uns trabalhinhos, fora do horário das aulas, para as nossas pequenas leviandades. Um tempo de grande aprendizagem, que valorizo especialmente.

Acabado esse tempo, comecei a ter de crescer, deixando a adolescência para trás, começando a trabalhar, servindo-me dos meus conhecimentos da língua inglesa, até me casar ainda muito novinha, com a vida a seguir o seu rumo, com as suas respectivas aventuras e experiências várias.

Estranha forma de vida, mas a valer por tudo quanto fui aprendendo e a conhecer um pouco mais do mundo…


                                           


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