ÀS VEZES...
ÀS VEZES…
Às vezes
é bom rever escritos antigos, onde ficou registrado, o sentir daquele momento,
e em que se pode constatar a importância das experiências vividas no processo
de desenvolvimento em curso. A expressão dos “sentires” aí expressos, definem o
ponto em que me encontrava, como ser que despertava para a espiritualidade, com
o encontro com a filosofia do yoga. Esta prática entrou na minha vida
casualmente, conhecimento feito, primeiro através da minha mãe, uma das mais
antigas a experimentá-la, bem como uma amiga. À partida, não me despertou
grande curiosidade, pois estava demasiado ocupada com a organização familiar e,
além disso, praticava ginástica de manutenção. Curiosamente, foi esta situação
que me levou ao encontro com o yoga, pois comecei a ter vontade de procurar
outra forma de mexer o corpo, sem ficar com dores musculares! Fui-me,
entretanto, ocupando-me das tarefas caseiras, e a voltar a estudar inglês no
instituto britânico, de que gostava bastante. Naquela época os meus filhos já
eram suficientemente independentes para me poder dedicar a outros interesses.
Num encontro com a minha amiga, recém-chegada da América, onde tinha estado com
o marido, falou-me então da sua experiência de yoga, uma novidade à altura. Que
era muito agradável, pois se trabalha o corpo, mas sem cansaço nem dores. O seu
entusiasmo levou a que me tivesse decidido experimentar também, no Ginásio
Clube Português, com a professora Maria Helena Freitas Branco. Uma ocasião que
havia de dar volta à minha vida, uma vivência inesquecível, pois o que senti
nessa vivência, é difícil de explicar, mas a marcar-me definitivamente.
À medida
que me fui inserindo naquela prática senti-me a ser impregnada no do meu
próprio ser, assim como uma semente a germinar, crescendo num terreno que
estava, naturalmente, preparado. Começava a descobrir que, afinal, toda a
vida tinha sido yogui, e o que sou, não posso ser senão EU! O
caminho ali iniciado, não foi fácil, pois à medida que avançava nesta nova
experiência de vida, comecei a ficar sujeita a algumas atitudes de
incompreensão, dos que me rodeavam, o que me deixava triste, acreditando, no
entanto, ser isso fruto da novidade deste estilo de comportamento, que escapava
ao conceito duma sociedade sujeita a reservas de vária ordem. Já não falávamos
a mesma língua… É preciso dizer que tudo isto se passou no princípio de
1974. A nossa mestra até nos pedia, que não mencionassemos a palavra
espírito, pois o espiritismo foi proibido até ao 25 de Abril. O yoga era, pois,
considerado um mero exercício, não uma filosofia ligada à espiritualidade. O
importante é, que eu tinha encontrado algo, que sabia que iria me colocar na
posição certa, mesmo no meio em que me encontrava inserida, sem qualquer
dúvida!
Este
“bichinho” foi crescendo até o dia em que a nossa mestra nos pediu para a
substituir numa sessão em que ela não se encontrava disponível. Admiradas, com
a proposta, mas cheias de vontade de colaborar, lá nos preparámos, sabe Deus
como, e no dia aprazado, nos colocamos em frente duma sala cheia de gente. Não
posso precisar os pormenores de como correu a experiência, mas sei que, o que
fizemos não foi mal de todo, apesar de termos despachado, (é mesmo esse o
termo), o que havíamos preparado, em menos de 20 minutos!... A sensação de
dever cumprido ainda persiste em mim. É preciso dizer que, também, não nos
desmanchamos, e lá fomos “inventando” o suficiente para perfazer o tempo
estabelecido. Só quem já passou por experiência semelhante, pode perceber quanto custam
a passar 45 minutos!
A verdade, é que as pessoas, apesar da surpresa, gostaram
mesmo e, o “bichinho” cresceu mais um pouco, com o prazer de transmitir aos
outros aquilo que a nós sabia tão bem… Muito do que, e se seguiu,
continua a fazer parte do meu ser e do meu estar partilhando as experiências, e
sabendo como é bom estar só, mas não sozinha, neste mundo que tanto
precisa de gente como os que fazem parte deste maravilhoso grupo de almas.
Grata pelo privilégio e pelas bênçãos usufruídas.
OM SHANTI OM


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