RETROSPECTIVA

 



RETROSPECTIVA

Como é próprio de quem tem mais tempo livre, e muitas memórias, registadas em papel, com a possibilidade de as rever, encontradas algures, acordam-se emoções válidas e agradáveis. Falar disto, não é um sentimento saudosista, mas reviver momentos do processo de desenvolvimento, dentro do campo em que a divulgação do yoga teve um papel muito importante, pois sabíamos como era fundamental aprender mais, garantindo segurança, nos primórdios desta aventura de partilhar conhecimentos e experiências, que tanto nos proporcionavam momentos tão felizes! É de salientar que a amiga que me apresentou o yoga, começou também a dar aulas, por isso embarcámos nesta aventura juntas, e já tendo começado a fazer formações, em Inglaterra, a partir de 1977, onde começámos a ter mais consciência do que nos esperava em termos de praticantes.

Uma das primeiras oportunidades de entrar em contacto com quem estava capacitado, para nos mostrar o valor da própria experiência de ensino, foi procurar quem nos pudesse ajudar. Como em Portugal ainda não havia nenhuma escola (1979), fomos até Espanha - Valência - para participar num retiro com professores, organização da Associação Espanhola de Praticantes de Yoga, de Barcelona, com Jaume Chalamanch, Ramon Casés e Monserrate, de diferentes escolas. Era possível escolher com quem queríamos trabalhar, e eu senti-me atraída para o Jaume, com quem estabeleci uma imediata ligação, tenho sido muito importante esse contacto, também, em termos emocionais, pois, quando o yoga entrou na minha vida foi uma grande revolução a vários níveis, precisando do apoio necessário para poder enfrentar uma sociedade muito obscura, como era ainda a nossa. Como curiosidade, em Espanha também não havia liberdade, e não podiam falar catalão, mas o Jaume deu uma aula de yoga a jovens, da aldeia mais próxima do sítio onde nos encontrávamos, em catalão. O retiro aconteceu num seminário numa terra fora de Valência, por isso não houve problema. Foram dias inesquecíveis sem dúvida, e muito valiosos em termos de preparação e reflexão sobre o caminho que estávamos a trilhar.

Esta retrospectiva, tal como, eventualmente, outras, veio recordar-me a importância de estarmos prontos e disponíveis para ampliar conhecimentos e experiências, que garantissem a qualidade das aulas e o próprio desenvolvimento pessoal. Por isso me pareceu interessante partilhar aqui as experiências dum passado que se mantém bem vivo, por ter sido marcante! O caminho, como se sabe, é solitário, mas precisa de acompanhamento, e com as partilhas necessárias, que se estabeleçam firmes no nosso ser o no nosso estar de cada dia, dando e recebendo na mesma medida.

                 OM SHANTI OM

                  


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