TRISTEZA

 

                                                           

                                         


TRISTEZA 

Do nada, senti uma grande tristeza que me invadiu, e se mostrou na sua plenitude, como uma manifestação espontânea, resultado duma acumulação de “sentires” profundos. Talvez seja por ter consciência de estar a viver a etapa da minha vida, que me permite rever um passado, cheio de experiências, e de motivos para entender o quanto aprendi com os bons e maus momentos. Uma vez por outra, vem-me à lembrança, a sensação de que havia muito para fazer, e que não houve oportunidade, nem as condições ideais. Por outro lado, penso que é do meu direito experimentar este sentimento tão vivo e tão profundo, que me deixa estar recolhida, a vivê-lo intensamente aqui e agora.

Embora seja sensível e emocional, não me acontece muitas vezes estar triste, tão triste como estou neste momento. Aceito esta condição, como uma necessidade de exteriorizar emoções acumuladas, que fui deixando ficar adormecidas! Emociono-me facilmente, mas tristeza desta qualidade, é uma coisa que me leva a estar aqui a “falar” sobre o assunto, porque sempre achei importante aceitar este sentir como mais uma das minhas verdades. De vez em quando sabe bem viver estes instantes, em que me vem à ideia não ter tido tempo para mostrar mais a importância do que aprendi ao longo dos anos, e que tenho procurado passar aos que se disponibilizam para entender os sentires, como uma energia que se manifesta no corpo, como um pêndulo vivo. Ao mesmo tempo agradecendo tudo que fui descobrindo, num saber que me escapava, até ter sido possível receber as ajudas e as informações adequadas. Um saber de experiências foi feito, naturalmente!

Este episódio em que a tristeza me bateu à porta, valeu para pôr em dia o meu ser e o meu estar. Viver a velhice, com as fragilidades próprias e consequentes, não é tarefa fácil, mesmo considerando ser privilegiada com as condições de que benefício. A tristeza que se manifestou, talvez tenha vindo mostrar-me que vale a pena vivê-la, e deixar que seja como aquela nuvem que o vento leva e o sol absorve por direito. Emocionada, mas feliz pela oportunidade de poder viver até ao fim este episódio, e agradecer o apoio dos que estão neste grupo de almas, que me ouvem, me leem ou me abraçam.

                       


              OM SHANTI OM 🕉️ 


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