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segunda-feira, abril 24, 2006

EXPERIÊNCIAS VIVAS

Depois de nos instalarmos, a nossa primeira participação nas actividades foi no Arati da tarde, os cânticos feitos em pé. O templo era muito giro, mas a “fauna” que por lá pairava era um tanto ou quanto esquisita, especialmente eles. Uns 20 e tal europeus completamente orientalizados pois viviam ali há muito tempo. A seguir à cantoria, tivemos a nossa primeira experiência de comer como mandam as regras: sentados no chão, usando só a mão direita (comer à mão mesmo) e em silêncio. Ao princípio deu-nos vontade de rir, mas depois tudo correu pelo melhor. Comer caril com a mão, apesar da ajuda dos chapatis não é, definitivamente, tarefa fácil para quem não está habituado. À saída cada um levava o seu prato e lavava-o no mesmo sítio onde se lavavam as mãos.
Mais cânticos e rezas, desta vez sentados no chão e lá estivemos nós a tentar acompanhar durante uma hora. Regressadas ao quarto, preparámo-nos para a deita numas camas do tipo suma-a-pau com um mosquiteiro para que os mosquitos não se servissem de nós como sobremesa… No quarto havia uma casa de banho, a sanita para fazer as necessidades de cócoras e o banho era de balde. Água quente só à tarde a partir das 5. É claro que não nos passou pela cabeça acordar às 03.30 da manhã, mas sim às 5 para a oração das 5 e meia. No entanto, começámos o dia bem cedinho porque, diga-se de passagem, não dormimos grande coisa. Lá fomos para a sessão matinal dos cânticos até à hora do pequeno-almoço (07.00). Enquanto os residentes iam para os seus trabalhos, nós fomos dar uma volta pelo parque que tinha uma profusão de estátuas e imensas árvores lindíssimas. Pelo caminho fomos encontrando vários grupos, fazendo limpezas, tratando das vacas ou do jardim. Às 11.30 aprontámo-nos para novos cânticos de louvor ao Mestre Nytiananda e ao meio-dia, almoço com a ementa do costume: arroz, chapatis e caril vegetariano. Depois, seguimos para o templo deste Mestre que ficava relativamente perto do Ashram. Ao chegarmos à aldeia – se é que se pode chamar àquilo uma aldeia – deparámos com um ourives e lá metemos nós o nariz. Fechei negócio com duas pulseiras para os tornozelos já que não consegui arranjar um anel para o dedo do pé… O engraçado é eles venderem estas coisas a peso. Aquela aldeia resume-se a uma rua cheia de barracas onde se vendem objectos ligados ao culto do Mestre, tal como se faz em Fátima. Com a estória das compras acabámos por chegar ao túmulo quando o guarda tinha ido almoçar mas, como entretanto tínhamos ouvido música, fomos espreitar e demos com um grupo de pessoas (mais mulheres do que homens) a dançar em círculo à volta dum altar iluminado e cheio de flores. Por ali ficámos mais duma hora por causa da chuva que começou a cair. Logo que pudemos, apanhámos um “táxi”, tipo tipóia a cair aos bocados, que nos levou até ao Ashram. A miséria destes lugares e destas pessoas é impressionante e custa imenso assistir a crianças dividirem um bocado de coco ente elas, devorando os pedacinhos com uma sofreguidão que nem imaginam. Impressionante e chocante, tanto mais que pareciam muito felizes!!! Este povo, só com uma filosofia tão especial, consegue sobreviver sem revolta e com um sorriso.
Às 17.30 voltámos a ter cânticos até à hora do jantar que, como sempre, foi rápido e “variado”… Voltei ao templo para nova sessão musical. A minha amiga estava indisposta por isso não foi e, eu que pensava não ficar até ao fim, fui impedida pelo irmão Govinda de o fazer pois ele disse-me que me daria os nossos passaportes no fim da cerimónia! Instalei-me no meio dos indianos em vez de escolher a companhia dos estrangeiros e não me arrependi. A música esteve animada e cheia de ritmo que senti, apesar de não vibrar tanto como o resto do pessoal. O templo estava cheio de gente e o homem que tocava os ferros marcava o ritmo com uma energia fantástica. Foi divertido observar o espectáculo e senti-me bem. À saída estava um rapaz a oferecer “prasad” (oferenda de doces). De passaportes na mão, mais uma foto do Mestre Muktananda, discípulo de Nytiananda, lá me fui deitar. No dia seguinte só acordámos às 06.30 já bem dormidas por nos terem dado um colchão. Nem ao pequeno-almoço fomos! Tomámos o café na cantina da frente, arrumámos as malas, entregámos a chave e ainda fomos ao dispensário pedir alguma coisa para o paludismo pois as minhas coxas estavam de tal maneira picadas pelos mosquitos que mais pareciam um passador. Apanhámos o autocarro que foi positivamente assaltado pela malta que estava na paragem e nós tivemos de fazer o mesmo se não quiséssemos ficar em terra…
Assim, demos por finda a grande aventura que nos levou aos confins do mundo para vivermos experiências únicas, surpreendentes e estranhas para a nossa cultura. Um passo mais na ampliação da consciência que nos deixou, apesar de tudo, mais convencidas de que estávamos no caminho certo mesmo não sabendo como chegar a um consenso, na ideia de que, afinal, somos ocidentais.
Chegámos a Bombaim onde nos encontrámos com o marido da minha amiga, regressado da sua viagem a Goa. A próxima etapa levou-nos para norte, Poona, mas isso fica para a próxima.
Fiquem bem!

quarta-feira, abril 19, 2006

GRANDE AVENTURA

Agora é que é!!! Passo a contar-vos a grande aventura que foi chegar a este Ashram, aproveitando o diário de que vos falei. O relato fica, assim, mais rico. Se calhar este episódio da nossa viagem terá dois capítulos... Animem-se!
Deixámos o Hotel às 10.30 h, para apanhar o autocarro 253 para Andheri, onde fomos encontrar um mar de lama e de gente... (é bom que saibam que na altura em que fomos a monção ainda andava por lá e as chuvadas eram uma constante). Carregadas como nós íamos, não dava para ter o moral muito elevado, sobretudo eu, confesso. Apanhámos o combóio com destino a Vasai Road, aonde chegámos ¾ de hora depois. Chovia bastante e o moral desceu mais uns degraus quando mergulhámos num novo mar de lama avermelhada (a outra era sobre o preto...). Chegou o autocarro, a cair aos bocados, e lá entrámos com a maralha toda. Dois minutos depois, voltámos a sair porque a geringonça não andava... Feita a mudança com a ajuda dum cavalheiro providencial, lá nos pusemos a caminho para mais uma tirada. A estrada era alcatroada, o que quer dizer boa nestas paragens.
Pelo caminho, miséria e só miséria, no meio de uma bela paisagem e mais lama em Ganeshpuri... Lá demos com o Ashram que, diga-se de passagem, é praticamente o que existe neste sítio, sendo o resto por causa dele. Recebeu-nos um francês, vestido de branco, com cabeça rapada. Muito simpático, disse-nos para irmos ao estaminé (espécie de cantina) da frente para tomarmos qualquer coisa visto que só às duas horas estaria a pessoa indicada para nos atender. O dito estaminé era relativamente limpo e não comemos muito mal. Quando voltámos, recebeu-nos um de cabeça rapadíssima, canadiano de origem e um outro que se apresentou como Govinda. O canadiano levou-nos ao escritório onde nos deu as instruções para que pudéssemos permanecer no Ashram e também nos emprestou livros sobre meditação e cânticos. Para ficarem com uma ideia, aqui vos mostro o esquema:

03.00 - abertura do Templo.
03.30 - alvorada ao som de conchas.
04.20 - Arati matinal (cânticos de pé.)
05.00 - nova alvorada e chá.*
05.30 - Recitação do Guru Gita.
07.00 - chá (chegar 10 m antes).
08.00 até às 10.00 – Guru Seva (trabalhos obrigatórios para os que vivem no Ashram. É o chamado Karma Yoga ou serviço comunitário. Nós estávamos dispensadas por só ficarmos um fim de semana).
11.30 - cânticos do meio dia (chegar 5 minutos antes).
12.00 - almoço.
13.00 - descanso e silêncio até às 15.00 h.
15.30 - Novos trabalhos até às 17.30
18.10 - Arati da tarde.
18.45 - jantar.
19.30 - nova recitação de Mantras até às 20.30 h.
21.15 - silêncio e luzes apagadas.
* - aqui já era connosco.

Alguns exemplos de outras regras:

Andar descalço dentro dos edifícios; sentar de pernas cruzadas; não tocar em ninguém ou nos objectos sagrados (os livros de culto também são considerados sagrados); os homens e as mulheres não se podem tocar dentro ou perto do Ashram e os homens não podem entrar na zona das mulheres; usar roupas simples e discretas e as senhoras devem tapar os ombros e as pernas; chegar a horas e comer em silêncio; comer com a mão direita pois a esquerda é usada para a higiene íntima; não desperdiçar comida; poupar água e luz; manter o quarto arrumado e limpo, considerando-o como um espapaço de repouso e silêncio, etc., etc., etc..
Não me alongo mais nestas considerações pois acho que já perceberam que um Ashram é tal e qual um convento cristão. E, assim, começou uma das experiências mais fortes que tivemos na nossa senda. No próximo capítulo vos contarei como correu.
Fiquem bem!

segunda-feira, abril 17, 2006

MEMÓRIA...

A vantagem de escrevermos um diário de viagem é que a memória não nos atraiçoa… e, como descobri um caderno onde descrevi a viagem à Índia com bastantes pormenores, constatei que a tal visita ao “Ashram”, afinal, foi três dias depois da nossa chegada. Aqui fica o reparo, com as minhas desculpas.
Depois da nossa excursão, antes de regressarmos ao hotel, ainda passámos por um Centro de Yoga que não despertou o nosso interesse pelo que nem nos demos ao trabalho de pedir informações. Como tínhamos almoçado bem, decidimos ir ao mercado comprar fruta e umas bolachas de água e sal para o jantar. Esse foi, muitas vezes, o nosso menu durante a viagem, gozando da variedade de fruta que há nas zonas tropicais. Por norma nunca comemos nada cru sem lavar e tirar a casca para evitar problemas intestinais o que, felizmente, nunca aconteceu.
No dia seguinte, já mais repousados, metemo-nos a caminho até à estação onde obtivemos informação sobre o Instituto de Yoga da Indra Devi de que tínhamos ouvido falar. Estávamos apostadas em experimentar uma sessão e quando lá chegámos percebemos que a ideia era boa; gostámos do ambiente e do asseio que, já se sabe, nestas paragens conta muito! Combinada a hora para o dia seguinte, passámos o resto do dia a cirandar pela cidade, fizemos umas comprinhas e ainda meter o nariz no Hotel Taj Mahal onde descansámos as pernas e a vista pois é um hotel de luxo lindo.
Chegámos ao Instituto à hora aprazada e lá nos instalámos numa esteira; connosco estavam umas indianas, poucas, vestidas de sari!!! A Mestra Sita Devi dirigiu-se a nós, admirada com a nossa presença e, quando lhe dissemos que gostávamos de ter uma lição ela não gostou muito, dizendo que assim não teríamos proveito, etc. Depois, lá se convenceu a deixar-nos ficar. Ela foi sempre dando instruções para os exercícios, com uma voz muito suave, junto de cada pessoa, nunca se ouvindo o que dizia às outras pessoas. Percebemos que cada uma tinha o seu programa próprio, tipo terapia; de salientar o facto de as aulas serem exclusivamente para senhoras, os homens tinham outro horário. Como é conhecido, naquela cultura há separação de sexos. Ao princípio foi difícil porque a aula não tinha nada a ver com aquilo a que estávamos habituadas, mas acabamos por nos sentir bem. À saída, ainda tirámos umas fotografias no jardim da casa para recordação. Quando nos vínhamos embora apareceu um rapaz de Goa que era músico e falou connosco num Português mal amanhado, convidando-nos para assistir a uma sessão de música (cítara e timbales) o que foi bastante simpático e agradável.
O dia acabou outra vez no Hotel Taj Mahal para assistirmos a um espectáculo de danças indianas que nos encantou, apesar de não ser coisa desconhecida para nós, visto já termos assistido a um semelhante em Lisboa. Nesse dia, jantámos na cidade antes de regressarmos à nossa “casinha” para descansar e preparar a viagem para Ganeshpuri, agora sim, a caminho do “Ashram” do Suami Muktnanda que fica para trás do Sol posto… e as viagens na Índia não se contam aos quilómetros, mas ao tempo! O marido da minha amiga não nos acompanhou nesta aventura porque ia visitar Goa para matar saudades do tempo em que lá esteve estacionado como oficial de marinha, tal como o meu marido. Foi lá que nos conhecemos, lembram-se?
Obrigada pela atenção que dispensam às minhas estórias.
Fiquem bem!!!

terça-feira, abril 11, 2006

PEREGRINAÇÃO

Ir à Índia fazia parte dos nossos projectos a partir do momento em que nos encontrámos estabelecidas neste caminho da espiritualidade que é o Yoga e foi exactamente isso que fizemos. Combinada a estratégia, lá embarcámos para uma nova aventura, a minha amiga, o marido e eu. Não fomos em excursão organizada como se usa agora; a única coisa que tínhamos marcado era o avião para Bombaim e o respectivo regresso, o resto nasceu sempre do improviso e da intenção primeira que era visitar sítios onde a prática do Yoga fosse comum e acessível. Claro que também tínhamos uma ideia do que seria importante conhecer e deixámo-nos guiar pela intuição e pelos sinais que nos apareciam de forma evidente. Levávamos connosco um livro que nos ajudou a encontrar soluções e nos dava dicas para nos orientarmos numa cultura tão diferente da nossa. Apesar de termos estado em Goa, sabíamos que a outra Índia era bem diferente.
Aterrámos em Bombaim e, no próprio Aeroporto, procurámos alojamento adequado. É bom que se saliente a importância de escolher um hotel decente porque a higiene não é das melhores qualidades dum povo que sofre muitas dificuldades; no caminho constatámos a grande miséria que por ali reina e, eu, ainda dei comigo a pensar o que é que estava ali a fazer!... Acabámos por ir parar a uma zona dos arredores de Bombaim, uma espécie de Cascais lá do sítio, pelo que tivemos de apanhar um combóio eléctrico para lá chegar. Foi engraçado constatar que havia carruagens mistas e carruagens só para mulheres para que não fossem incomodadas pelos homens! Como a viagem tinha sido longa e a diferença horária considerável, resolvemos poisar as bagagens no hotel e, em vez de irmos dormir, voltámos para a cidade, fazendo uma directa com a ideia de nos deitarmos mais cedo para acertarmos as horas (+ seis do que aqui). Para aproveitar o tempo, pegámos uma excursão que nos levou a dar uma volta pela cidade com visita à casa onde viveu Ghandi, o que foi uma grande emoção pois Ghandi é uma figura que admiro, apesar dos aspectos que escapam à nossa mentalidade. O seu lugar na história é indelével pois a ele se deve grandemente a independência da Índia.
Esta etapa da nossa viagem foi marcada pelo facto de eu ter decidido, à chegada ao hotel, deixar de fumar. O facto de ter tido que comprar um pacote dos cigarros que fumava na altura fez-me sentir prisioneira dum vício absolutamente estúpido e incompatível com a prática do Yoga, por isso, logo ali passei a ser uma pessoa mais livre: nunca mais fumei!!! Curiosamente, nem nunca mais me apeteceu fumar, como se aquele hábito se tivesse varrido da minha memória... Também é preciso que se note que não era uma grande viciada o que, certamente, facilitou o processo. Os grandes viciados guardam a lembrança desse “prazer” e a vontade fica presente sempre que se apresenta o estímulo. Os malefícios do tabaco são tantos que não compreendo porque é que se tornou uma droga aceite e até “respeitada”! Compreendo a dificuldade da proibição de fumar em lugares fechados por acharem que os fumadores têm os seus direitos... A quantidade de pessoas que morrem com doenças provocadas pelo fumo, o dinheiro que se gasta a tratar delas, seria um factor a ter em conta para não se admitir que os fumadores passivos sofram as consequências dos maus hábitos dos outros. No tempo em que comecei a fumar, não eram ainda conhecidos os malefícios desta droga socialmente aceite. Agora que há provas provadas, continua-se a alimentar uma indústria que, além de fornecer postos de trabalho, alimenta o Estado com os seus impostos. Se as pessoas se querem “drogar” ao menos que o façam em locais próprios...
Bem, desculpem lá este desabafo, mas calhou a talhe de foice. O relato da nossa Peregrinação segue no próximo episódio onde poderão ver como decorreu o nosso primeiro contacto com um “Ashram” (Mosteiro de Yoga).

Um abraço,
OM SHANTI

segunda-feira, abril 03, 2006

LUZ, APESAR DAS SOMBRAS

“QUE DEUS FAÇA DE MIM, QUANDO EU MORRER, QUANDO EU PARTIR PARA O PAÍS DA LUZ, A SOMBRA CALMA DUM AMANHECER”.
Florbela Espanca

“NO CÉU BRILHAM AS ESTRELAS QUE VÃO APONTANDO CAMINHOS. SÃO PONTOS DE LUZ QUE SE ETERNIZAM PARA ALÉM DA SUA EXISTÊNCIA.
OLHO, ENTÃO, O CÉU E VISLUMBRO NA NOITE ESCURA A ESPERANÇA DE VER CHEGAR AQUELA ESTRELA RSPLANDECENTE QUE, NO SEU FULFOR, FAZ DE CADA DIA UMA VIDA VIVIDA NA PLENITUDE DO AMOR. PASSO A PASSO, NA DIRECÇÃO CERTA, SIGO COM AS ESTRELAS QUE MORREM E, NO ENTANTO, CONTINUAM A BRILHAR.”


Problemas familiares graves, puseram-me à prova e demonstraram à saciedade as vantagens do Yoga como filosofia e meio de encontrar um equilíbrio que se apresentava instável a nível afectivo e emocional. A vida é como o arco-íris, tem todas as cores e apresenta-se quando a tempestade se anuncia. Manter uma visão clara nos momentos difíceis é um factor decisivo para não nos afundarmos ou deixarmos de lutar pela nossa sanidade mental e prosseguir com os projectos que, de certo modo nos transcendem e, talvez por isso, nos apaixonam.
Confesso-vos que, até hoje, me surpreendo com a capacidade humana em ultrapassar situações que fogem ao controlo imediato e consciente. Se calhar escapamos a tormentas porque há um Karma a cumprir e, por isso, os Deuses nos emprestam as ferramentas adequadas à nossa salvação e fornecem, igualmente, o ânimo que nos permite avançar apesar de tudo.
Os anos oitenta foram muito violentos, muito fortes, muito, muito para além de Bogotá em termos de vivências e circunstâncias; umas péssimas e outras excelentes, desafios à minha sensibilidade e capacidade de gerir o que se apresentava no trabalho que tinha em mãos e na minha vida pessoal. Ao decidir contar-vos estes contos, já sabia que, mais tarde ou mas cedo havia de chegar a esta época e, sem a deixar em branco, não queria vir para aqui como judeu no muro das lamentações. Tudo o que vivi, e vivo, faz parte do meu processo de desenvolvimento e serviu, e serve, como forma de aprendizagem. Como ninguém nos ensina nada porque somos nós que aprendemos, posso afirmar sem falsas modéstias que fui uma boa aprendiza. Chegar aonde cheguei, como uma sobrevivente sem mágoa ou revolta, só poderia ter acontecido com todas as ajudas que me foram disponibilizadas e com uma Luz que consegui manter sempre acesa, apesar de tudo e de todos.
Termino por hoje com:

VOZES

Oiço vozes – OIÇO!
São as vibrações
De muitos corações...
Oiço vozes – OIÇO!
Ritmo duma Vida,
Aparentemente ida...
Oiço vozes – OIÇO!
Eu contigo, tu comigo.
NÃO ESTOU SÓ.

MEU AMOR,
MINHA FILHA.
QUE SAUDADE!


Um abraço. Fiquem bem.