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terça-feira, abril 11, 2006

PEREGRINAÇÃO

Ir à Índia fazia parte dos nossos projectos a partir do momento em que nos encontrámos estabelecidas neste caminho da espiritualidade que é o Yoga e foi exactamente isso que fizemos. Combinada a estratégia, lá embarcámos para uma nova aventura, a minha amiga, o marido e eu. Não fomos em excursão organizada como se usa agora; a única coisa que tínhamos marcado era o avião para Bombaim e o respectivo regresso, o resto nasceu sempre do improviso e da intenção primeira que era visitar sítios onde a prática do Yoga fosse comum e acessível. Claro que também tínhamos uma ideia do que seria importante conhecer e deixámo-nos guiar pela intuição e pelos sinais que nos apareciam de forma evidente. Levávamos connosco um livro que nos ajudou a encontrar soluções e nos dava dicas para nos orientarmos numa cultura tão diferente da nossa. Apesar de termos estado em Goa, sabíamos que a outra Índia era bem diferente.
Aterrámos em Bombaim e, no próprio Aeroporto, procurámos alojamento adequado. É bom que se saliente a importância de escolher um hotel decente porque a higiene não é das melhores qualidades dum povo que sofre muitas dificuldades; no caminho constatámos a grande miséria que por ali reina e, eu, ainda dei comigo a pensar o que é que estava ali a fazer!... Acabámos por ir parar a uma zona dos arredores de Bombaim, uma espécie de Cascais lá do sítio, pelo que tivemos de apanhar um combóio eléctrico para lá chegar. Foi engraçado constatar que havia carruagens mistas e carruagens só para mulheres para que não fossem incomodadas pelos homens! Como a viagem tinha sido longa e a diferença horária considerável, resolvemos poisar as bagagens no hotel e, em vez de irmos dormir, voltámos para a cidade, fazendo uma directa com a ideia de nos deitarmos mais cedo para acertarmos as horas (+ seis do que aqui). Para aproveitar o tempo, pegámos uma excursão que nos levou a dar uma volta pela cidade com visita à casa onde viveu Ghandi, o que foi uma grande emoção pois Ghandi é uma figura que admiro, apesar dos aspectos que escapam à nossa mentalidade. O seu lugar na história é indelével pois a ele se deve grandemente a independência da Índia.
Esta etapa da nossa viagem foi marcada pelo facto de eu ter decidido, à chegada ao hotel, deixar de fumar. O facto de ter tido que comprar um pacote dos cigarros que fumava na altura fez-me sentir prisioneira dum vício absolutamente estúpido e incompatível com a prática do Yoga, por isso, logo ali passei a ser uma pessoa mais livre: nunca mais fumei!!! Curiosamente, nem nunca mais me apeteceu fumar, como se aquele hábito se tivesse varrido da minha memória... Também é preciso que se note que não era uma grande viciada o que, certamente, facilitou o processo. Os grandes viciados guardam a lembrança desse “prazer” e a vontade fica presente sempre que se apresenta o estímulo. Os malefícios do tabaco são tantos que não compreendo porque é que se tornou uma droga aceite e até “respeitada”! Compreendo a dificuldade da proibição de fumar em lugares fechados por acharem que os fumadores têm os seus direitos... A quantidade de pessoas que morrem com doenças provocadas pelo fumo, o dinheiro que se gasta a tratar delas, seria um factor a ter em conta para não se admitir que os fumadores passivos sofram as consequências dos maus hábitos dos outros. No tempo em que comecei a fumar, não eram ainda conhecidos os malefícios desta droga socialmente aceite. Agora que há provas provadas, continua-se a alimentar uma indústria que, além de fornecer postos de trabalho, alimenta o Estado com os seus impostos. Se as pessoas se querem “drogar” ao menos que o façam em locais próprios...
Bem, desculpem lá este desabafo, mas calhou a talhe de foice. O relato da nossa Peregrinação segue no próximo episódio onde poderão ver como decorreu o nosso primeiro contacto com um “Ashram” (Mosteiro de Yoga).

Um abraço,
OM SHANTI

2 comentários:

aldina disse...

Estou desejosa de saber desse Mosteiro?!

O tabaco é um agente perturbador ao nível fisico e mental, de alto risco! Eu que o diga que tenho mais anos de fumo do que sem fumar!... e que ao fim de 21 anos a fumar consumia 3 maços diariamente! Hoje, há 1 ano e meio sem fumar, as consequentes mudanças para melhor, sem falsos moralismos, a todos os níveis
( mental, fisico, financeiro, etc.), mostram-me claramente o significado duma expressão que sempre ouvi mas que nunca havia compreendido na totalidade - Qualidade de Vida!- ... uma coisa que começa dentro de nós muito antes de se manisfestar exteriormente, ao contrário do que a maoiria pensa!

beijos!

Ana Rolim disse...

não fazia ideia de a Maria Emília fumava!! Partilho o sentimento de prisão, foi isso que me obrigou sempre a deixar de fumar, detesto sentir-me presa sem perceber porquê!! Beijinhos!!