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quarta-feira, abril 19, 2006

GRANDE AVENTURA

Agora é que é!!! Passo a contar-vos a grande aventura que foi chegar a este Ashram, aproveitando o diário de que vos falei. O relato fica, assim, mais rico. Se calhar este episódio da nossa viagem terá dois capítulos... Animem-se!
Deixámos o Hotel às 10.30 h, para apanhar o autocarro 253 para Andheri, onde fomos encontrar um mar de lama e de gente... (é bom que saibam que na altura em que fomos a monção ainda andava por lá e as chuvadas eram uma constante). Carregadas como nós íamos, não dava para ter o moral muito elevado, sobretudo eu, confesso. Apanhámos o combóio com destino a Vasai Road, aonde chegámos ¾ de hora depois. Chovia bastante e o moral desceu mais uns degraus quando mergulhámos num novo mar de lama avermelhada (a outra era sobre o preto...). Chegou o autocarro, a cair aos bocados, e lá entrámos com a maralha toda. Dois minutos depois, voltámos a sair porque a geringonça não andava... Feita a mudança com a ajuda dum cavalheiro providencial, lá nos pusemos a caminho para mais uma tirada. A estrada era alcatroada, o que quer dizer boa nestas paragens.
Pelo caminho, miséria e só miséria, no meio de uma bela paisagem e mais lama em Ganeshpuri... Lá demos com o Ashram que, diga-se de passagem, é praticamente o que existe neste sítio, sendo o resto por causa dele. Recebeu-nos um francês, vestido de branco, com cabeça rapada. Muito simpático, disse-nos para irmos ao estaminé (espécie de cantina) da frente para tomarmos qualquer coisa visto que só às duas horas estaria a pessoa indicada para nos atender. O dito estaminé era relativamente limpo e não comemos muito mal. Quando voltámos, recebeu-nos um de cabeça rapadíssima, canadiano de origem e um outro que se apresentou como Govinda. O canadiano levou-nos ao escritório onde nos deu as instruções para que pudéssemos permanecer no Ashram e também nos emprestou livros sobre meditação e cânticos. Para ficarem com uma ideia, aqui vos mostro o esquema:

03.00 - abertura do Templo.
03.30 - alvorada ao som de conchas.
04.20 - Arati matinal (cânticos de pé.)
05.00 - nova alvorada e chá.*
05.30 - Recitação do Guru Gita.
07.00 - chá (chegar 10 m antes).
08.00 até às 10.00 – Guru Seva (trabalhos obrigatórios para os que vivem no Ashram. É o chamado Karma Yoga ou serviço comunitário. Nós estávamos dispensadas por só ficarmos um fim de semana).
11.30 - cânticos do meio dia (chegar 5 minutos antes).
12.00 - almoço.
13.00 - descanso e silêncio até às 15.00 h.
15.30 - Novos trabalhos até às 17.30
18.10 - Arati da tarde.
18.45 - jantar.
19.30 - nova recitação de Mantras até às 20.30 h.
21.15 - silêncio e luzes apagadas.
* - aqui já era connosco.

Alguns exemplos de outras regras:

Andar descalço dentro dos edifícios; sentar de pernas cruzadas; não tocar em ninguém ou nos objectos sagrados (os livros de culto também são considerados sagrados); os homens e as mulheres não se podem tocar dentro ou perto do Ashram e os homens não podem entrar na zona das mulheres; usar roupas simples e discretas e as senhoras devem tapar os ombros e as pernas; chegar a horas e comer em silêncio; comer com a mão direita pois a esquerda é usada para a higiene íntima; não desperdiçar comida; poupar água e luz; manter o quarto arrumado e limpo, considerando-o como um espapaço de repouso e silêncio, etc., etc., etc..
Não me alongo mais nestas considerações pois acho que já perceberam que um Ashram é tal e qual um convento cristão. E, assim, começou uma das experiências mais fortes que tivemos na nossa senda. No próximo capítulo vos contarei como correu.
Fiquem bem!

2 comentários:

aldina disse...

Ninguém, muito menos um ocidental, retorna à sua terra natal igual ao que era antes de partir para um país destes e para um lugar como este?! Realmente, sempre leio, e tendo em conta as épocas, concluo que a Maria Emília é uma pioneira mas muito, como dizer, iluminada e/ou amparada em toda esta aventura chamada A Vida duma Mulher, Maria Enília! até o facto de ter companhia para uma experiência destas, hoje em dia é difícil ter a companhia de amigos para fazer férias "normais" em situios "normais", etc., quanto mais amigos e maridos que a meio decidem ir matar saudades... que pessoas estupendas! Confesso, que me comovo com tanto empenho e determinação e solidariedade!

beijos e obrigada por me fazer crer no melhor de todos nós!

beijinhos!

Maria Emília disse...

De facto naquele tempo havia uma disponibilidade e uma curiosidade muito grandes e o espírito de aventura reinava em toda a força. Quando a vontade é grande não há ninguém que nos impeça de avançar para o que temos de fazer, um impulso irresístivel que nos leva a viver experiências que estão ao nosso alcance. Tenho tido a sorte e o privilégio de ter pessoas a alinharem comigo tanto quanto alinho com elas.
Um abraço