A minha Lista de blogues

terça-feira, novembro 28, 2006

PEQUENAS COISAS



Sempre achei que há pequenas coisas que fazem a diferença na nossa vida e na dos outros, mas foi quando comecei a dar aulas de Yoga que entendi a sua importância. Atitudes, gestos ou palavras não têm de ser espectaculares para sortirem efeito no ambiente que nos rodeia. Muitas acções que, para mim, eram naturais, surpreendiam aqueles com quem comecei a contactar sem a proximidade familiar ou afectiva. Aprendi a dar atenção às pessoas com a minha Mãe que nos ensinou a validade dessa forma de estar na vida. Ao longo de tantos anos foram passando pelas minhas aulas, muitas pessoas que vinham à descoberta do Yoga como filosofia ou, simplesmente, para aprenderem o bem-estar que as técnicas e as práticas ensinam. Alguns ficavam admirados quando, passado tempo de ausência, voltavam e eu me lembrava dos seus nomes! Faço questão de conhecer as pessoas pelo nome que usam e, para isso, me concentro com alguma insistência quando as caras não se apresentam com assiduidade. É claro que, passados tantos anos, há muitas pessoas que ficam no fundo da memória à espera de novo contacto ou esquecidas naturalmente. A vida separa as pessoas ou junta-as conforme a necessidade, mas quando prestamos atenção essa separação não tem grande significado e podemos retomar o contacto no ponto em que o deixámos. Tudo depende da marca que ficou na relação.
O cuidado que pomos nas relações permite-nos desenvolver um espírito de solidariedade que nos faz sentir UM no TODO que somos. Quando alguém vai viajar e me pergunta se quero que me tragam alguma coisa, o que respondo é: “Se vir um objecto e ele o faça pensar em mim, então é porque vale a pena trazer e eu agradeço do coração.” Foi assim que o Centro ficou cheio de pequenas lembranças que representam o Amor que cada pessoa pôs naquela dádiva e a energia dessa oferenda enche o espaço para benefício de todos que o frequentam. Pequenas coisas que fazem grande diferença e proporcionam prazer à vista e despertam emoção calorosa. Imaginem que estão lá representados mais de 15 países, desde o Equador até ao Japão!
Tenho a sorte de estar rodeada de atenções, a começar pela minha família que desenvolveu o gosto por esta maneira de ser e de estar e dos que me acompanham nesta senda espiritual, mas esse Amor tem de ser alimentado, gerido com o cuidado necessário e suficiente para que não se estabeleçam dependências nem apegos. O tal amor incondicional de que vos falei no texto anterior. Não temos de ser santos, a não ser com a ideia de que santidade é paz de espírito e grande liberdade de pensamento. Tudo começa nas pequenas coisas que fazem grande diferença.
Fiquem bem!

segunda-feira, novembro 20, 2006

AMOR INCONDICIONAL





Isto do amor incondicional tem muito que se lhe diga! No meu próximo livro, a sair antes do Natal (“A Alma e os seus Percursos”, editorial Novalis), é mencionado várias vezes, mas penso que por ali vão entender o que quero dizer quando dele falo. Quem está familiarizado com o sistema de Chakras perceberá que este amor só acontece quando se alcançou um determinado estado de evolução. O plexo solar está relacionado com as emoções e, em consequência, com os afectos em que a norma é dar e receber na mesma medida, amar e ser amado(a) e, por isso, é uma zona do nosso corpo que se manifesta constantemente e sofre das perturbações mais comuns: dores de estômago, desarranjos intestinais, etc.. Amar incondicionalmente implica ter o Chakra do coração aberto e perceber que se pode amar sem gostar... Foi isso que eu disse: amar, mesmo sem gostar. Os afectos têm, por necessidade, que ter troca, enquanto quando se ama, a troca é implícita, ou seja, quando amo alguém sem dele, ou dela, nada esperar, acabo por receber em troca o simples prazer dessa dádiva que acabará por ter um retorno, às vezes, sob outra forma. A lei do Karma é inexorável (acção-reacção). Amo, ponto final! Ao longo dos anos fui aprendendo que não se pode gostar de toda a gente, mas que todos são dignos de ser amados e, essa atitude, valeu-me como defesa própria. O Amor quando se aplica desta maneira, deixa no ar uma energia purificadora que assenta naqueles que estão distantes afectivamente. A proximidade requer uma atenção e uma afinidade que acontece pela necessidade de contacto quando há um Karma a cumprir, quando as ligações exigem um comportamento adequado às circunstâncias. Há Karma de país, Karma de família, Karma de Grupo, que nos obriga a uma relação tão equilibrada quanto possível para que os destinos se cumpram.
Ao longo dos anos fui convivendo e trabalhando com muitas pessoas que foram extremamente importantes para o processo de evolução em que estou inserida. Enquanto foram precisas, essas relações, duraram e foram muito profícuas. Logo que deixaram de ser necessárias, extinguiram-se por conta própria ou levadas pelas circunstâncias que provocaram o afastamento, mais ou menos doloroso ou difícil, mas necessário a ambas as partes. Nós somos, por natureza, seres em que os apegos são uma constante. O caminho espiritual, não se compadece com essa atitude e, à medida que avançamos, percebemos que é bom amar sem apego, que essa maneira é aquela que nos proporciona maior liberdade de acção para podermos escolher com quem queremos conviver, trabalhar ou formar família. O Homem é multifacetado na sua essência e precisa de vários contactos para se sentir inteiro e perceber quem, verdadeiramente, é.
O amor incondicional é, se quisermos, o AMOR ele próprio, pois o Amor É! Não sei se me fiz entender?... Às vezes passam-me assim umas coisas pela cabeça e apeteceu-me partilhar convosco este pensamento... Até gostava que se manifestassem, partilhando comigo o que pensam também sobre o assunto.
Fiquem bem
!

segunda-feira, novembro 13, 2006

ANIVERSÁRIO


Como o tempo passa... Faz hoje um ano que embarquei neste desafio que é comunicar através dum blogue. Passados que foram oitenta e tal textos, posso considerar que tem sido uma experiência, para além de positiva, fascinante. A perspectiva que tenho deste universo é sentir que estou próximo de muita gente que me “descobre”, sem a proximidade física que outros contactos exigem e, por isso, me permite gozar da liberdade própria de quem escreve sem expectativas, mas com a esperança de encontros sem apegos. Para além dos que se manifestam nos comentários, através de e.mails ou mesmo pessoalmente, há leitores anónimos que me privilegiam com a sua presença, facilmente constatada pelo número de visitas. Acho que ninguém escreve desta maneira sem esperar que alguém veja, senão bastaria criar um diário pessoal e privado. Escrevo porque gosto desta forma de comunicação e porque a timidez que me caracteriza faz com que, assim, seja mais fácil falar das minhas experiências de vida, cujas vivências podem ser um exemplo para outros e saber que não estamos sós nesta aventura que é a nossa passagem pela Terra.
Há quem tenha um blogue para discutir assuntos ou expressar opiniões sobre acontecimentos mundanos, políticos ou sociais. Não é essa a minha intenção. Essas discussões guardo-as para o privado familiar ou quando a ocasião se apresenta no convívio com os alunos do Centro ou nos atendimentos individuais. Gosto mais do confronto de ideias em conversa amena, cara a cara. Tenho as minhas convicções que expresso naturalmente e demonstro através do meu próprio comportamento que é sempre a melhor maneira de explicar sentimentos. Somos o que praticamos e praticamos o que somos. O pensamento de acordo com a acção, o dentro em harmonia com o fora, sabendo que não ensinamos nada a ninguém porque são as pessoas que aprendem, ou não. Se houver quem esteja a aprender com as minhas estórias, o mérito é de cada um que as lê e interpreta como pode e está preparado para entender. Ao longo da minha, já longa, vida tenho aprendido com muita gente que nem sabe que me está a ensinar. O importante de facto, é a disponibilidade interior para receber as informações que chegam, seja por escrito ou por outra via. O contacto entre os Seres é uma experiência essencial para que tenhamos espelhos onde nos possamos “ver” com outros olhos. O que os outros provocam em nós diz muito do nosso estado de evolução ou as memórias que acorda. Se estivermos atentos aos sinais teremos respostas a perguntas que não ousamos ou pensaríamos fazer.
O blogue, tal como o contacto com grupos de trabalho, família ou amigos, é uma oportunidade única para evoluir como pessoa integrada, apesar da individualidade. Agradeço a todos os que me têm acompanhado em mais esta aventura, pois a partilha me obriga a organizar-me em termos de ideias e de ideais. Sinto o mesmo quanto aos meus livros pois, também, eles me fizeram acreditar que não estou só e que o grupo a que pertenço é físico, mental e espiritual. Todas as dimensões numa só: SER e ESTAR neste TODO a que pertencemos. Seguirei como sempre, de acordo com o meu próprio SENTIR.
Obrigada. Fiquem bem!

quarta-feira, novembro 08, 2006

ESPERAR O INESPERADO








De vez em quando dá-me para voltar atrás e rebuscar no meu baú das memórias, vivências tão extraordinárias quanto divertidas e que, ao mesmo tempo, sejam lições de vida para os que me acompanham como foram para mim.
Numa altura em que o contacto com a “Fundação Yoga para a Paz” (Espanha) era frequente, foi-me proposto participar numas “Férias Inteligentes” que organizam anualmente e que pretendem dar às pessoas a oportunidade de gozarem uma férias repousantes e, simultaneamente, enriquecedoras com várias actividades, práticas e teóricas que fazem com que as pessoas aprendam e convivam num meio saudável e alegre. A mim calhou-me fazer um mini curso de “Shiatsu” durante três semanas, para além de atendimentos individuais, ao mesmo tempo que podia participar nas meditações matinais, nas aulas de Yoga e nas palestras que suscitassem o meu interesse. O local escolhido nesse ano, foi um belo Hotel, na Praia Branca, em Lanzarote, corria o ano de 1993.
Como devem calcular, o desafio não era pequeno, pois tinha de falar em castelhano para um grupo de cerca de sessenta e tal pessoas! Comigo estavam cinco alunos do Centro que foram em gozo de férias. A aventura, no entanto, começou logo à chegada. Imaginem que, ao chegar ao quarto dei de caras com uma companheira que, sorridente, me cumprimentou com um “belo” cigarro na mão!!! Nem queria acreditar no que me estava a acontecer... Uma acompanhante fumante era o que menos esperava naquelas circunstâncias. Entrei em contacto com os organizadores, que ficaram um tanto ou quanto embaraçados, explicando-me que, a senhora era galega e, por isso, pensaram que nos entenderíamos melhor... Infelizmente o hotel estava cheio e não havia hipóteses de me mudarem, a não ser que, de repente aparecesse uma solução. Dei comigo a pensar: “Se calhar tenho de aceitar estas condições que terão o seu propósito kármico...”. Foi isso que fiz. Ao voltar ao quarto, falei com a pequena, pedindo-lhe que passasse a fumar na varanda o que ela fez sem problema. O Karma ainda me apresentou outra situação a provocar a minha capacidade de adaptação... A rapariga tinha caído ali na esperança de encontrar consolo para um grave problema da vida dela; a filha adolescente havia desaparecido de casa há mais de um ano!!! Como devem calcular o panorama não se apresentava animador quanto a sossego e paz de espírito para levar a bom termo as minhas tarefas agendadas. Na verdade, as coisas acabaram por se harmonizar, apesar das nossas enormes diferenças de actuação. Para além do fumo, havia a questão das dormidas... Ela não dormia de noite, vagueava pelos jardins do hotel ou ficava a fumar na varanda até de madrugada, quando eu me preparava para me levantar e seguir para a meditação da manhã. Lá nos fomos organizando, cada uma respeitando o espaço e as condições da outra e acabei por tratar dela um pouco. A Maria, assim se chama, era uma artista plástica que tinha o seu atelier na Corunha e o desaparecimento da filha foi um desastre a que não estava capaz de dar solução e pensou que aquelas férias a poderiam ajudar de alguma maneira. Só que, ela não participava em nenhuma actividade e, tanto quanto me lembro, as suas refeições eram feitas fora de horas... A cura não passava por ali!
Os meus trabalhos seguiram de acordo com o estabelecido, entremeados com as práticas que me interessavam e o convívio com os participantes activos que fui conhecendo. A ilha de Lanzarote é magnífica, apesar da sua rudeza vulcânica. Os atendimentos individuais proporcionaram-me uma experiência riquíssima pois deu-me oportunidade para contactar com pessoas inteiramente desconhecidas o que não acontecia no Centro porque os meus pacientes eram, de um modo geral, alunos ou conhecidos. Foi um tempo fantástico em que aprendi imenso e fiz alguns amigos que, me passaram a visitar em Lisboa. Pelas fotos que vos mostro, podem ver que não minto...
No ano seguinte, voltei a participar nestas férias inteligentes, desta vez, em Tenerife. Um dos meus alunos (bailarino de profissão) que, entretanto se fez instrutor de Yoga, também foi comigo para trabalhar danças, coisa que ele tinha demonstrado em Lanzarote. Confesso que, a estadia em Tenerife (na zona sul) não foi tão interessante em termos turísticos, mas os trabalhos em que participei, Shiatsu e Expressão e Criatividade, correram bem. O problema destas coisas é que, gosto mais de trabalhar com grupos pequenos e envolver-me mais com as pessoas, o que não acontece nestas condições. Acabava sempre por ter de fazer terapias improvisadas, deixando de ter tempo para as minhas próprias práticas o que se tornava deveras cansativo. Decidi, pois, que aquela seria a última vez. Algumas das pessoas que circulam nos meios esotéricos, pensam que os seus problemas se resolvem por obra e graça ou que a sua solução vem de fora e não de dentro. Para além disso, as práticas de Yoga, seja físico, mental ou espiritual, despertam emoções, por vezes incontroláveis e trazem à superfície problemas há muito esquecidos ou bem guardados. Felizmente, as práticas são bastante úteis quando levadas a sério e conduzidas com competência o que foi acontecendo sempre, apesar dos acontecimentos trágico-cómicos. O Yoga é uma filosofia que nos ajuda a perceber melhor a vida e o nosso papel na passagem por ela.
Fiquem bem!

quinta-feira, novembro 02, 2006

OS ELEMENTOS

OS ELEMENTOS

COMBINAM-SE PARA SEREM

VIDA,

MOVIMENTO,

LUZ,

ENERGIA E

AMOR



Neste dia em que a chuva nos tocou, saudamos essa energia purificadora, deixando que a nossa Alma seja consagrada no altar do Amor incondicional.
A serenidade do Outono é uma passagem e um tempo de reflexão para que possamos escutar o silêncio que vai crescendo dentro de nós, resguardados, protegidos e confiantes, chegando onde temos de chegar.
As folhas caem, baloiçando ao vento, tocam o chão que as recebe para serem o alimento da esperança, com os olhos postos na Primavera que nos espera.

Fiquem bem!