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sexta-feira, junho 22, 2007

SOMBRAS



Tenho andado a pensar muito nas sombras que nos perseguem quando o Sol não está a pino! Quero com isto dizer que, apesar da atenção que damos aos pensamentos predominantes, sempre surgem sombras que nos acompanham e nos fazem sentir as piores pessoas do mundo... Penso que a culpabilização que resulta da consciência do lado obscuro da nossa existência, tem a ver com a cultura em que estamos inseridos e que nos obriga a, constantemente, levar a mão ao peito, “mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa”, até que nos sejam perdoados os pecados. E pior, são os pecados por omissão!!! Aquelas boas acções que devíamos ter feito mas não fizemos. Quando era pequena, a minha mãe obrigava-me a ir à confissão pelo menos uma vez por ano, normalmente na altura da Páscoa, e eu lá ia contrafeita e preocupadíssima com o que tinha de confessar a um senhor que eu não conhecia de lado nenhum. Chegava a escrever num papel os meus “pecados” para não me esquecer, mas com os nervos atrapalhava-me sempre e balbuciava umas quantas coisas e, tanto quanto me lembro, os meus pecados maiores eram: não fazer os trabalhos de casa, ser teimosa (esse continua...) ou ser desobediente. O que me embaraçava ainda mais era esquecer-me do acto de contrição! Lá rezava as ave-marias e os padres-nossos que me regeneravam na hora... Até à Páscoa seguinte.
Mas a verdade é que, ainda hoje, sou muitas vezes assaltada pela culpa da intolerância, dos julgamentos apressados e da dificuldade em esquecer ofensas ou mágoas. Esta coisa de termos de ser perfeitos não dá descanso nenhum e é algo que temos de trabalhar todos os dias porque o que está impresso na nossa mente, salta-nos ao caminho a todo o pé de passada, e quem não tem um padre que exerça o seu poder do perdão, tem de se perdoar a si mesmo e esperar que o Karma seja benevolente com as nossas fraquezas/sombras. O Pai-nosso é um excelente meio de alcançar a Paz quando dizemos e cumprimos: perdoai as nossas ofensas como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Tenho-o sempre presente, não vá o Diabo tecê-las...
Assim seja! OM, AMEN.
Fiquem bem!

9 comentários:

margarida disse...

Não é um comentário dirigido especialmente mas é para quem sentir resonância com ele:
Aprendi últimamente que o peso das culpas que carregamos é apenas 50%da responsabilidade, os outros 50% é responsabilidade do outro. Não há culpa. Há aceitar e assumir a " sua" parte de responsabilidade. Só isso.
Por vezes tb carregamos pesos dos n/pais.Se assim é,podemos fazer um ritual de visualização dizendo:"pai ou mãe, por amor carreguei isto por ti durante muito tempo. Por amor, to deixo agora aqui, pois que não é meu, mas teu." Respira fundo e faz uma vénia de agradecimento, com o coração aberto, sem julgamentos.
Devolvemos a dignidade a quem de direito e ficamos com a nossa de novo inteira.
Um abraço e obrigada pelo Pai Nosso.
Margarida.

Anónimo disse...

Também alguém muito especial me ensinou isso, que a culpa de algo nunca é totalmente nossa.
Mas é muito difícil livrarmo-nos dela em certos momentos da nossa vida ou em relação a certas pessoas. Ela enraiza-se principalmente quando a culpa o é não só pelo que culturalmente é "certo" ou "errado" mas principalmente porque de alguma maneira a sentimos mesmo por algo que fazemos e que para nós próprios(independentemente do poder ser também para a nossa sociedade) não é correcto.
E à vezes esse peso é carregado e não nos conseguimos ver livres dele. Por muito que se queira não a sentir às vezes a culpa é o que nos prende os movimentos e nos deixa imóveis. Nem sempre os outros nos "prendem", muitas vezes a culpa sentida é a nossa maior prisão...

margarida disse...

..Respeito!
Por experiencia própria do que tenho vivido e sentido, na carne viva, a culpa pode ser transformada alquimicamente e de acordo com a ciência da Física Quântica; quando assumimos a nossa responsabilidade do que causou a culpa. Foi como foi. Assumir é aceitar integrar e perceber que eu não sou perfeito; integrar as imperfeições e responsabilizar-se por elas quer dizer que somos adultos.
Só quando emocionalmente ainda somos adolescentes ficamos a remoer a culpa.
É muito bom fazer formação em Constelações Familiares, com abordagem sistémica fenomenológica; método de Bert Hellinger.
6ªsábado e domingo, passados, estive num workshop que foi muito mais que isso. So´quem lá esteve os 3 dias das 10h/20h, pode perceber o que digo.
Ingala Robl, a trainer que veio do México, demonstrou, através da vivência de cada partecipante e com cada um, o que é e como é ser Único . Direitos/deveres; livre arbítrio, Vínculo Familiar; Lealdades Invisíveis...Dinâmica oculta num comportamento ou padrão repetido...
É bom não ficar no obscuro, nem na falta, na agressão ou no crime. Transformar em AMOR. Tudo é uma questão de vida ou morte que está por baixo de todas as dinâmicas. Enquanto estamos na vida devemos honrar a vida, vivendo plenamente e procurando as ajudas necessárias.
Com todo o Amor Incondicional.
Margarida.

Anónimo disse...

Creio que a Mestra Maria Emília saberá entender os seus comentadores e até ajudá-los, a sua experiência é do conhecimento geral... vantagem da blogosfera é que cada um pode abrir o seu próprio blog para divulgar e partilhar as suas experiências, até porque fica muito mal usar a casa alheia para se destacar de alguma forma.

Senhora Mestra, grato pelo seu magnifíco blog!

margarida disse...

Cada um sabe de si e Deus sabe de todos...
Porquê anónimo?!...
Os blogs, são para serem comentados ou não? Não entendo. Mas respeito. E a Mestra Maria Emília nunca necessitou de advogados de defesa. Ela diz, sem papas na língua, o que tem a dizer a cada um dos seus alunos.
A Mestra conhece a minha Alma.
Os julgamentos, são como as acções ficam com quem os faz.
Luz Infinita e Paz para os nossos Corações inquietos.
Margarida/Radha:)

margarida disse...

Sr.Anónimo/a deste blog, lamento se o ofendi.
Agradeço-lhe, no entanto a chamada de atenção. Pensando melhor, este não deve ser um local de partilha entre nós. Mas apenas da Mestra Maria Emília. É isso, não é verdade?!
Obrigada pela observação. Só lamento nem todos nos entendermos. Mas a comunicação é mesmo assim. Eu aceito e integro isso.
Emissor e receptor nem sempre estão em sintonia. Somos todos "canais humanos" e por isso imperfeitos.
De coração, Obrigada pela sua lição, seja lá quem você fôr, É un filho do Universo, como eu. E como as árvores, os pássaros e as estrêlas temos direito a habitá-lo.
Não farei mais comentários neste blog. Fique em paz.

Anónimo disse...

Anonimo,uma breve observacao: da mesma forma que fica mal "usar a casa alheia para se destacar", fica ainda pior criticar, ainda para mais em anonimato. Sentiu-se de alguma forma intimidado com os comentarios de Margarida? O seu remate assim o espelhou.
Conheco bem a Margarida e se nao entendeu que a sua participacao foi partilhar de coracao aberto as suas experiencias, entao falhou em compreensao...

Anónimo disse...

FYI o meu nome è Susana

Maria Emília disse...

Bem... Parece que, de repente, andamos todos a bater no peito... Devido a circunstâncias particulares não tive ocasião de me pronunciar sobre o que acima foi dito. Normalmente, mantenho-me à distância e registo os comentarios aqui feitos como acções próprias e agradeço a atenção dispensada às minhas estórias. Na bolgosfera o anonimato é uma realidade, mesmo quando aparecem nomes. Há muitas Marias na terra!Embora saiba quem são algumas das pessoas que se dão ao trabalho de escreverem, não faz parte da minha intenção pessoalizar os assuntos porque a graça deste meio é, precisamente, a liberdade de pensamento, dentro dos assuntos expostos.
Agradeço a vossa atenção e continuarei a partilhar convosco as minhas vivências que julgo poderem interessar aos que passam por aqui.
Um abraço,
ME