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domingo, abril 26, 2009

SINCERIDADE



Tenho dias em que penso ter chegado ao fim a ideia de que preciso estar constantemente a reinventar a vida, quando me dou conta dos anos que já vivi. A etapa em que me encontro manifesta-se em períodos de grande calma e alguma serenidade. Digo, alguma, porque não me posso gabar de ter alcançado aquela paz de espírito que, talvez devesse ter atingido, vencidas inúmeras batalhas e obtidas umas tantas medalhas pelos objectivos conseguidos. Dia após dia, mergulho no meu sentir, esperando respostas que demoram a chegar ou que, simplesmente, para as quais não tenho perguntas... não sei se me faço entender!!!
Com a idade que tenho e o trabalho de auto-conhecimento que tenho procurado fazer, sei que, se por um lado me falta paixão, por outro não preciso dela, pois não tenho dúvidas de que farei sempre aquilo que me parecer suficientemente atractivo e importante para pôr a minha energia ao serviço dessa meta. Fazer-me falta a ideia de paixão/entusiasmo é uma coisa mais mental do que física, memórias que, de vez em quando, me tomam de assalto e me põem a questionar se, na verdade, o que importa mesmo é sentir o amor que dispara quando sou chamada para entrar em acção ou isso não chega...
A maturidade estabelecida e o tempo que me sobra das tarefas diárias que integram o meu horário de trabalho e a dedicação à casa e à família, permite-me saborear cada momento, sem expectativas, mas com a certeza de que, seja o que for que esteja a fazer, é sempre um tempo útil para mim e para os que me rodeiam. Largos períodos de meditação que não obedecem senão à regra que esse acto implica, total absorção, completa calma.
Os pensamentos voam ao encontro de todos quantos se encontram ao meu alcance e, de repente, posso ser chamada à realidade através de contactos mais directos. Posta no meu sossego, alguém me acorda através da internet ou de um “sms”, normal contacto telefónico ou me bate à porta, depois de longa ausência, seja para marcar presença e mitigar saudades, pedir ajuda em alguma aflição ou partilhar acontecimentos relevantes das suas vidas. Tal como disse no texto anterior, quem pertence a um Grupo de Almas, formado algures no tempo e no espaço, está permanentemente ligado, mesmo que, temporariamente, fisicamente afastado. O corpo é apenas uma manifestação da nossa materialidade!
Sinceramente, esta calma que hoje vivo não tem nada a ver com inércia, nem tão pouco desinteresse pela vida. É uma necessidade absoluta de silêncio e disponibilidade interior para receber no meu seio aqueles e aquilo que estiver no meu plano kármico. A falta de paixão é perfeitamente compensada pela sensação de dever cumprido (Dharma).
Grata pela vossa presença.
Fiquem bem!

sexta-feira, abril 17, 2009

GRUPO DE ALMAS


A energia desenvolvida através da meditação feita em grupo provoca uma aceleração do processo em que cada membro está inserido. O campo magnético, assim criado, intensifica-se, permitindo acções de purificação e torna-se alimento para o corpo e para a alma. A consciência individual inserida num grupo catalisa um sentido de unidade e de participação em que a frequência energética se torna uma força poderosa que serve propósitos elevados em todas as circunstâncias, ao mesmo tempo que nos permite viver em liberdade, com a certeza de que as presenças sentidas são aquelas necessárias a cada momento ou circunstância. A ideia de que estamos sós, mas não sozinhos.
Quando somos iniciados em sistemas de ordem espiritual, passamos a inter-agir dentro da dinâmica em que estamos inseridos, procurando subir o nível da nossa consciência grupal, enquanto crescemos como indivíduos na luta pela vida. As trocas de energia vão-se dando continuamente, sem que haja um esforço ou preocupação para que se dê a sua concretização. Alcançamos o estado de amor incondicional que passa a ser o “ar” que respiramos. As nossas defesas mantêm-se activas sem, no entanto, nos isolarem. As experiências vividas serão sempre de molde a potenciar o nosso desenvolvimento como seres espirituais que somos. A nossa presença manifesta-se muito para além do ambiente habitual em que vivemos, família e amigos ou ambiente de trabalho.
O pensamento torna-se numa força que transpõe barreiras e entra em contacto com todos aqueles que estão em processo de cura ou, simplesmente, para absorver a energia necessária para aquele momento ou circunstância. Os “encontros” no campo sideral são um belo refúgio e um gozo para os sentidos quando entramos em contacto com os nossos pares, os nossos guias e mestres. A presença física deixa de ser tão importante, embora emocionalmente nos possa satisfazer. Quanto mais receptivos e abertos estivermos, mais fácil se tornará expressar o amor que assim se cria e se desenvolve.
Meditar em grupo é a mais valia que se aplica a quem despertou a consciência de alguma maneira e se disponibilizou para viver as experiências que essa condição proporciona, com a responsabilidade que acarreta a participação nesse círculo de energia, de frequência cada vez mais elevada. A harmonização do grupo depende de todos e de cada um e a sua consistência é, verdadeiramente, palpável! Quando aqui me “mostro” naquilo que vou partilhando convosco, é uma das meditações em grupo que me dá grande prazer, pois sinto a presença de todas as almas que se apresentam para a leitura destes escritos que brotam do meu ser mais profundo, mantendo contacto sincero e proveitoso para o trabalho que temos de fazer nesta passagem pela Vida.
Fiquem bem!

domingo, abril 05, 2009

PÁSCOA




Agora que a Primavera se instalou e nos promete dias de Sol e campos floridos, só temos de gozar esta passagem que se manifesta no ritual da Páscoa. Na minha família, embora não sejamos cristãos praticantes, no sentido que esse termo pretende significar, temos por hábito reunirmo-nos ao almoço no domingo de Páscoa. Enquanto no Natal distribuímos presentes e fazemos filhós, nesta época preparamos e pintamos ovos cozidos que distribuímos nesse dia. A minha filha e os meus netos mais velhos costumam participar nessa acção criativa que nos dá imenso prazer, pois cada um se aplica o melhor que sabe e pode, aproveitando para pôr a conversa em dia.
Este ano a cerimónia será um pouco diferente porque resolvemos aproveitar para festejar as nossas bodas de ouro. Faz, precisamente, 50 anos que desembarquei em Goa, já casada (por procuração, que os meus pais não me deixavam partir solteira...) e pronta para receber a bênção nupcial que teve lugar junto ao altar da igreja onde se encontra o túmulo de S. Francisco Xavier. Como nos tínhamos casado durante o período da Quaresma, essa bênção só nos foi concedida depois da Páscoa, tendo aproveitado para o fazer naquele lugar sagrado com o capelão da Marinha.
O tempo passa e vamos deixando que as memórias positivas marquem a sua presença nesta longa vida em comum, com a certeza de que esta união deu os seus frutos e que filhos e netos seguirão com a herança de valores morais e éticos, por nós deixados. Ficou muito por fazer, muito por dizer? Claro que arrependimentos e tristezas não faltam mas, em compensação, sobra-nos o orgulho de podermos contribuir com a nossa presença e as nossas acções, para a manutenção da harmonia da família, à qual se têm vindo a juntar, os que pertencem ao nosso Grupo de Almas. O nosso sentir é uma força criadora e criativa que nos tem permitido sobreviver a momentos de grande dificuldade, bem como tirar imenso prazer com as coisas simples da existência. Pessoalmente, o que me importa é não arrastar mágoas, nem desilusões, quais sombras que, por vezes, custam a despegar e nos impedem de seguir em frente, leves e livres.
Nesta nova passagem que é a Páscoa, desejo a todos que a vivam em alegria e na esperança de que cada dia nascerá em Paz e com o Sol a inundar a Terra com a sua luz.
Um abraço. Fiquem bem!