EXERIÊNCIAS VIVAS

 

EXPERIÊNCIAS VIVAS

Continuando a lembrar o tempo em que o yoga me veio bater à porta, e que me levou a enveredar pelo ensino, afim de partilhar os conhecimentos adquiridos com a prática, mais o que ia sentindo no corpo e na mente. Aquela sessão em que tivemos de substituir a nossa mestra, mais uma ou duas vezes, em que tivemos de tomar o seu lugar, marcou-nos muito! Entretanto deu-se o 25 de Abril, a minha vida familiar seguia o melhor possível, com a prática do yoga a seguir firme, até a nossa mestra nos sugerir que enveredássemos pelo seu ensino. Fiquei bastante espantada, pois tinha a noção de que, 18 meses de experiência, não me faziam habilitada para tomar essa responsabilidade, o que me levou a mostra-lhe a minha admiração e dúvida. No entanto, ela afirmou que, tinha sim senhor, que só precisava de ler uns livros e uns apontamentos, que me emprestaria durante as férias de Verão. Depois era só arranjar um sítio e um pequeno grupo para começar a experiência em Outubro.

Um pouco inconscientemente, talvez, acabei por me entusiasmar com a ideia e deitei mãos à obra: estudei os apontamentos, e o livro 28 Dias De Prática De Yoga de Hittleman, começando a semear a ideia junto a um grupo de amigas, que algumas prontamente aderiram. Foi assim que consegui formar o meu primeiro pequeno grupo, dando as primeiras aulas na Piscina dos Olivais, numa sala reservada às aulas de judo, em Novembro de 1975. Foi bom, mas sentia que era só o primeiro passo, com pouca segurança. Cada dia que passava sentia a minha ignorância, e quanto me sentia mal preparada para ensinar, e até que ponto, essa era uma grande responsabilidade! No entanto, a boa resposta dada, pelos que se sujeitaram, animaram-me a continuar, apesar da pena que tinha ao constatar que a nossa mestra não nos daria algum apoio. Talvez que ela soubesse que talvez fosse melhor assim… Por ter vivido esta experiência daquela maneira, apostei sempre em acompanhar os instrutores que vim a formar mais tarde. A vontade de continuar foi mais forte, e nunca mais olhei para trás, mesmo que alguns obstáculos tivessem sido tão difíceis de ultrapassar, chegando, por vezes, a duvidar da continuação desta nova experiência de vida.

Como o yoga modificou a minha maneira de olhar a vida e, acreditando na sua mais valia, comecei a sentir a responsabilidade que implicava aquele trabalho, por isso, a minha amiga e eu, resolvemos juntar uns trocos e procurar fora de Portugal quem nos ensinasse com propriedade. Através do Instituto Britânico, que eu frequentava, conseguimos obter as informações necessárias para avançarmos com a ideia. Depois de várias consultas, acabámos por ir parar ao país de Gales, num curso de Verão.  Corria o ano de 1976. A partir daí, as portas começaram a abrir-se e, nos anos seguintes, encontrámos outros cursos, em Londres, por ser mais acessível do que perto de Cardiff, onde nos iniciámos nesta aventura. Os contactos estabelecidos, mais informação, fizeram com que ficássemos mais bem preparadas, mais confiantes e determinadas.

Mais tarde, comecei a dar aulas no Clube Atlético de Alvalade, porque os Olivais, à época, era um bairro tipo dormitório, e não conseguia ter mais alunos. A minha amiga abriu um Centro de Yoga em Lisboa, onde trabalhei durante alguns anos, depois de deixar o Clube, e até começar a entender que os nossos objectivos e interesses não se identificavam. Acabei por sair e abrir o meu próprio centro de yoga em Almada, - “SATSANGA – CENTRO DE YOGA” - Uma vez que, lá   dava aulas regularmente, em salas alugadas. Mais tarde abri o centro em Lisboa, mantendo os dois a funcionar enquanto foi viável. Assim nasceu uma escola, de que me honro ter concretizado a ideia de que esta filosofia tem muito para oferecer, para além do HathaYoga, o conjunto de exercícios, que nos permitem ter mais consciência do corpo, como elemento fundamental, no processo de desenvolvimento e libertação da mente.

Yoga é ter a consciência das accões de cada dia,

 ser e estar, sem expectativas.


                            


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