SURPREENDIDAD POR MEMÓRIAS
SURPREENDIDA POR MEMÓRIAS
Tenho
umas gavetas, a que chamo das memórias, onde guardo as provas de vivências e
recordações de experiências, para além das coisas do dia-a-dia. Uma pequena reserva
para os vindouros, como herança. São provas físicas que têm a sua importância
para que a minha memória não se apague! O valor é, naturalmente, relativo, mas
sinto que também gosto das lembranças herdadas. Esta conversa serve de ponto de
partida para dizer que, numa daquelas gavetas dei de caras com um envelope, com
fotografias antigas. Encontrei umas que chamaram mais a minha atenção,
recordações de vivências na minha jornada de trabalhos feitos nos primórdios do
caminho, que havia encetado na prática do yoga.
No texto
RETROSPECTIVA publicado, contei sobre a lembrança registada numa dessas
fotografias e agora, vou contar sobre outras tantas. São os registos da
primeira experiência do primeiro retiro de yoga que fizemos, a minha amiga e
eu. O entusiasmo era grande, o que valia para compensar a pouca competência do
assunto. Corria o ano de 1980, e contávamos dois anos como instructoras, com
mais alunos, pois, também eles se mostraram entusiasmados com a ideia, prontos
para colaborar. Como as coisas correram bem, foi possível repetir a experiência,
em que esta colaboração ainda funcionava. Mais tarde, houve uma natural,
separação, e cada uma embarcou na sua senda. Os retiros são programas muito
exigentes, requerendo um grande esforço e combinação de ajudas, essenciais ao
seu bom resultado. Não tenho em conta os que organizei, mas guardo na lembrança
todos os momentos vividos, como mais uma oportunidade de fortalecer as muitas
amizades que perduram até hoje.
As
memórias são factores de referência, que me fazem acreditar quanto vale a
vontade de dar a mão a quem se apresenta com o desejo de ir à descoberta do seu
ser e do seu estar, um autoconhecimento que permite adquirir confiança e
determinação, para viverem com os pés bem assentes na terra e a cabeça nas
nuvens. Prontos, porque têm a capacidade, disponíveis para receberem
informações, e as ajudas dos mestres e dos guias que os assistem. Daí a
importância de aprender a meditar e de ter um acompanhamento regular, para que se
sintam sós, mas não sozinhos! Enveredar por estes caminhos, pode ser solitário,
percebendo como é importante perceber que o poder está, realmente em nós, e que
nada nem ninguém nos pode impedir de nos afirmarmos como guerrilheiros e
descobridores, neste mundo em que as mudanças seguem imparáveis, numa sociedade
em que a tecnologia tem o principal papel e os afectos a passar mais ao lado. Estar num grupo de almas é por isso, o factor
primordial, em que o sentir se torna como elemento principal, garantindo
segurança e conforto, numa relação em que o corpo, a servir de pêndulo, dá uma
orientação própria.
Rever
memórias, sem saudosismos, dá-me conforto, sabendo até que ponto vivi o
privilégio de ter a companhia necessária e aprendizagem, para me encontrar como
pessoa inteira, com as boas intenções sempre postas em cada acção, garantindo
assim, o cumprimento do karma que me foi reservado.


Comentários