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terça-feira, março 21, 2006

ENCRUZILHADA


As encruzilhadas da Vida dão-nos uma hipótese de escolha para seguirmos sem vacilar, prosseguindo no cumprimento dos objectivos da nossa existência. Basta dar um pouco de atenção para perceber qual o Caminho que nos serve.”

Retomando o fio à meada, passo a contar-vos como fomos parar a Espanha, depois de quatro anos a voar até ao Reino Unido. A nossa revolução foi evoluindo aos sobressaltos e, com ela, a nossa moeda foi dando saltos para baixo... E, vai daí, começámos a pôr as antenas no ar para nos virarmos para Espanha afim de continuarmos com a nossa formação como Instrutoras de Yoga. Para além de ser mais barato, pensámos que seria uma boa ideia começar a levar alunos que estivessem dispostos a avançar com os necessários conhecimentos e a respectiva prática. Como sempre, veio-nos parar às mãos informação sobre a “Asociacion de Yoga Sivananda” de Madrid, tendo despertado o nosso interesse o programa que nos apresentaram para umas Férias ióguicas. A língua foi, também, um factor a ter em conta, pois haveria mais gente a entender castelhano do que inglês. Meu dito, meu feito... Metemo-nos numa camioneta com uma das alunas e, chegadas a Madrid, apanhámos outra para Arenas de São Pedro que fica na Serra de Gredos que pertence à cordilheira da Serra da Estrela. As ditas férias passavam-se num seminário que os padres alugavam para estas práticas. A zona era encantadora e a recepção dos nossos companheiros deixou-nos satisfeitas e animadas.
Esta estadia de uma semana, foi mais um mergulho na Filosofia do Yoga Integral. Aqui tivemos um verdadeiro banho espiritual, ao mesmo tempo que nos marcou como método ou escola. Começávamos o dia às seis e meia da manhã com uma meditação onde se incluíam cânticos em sânscrito. Ao fim de uma hora, depois dum breve intervalo, apresentávamo-nos para uma aula de “Hatha Yoga” de uma hora e meia. Seguia-se o pequeno almoço que satisfazia plenamente o nosso já avançado apetite. Tempo para lavagens e arrumações dos quartos antes de nos apresentarmos para uma palestra do Suami Sivayotir (Mestre de Yoga, equivalente a monge). No intervalo para o almoço aproveitávamos para dar uns passeios e fazer pic-nics nas redondezas ou, simplesmente, descansar para conseguir aguentar o resto do dia aproveitando ao máximo os ensinamentos e a prática proposta. À tarde voltávamos a ter aula de “Hatha Yoga”, intervalo até ao jantar, terminando o dia com nova meditação e cânticos. Escusado será dizer que não tínhamos dificuldade alguma para adormecer...
Foram dias inesquecíveis que me marcaram a ponto de ter tomado aquele espírito como um guia para o meu trabalho futuro. Muito cedo me apercebi da necessidade de ter uma orientação, um método que me ajudasse a apresentar aos alunos um Caminho no Yoga que fosse credível e acessível aos ocidentais, sem deturpar a filosofia básica e, este, servia-me muito bem. O Mestre Sivananda, um médico indiano, dedicou toda a sua vida a mostrar o Yoga como forma de Vida na sua essência prática e, ao mesmo tempo de grande elevação espiritual e foi isso que me atraiu e me fez aderir à “Asociacion de Yoga Sivananda”, nessa altura dirigida por Suami Devananda, um discípulo de Sivananda que se estabeleceu no Canada e na Europa.
A partir destas férias a nossa vida mudou radicalmente. Passámos a dedicar a nossa atenção à divulgação desta prática com a ajuda dos nossos amigos espanhóis que se prontificaram a vir a Lisboa nessa missão. Esperava-nos uma grande azáfama, algumas dores de cabeça, uns tantos sustos que a falta de experiência nos proporcionou e muita satisfação sempre que levávamos a bom porto qualquer das tarefas propostas. Nesta encruzilhada, a família acompanhou-nos como poude, começando a aceitar que o que tínhamos começado como uma brincadeira se estava a tornar num caso sério. Felizmente a inteligência emocional predominante, permitiu que obstáculos fossem ultrapassados a contento de todos. Não posso deixar de estar grata pela parte que me toca; sem o apoio do meu marido, dos meus filhos e da minha Mãe teria sido bem difícil viver experiências tão intensas quanto transcendentes.
Até breve. Fiquem bem.

3 comentários:

aldina disse...

É de facto louvável, em qualquer altura mas mais ainda à época, uma familia solidária com um destimo tão desconhecido em geral... Mas mais impressionante ainda é a determinação e a forte convicção que a tornam uma pessoa dedicada a uma missão, esperando com fé a definição dos contornos dessa mesma missão que hoje sabemos ser o Yoga e de tantas outras ramificações desta sábia e milenar filosofia que a maria emilia representa e partilha com tantas pessoas agradecidas por isso (eu, seguramente:-)

beijinhos

Adoro quando a nossa missão determina os nossos hábitos e rotinas...

Maria Emília disse...

Eu própria me espanto como foi que tudo acontceu e vai acontecendo... Sinto-me previligiada e, às vezes, assustada com a responsabilidade. Sei, no entanto, que não podia, não posso, fazer de outro modo, por isso aqui estou enquanto me sentir útil e satisfeita.

Beijos

Yoga disse...

...
acrescenta um ponto!

:)