A minha Lista de blogues

terça-feira, janeiro 31, 2006

LISBOA, PORTO DE ABRIGO, PONTO DE PARTIDA

Quando, finalmente, conseguimos pôr fim às separações fizemos de Lisboa o nosso porto de abrigo e começámos uma nova vida. A adaptação não foi fácil, apesar da vantagem de termos a família reunida. Foram tempos em que tivemos de voltar a conhecermo-nos e a lidar com tantos feitios e maneiras de ser. Os pequenos mais velhos mudaram de escola para ficarem ao pé de casa, a mais velhinha também começou a sua vida de estudante e, assim por diante, até que estivessem todos na escola primária do bairro. O dinheiro não abundava e tão pouco as mordomias de índole africana, por isso, o meu marido foi obrigado a procurar trabalho extra fora da Marinha, enquanto eu me ocupava a tempo inteiro das crianças e lides da casa. Tinha de acompanhar os estudos e as actividades dos miúdos, coisa que me enchia bastante o dia. Entretanto, o trabalho que o meu marido arranjou, foi progredindo a ponto de o fazer pensar em deixar a Marinha e passar a dedicar-se a uma actividade civil, mais rentável e mais interessante. Aproveitando uma aberta dada pelo Ministério da Marinha que facilitava a saída dos oficiais, ele passou à reserva, cerca de dois anos depois da chegada de Moçambique. Infelizmente as condições em que essa saída era permitida, não se podiam considerar as melhores! Foi-lhe retirado o bilhete de Identidade militar e o direito à pensão de reserva, apesar dos anos de serviço que contava!!! Assim, mesmo... Esses direitos só lhe foram devolvidos muitos anos depois de 25 de Abril, através de esforços duma comissão organizada para o efeito. Saiu, pois, com as mãos a abanar e, não sei como, lá nos escapámos da necessidade de irmos para a porta da Igreja com as crianças... Coisa que eu dizia a brincar, mas não muito longe da verdade. Foram tempos bastante difíceis que ultrapassámos como tantos os outros, a lutar e de pés assentes no chão.
Nesse mesmo ano, o meu irmão mais novo foi chamado novamente para a tropa e lá partiu para Timor, onde a mulher e as duas filhas se foram juntar mais tarde. Viviam perto de nós e a sua partida custou-nos muito. O desapego persegue-nos, não há dúvida! Começámos a passar férias em Sesimbra, sempre em Setembro por ser o mês mais barato, até que, por meio de uma herança, a nossa vida melhorou a ponto de podermos comprar um apartamento naquela vila piscatória de grande encanto, onde passámos bons momentos. O meu irmão, entretanto regressado de Timor, associou-se à ideia e passámos a ser duplamente vizinhos, voltando ao convívio familiar alargado e, mais ainda com a chegada dum novo sobrinho.
A adolescência dos nossos filhos foi praticamente passada lá, nas férias e fins de semana possíveis. As recordações desses tempos prevalecem frescas na memória de todos. Por lá fizemos amizades que resistem até hoje, mesmo que o contacto não seja frequente. Pelo caminho ficaram experiências menos gratificantes e algumas faltas de saúde pontuais, próprias de quem está sujeito à matéria densa. Felizmente tudo se foi superando com o ânimo de quem acredita na força da solidariedade que nunca nos tem faltado graças aos Deuses que nos assistem.
Esta fase da minha vida não tem grandes estórias para contar, para além daquelas iguais a tanta gente que, como nós se aplica a criar uma família, respeitando os valores tradicionais e usando de criatividade e empenho para que as crianças de ontem se fizessem homens e mulheres dignos, espelho daquilo que lhes fomos mostrando ao longo dos anos. Como sabem, casei muito nova; tive os quatro filhos seguidos e, esse facto, fez com que ficasse mais livre bastante cedo. Com o sentido prático que me assiste, procurei uma ocupação para além das habituais domésticas para não cair na neura que já havia experimentado em Lourenço Marques. O meu marido passou a andar noutras “guerras” e chegava sempre muito tarde a casa. Não me deu para arranjar emprego porque, em Lisboa isso não era fácil e não tinha empregados. Voltei, então, a estudar inglês no Instituto Britânico, acompanhada da minha cunhada. Por lá andei quatro anos, aprendendo tudo que estava ao meu alcance e nos ofereciam como programa. Foram tempos agradáveis, passados em contacto com gente nova e uma grande abertura de espírito própria da educação anglo-saxónica. Ao mesmo tempo, praticava ginástica, até que... me encontrei com o Yoga, uma modalidade nova na época. Esse encontro provocou em mim uma enorme revolução, seguida de outra de natureza política (25 de Abril). Começa aqui outra estória, mas, isso fica para o próximo capítulo se não se importam!
Fiquem bem.

OM SHANTI

terça-feira, janeiro 24, 2006

VISÃO CÓSMICA

A visão cósmica permite alcançar as mais altas esferas, aí onde reinam os Deuses, os Anjos e os Mestres que entram em sintonia com a Terra e os seus habitantes, aqueles que estão prontos para receber esse contacto superior e podem concretizar os objectivos que a propagação das ideias de Paz necessita. Essa capacidade é determinante para a obtenção dos resultados desejados e absolutamente necessários nesta era.
Concentrem-se, pois, nesse objectivo que está ao alcance dos Seres que trabalham a sua consciência, purificando-a e alimentando-a com a Energia canalizada para um espaço onde habita o Grupo de Almas que se dedica à missão de pacificação da Terra e dos Homens.
A divulgação dessas ideias passa por uma capacidade de concentração e a sua propagação faz-se sem esforço e sem Ego. O EU que são como Grupo Espiritual, está acima de tudo, de todos e cada um!
Estamos convosco sempre.

SETH

Esta mensagem foi dirigida ao Grupo de Almas a que pertenço e que habita no “Satsanga – Centro de Yoga” e que tem por hábito meditar todas as 3ªs feiras à noite. Esta prática teve início em 1983 e, embora a sua composição tenha variado, há uma vibração que prevalece e que, nestes últimos anos, tem vindo a estabelecer-se com alguma constância e frutos suculentos e saborosos. Meditar em grupo é uma experiência fora de série, um privilégio que se ganha com a persistência e uma continuidade sem expectativas. Formamos uma corrente de energia, cujos elos se mantêm fortes, com a consciência da sua individualidade no TODO a que pertencem.
Estas informações que vos vou passando são importantes para eu ir construindo as minhas estórias do passado com ligação ao presente. O passado conta, na medida em que nos projecta para o futuro que começa aqui e agora. O Mestre Seth é uma entidade com características pedagógicas que nos tem dado inúmeras lições, ajudando-nos a fazer esta Senda com Amor e segurança. O seu contacto abriu-nos um portal de acesso ao Mundo de uma vibração muito alta, para o qual tivemos de nos preparar e, principalmente, disponibilizar sem apego, com toda a humildade e confiança.
O Caminho Espiritual não é feito com esforço, mas necessita de uma aprendizagem constante e uma atenção sem tréguas. Precisa, igualmente, de orientação, de uma estrutura para que as matérias não se confundam, daí a necessidade da criação deste espaço que se pode tomar como um Chakra na Terra. Há regras básicas que são fundamentais para não nos deixarmos levar por sonhos ou ideias erróneas, regras essas há muito formuladas por grandes Mestres ao longo dos tempos. Não basta meditar para se chegar aonde queremos chegar. Até lá, passa-se por um processo de purificação que tem a ver com memórias e culturas que, por vezes, nos impedem de avançar sem fantasias. Costumo dizer que o que importa é ter os pés na terra e a cabeça nas nuvens, ou seja, desenvolver a intuição sem esquecer que as informações captadas precisam de ser materializadas e que tudo o que aprendemos possa servir a comunidade em que estamos inseridos, seja ela familiar, social ou espiritual. Pensamento e acção em harmonia para todos os efeitos.
O ponto a que chegaram as minhas estórias de vida, aproxima-se da época em que tive a felicidade de despertar para o Yoga como filosofia de vida, o que muito me valeu para enfrentar problemas e desgostos. Estas “conversas” que vamos tendo vão fluindo como sempre, com Amor, sem expectativas, mas com a certeza dum contacto fraterno com quem se manifesta e com todos os que por aqui passarem.
Obrigada pela vossa atenção.
Até breve. Fiquem bem!

domingo, janeiro 22, 2006

O HOMEM PÕE E O KARMA DISPÕE


Aeroporto de Metangula e a Casa da Palhota

A vida de ciganos continua... Estávamos nós postos em sossego, eis senão quando o meu marido foi destacado para um novo comando de lanchas, desta vez, num local de guerra, o Lago Niassa. Esta notícia caiu na nossa casa como uma bomba!!! Mudanças, separações e outras condições de vida que nada tinham a ver com as que usufruíamos naquele momento. Foi uma nomeação bastante injusta, mas impossível de alterar como devem calcular. Depois de muito pensar, ficou decidido que, apesar das circunstâncias serem adversas e, contrariando poderes estabelecidos, resolvemos ir também. Como não podíamos levar a família toda, optámos por levar as miúdas e o filho mais velho que já andava na escola. A decisão foi muito dolorosa pois obrigava a destacar um dos membros. Como o mais velho tinha ficado em Lisboa da primeira vez, achámos que seria a vez do irmão gozar os mimos dos avós. Creio que esse facto deixou marcas no pequeno que, mais tarde se sentiu “rejeitado”, o que me provocou alguma mágoa. Estas situações nunca são lineares e, quando tomamos uma atitude há que aguentar as consequências. Penso que as intenções com que agimos definem os resultados a longo prazo, é assim que funciona a lei do Karma, mas o que foi feito, foi feito. E, foi assim que o nosso segundo filho voou até Lisboa e, nós, depois de muitas lutas, lá seguimos para Metangula, no Lago Niassa (Norte de Moçambique). Seguimos de avião até à Beira, de lá para Vila Cabral e, por fim, seguimos num pequeno avião, um Cessna, até aterrarmos neste “aeroporto” que, como podem ver na foto, não era de grandes dimensões. Os aviões de carga, por vezes, tinham alguma dificuldade em acertar no alvo… É preciso que se diga que só se podia chegar lá de avião porque as estradas estavam minadas. Aliás, a chegada de um avião aquelas longínquas paragens, era um acontecimento. Lá aterrámos, saudados por quem nos havia antecedido nessa aventura. A casa que alugámos, era bastante pequena, duas divisões e uma cozinha e foi essa a razão de não podermos ir todos. Os amigos que lá tinham vivido haviam mandado construir uma palhota que nos servia de casa de jantar e sala de convívio. A casa era, por isso, conhecida pela Casa da Palhota. Lá recebíamos os oficiais que não tinham família e mais alguns dos destemidos como nós. As senhoras reuniam-se para passar o tempo a conversar, fazer malha ou trocar receitas. Tenho uma bela colecção dessas receitas que tinham total aprovação dos que nos acompanhavam num café ao serão, sempre houvesse disponibilidade. Nessas ocasiões, fazíamos questão de nos arranjar a preceito, apesar das condições selvagens em que nos encontrávamos. Uma atitude de grande importância para que o moral se mantivesse elevado e a dignidade ao mais alto nível. Uma das ocupações que me entusiasmava era a horta; uma vez mais a terra a chamar por mim... A verdade é que naquelas terras tudo crescia com imensa rapidez e facilidade; tornou-se um gosto ver como as coisas se desenvolviam. Aliás tive cuidado de levar várias sementes pois por lá nada se arranjava. As crianças adaptaram-se bem. A guerra que pairava pelas redondezas nunca impediu a sua alegria de se manifestar nas brincadeiras ao ar livre. A vida passava-se no espaço bastante limitado, não podíamos sair da zona de influência da base; as casas de habitação (umas três ou quatro), formavam um pequeno bairro em segurança. Quantas vezes nos dávamos conta dos bombardeamentos feitos na aldeia indígena... “Lá estão eles a atacar a aldeia...”, dizíamos nós. Como sempre acontece em estados de guerra, procurava-se dar alguma comodidade ao pessoal e, uma delas foi a construção duma pequena praia artificial onde tomámos uns belos banhos de água doce e onde nos lavávamos quando nos faltava a água em casa. Era muito engraçado pegar no champô, subir para um colchão de praia para nos afastarmos um pouco e proceder à respectiva higiene. O Lago Niassa é enorme, medindo cerca de 52 milhas de largura e 365 milhas de comprimento (as semanas e os dias dum ano), o que faz dele um mar interior, com ondas e tudo. A água era muito limpa e de boa temperatura. Pelo que constatei na Internet, faz-se por lá turismo organizado, sobretudo na zona do Malawi.
Enquanto isto, o meu irmão casou-se, tendo-nos representado o nosso filho. Já a minha irmã se tinha casado quando estávamos na Índia e um dos seus filhos, meu afilhado, só vim a conhecer depois. Dos acontecimentos fiquei a par por fotos que vi mais tarde, quando regressei. Pior foi quando passados uns cinco meses, sofri o grande choque ao saber, via telegrama, da morte do meu Pai! O choque foi maior pelo facto de só ter sabido do acontecimento uma semana depois... Eram difíceis as comunicações e, mesmo assim, só soube de pormenores por carta bastante mais tarde. Restam-me as saudades duma figura que foi marcante no meu desenvolvimento como Ser e como personalidade. Sinto que estou, até, mais parecida com ele no que toca feitio e filosofia de vida. Ele, médico dedicado, eu uma curadora com vontade de ajudar as almas que de mim se aproximam.
O nosso filho mais velho frequentava a escola local, mas como a maioria mal falava português, o pequeno não estava a aprender nada e, por essa razão, achámos melhor mandá-lo também para Lisboa, onde se juntou ao irmão. Nova separação e as saudades a apertarem. Esta passagem terminou quando nos apercebemos da necessidade de vir dar apoio à minha Mãe que anunciava dificuldade em lidar sozinha com os dois rapazes, apesar da ajuda da velha criada/avó. Regressei, pois, a Lisboa quase quatro anos volvidos. O meu marido chegaria uns meses depois. A partir dessa altura, iniciámos uma outra vida, mais pacata e sem outras mudanças que não fossem as de nos habituarmos a viver com as dificuldades próprias de quem tem uma grande família, com pouco dinheiro e novos hábitos, mas com a felicidade de, por fim, estarmos todos juntos!!!

Logo vos conto.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

DEUSES E ANJOS

“Estar com os outros significa uma disponibilidade que se manifesta nos gestos e nas palavras, sejam escritas ou faladas, que se projectam sem que haja preocupação com a direcção a seguir.
A energia trabalha-se a cada instante e é importante não actuar com demasiada preocupação, mas com toda a atenção para que a sintonia aconteça de forma certa.”
Ismael

Já vos tenho falado dos meus Deuses e dos Anjos que me assistem. O Anjo Ismael é um deles e, de vez em quando, contacta comigo, seja através da escrita automática ou por meio de alguém que o personifique, assumindo o papel de mensageiro ou mediador. Achei que estas palavras serviam de prelúdio para a próxima estória, que tem muito que contar. Também vai ficando mais clara a intenção deste meu Blog. Aproveito, igualmente, para agradecer a presença daqueles que com ele têm convivido, participando com os seus comentários que me chegam, igualmente, via e.mail ou de viva voz. Vivemos de memórias que se activam sempre que nos debruçamos sobre elas, lembrando-nos de que a nossa história é sagrada, na medida em que com ela aprendemos as lições que nos faziam falta para sermos o que somos hoje.
Até breve

sábado, janeiro 14, 2006

ALBUM DE RECORDAÇÕES

CASA DA MACHAVA







VIAGEM À ÁFRICA DO SUL


REVIRAVOLTA NO KARMA

Um dia, o meu marido chegou a casa com a novidade de que havia a possibilidade dele sair do navio e passar a ter funções em terra, o que permitia prolongar a comissão e trazer o resto da Família. É claro que, como as condições eram atractivas, ficámos entusiasmados e ansiosos por ter a confirmação de que a ideia ia avante. E foi!!!
Para que os nossos dois filhos viessem, pedimos a ajuda da minha sogra que acabou por aceitar trazê-los de barco e ficar connosco uns meses. O avião continuava fora do nosso alcance... e, assim aconteceu termos ido parar à Estação Radio Naval que ficava a 15 km de Lourenço Marques, na Machava. Como o lugar era de direcção tivemos direito a uma bela casa que pertencia a um aglomerado de outras tantas onde vivia o resto do pessoal, para além do quartel dos Fuzileiros.
A casa era, realmente, excelente. Tinha um belo jardim e, nas traseiras, uma horta com galinheiro e coelheira. No recinto havia uma piscina que fazia as delícias das crianças e dos adultos ao fim de semana. Para além disso, campos de ténis onde se praticavam umas jogatanas ao fim da tarde, normalmente seguidas de umas bebidas na varanda, antes da chegada dos mosquitos… A nossa casa passou a ser uma espécie de Clube, no entanto, durante a semana sentia-me sozinha e pouco ocupada para meu gosto. As crianças mais velhas andavam na escola e havia uma natural abundância de empregados competentes que não me deixavam ocupar das lides da casa, para além de ir às compras e dar uma orientação aos serviços. Começou-me a dar a neura, porque, diga-se em abono da verdade, não sou muito sociável e, por isso, me tornei quase uma eremita. O meu marido, ocupado com as “guerras” e as saudades da família, puseram-me os nervos em franja, até que, por conta própria, resolvi arranjar um part-time e, mais tarde, a conselho dum médico inteligente, tirei a carta de condução e comprámos um carrito em segunda mão que me permitiu uma maior facilidade de deslocação para a cidade onde me encontrava com a minha prima ou me ocupava com compras feitas na Baixa. O trabalho no escritório que me aceitou como tradutora, preenchia-me as tardes, o que foi suficiente para “concertar” a minha cabecinha. Ainda não praticava Yoga, mas a intuição manifestava-se no sentido de perceber que o meu problema era eu que tinha de resolver!
Os dias foram-se passando. Comecei a criar coelhos, a partir duma coelha que tinha comprado para um jantar, mas à qual não tivemos coragem para lhe dar esse destino; como a minha vizinha tinha coelhos, foi fácil arranjar-lhe um marido… O problema é que, sabem como são os coelhos, tive de os começar a vender no mercado, visto que nem pensar em comê-los! Tínhamos uma gata que, também se reproduzia por conta própria!... Bicharada não faltava naquela casa; as crianças adoravam aqueles brinquedos vivos. A horta era um grande orgulho meu, pois dava umas alfaces formidáveis, para além de outros legumes próprios do clima que nos sabiam muito bem. Fui criando amizade com uma família que morava perto. Eles foram muito importantes pois colaboravam comigo quanto a tomar conta das crianças sempre que era preciso, para além da amizade que fez de nós compadres quando lhes nasceu uma filha. Com a sua colaboração, pudemos fazer uma bela viagem à África do Sul, Joanesburgo, Pretória e Durban, tendo passado pelo Gruger Park para ver os animais selvagens. Fizemos essa viagem no carro dos meus primos que conheciam bem os caminhos. Naqueles quatro anos, foram as únicas férias que fizemos, mas foi muito bom, muito divertido, apesar do choque que, para mim, foi constatar o “Apartheid”. De salientar o facto de termos passado pela experiência de viver um ciclone, o Claude, que passou por Lourenço Marques e arredores. Impressionante! Três dias de chuva torrencial que deixaram a zona da praia da Polana completamente alagada. O meu marido ainda teve a brilhante ideia de nos ir mostrar o que se estava a passar. Metemo-nos no nosso carro (um Wolksvagen, daqueles à antiga) e lá fomos. Só que, já perto da marginal, as encostas começaram a deslizar e, só tivemos tempo para sair do carro sem ser pela janela!!! Um belo susto, mas as crianças responderam, calmamente, à acção repentina e tudo acabou em bem. Na nossa casa sofremos a perda de um enorme cajueiro que, por estar velho, caiu, felizmente sem ser para cima do telhado. Mais tarde, no que restava do tronco, plantei uns cactos; ficou muito bonito.
Tudo sob rodas até que... Já sabem, lá tivemos de mudar outra vez de vida!!!
Até à próxima,
Um abraço.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

ALEGRIA

”A alegria é um estado de espírito conquistado pelas almas que, a cada passo, se expandem e se elevam ao encontro da Essência. A leveza do Ser é uma condição adquirida, apesar de todos os percalços, sendo o corpo um mero instrumento de acção. As dores manifestam-se como sinais evidentes da nossa materialidade, lembranças dum passado que, por vezes, nos deixa perplexos e confusos. No entanto, tudo passa pois tudo é movimento!!”

domingo, janeiro 08, 2006

RUMO À OUTRA COSTA - MOÇAMBIQUE

Praia da Polana


Como lhes tinha dito, as saudades começaram a apertar e, por isso, começámos a procurar soluções que nos fossem acessíveis e convenientes para as mitigar. O navio onde o meu marido estava embarcado, a Fragata “Pacheco Pereira”, patrulhava a costa de Moçambique durante dois meses e ficava outros tantos em Lourenço Marques. A ideia mais prática seria eu ir lá passar esses dois meses. O problema que se punha era as crianças, quatro ainda muito pequenas. Por muito que me custasse não podia ir com todas e muito menos sozinha. Acabámos por decidir levar a mais nova, ainda bebé, que o Pai não conhecia e o nosso segundo filho. O mais velho estava a fazer um tratamento para problemas de sinusite e a irmã acompanhou-o. Decisões difíceis de tomar como devem calcular. Calculando que a separação seria de curta duração, a partida fez-se com grande saudade, mas sem problema. Estavam bem entregues aos meus Pais, por isso, fui descansada.
Agora tenho de vos dizer que a minha viagem foi feita em navio de passageiros, o navio “Pátria” que, também, transportava tropas. Era a única maneira de chegar ao destino previsto. Felizmente, não enjoo e as crianças portaram-se muito bem. A sua simpatia conquistou os meus companheiros de viagem que me ajudavam na tarefa de cuidar deles durante os 19 dias que ela durou.
Pensava eu que iria ficar aqueles dois meses numa pensão, mas fui surpreendida, à chegada, pela notícia de que, afinal, nos tinham arranjado uma casa com umas parcas mobílias emprestadas por uma prima que vim a conhecer. Essa casa era num 3º andar, sem elevador, sem frigorífico, sem muitas outras coisas que, normalmente, se usam numa casa… Eu tinha cama, o meu marido dormia num colchão no chão, ao meu filho coube um chamado “burro”, cama de campanha e a bebé habitava um parque com um colchão onde passava os dias e as noites. A mesa onde comíamos e onde passava a ferro, era uma mesa de sala do consultório do Pai da minha prima. Cortinas? Nem vê-las, mas como estávamos no último andar só tínhamos de pôr uns cobertores nas janelas para fazer escuro. Tive que dar o meu melhor para fazer daquilo um lugar acolhedor. Com pouco se faz muito!
Entretanto, fiquei a saber que a guerra havia começado, também, em Moçambique, embora fosse só no Norte. Confesso que, quando estava sozinha à noite, dava conta de todos os ruídos e passei muitas em estado de vigília. Felizmente, nunca se passou nada e lá fomos fazendo a nossa vida o melhor que podíamos. Conhecer os meus primos foi muito agradável. A minha Tia, irmã da minha Mãe, foi para Moçambique enquanto o resto da família se ficou por Angola, por isso, não os conhecíamos. A minha Mãe só voltou a ver aquela irmã, depois da independência, quando ela teve de vir para Portugal. Ter família foi muito importante para nós e, principalmente, para mim que vivia numas condições precárias e cheia de saudades dos meus filhos e Pais. As relações sociais, próprias destas andanças, não me atraíam por aí além, embora tivesse conhecido pessoas muito simpáticas com quem estabelecemos amizade duradoira.
A vida corria sem sobressaltos, apesar das circunstâncias. Frequentávamos as praias das redondezas e tornámo-nos visitas assíduas de casa dos Pais duma Amiga que, para estudar em Lisboa, vivia na casa dos meus Pais. Esse casal acabou por se tornar outra extensão da família. Sempre os Anjos a darem a sua ajuda…
Nós fomos para passar dois meses, não foi o que eu disse? Bem, o Karma determinou outra coisa e acabámos por ficar quase quatro anos!!! Mas, isso é o que vos contarei a seguir….
Fiquem bem!

sábado, janeiro 07, 2006

LIBERDADE

Quantos sentimentos se escondem por detrás de alguns sorrisos?
Quantos risos disfarçam lágrimas choradas fora de tempo?
Quanto mistério no nosso SER e nosso ESTAR?...
Nada está certo ou errado nestes modos. É a Essência que se manifesta para além da vontade, para além do desejo. Isto é…

LIBERDADE, LIBERDADE, LIBERDADE!!!

terça-feira, janeiro 03, 2006

REGRESSO À BASE - LISBOA

VISTA PARA O MAR...

Acabadas as festas, conquistado algum descanso, estou de volta para continuar a contar-vos as minhas estórias de vida. Uma volta pelo passado que se faz presente em cada lembrança trazida à ribalta, deixando que o mar leve as mais penosas e as purifique como só ele sabe fazer.

Cheguei a Lisboa nos idos de 1960, grávida do meu primeiro filho que fez a sua chegada ao mundo no dia 1 de Junho. Acompanharam-me nessa passagem para a maternidade, o meu Pai e a minha Mãe. A sua presença foi fundamental pois o Pavilhão da Família Militar não era propriamente um luxo de assistência e o meu Pai, médico de grande experiência exerceu a obstetrícia durante longos anos em Angola. A parteira que me assistiu era bastante competente e carinhosa e, por coincidência, assistiu ao nascimento dos outros filhos que lá nasceram. Um nascimento é um acontecimento na vida de qualquer mulher que esteja disponível para aceitar a responsabilidade de trazer ao mundo uma criatura de Deus. A maternidade sempre pulsou no meu peito como um desejo profundo e todos os meus filhos foram muito desejados e recebidos com todo o amor de que somos capazes de oferecer, apesar da juventude e das dificuldades monetárias inerentes à situação vivida na altura. Dediquei-me inteiramente à criação de uma família que foi aumentando naturalmente. Os filhos não eram programados de acordo com os orçamentos, eram simplesmente desejados e amados.
O meu marido acabou por chegar em Dezembro. Nove meses depois nasceu o meu segundo filho que, por um triz, não nascia também sem a presença do Pai. Acabou por nascer 3 semanas antes do tempo para que tal não sucedesse. Devo-lhe isso! O médico, também, disse que tinha sido eu a provocar o parto com a ansiedade, o que é natural. Na verdade, 11 dias depois lá partiu ele para uma nova viagem que durou cerca de um mês. Mais uma vez sozinha, com dois filhos nos braços e a imprescindível ajuda dos meus Pais e duma empregada antiga que se fez avó dedicada e a quem, também, considerei sempre como minha segunda Mãe, pois estava com a nossa Família desde os meus dez anos. Foram tempos difíceis, mas compensados pela alegria de ver realizado o meu sonho de ser mãe a tempo inteiro e ter uns filhos lindos. Vivíamos numa pequena moradia perto da Avenida do Aeroporto, casa que se tornou pequena quando fiquei novamente grávida! Aí o meu Pai já não achou muita graça… Mas, quando nasceu a minha filha, foi uma alegria enorme e uma grande surpresa porque, como já tinha tido dois rapazes achavam que raparigas não seria a minha especialidade… Naquele tempo não havia ecografias, por isso, a chegada dum bebé se tornava um acontecimento a todos os níveis e, por causa disso, sempre tivemos a preocupação de escolher dois nomes para que, à chegada, a pequena personagem tivesse identificação própria e imediata.
Antes deste nascimento, mudámos para uma moradia maior, numa rua acima e, lá ficámos até que, por problemas de partilhas (as casas eram do meu sogro), tivemos de procurar novo poiso. A solução encontrada foi aquela onde ainda vivemos actualmente e que tem o espaço suficiente para criar os quatro filhos que tivemos. A quarta já habitou nesta casa. Entretanto o meu marido pediu para ir para África afim de ganhar um pouco mais e escapar aos Fuzileiros para aonde tinha ido parar depois de se ter especializado em electrotecnia.
Olivais Sul, onde esta casa fica, era considerado um bairro periférico, planeado para albergar pessoas de todas as classes sociais e com uma visão bastante avançada para a época. Hoje em dia, pode-se considerar que é um dos lugares em Lisboa mais agradáveis para se viver. Naquele tempo, não havia facilidades de transportes e devemos ter levado uns três anos até conseguir um telefone fixo!!! Ter automóvel era um luxo fora do nosso alcance e da maioria. Que diferença para os tempos de hoje em que não damos dois passos sem comunicar com alguém, pois ter telefone é quase um acto espontâneo, e os automóveis enchem a cidade de trânsito, por vezes, caótico.
Como já tinha dito anteriormente, o meu marido partiu um mês antes de nascer a nossa segunda filha (quarta em linha de sucessão) que só o veio a conhecer em Lourenço Marques (hoje Maputo) quando ela já tinha cerca de oito meses. Posso dizer, também, que quase não a chegou a conhecer porque, ela teve uma bronquiolite aguda e esteve às portas da morte com dois meses de idade! Escapou graças à dedicação de médicos e enfermeiras do Hospital de D. Estefânia. Foram momentos muito complicados e difíceis de passar como devem calcular. Uma vez mais, família e amigos foram o meu suporte. Imagino o que o meu marido passou à distância.
Entretanto, as saudades foram apertando e foi, então, que resolvemos que seria boa ideia eu ir passar uns tempos a Lourenço Marques, nos períodos em que o navio em que ele navegava, estivesse estacionado no porto. Para lá chegar tive de lutar bastante, visto que não havia as mínimas facilidades concedidas às famílias dos militares em comissão. Em Angola já havia terrorismo, mas em Moçambique só aconteceu mais tarde, aliás, só soube do facto no dia em que lá desembarquei!!! Essa estória fica para a próxima.

Fiquem bem, neste ano que agora começa.

domingo, janeiro 01, 2006

ANO NOVO, VIDA NOVA


"Sonho sonhos verdes como prados onde o Sol se casa com a terra fértil. Vejo as flores, coloridas e perfumadas e a minha alegria resplandece. O vento passa-me pelos cabelos e pelo rosto, sinto-o nas minhas mãos e deixo-me levar, leve e livre.
Estão comigo aqueles que, também, sonham sonhos verdes…"