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sexta-feira, dezembro 29, 2006

NATAL DE DEUSES





Olho o Céu, vejo o Mar e as sombras que se projectam na areia e quedo-me em meditação, penetrando nos mistérios da existência.
Quem sou eu?
O Céu, o Mar, as sombras ou a areia?...
A minha Alma expande-se e segue ao encontro do Grupo de Almas a que pertenço e a alegria torna-se num estado em que se diluem as diferenças, se ampliam as semelhanças e, contudo, a condição de Ser “Único” continua a dar respostas ao impulso de evolução deste Ego terreno voluvelmente saudável.
Medito e, ao fundo, vejo o Natal dos Homens transformar-se em Natal de Deuses. A leveza do Ser permite-me um movimento imparável em direcção ao Absoluto. Descanso, por fim, na própria Essência.”

SO HAM, SO HAM, SO AHM, SO HAM
EU SOU, EU SOU, EU SOU, EU SOU

Fiquem bem, avançando para o novo ano com determinação e alegria, fechando as portas ao que passou, guardadas na memória as experiências vividas como parte da vossa história!

sábado, dezembro 23, 2006

ACONTECIMENTO





Chegou, no dia 20, o oitavo elemento da 3ª geração da nossa Família! Escusado será dizer que foi a melhor prenda de natal que podíamos ter. Estamos imensamente felizes porque o mundo precisa muito de crianças desejadas, entregues a Pais conscientes e com uma grande capacidade de amar. Confesso que, tive a noção de eternidade quando nasceu o primeiro neto, hoje com belos 16 anos. Quando nascem os filhos, somos muito novos para pensar nessas coisas, mas os netos apresentam-se numa altura da nossa existência em que valorizamos os anos que passam, desejando que a nossa “marca” não se apague. O sentimento que emergiu ao ter nos braços aquele pequenino Ser, foi de grande alegria e imenso orgulho por saber que ele representava a continuidade de uma família com características próprias, numa sistémica geracional bem ordenada. Aprendi o valor da união familiar, o respeito pela ética e pela ordem e é com alegria que vejo a família crescer com esses valores, não impostos, que acontecem naturalmente através do exemplo. Temos duas netas que a Vida afastou do nosso convívio, mas que estão sempre presentes no nosso coração.
E, assim, aqui estou a partilhar convosco a alegria deste nascimento que se veio juntar à publicação do meu novo livro. Desejo a todos umas belas festas e que o novo ano seja vivido com a consciência dos que sabem que sabem, preparando a nova era.
Agradeço a todos e a cada um, a atenção dispensada, prometendo novo encontro para breve.
Fiquem bem!

sexta-feira, dezembro 15, 2006

UM FILHO, UMA ÁRVORE, UMLIVRO...






Pois é... Dizem que uma pessoa se realiza quando tem um filho, planta uma árvore e escreve um livro. Eu tive quatro filhos, tenho quase oito netos (a última está mesmo a chegar), já plantei algumas árvores e, o livro que vos apresento, é o também o quarto! Como sabem, a escrita faz parte da minha vida como forma de expressão de sentimentos mais do que de ideias, tendo nascido espontaneamente. Na minha família corre o sangue das letras que põem no papel o que vai na alma ou quando se tem necessidade de passar informações úteis. O primeiro que publiquei, “O Caderno do Praticante” (edição da Associação de Yoga Sivananda portuguesa), nasceu da necessidade de ajudar os que se iam formando como Instrutores de Yoga, o segundo, “Contacto – Corpo, Mente e Espírito”, surgiu como consequência do desenvolvimento espiritual da minha discípula Paula Mora e os seus textos representam esse processo que acompanhei com muito amor, o terceiro, “O Caminho da Sabedoria”, já chegou através de uma editora que “encontrei” pelo Caminho e com a qual me entendi no primeiro instante (Editorial Angelorum Novalis). Este livro é testemunho e resultado de muitos anos de ensino e de experiência, tendo sido muitos os que colaboraram para que saísse bem. O quarto, que me veio parar hoje às mãos, foi feito em pareceria com a mesma editora e tem a ver com o meu próprio processo, pessoal e espiritual em curso. É um gozo partilhar com os meus semelhantes o que me vai na Alma e um privilégio que agradeço aos meus Deuses e a todos quantos colaboram para que esta realização se tivesse tornado realidade. Para que um livro tome forma é preciso, para além da escrita, que alguém o ponha em pé, com todas as letras e com a sua essência estampada na capa.
Este livro, poderão encontrá-lo no Centro a partir de 2ª feira e, em Janeiro, nas livrarias. Espero, desejo sinceramente, que gostem tanto de o ler como gostei de o passar à sua forma actual.
Fiquem bem! BOM NATAL outra vez!!!

segunda-feira, dezembro 11, 2006

UM NATAL MAIS BRANCO






Habitualmente, representa-se o Natal sob a forma de paisagem em que a neve predomina. À neve, na sua brancura, associa-se a ideia de pureza, estado de elevação espiritual a que conduz, ou devia conduzir, a época de Natal. Mas, será que essa brancura existe? Será que o processo de branqueamento não é antes um processo de escurecimento?...
A sociedade de consumo em que vivemos, leva-nos a festejar o Natal numa euforia de gastos supérfluos que, lá para meados de Janeiro nos dão amargos de boca, depressa fazendo esquecer o repicar dos sinos. A paisagem fica, subitamente, enegrecida e os votos de Bom Natal diluem-se como nuvens esfarrapadas em dia de ventania.
Jesus, ao nascer pobre, desceu à Terra despojado de bens materiais. Nasceu humilde – NASCEU! Nascer significa abrir os olhos à Vida, enfrentar o mundo com o grito do primeiro choro. Enfrentar o Mundo é o primeiro acto do primeiro instante da existência. A partir daí, é uma evolução constante e progressiva que nos permite sobreviver num ambiente, à partida, hostil. Na realidade, nós nascemos todos os dias! De cada vez que saímos da cama é como fazer uma nova entrada no mundo. O líquido amniótico está, aqui, representado pelos lençóis que envolviam o nosso corpo e nos davam a protecção necessária durante a noite. E, levantar pela manhã nem sempre é fácil... Quanto mais nascer!!!
Sobretudo, para quem não tiver consciência de que cada dia que passa é menos um, menos uma oportunidade de trabalharmos para o nosso desenvolvimento. Devíamos, todos, “Morrer por viver e não viver para morrer”, como dizia o Suami Sivananda. A Vida passa-nos por entre os dedos de uma mão aberta e, quando se aproxima o Natal, o que nos preocupa são as prendas que temos de dar e devíamos receber...
Quantos ressentimentos, quantas desilusões semeia o Natal?.... Quantos de nós vivem realmente o Natal, despojados, humildes e com vontade de re-começar?... Voltando a citar Sivananda, na sua Oração Universal “Amar a Deus sob todos os nomes e todas as formas. Servir a Deus sob todos os nomes e todas as formas”, seria um bom voto, um bom propósito,
Neste Natal, procuremos nascer para uma Vida mais harmoniosa, mais simples, pensando mais em vós do que em nós. É muito mais Cristão, é muito mais yóguico e faria desta quadra uma verdadeira paisagem branca de neve.
Fiquem bem e BOM NATAL!!!

terça-feira, dezembro 05, 2006

ESTÓRIA DUM NATAL




O Natal é uma época de contradições, de alegrias e tristezas sem fim e muitas saudades, mas também é uma altura em que podem acontecer coisas engraçadas.
Quando estava a matutar sobre o que me apetecia escrever nestas conversa siderais, veio-me à cabeça uma estória passada num, longínquo, Natal de família. Durante muitos anos, tínhamos o hábito de nos juntarmos todos em casa do meu irmão, o único com espaço suficiente para o grande grupo que formamos entre irmãos, filhos e netos respectivos, mais alguns colaterais. Como é evidente, o menu era construído a partir de um plano elaborado pela minha cunhada que é uma pessoa organizadíssima. Cada família tinha de levar um prato salgado e outro de sobremesa, de acordo com o número dos seus membros e a sua aptidão para a cozinha. Nas sobremesas, a mim calhava-me sempre as filhós (algumas pessoas chamam coscorões àquele tipo que faço) e naquele ano, pediram-me que apresentasse um perú com recheio de castanhas. Normalmente havia mais do que um o que se prestava a comparações e alguma competição nas receitas.
Em casa havia dois gatos e um cão, ainda do tempo em que os meus filhos por lá andavam. Um dos gatos, chamado Shiva, era um tigre, de aspecto e potência, muito guloso e comilão. Estávamos prontos para arrancar para o Estoril, onde mora o meu irmão e, entretanto, fazíamos sala com um dos meus afilhados e respectiva família, que sempre nos vai visitar na véspera de Natal para a habitual troca de prendinhas. A filha mais nova, nessa época ainda muito novinha, ia-se deliciando com um prato de filhós, aliás, a partir de então ficou minha freguesa anual. Terminada a visita natalícia, preparámo-nos para avançar para a nossa festa e fomos direitos à cozinha para recolher os acepipes e encaixar as prendas de maneira a que as pudéssemos transportar em segurança. Qual não é o nosso espanto, quando demos com o belo perú destituído de parte do seu saboroso peito!!! O Shiva tinha acabado de festejar o seu Natal felino...Até me caiu a alma aos pés!!! Quem já se deu ao trabalho de preparar um perú natalício, saberá avaliar o meu “desgosto”... E preocupação... Que fazer? Àquela hora já não era possível arranjar outro e parecia-nos um pecado deitar fora o belo petisco! Pensando bem, acabei por lhe tirar a parte tocada pelo amigo Shiva, e compus a cena o melhor que pude. Só lhes digo que foi um sucesso, tudo acabou em bem e numa bela risota.
Para a próxima conto outra...
Fiquem bem!