A minha Lista de blogues

quinta-feira, novembro 29, 2007

MIL E UMA VIDAS II



Continuando…
Entretanto, tive um apelo irresistível do meu, então, namorado/noivo, e agarrei nas malinhas, apanhei um avião e desembarquei em Pangim (Goa), depois de um casamento por procuração que, naqueles tempos não dava para nos juntarmos sem as bênçãos da Santa Madre Igreja ou de um Conservador do Registo Civil!!!
Os primeiros tempos não foram muito fáceis pois estranhei o clima quente e húmido, e tive de enfrentar os trabalhos domésticos a que não estava, minimamente, habituada, menina burguesa de primeira apanha. Começava o dia a estudar o meu livro de receitas predilecto (até hoje), e a encontrar no mercado os ingredientes que se adaptassem ás minhas escolhas. Felizmente, tinha gosto pela cozinha e alguma coisa tinha aprendido com a cozinheira que trabalhava em casa dos meus Pais. Mesmo assim, valeram-me as vizinhas tailandesas que me ensinaram a escamar peixe… As fardas brancas do meu marido (ele é oficial de marinha), treinaram a minha paciência! Passar a ferro não é, propriamente, a minha praia.
A vida seguia sem grandes sobressaltos e a convivência com as mulheres de outros oficiais dava para aliviar as saudades da família, com quem me correspondia por carta que, naquele tempo, não havia outra maneira. Algumas amizades perduram até hoje.
Quando o meu marido foi destacado para Diu, lá fui eu de malas aviadas outra vez. A estadia naquele território foi engraçada e dei-me muito melhor com o clima, mais temperado, apesar de termos apanhado o começo da monção que é qualquer coisa de fenomenal. De repente, desata a chover torrencialmente e, de um momento para o outro, os campos viram verdejantes! Convivíamos, principalmente, com oficiais do exército que lá estavam sozinhos e, posso dizer que os meus ouvidos se treinaram na linguagem própria das casernas… A única senhora europeia era a mulher do Governador que tinha uma idade bastante mais avançada, por isso, só nos dávamos em ocasiões cerimoniosas.
Quando regressámos a Goa, já vinha grávida do meu filho mais velho que veio a nascer em Lisboa por considerarmos que ali não havia condições para eu ter o bebé, tanto a nível de assistência médica como de apoio da família, visto que o meu marido estava sempre sujeito a ser mandado para outro lado ou a embarcar em algum navio. Isto passou-se em 1960, época em que havia a guerra com a União Indiana, em luta pela independência daquela colónia, não era uma estadia turística…
De volta à pátria, sozinha, instalei-me em casa dos meus Pais e o nosso filho nasceu sem ter o pai por perto. Valeu-me, como sempre, o apoio e carinho da família e a tal cozinheira que adoptei como 2ª mãe e avó dos meus filhos. O meu marido conheceu o filho já com 7 meses e fomos viver para uma casa que era dos meus sogros, onde veio a nascer o meu segundo filho. Quando fiquei grávida do terceiro(a) tivemos de mudar de casa pois naquela já não cabíamos.
Por hoje, chega de Vidas…
Fiquem bem

terça-feira, novembro 20, 2007

MIL E UMA VIDAS



Num tempo de maior quietude, dou comigo a repensar a minha, já longa, vida e veio-me à cabeça a ideia de que as diferentes etapas desta existência me podem dar o direito de pensar que, desde que cheguei a este mundo, experienciei tantas coisas, tantas emoções, tantas circunstâncias, que posso concluir que neste espaço de tempo passei por várias encarnações e que tenho muita gente da minha família a viver dentro de mim!!! Senão, vejamos:
Nasci em Angola, numa casa onde os meus pais viviam e onde o meu irmão mais novo também viu a luz. A minha irmã mais velha nasceu em Lisboa por ocasião de umas férias. Tive uma infância despreocupada e algo livre, pois o lugar onde estávamos permitia andar na rua sem preocupação de espécie nenhuma. O grupo de raparigas e rapazes com quem partilhava as minhas aventuras eram todos da minha própria escola. A bicicleta foi o meu meio de transporte preferido e com ela percorria seca e Meca. Trepávamos às árvores para colher as belas mangas ou matávamos a fome com as goiabas que se apresentavam amarelinhas e doces ou as amoras negras e suculentas que pendiam das amoreiras. Aos domingos frequentávamos a piscina pública onde aprendi a nadar sem problema. Foi assim uma época à Tom Saywer de que guardo memórias muito agradáveis. Considero esta a minha primeira vida.
A segunda passou-se já em Portugal, para onde viemos afim de podermos completar os nossos estudos, visto que, lá onde vivíamos, não era possível ir além da 4ª classe. De repente, vi-me fechada num 5ª andar e sem aquela liberdade gozada à saciedade. O conforto de que dispúnhamos era o mesmo, mas a alegria apagou-se e passei a ser uma menina muito bem comportada, sem bicicleta nem companheiros de tantas e tantas aventuras, portanto, sem grande estórias para contar!
Aos quinze anos, desembarquei (este é mesmo o termo, porque fomos de barco) em Inglaterra com a minha irmã mais velha, para que aprendêssemos bem a língua inglesa. Foi um grande salto, passar de uma Lisboa pequena burguesa para a cosmopolita Londres. A adaptação a esta vida não foi fácil porque sentia muito a falta da família. No entanto, acho que se abriram horizontes que na nossa terra nos escapavam pelas circunstâncias políticas que se viviam na altura. Para além do inglês, aprendi o que era uma democracia e convivi com pessoas de todas as raças e culturas, mais até do que com os ingleses que não nos passavam grande cartão enquanto não soubéssemos falar bem o seu idioma. Esta foi a minha terceira vida!
Regressada a Lisboa, tive de por a render os conhecimentos adquiridos e fui trabalhar como educadora numa escola inglesa onde estive uns dois anos. Passei para outra portuguesa, bem mais simpática, até me casar. Esta foi uma VIDA pequena, intermédia que não me deixou saudades…
A próxima, contarei a seguir, mas já podem constatar que eu tinha razão ao dizer que já vivi mil e uma vidas, visto que cada uma delas vale por muitas.
Fiquem bem!

segunda-feira, novembro 12, 2007

SONHOS ALHEIOS



No sábado decorreu a 3ª lição do nosso curso (Sentir Energia – Processo Evolutivo), cujo tema era: Sonhos e Escrita Criativa, maravilhosamente conduzido pela Clare Johnson. O tema despertou o interesse de todos quantos participaram, tendo sido surpreendidos com o desenvolvimento das acções propostas. Cada um falou dos seus sonhos persistentes ou cuja memória prevalecia e, em seguida, foi-nos proposto agarrar num sonho alheio e começar a escrever, começando com a frase: Se este fosse o meu sonho…”. Durante oito minutos escrevemos sem parar para pensar.
Não me fiz rogada e agarrei num dos sonhos que mais me chamou a atenção. Não vos conto, em pormenor, como era o sonho, que é coisa privada, mas eu escrevi assim:
“Se este fosse o meu sonho começava a cantar e a dançar para que alguém me tirasse da campânula onde estava metida e que não é senão um grande ventre materno onde me encontro à espera de nascer para o mundo.
Debaixo de uma bela árvore me sento com os meus pares e deixo que o meu olhar percorra o grupo que ali se encontra para discutir assuntos que dizem respeito ao desenvolvimento do trabalho do Grupo de Almas a que pertencemos e cada um vai falando das suas experiências e dos seus sonhos. Vamos partilhando as vivências com alegria, fazendo o ponto da situação para que cada membro do grupo pudesse levar consigo as lições que lhe serviam.
É um prazer estar com os meus pares e a alegria que sinto neste encontro uma alegria que me transcende e me leva a acreditar que as nossas missões, a nossa MISSÃO, está a ser cumprida com a disponibilidade de todos e as ajudas dos anjos, mestres e entidades que nos assistem, pois o que está em cima, está em baixo, é tudo o mesmo! Assim na terra como no céu, o pão-nosso de cada dia nos dai hoje, agora e sempre.
O meu papel é o meu papel e não é mais nem menos do que o papel dos que pertencem a este Grupo de Almas que, neste momento, se encontram para se alimentarem e protegerem nesta passagem pela matéria.”

E, foi assim que fiz de um sonho alheio o meu próprio sonho. Como é bom partilhar sonhos!!!
Fiquem bem!

segunda-feira, novembro 05, 2007

TEORIA E PRÁTICA


Às vezes dou comigo a pensar naquilo que o Mestre Sivananda dizia “Valem mais 100 gr. de prática do que uma tonelada de teoria” e chego sempre à conclusão de que as teorias se desenvolvem à velocidade da luz, mas as práticas custam bastante mais.
Fui educada na religião cristã e tenho gravado na memória o preceito de fazer exame de consciência ao fim de cada dia para verificar se tinha, ou não, cumprido com os meus deveres morais e sociais, já para não falar em pecados… Confesso, aqui e agora, que é um costume que se mantém e que tento levar com mais leveza, até porque já não tenho o hábito de me confessar a um padre, apesar de reconhecer que o acto de contrição retirava carga ao processo. Se Deus nos perdoar, temos, necessariamente, de nos perdoar a nós próprios… No entanto, continuo a ser vigilante quanto a pensamentos e acções, reconhecendo que a minha condição de humano está longe de ser perfeita!
Vem isto a propósito de, a semana passada, os meus Deuses me terem encarregado de fazer passar um pensamento por dia, dirigido aos que constam da minha lista de endereços, ou seja, àqueles que comigo contactam mais directamente no dia-a-dia. Nessa altura, dediquei atenção ao imenso registo de pensamentos que me foram surgindo ou que chamaram a minha atenção ao longo dos anos e cheguei à conclusão de que tinha material em quantidade suficiente para alimentar essa ideia. Por outro lado, tornou-se para mim num exercício em que o meu pensamento se passou a alimentar com a energia necessária para vencer os obstáculos de cada dia e ter a gratificação de mais uma forma de partilha que é coisa que me dá um grande prazer. Somos seres sociais, inseridos em comunidades próprias, em círculos de luz que se vão tocando de uma maneira ou de outra e, por isso, vamos usando a criatividade para que os contactos não se percam.
Se, por ventura, alguém deste grupo sideral mais alargado estiver interessado em constar dessa lista, agradeço que me comuniquem através do e-mail
geral@satasanga.pt e, assim, passarão a receber um pensamento por dia, durante a semana.
A teoria poderá, então, ser um ponto de partida para que a prática aumente de peso e a consciência se vá ampliando alegremente.
Fiquem bem.