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terça-feira, novembro 20, 2007

MIL E UMA VIDAS



Num tempo de maior quietude, dou comigo a repensar a minha, já longa, vida e veio-me à cabeça a ideia de que as diferentes etapas desta existência me podem dar o direito de pensar que, desde que cheguei a este mundo, experienciei tantas coisas, tantas emoções, tantas circunstâncias, que posso concluir que neste espaço de tempo passei por várias encarnações e que tenho muita gente da minha família a viver dentro de mim!!! Senão, vejamos:
Nasci em Angola, numa casa onde os meus pais viviam e onde o meu irmão mais novo também viu a luz. A minha irmã mais velha nasceu em Lisboa por ocasião de umas férias. Tive uma infância despreocupada e algo livre, pois o lugar onde estávamos permitia andar na rua sem preocupação de espécie nenhuma. O grupo de raparigas e rapazes com quem partilhava as minhas aventuras eram todos da minha própria escola. A bicicleta foi o meu meio de transporte preferido e com ela percorria seca e Meca. Trepávamos às árvores para colher as belas mangas ou matávamos a fome com as goiabas que se apresentavam amarelinhas e doces ou as amoras negras e suculentas que pendiam das amoreiras. Aos domingos frequentávamos a piscina pública onde aprendi a nadar sem problema. Foi assim uma época à Tom Saywer de que guardo memórias muito agradáveis. Considero esta a minha primeira vida.
A segunda passou-se já em Portugal, para onde viemos afim de podermos completar os nossos estudos, visto que, lá onde vivíamos, não era possível ir além da 4ª classe. De repente, vi-me fechada num 5ª andar e sem aquela liberdade gozada à saciedade. O conforto de que dispúnhamos era o mesmo, mas a alegria apagou-se e passei a ser uma menina muito bem comportada, sem bicicleta nem companheiros de tantas e tantas aventuras, portanto, sem grande estórias para contar!
Aos quinze anos, desembarquei (este é mesmo o termo, porque fomos de barco) em Inglaterra com a minha irmã mais velha, para que aprendêssemos bem a língua inglesa. Foi um grande salto, passar de uma Lisboa pequena burguesa para a cosmopolita Londres. A adaptação a esta vida não foi fácil porque sentia muito a falta da família. No entanto, acho que se abriram horizontes que na nossa terra nos escapavam pelas circunstâncias políticas que se viviam na altura. Para além do inglês, aprendi o que era uma democracia e convivi com pessoas de todas as raças e culturas, mais até do que com os ingleses que não nos passavam grande cartão enquanto não soubéssemos falar bem o seu idioma. Esta foi a minha terceira vida!
Regressada a Lisboa, tive de por a render os conhecimentos adquiridos e fui trabalhar como educadora numa escola inglesa onde estive uns dois anos. Passei para outra portuguesa, bem mais simpática, até me casar. Esta foi uma VIDA pequena, intermédia que não me deixou saudades…
A próxima, contarei a seguir, mas já podem constatar que eu tinha razão ao dizer que já vivi mil e uma vidas, visto que cada uma delas vale por muitas.
Fiquem bem!

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