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quarta-feira, dezembro 28, 2005

NATAL - UMA PASSAGEM

NATAL – UMA PASSAGEM

O Natal é uma época cheia de contradições. Fala-se muito no espírito de Natal, mas nem sempre nos damos ao trabalho de perceber o que isso quer dizer… Ouve-se, também, falar em solidariedade, distribuição de afectos feitos prendas e abraços e, no entanto, não é, senão, a sociedade de consumo a tomar conta de nós! Houve tempo em que, mal se aproximava esta época fatídica, entrava em depressão. Sim, depressão natalícia… Apercebia-me da sensação desagradável que era pensar nas compras que tinha, por obrigação, fazer, mais a preocupação para não deixar que a saudade dos ausentes se apoderasse de mim e de toda a família.
A minha vida, como tantas outras, tem sido pautada por separações físicas e emocionais, rupturas irremediáveis e toda uma panóplia de “sentires” que me sufocavam até ao limite do conforto. É verdade que temos de trabalhar o desapego e que, este, não se pode confundir com distanciamento ou frieza de sentimentos, mas….quanto custa!!! Tenho-me como uma pessoa positiva, até porque a vida me tem ensinado que a existência de dois pólos é uma realidade. Sempre que passo por dificuldades ou sofro desgostos, vêm em meu socorro as ajudas necessárias para ultrapassá-los e, por isso, a minha esperança não esmorece, senão, temporariamente. Pensar positivo não é estar sempre alegre, nem optimista. Para mim, é perceber as lições que temos de aprender e confiar na certeza das boas consequências. Há coisas que nos acontecem para as quais não encontramos uma razão plausível ao ponto de as acharmos mesmo injustas! Serão Karma, serão coisas necessárias ao nosso desenvolvimento, nesta passagem pela vida? Não tenho resposta e, para dizer em boa verdade, o melhor é não procurar demais e aceitar o que vem, esperando que aconteça uma ampliação de consciência necessária à compreensão e aceitação dos factos e seguir em frente sem vacilar, com o apoio dos Guias, Mestres e Anjos que nos assistem, tanto na Terra como no Céu.
Pois é. O Natal é uma passagem mais, um re-nascer com a determinação suficiente para levar avante a missão que nos cabe ou, simplesmente, viver a Vida o melhor que sabemos e podemos. Aproxima-se um novo ano que, certamente, virá recheado das contradições próprias dum sistema de valores que, nesta era, desejamos se tornem mais de acordo com as necessidades humanas, seja a nível material ou espiritual. É preciso mudar as mentalidades num sentido em que Paz e Harmonia se conjuguem para fazer desta Terra um sítio mais fraterno e agradável para todos e cada um.

Um grande abraço e votos de BOM 2006!

terça-feira, dezembro 20, 2005

BOAS FESTAS!!!

DE VOLTA A GOA

Terminada a comissão de serviço em Diu (5 meses), voltámos a poisar em Goa de armas e bagagens... O meu marido foi nomeado para um Aviso (navio de guerra) que patrulhava a costa. Curiosamente, fomos parar à mesma casa que, por acaso, estava livre. A minha barriguinha de mamã já se notava, para grande alegria minha! O calor de Goa era, de facto, insuportável, tanto mais que tínhamos de dormir com mosquiteiro porque as janelas não estavam protegidas com uma rede. Muitas vezes nos sentíamos impelidos a tomar um banho a meio da noite para conseguir dormir. Os mosquitos não dão tréguas!!! Para entrarmos para a cama, era preciso muita técnica... apagávamos a luz e, de lanterna em punho, levantávamos um pouco o mosquiteiro para entrar naquela “tenda”; de seguida entalávamos o dito e, com a lanterna, procurávamos algum clandestino que estivesse com segundas intenções... De outro modo, não conseguiríamos pregar olho com os zumbidos característicos, para não falar das eventuais picadas.
A vida retomou o ritmo habitual. Passámos o ano com alguma animação e frequentávamos as reuniões sociais próprias da situação vivida. O Governador e a mulher, promoviam estes actos sociais que eram agradáveis. Lembro-me de, numa dessas ocasiões, terem convidado o Artur Agostinho que contava umas anedotas muito engraçadas e bem contadas. Tive de recorrer a um costureiro local (os homens é que faziam esses trabalhos) para me confeccionar um vestido de cerimónia pois já não cabia nos que havia trazido. Acho que tenho uma foto em que o tenho vestido.
Convivíamos bastante com camaradas do meu marido e respectivas mulheres e, lá, conheci uma que, mais tarde, veio a ser a “culpada” da minha iniciação na prática de Yoga e com quem viajei e trabalhei durante vários anos. Coincidência?... Mas, essa estória, fica para mais tarde porque, na minha estadia por aquelas Índias, nunca ouvi falar de tal filosofia, talvez pela influência do Estado Novo ou porque Goa era, essencialmente cristã e, normalmente, não nos relacionávamos com hindus para além dos contactos na lojas ou mercados. Havia também um programa frequente de visitas à ilha de Angediva que, talvez não saibam, é a Ilha dos Amores, cantada por Camões, com vários convidados civis, militares e famílias para promoção das relações sociais com a sociedade civil. E, não é que, no dia em que participei nessa viagem, o navio esteve quase a encalhar?... Felizmente a coisa resolveu-se sem problema de maior, para além do susto e da excitação. Ali desembarcámos, numa visita curta pois a ilha, além de pequena, é deserta. Foi uma sensação especial pisar o mesmo terreno que o poeta, um gosto e um privilégio que, naturalmente, não esquecemos!
Como na vida nem tudo são rosas, em Fevereiro recebi a notícia da morte do meu sogro! Vieram-me dizer para que fosse eu a comunicar ao meu marido. “Para o bem e para o mal”... Cumpri esta espinhosa missão o melhor que pude, consolando-o da sua perda. Continuámos no nosso posto pois não havia outro remédio. É preciso que se diga que não havia as facilidades que hoje há em termos de deslocação e, para além da distância, é preciso ver que estávamos em “guerra”... Acho que, até agora, nunca se ouve falar do sacrifício que representavam estas guerras no tempo das nossas ditas colónias. As famílias passavam a vida em rupturas e separações, sem apoio de qualquer espécie e, por isso, só os mais afoitos ou saudosos, se aventuravam a deixar o conforto das suas casas, partindo à aventura e viver nas condições que se apresentavam, umas melhores do que outras, evidentemente. Da minha parte, sempre achei que o meu lugar era junto do meu marido, a não ser que fosse de todo impraticável ou não aconselhável. A verdade é que, por uma questão de feitio, tirava partido de todas as situações, procurando aprender usos e costumes das terras por onde passávamos. Acabei por fazer dessas vivências a minha grande escola. Os bons e os maus momentos foram vividos com a intensidade e a força próprias da juventude.
Para terminar, vos digo que esta comissão acabou para mim porque o navio em que o meu marido estava embarcado iria partir para a sua missão de fiscalização e, eu tive de regressar a Lisboa, não fosse o meu bébé nascer quando estivesse sozinha. A acrescentar a essa circunstância, também havia que ter em conta o facto do hospital local não ter as condições ideais; em caso de necessidade de cesariana, a anestesia disponível era a raquidiana... Felizmente nunca vim a precisar de nada disso. O regresso de avião teria de ser feito antes de atingir o 7º mês de gravidez, por isso, parti antes de chegar esse tempo, para mais uma aventura, desta vez em Lisboa onde o meu filho nasceu sem ter o Pai por perto, mas com o apoio incondicional dos meus Pais, família e amigos. Pai e Filho viriam a conhecer-se seis meses depois. A viagem correu bem apesar do meu estado. A tripulação do avião que eu conhecia, fez questão de me dar um bom lugar e, é preciso que se diga que não enjoo, nem quando estava de esperanças.
Seguiu-se um período de permanência em Lisboa que foi preenchido pelo nascimento de mais três filhos!!! A última também só conheceu o Pai com 8 meses... quando começou outra estória.

Fiquem bem.
Um grande abraço.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

BENÇÃO NUPCIAL

Resolvi explorar uma gaveta onde tenho as fotografias que se vão acumulando ao longo da vida, à espera da ocasião prometida para as arranjar... Apesar de tudo, posso considerar que não estão propriamente à “balda” porque as coloquei em envelopes, mais ou menos datados e referenciados quanto à circunstância. Quando os nossos filhos saíram de casa, achei por bem dar-lhes todas as fotografias em que se apresentavam como actores principais, daí não ter sido difícil dar com esta que vos apresento e que é o único registo que temos da tal benção nupcial junto do túmulo de S. Francisco Xavier. A data que consta no verso é Abril de 1959, creio que pouco depois de ter chegado. Curiosamente, este santo católico era bastante venerado em Goa e, o seu dia, festejado tanto por católicos como por hindus. Na altura, estava o corpo à vista o que se tornou um problema pois, nos dias festivos, as pessoas tinham por hábito beijar-lhe os pés!... Perante o desgaste provocado por esse costume, a Igreja resolveu por bem fechar o túmulo, só o abrindo de tanto em tanto tempo. Confesso que não sei como funciona agora com o governo indiano.
O meu marido tem muito desejo de voltar àquelas terras que, segundo relato de amigos, estão bastante mais desenvolvidas e quase transformadas no Algarve lá do sítio.
Eu não vibro com essa possibilidade, primeiro porque não sou saudosista, depois porque para fazer uma tão longa viagem teria de ter um tempo de permanência relativamente longo e sentir aquele apelo que, sempre, me empurra para fazer qualquer coisa. Registo os bons momentos, esqueço as dificuldades e vivo cada dia sem expectativas, mas com a esperança a chamar por mim.
Em breve vos contarei sobre o nosso regresso a Goa. Achei que esta foto merecia aparecer primeiro, já que não me tinha lembrado dela na altura própria.
Um abraço,
OM SHANTI

LEMBRANÇA

LEMBRANÇA

Resolvi explorar uma gaveta onde tenho as fotografias que se vão acumulando ao longo da vida, à espera da ocasião prometida para as arranjar... Apesar de tudo, posso considerar que não estão propriamente à “balda” porque as coloquei em envelopes, mais ou menos datados e referenciados quanto à circunstância. Quando os nossos filhos saíram de casa, achei por bem dar-lhes todas as fotografias em que se apresentavam como actores principais, daí não ter sido difícil dar com esta que vos apresento e que é o único registo que temos da tal benção nupcial junto do túmulo de S. Francisco Xavier. A data que consta no verso é Abril de 1959, creio que pouco depois de ter chegado. Curiosamente, este santo católico era bastante venerado em Goa e, o seu dia, festejado tanto por católicos como por hindus. Na altura, estava o corpo à vista o que se tornou um problema pois, nos dias festivos, as pessoas tinham por hábito beijar-lhe os pés!... Perante o desgaste provocado por esse costume, a Igreja resolveu por bem fechar o túmulo, só o abrindo de tanto e tanto tempo. Confesso que não sei como funciona agora com o governo indiano.
O meu marido tem muito desejo de voltar àquelas terras que, segundo relato de amigos, estão bastante mais desenvolvidas e quase transformadas no Algarve lá do sítio.
Eu não vibro com essa possibilidade, primeiro porque não sou saudosista, depois porque para fazer uma tão longa viagem teria de ter um tempo de permanência relativamente longo e sentir aquele apelo que, sempre, me empurra para fazer qualquer coisa. Registo os bons momentos, esqueço as dificuldades e vivo cada dia sem expectativas, mas com a esperança a chamar por mim.
Em breve vos contarei sobre o nosso regresso a Goa. Achei que esta foto merecia aparecer primeiro, já que não me tinha lembrado dela na altura própria.
Um abraço,

OM SHANTI

terça-feira, dezembro 13, 2005

FORTALEZA DE DIU

GRANDE AVENTURA

DIU

V
erdadeiramente, não se pode dizer que tive lua-de-mel de acordo com as regras, no entanto, a esta distância consigo considerar que, ir para Goa, para Diu e, novamente, para Goa, foi uma lua-de-mel no sentido em que vivíamos em permanente estado de exaltação, pois não podia ser de outro modo a existência que levávamos! Bem, o meu marido prometeu-me uma viagem aos Açores e, essa promessa ainda não foi cumprida... O Karma lá sabe...
Serve o que acima disse, como introdução à etapa “DIU”. Não me lembro do tempo que levou a viagem, mas não me esqueço do cansaço com que aterrei em mais uma terra estranha e, como não bastasse, mal chegámos, fomos convidados pelo Governador para jantar no palácio onde ele, a mulher e os filhos, habitavam. Não houve jeito de recusar, claro! Lá aparecemos como pudemos e o jantar decorreu sem incidentes de maior para além da dificuldade que tive em manter os olhos abertos ao serão. Compreende-se que, em lugares isolados, quando chega alguma cara nova não se perde a oportunidade do convívio. Passei a ser a segunda europeia nas redondezas... o que também conta.
Que dizer das instalações que nos calharam?... Bem, nos primeiros tempos ficámos num “suposto” hotel que já tinha visto melhores dias. O quarto era amplo, mas a casa de banho era do mais primitivo que possam imaginar! A sanita foi substituída por um chamado “general” (não sei se sabem, mas era assim que se chamava a um penico alto...), que um empregado fazia o favor de despejar todas as manhãs. Cortinas?... Não estavam em uso e, por isso, tínhamos que por uns cobertores para nos resguardarmos dos olhares e evitar que fossemos acordados de madrugada. O Sol, naquelas terras ergue-se cedinho. Por lá ficámos até que uma alma caridosa nos propôs uma solução que, evidentemente, acabámos por aceitar. As condições não eram propriamente ideais, mas pelo menos podia-se considerar que tínhamos uma casa. Eu explico.
Estava em construção um conjunto de casas destinadas aos guardas que trabalhavam para o exército (cipaios). Uma fileira de casas no rés-do-chão e outras tantas em cima. As debaixo estavam quase prontas, mas as de cima anda não tinham telhado. Deram-nos uma das debaixo cuja porta não tinha fechadura!!! À noite encostávamos uma cadeira para que se mantivesse mais ou menos fechada. De qualquer modo havia um guarda durante a noite para proteger os materiais da obra, por isso, sentíamo-nos seguros. Mobília, perguntam vocês?... Arranjaram-nos uma cama, uma mesa e cadeiras e algumas loiças. A casa de banho estava mais “apetrechada”, não havia “general”, mas uma pia pois os guardas preferiam uma posição menos ortodoxa para os apelos da natureza... Não vivia lá mais ninguém e, eu, passava o dia o melhor que podia e nunca dei por mim aborrecida pois sempre inventava coisas para fazer. Arranjámos um galinheiro improvisado e, a certa altura, deram-me uma cadelita branquinha a quem chamei “Chokri” que, na língua local, queria dizer menina. Fez-me boa companhia. À noite, depois do jantar, dávamos uma volta pelas redondezas, sempre com atenção não fosse aparecer alguma cobra (não havia luz na rua e, por isso, passeávamos de lanterna em punho) ou jogávamos às cartas em cima da cama. Tivemos de nos habituar a conviver com os uivos nocturnos de cães selvagens, chamados “adibos” que são parecidos com as hienas. Uma noite fomos visitados por eles, atraídos pelas galinhas e até conseguiram matar uma delas o que me impressionou bastante! O meu marido, nessa época, tinha uma moto que nos servia de transporte e para dar uns passeios. Diu é, praticamente, uma ilha pois tem um braço de mar que a mantém afastada de terra. Por lá existe uma lindíssima fortaleza construída pelos Portugueses. Um dos passeios consistia em percorrê-la e gozar a vista que se alcançava do ponto mais alto. De resto, para além da pequena cidade, pouco mais havia para visitar. Tanto quanto me lembro, a única estrada não teria mais do que 6 km até a uma aldeia indígena.
Frequentávamos um Clube criado pelos oficias do exército onde jogávamos ping-pong, badmington e um outro jogo de que não me lembro do nome mas que se jogava num tabuleiro com umas malhas que atirávamos como berlindes e bilhar. Este jogo entusiasmava bastante e chegámos a trazer a ideia para Portugal. A convivência com aquela tropa foi interessante na medida em que me fez aumentar consideravelmente o meu léxico verbal... De vez em quando pediam-me desculpa pelo à vontade, mas eu não ligava ao assunto pois, na verdade, era uma ignorante quanto ao significado das palavras que escapavam no calor das “refregas”.
Chegámos a Diu em Maio, ou seja, muito perto do começo da monção que é o tempo das grandes chuvas. Aconteceu que, numa noite, o meu marido foi chamado à capitania porque, com as primeiras chuvas, a corrente daquele braço de mar ficou de tal maneira forte que arrastou consigo uma das lanchas que ainda não tinha sido posta em terra. Fiquei sozinha, entregue ao guarda da obra. Chovia que Deus a dava e os trovões ecoavam pelas casas vazias. Habituada a África, não estava assustada pois sentia-me protegida dentro de casa. O guarda é que, a certa altura veio para ao pé de mim pois ele, sim, estava a tremer de medo!!! Um episódio que ficou na minha memória, tal como aquele em que tive, pela primeira vez, tratar do meu marido quando teve um ataque de paludismo. Sabem como são os homens quando estão doentes... Lá consegui chamar o médico e, depois, um enfermeiro para lhe dar as injecções necessárias. Tudo acabou em bem, felizmente, e a nossa vida retomou o seu rumo normal. A monção trazia um problema: os alimentos que nos chegavam por avião ou por barco encontraram duas grandes dificuldades, os navios não atracavam porque não havia porto. Com a agitação do mar não era possível encostar a lancha para proceder ao desembarque da mercadoria e, o aeroporto, passava a maior parte do tempo alagado e os aviões que forneciam parte dos alimentos, não podiam poisar. Passámos um mês a comer sardinhas e atum em lata, arroz e pouco mais. As poucas batatas que tínhamos eram uma preciosidade que guardámos para variar o menu. Com a brincadeira, ganhei uma anemia que se agravou pelo facto de, entretanto, ter ficado grávida do meu primeiro filho, compensada com a alegria de saber que íamos ser pais, algo por nós imensamente desejado.
Apesar das circunstâncias e das aventuras, adorei Diu. O clima era bem melhor do que o de Goa e a luz daquela terra ficou para sempre gravada na minha memória. Para terem uma ideia, lembra a luz de Lisboa. Terminada esta comissão, voltámos para Goa, mas essa parte contar-vos-ei no próximo capítulo.

Fiquem bem!




sábado, dezembro 10, 2005

AO SOL PÔR...

EMBARAÇO

Aproveitando um tempo livre no meu trabalho, resolvi dedicar-me à continuação do texto que havia começado em casa e que dá seguimento às minhas estórias de vida. Dei por terminado mais um capítulo, fiz uma pausa para dar atenção a outra tarefa, esperando voltar logo para o computador. Voltar, voltei, mas num abrir e fechar de olhos, o dito desligou-se porque, dizia “ele”, tinha havido um problema que punha em risco o próprio... Nunca mais o consegui “reanimar” por mais voltas que desse. Em desespero, falei com a pessoa que me tem dado uma mão nestas ocasiões e estou certa que, na segunda-feira, a coisa fica resolvida. Quando dependemos das máquinas é preciso contar com estes percalços. Felizmente tinha gravado o que acabara de escrever, por isso, é só uma questão de tempo para que retomemos o fio à meada. Os computadores são como algumas pessoas, têm manias ou, como diz um amigo meu, dá-lhes os nervos ou alguma “virose”!
Assim terminou mais uma semana de trabalho e o Natal aproxima-se a passos largos. Confesso que o que me dá prazer nesta época é fazer os arranjos em casa e no Centro, embrulhar algumas prendas com um toque pessoal e, na véspera, fazer as filhós com a ajuda da minha filha. Uma tradição familiar que não dispensamos. O resto passa-se tranquilamente com os filhos e os netos. A nossa Família já é demasiado grande para nos juntarmos com irmãos e sobrinhos! É um gosto assistir à alegria das crianças quando abrem os seus presentes. Não gastamos muito dinheiro pois o que é preciso é ir ao encontro dos gostos de cada um e, eles também sabem medir as suas exigências. São crianças muito amadas durante todo o ano, não têm necessidade de se compensarem nesta quadra! O Natal é mais uma ocasião para o encontro da Família e os gestos de solidariedade para com os mais carenciados. Fazemos os possíveis por fugir à fúria consumista, própria desta sociedade tão cheia de contradições e, na verdade o que conta mesmo é a atenção que damos ao estar e ao sentir de todos e cada um que nos rodeia.

Pedindo desculpa pelo embaraço, vos desejo um bom fim de semana.


OM SHANTI
(PAZ E HARMONIA)

segunda-feira, dezembro 05, 2005

TEMPO DE ESPERA

Enquanto não chega a oportunidade para continuar a contar-vos as minhas estórias, apresento-lhes mais uma mensagem daquelas que vou captando sempre que a ocasião e a necessidade acontece. Aproveito para dizer que estou ao dispor para debater algum tema que vos interesse, aceitando o diálogo que se possa estabelecer no contexto em que esta prosa se insere. Como verificam pelo meu perfil, a minha onda é filosófica dentro do Yoga Integral. A minha experiência de vida é um reflexo dessas ideias com as quais contactei bastante mais tarde, mas que, vieram ao encontro da minha maneira de ser e de estar.
A talhe de foice vos digo que o ponto em que vão os acontecimentos aqui narrados, se passa nos anos 60. Assim poderão melhor perceber a época de que vos falo.


“Para que as mudanças aconteçam é preciso ser persistente e ter força para avançar e, ao mesmo tempo, ganhar confiança. Atingindo um estado de plenitude alcança-se a maturidade que nos permite fazer o que temos que fazer e ser o que o que somos. Sempre que uma nova etapa começa, reforçamos os laços do Amor incondicional que nos deixa viver essa iniciação com alegria e determinação. A intenção é o factor primordial, pois, com ela se dá a harmonização da consciência para que o dentro e o fora já não se distingam.”
Até breve!

sexta-feira, dezembro 02, 2005

VIDA NOVA

GOA

Depois de 36 horas de voo, esperava-me uma vida nova que em nada se pareceria com aquela que acabava de deixar. O meu marido/noivo, tinha arranjado uma parte de casa, algures em Pangim, creio que a zona para onde fomos morar se chamava D. Bosco. A casa era de umas senhoras Tailandesas que viviam de alugueres
a pessoal em comissão. Uma moradia simpática, com varanda e tudo! Contávamos com 3 divisões, dispostas em fila: sala comum com varanda, quarto e uma suposta cozinha que nem lava-loiça tinha. Casa de banho?...Bem, a casa de banho situava-se no fim da varanda que dava para o quintal e, para além do uso próprio, era lá que se lavava a loiça e, de lá, se trazia a água para uso doméstico. Na pseudo-cozinha, havia uma mesa sem cadeiras e, nas paredes, uns suportes onde ficavam pendurados os tachos e as panelas. Onde cozinhava?.... Pois... Talvez não acreditem, mas a menina de Lisboa, burguesa de raiz e transplantada para outro “planeta”, teve de aprender a usar um fogão a petróleo que era onde aplicava os seus parcos conhecimentos culinários. Como devem calcular, não foi fácil formar-me nas tarefas domésticas a que não estava, minimamente, habituada, quanto mais treinada. Para me ajudar tinha uma empregada indiana muito simpática, que mal falava português, mas bastante prestável. Máquina de lavar?... Tanque?... NADA! A roupa era tratada por um lavadeiro (as mulheres não faziam esse tipo de serviço) que, semanalmente, a levava e trazia já passadinha a ferro. De vez em quando, lá tinha eu que dar um jeito nas fardas do meu marido, cujo lugar o obrigava a andar fardado de branco. Com alguma dificuldade e a maior boa vontade, me fui desenvencilhando de todas as tarefas, aprendendo à minha custa e com a colaboração familiar e das vizinhas, donas da casa que, amavelmente, me ensinaram a arranjar peixe, etc. Nada disto foi dramático pois vivia sob uma aura de paixão e descoberta, um fascínio permanente, mesmo quando o calor e a humidade me perturbavam para além da conta.
Entretanto, conforme combinado, tivemos o privilégio de receber a benção nupcial na igreja onde está sepultado São Francisco Xavier; a nossa ignorância histórica não nos permitia saber o papel que aquele santo teve durante a Inquisição... O que nos ensinavam na escola trazia a informação mais conveniente à Igreja e ao regime. De qualquer modo a intenção conta e, naquele momento sentimo-nos compensados em relação ao casamento com noivo emprestado (casei por procuração, lembram-se?...). Um momento, de facto, marcante, até pela sua originalidade.
Mudar de vida, mesmo que a mudança seja agradável, por que não dizer, excitante, não é coisa de somenos. A alteração de hábitos, clima e tudo o resto, obriga a um esforço constante de adaptação que tem os seus custos. A juventude permite-nos, no entanto, algumas loucuras e os desafios propostos acabam por ser um estímulo para a criatividade. Divertia-me imenso a ir às compras num mercado de rua onde colhi uma série de conhecimentos sobre usos e costumes do foro alimentar próprios da região. As vendedeiras achavam-me graça porque gostava de meter conversa com elas, apesar do fraco português que entendiam e falavam, e de provar os frutos exóticos que não conhecia de África. Aprendi que se pode fazer um delicioso caril de Goa com meia dúzia de camarões e que havia arroz de várias espécies para além do costumeiro carolino (no tempo não se consumia a variedade “agulha”, nem outras que, agora, proliferam nos supermercados). Como já perceberam, era uma cozinheira interessada mas inexperiente. A minha Mãe, aquela mulher sábia e prevenida, tinha-me posto na bagagem um excelente e simples livro de cozinha (Isalita) que, ainda hoje, consulto e que, também, ofereci um exemplar à minha filha quando foi viver para casa dela. A vida passava-se, com bastante convívio, idas à praia ou a frequência do Clube Militar da Marinha onde nos reuníamos para mitigar as saudades da família com quem mantínhamos contacto através de cartas semanais, ocasião para desenvolver amizades, daquelas que ficam para a vida.
Estes primeiros tempos foram de pouca duração visto que o meu marido deixou o posto que exercia para passar a ocupar o de comandante das lanchas em Diu, ou seja, ao fim de um mês, voltei a fazer as malas e lá zarpámos de avião até Diu. O tempo lá passado foi uma experiência que dá para contar mais estórias, algumas bem extraordinárias...

Fiquem bem!