A minha Lista de blogues

terça-feira, agosto 29, 2006

INICIAÇÃO

Palestra


Iniciaçã Celebração


“Uma iniciação não é propriamente um exame. É, antes, um processo em que se trabalha a ampliação da consciência e se avança passo a passo, de etapa em etapa. A expansão dá-se em todos os sentidos, não é um caminho puramente ascendente. A verdadeira iniciação acontece quando há concordância entre a razão e a intuição e se aceitam os factos que vão acontecendo sem os questionar, apesar das dúvidas que possam surgir, sem a tentação de voltar atrás por achar mais seguro, mais fácil.”

À medida que o curso avançava, íamos pensando no Mantra que gostaríamos de usar, bem como o nome espiritual que nos atraísse. No final dava-se a cerimónia de iniciação, um momento solene que mexe sempre com as emoções. Nesse dia, depois do exame escrito que nos habilitava a um Diploma de Instrutor, fazia parte cada um preparar um Prasad (oferenda) constituído por flores, fruta e umas moedas. A confecção implicava algum esmero pois era representativo da nossa própria energia. Como estávamos no campo, foi fácil arranjar flores silvestres o que fez com que o conjunto das oferendas ficasse muito bonito.
As iniciações eram feitas por grupos, de acordo com os Mantras. Na foto acima, podem ver a iniciação da Teresa Pissarra que ficou com o nome espiritual de Sita (princesa regastada por Rama) que lhe assenta tão bem que nunca mais a tratei pelo nome próprio. É a Instrutora que nos representa em Almada depois de eu ter saído de lá. O meu nome espiritual é Mangalam (auspiciosa) que eu já tinha ao ser iniciada pelo Suami Vishnu Devananda, num Festival de Yoga organizado pela Associação Sivananda (1983). Ao meu marido calhou-lhe o nome Hanuman (símbolo da solidariedade). Do resto do nosso grupo, sinceramente, não me lembro porque lhes perdi o rasto com o tempo.
No fim das iniciações fomos direitos ao rio para lá deitar as flores (foto da direita), uma cerimónia plena de significado e muita alegria. Começaram as despedidas com abraços e lágrimas ao canto do olho. Não é em vão que se vivem intensamente experiências únicas e transcendentes que modificaram muitas vidas, durante quatro semanas.
Outras estórias virão de outros cursos em que participei como acompanhante.

Fiquem bem!

quarta-feira, agosto 23, 2006

NOVAS ESTÓRIAS


CURSO DE INSTRUTORES (1985)

Voltando às minhas estórias...
Em 1984 seguiu para Espanha o primeiro grupo de portugueses para se formarem como Instrutores de Yoga da Associação de Yoga Sivananda de Madrid. Tanto quanto me lembro, eram uns nove. Eu não pude ir nesse ano, porque tinha o Centro a despontar, mas no seguinte já não tive falta. Nesse tempo os cursos tinham a duração de quatro semanas e, por isso, convenci o meu marido a acompanhar-nos para não ficarmos tanto tempo separados. O grupo que formámos (foto acima), meteu-se a caminho Cervera de Pisuerga no Norte de Espanha. Pernoitámos em Castelo Branco em casa da mãe de uma participante (a Teresa Pissarra) e, pela madrugada, rumámos até ao nosso destino. Lá descobrimos a aldeia, muito simpática por sinal e aterrámos uns quilómetros adiante, numa antiga Pousada da Juventude do tempo do General Franco, que foi reactivada para receber o nosso curso. A primeira notícia que tivemos à chegada foi que tínhamos de carregar com as camas para o sótão, visto que ninguém queria dormir em camas de molas!!! Depois de mil e tal quilómetros era mesmo do que estávamos a precisar...É bom que se diga que durante aquelas quatro semanas vivemos em comunidade e éramos nós que fazíamos tudo. Havia três dormitórios, dois para “chicas” e um para “chicos”. Eu fiquei com mais dezoito espanholas e o meu marido lá foi arrumar-se com os “chicos”, sem protestar. Feita a primeira reunião de apresentação, ficou determinado o esquema das tarefas. Cada semana dividiam-se os grupos pelas várias tarefas que iam desde cozinhar, pôr e levantar as mesas, lavar a loiça, manter a sala arrumada e limpar as casas de banho. A mim calhou-me na primeira semana, lavar as panelas, eu diria panelonas pois havia que cozinhar para 60 e tal pessoas. O ambiente era animado e logo ali começámos a conhecer-nos. Aquilo a que chamo fazer cooperativa é excelente para pôr a conversa em dia, fazer amigos e perceber quem é quem e quem faz, ou faz que faz.... Pedia-se que trabalhássemos duas horas para a comunidade, para além das aulas e do estudo, o chamado Karma Yoga.
O nosso dia começava às seis quando nos vinham bater à porta a cantar OM, OM, OM, ao qual tínhamos de responder, sinal de que estávamos acordados. Reuniam-nos na sala para a primeira meditação do dia que incluía uma parte com cânticos em sânscrito (“Kirtana”), o que dava mais ou menos uma hora. Em seguida uma aula de Hatha Yoga de hora e meia, pequeno almoço farto e um pequeno intervalo para a higiene. Às dez, uma palestra com o Suami que nos obrigava a fazer o seu resumo escrito cada dia. Ao meio dia, tempo para as tarefas agendadas ou para ensaios. Estes ensaios destinavam-se aos espectáculos que todos os sábados se apresentavam com aqueles que tinham jeito para “teatrices”. O elenco era escolhido de acordo com as tendências e vontade de cada um. Foram momentos muito divertidos e de grande animação que serviam para descontrair ao fim de cada semana de trabalho intenso. Ao almoço comíamos sandes e fruta ou, quem quisesse podia ir à aldeia saborear algum petisco que não fosse carne nem peixe. As tardes passavam-se a estudar e a fazer os resumos ou a descansar um pouco. Às cinco era a aula teórica/prática de Hatha Yoga e mais uma aula ou outra (nutrição, anatomia, etc.). Ás sete jantávamos, depois dum rico banho que nos aliviava o cansaço. O dia terminava com mais meditação e cânticos, seguido de outra palestra (esta não precisava de resumo, felizmente!). É claro que chegávamos à cama de gatas e nem a tagarelice das espanholas, me impedia de cair num sono profundo até à madrugada seguinte. Uma vez por semana, no dia livre, organizavam-se passeios com pic-nic. Foi assim que conhecemos a zona e arredores. Fomos a Santander, visitámos as grutas de Altamira, caminhámos nos Picos da Europa, subimos em teleféricos e ainda deu para visitarmos a fábrica de bolachas Cuetara (nesse tempo ainda não tinham chegado a Portugal) que não ficava muito longe. As visitas à aldeia eram outro dos passatempos e as gentes de lá conviviam connosco naturalmente. Perto da Pousada, passava o rio Pisuerga, onde nos refrescávamos e à beira do qual se fez a cerimónia de iniciação. Nesse tempo o rio ainda não estava poluído como veio a acontecer mais tarde no tempo em que uma das nossas professoras lá foi fazer o seu curso (1987).
Mais vos contarei sobre esta experiência inesquecível.
Fiquem bem!

quinta-feira, agosto 17, 2006

OS ELEMENTOS, DIA A DIA

As minhas estórias passam muito pelas vivências que elas representam. Cada momento, olhado em retrospectiva, dá-me sempre que pensar na natureza dos acontecimentos e sua influência na evolução pessoal e colectiva. Não é por acaso que vivemos determinadas experiências e conhecemos quem conhecemos, daí estes intermezzos filosóficos que vos podem dar ideia dos meus “sentir” e dos meus “estar”.
Quando mergulhamos na nossa Essência, libertos do corpo físico, das preocupações, angústias e medos, deparamos com a nossa realidade – aquilo que somos, porque somos e para onde caminhamos. Tudo fica mais claro! A compreensão das coisas torna-se natural, como naturais são os elementos de que somos feitos: Terra, Água, Fogo e Ar. Mexer o corpo, conhecendo cada músculo, cada articulação, respirar cada respiração, transformada em “Prana”, é algo transcendente. Ouvir o bater do coração ao ritmo do EU, é sentir que o silêncio é, de facto, a música da alma.
Através da prática do Yoga, como exercício físico, mental e espiritual, vamo-nos conhecendo, aumentando a responsabilidade que temos em evoluir, dentro daquilo que somos. Ajudando-nos a nós mesmos, acabaremos por ajudar também o Mundo. Essa é a descoberta essencial que se faz quando se mergulha nesta filosofia que chegou até nós pelos ensinamentos dos Mestres. Com essa ajuda passamos a ter mais consciência de que a evolução pessoal toma a forma de um desabrochar, suave e harmonioso que não causa perturbação, mesmo que o processo pareça um pouco difícil, pois há, ao mesmo tempo, o entendimento, a compreensão de que o resultado segue a lei do Karma (acção/reacção).
Este ano representou, mais uma vez, a tomada de consciência de uma evolução pessoal, fruto de vários acontecimentos, uns difíceis, outros extremamente gratificantes que me puseram perante a minha realidade actual. Quando comecei a ensinar Yoga (que sei eu?...), estava bem longe de prever o volume da tarefa que cairia sobre os meus ombros!... Acreditar na validade desta prática foi o que me fez avançar, com alguma dose de inconsciência consciente, pensando que “se é bom para mim pode ser bom para os outros...”
Nestes últimos anos, e já lá vão uns quantos, dediquei a minha vida ao desenvolvimento do meu conhecimento do Yoga, numa busca permanente que, mais tarde ou mais cedo, conduziria ao encontro de um Caminho, de uma direcção que fosse aquela que me permitisse sentir-me cada vez mais EU. Percebi que é essencial haver um método de trabalho que seja o apoio firme que necessitamos para continuar sem sobressaltos. Para se acender uma vela é preciso lume... A escolha de um Mestre aconteceu e a busca cessou. Sivananda é um dos meus Mestres. Os seus ensinamentos chegaram até nós através da sua obra, dos seus numerosos livros e dos seus discípulos mais próximos. O seu espírito prevalece para sempre no lema que nos deixou AMA, SERVE, MEDITA E REALIZA-TE”, que nos dá a ideia da sua grandeza e importância num Mundo cheio de guerras, ódios e materialismo. É uma esperança onde não há esperança!
Não é um caminho fácil. A nossa/minha fraqueza é a minha/nossa condição humana. É preciso trabalhar e, sobretudo, é preciso muita humildade para re-começar, sendo cada dia vivido até à última gota. O tempo urge, não o podemos deixar escapar...
É bom pensar que não estou só. É bom pensar que posso fazer companhia, sempre!!!
Fiquem bem!

sexta-feira, agosto 11, 2006

ALEGRIA DE VIVER

A alegria de viver manifesta-se em cada gesto, em cada palavra pronunciada, em cada acção concretizada através do Amor incondicional, quando trabalhamos no sentido duma materialização consequente, reconhecendo as nossas capacidades e projectando-as de forma plena e generosa com a consciência que nos dá uma Sabedoria própria, assente na humildade e no dever de ensinar para que possamos aprender.
É importante meditar e entrar em contacto com o Eu Superior, mergulhando fundo até descobrir o que está para além das emoções geridas pelo Ego, observando o mundo sob outro prisma e fazendo das opções tomadas um acto de plena consciência. As mudanças podem abalar os avanços iniciados, mas a necessidade de evoluir torna-se um impulso irresistível. O bom senso deverá, apesar de tudo, imperar e as emoções descontroladas hão-de ser harmonizadas até se atingir um estado de verdadeira calma e serenidade.
A ponte entres estados de consciência (vigília e alterado), faz-se escutando a voz interior que nos fala da divindade que somos, confiando no que se sabe para além da razão. Somos solitários no mundo material e, por isso, a busca interior é imperiosa. O silêncio meditativo desencadeia um processo em que as mudanças exteriores são o resultado das mudanças interiores. A solidão não acontece porque a consciência se amplia para além dos limites do corpo. A tolerância e a ausência de arrogância são fruto de uma atitude, de uma capacidade de discernir transformando os medos acordados, medos que são uma forma de energia que precisa de luz, sombras de um passado que sempre nos assalta de todas as vezes que a ocasião se proporciona.
A determinação para seguir em frente é resultante da consciência que temos em relação ao papel que desempenhamos. Cumprimos um ciclo de vida inerente à materialização e cumprimento de um Karma e, nessa medida, nos podemos considerar livres de usar a capacidade de escolher a forma e o tempo. As transformações dar-se-ão apesar das dificuldades em trabalhar no sentido do desapego. A renovação dos processos caducos requer uma atenção e um tempo de introspecção sem o qual não se podem entender os sinais que vão surgindo em cada etapa, tomando diversas formas. Destruir para construir. Centrados na Essência progredimos, sem vacilar, até à plenitude do Ser.
Este é o ponto de partida onde concentraremos todas a nossa energia, preparados para a grande expansão. Com os nossos companheiros encetaremos um novo Caminho, uma nova etapa, continuando o processo de desenvolvimento que iniciámos noutro tempo, noutro espaço. A alegria é uma constante que ilumina os nossos passos para que pisemos sempre chão seguro. Com os olhos postos no horizonte, deixamo-nos levar confiantes, sem expectativas, mas com a certeza nos nossos corações.
Fiquem bem!

domingo, agosto 06, 2006

CONHECIMENTO E ORDEM

Uma mente pura tem a consciência de que Corpo, Mente e Espírito é uma e a mesma coisa. Sendo assim, não se deixa perturbar pelos desejos feitos pensamentos, consegue distinguir a Verdade da realidade e sabe que a Essência está para além da aparência. Para chegar a este Conhecimento tem de se entender que os desejos provocam emoções, expectativas e desilusões e que é preciso uma ordem e uma disciplina que estabelece os alicerces da liberdade, desenvolvendo a sensibilidade que é a verdadeira inteligência, o sentir que se manifesta em cada acção, cada gesto.
O Conhecimento é a fonte inesgotável das experiências vividas que deixam a sua marca indelével. A informação que chega é importante, mas convém ter em conta que há que discernir, eliminando o que não encaixa no sentir. A evolução dá-se na continuidade do estabelecido e o pensamento fluirá, dando origem aos desejos que permitem estar disponível para outras tantas experiências que farão parte do processo em que se está inserido.
O esforço posto no desenvolvimento pessoal reflectir-se-á na evolução colectiva que conduzirá a uma transformação do mundo em termos de consciência cósmica, possibilitando a exploração de potencialidades e buscando novos interesses. É este o Caminho da verdadeira sintonia com os outros e com o próprio universo.
Vem tudo isto a propósito das férias que comecei a gozar no dia 1. Pela primeira vez deixei o Centro entregue ao grupo de Instrutores que partilharão tarefas, recebendo os alunos como eles estão habituados. A minha experiência em sentir disse-me que estava na altura de ir largando o cordão umbilical porque os que comigo trabalham já tinham aprendido o suficiente para se manterem dentro da vibração daquele espaço e eu estou feliz e contente por assim ser. A mesma atitude que tive/tenho em relação aos meus filhos que são pessoas independentes, na medida em que gozam da liberdade conquistada com o seu esforço, o seu trabalho e a confiança que lhes deu uma boa estrutura familiar. Independência não significa indiferença, porque, verdadeiramente, uma Família biológica ou espiritual, deve caminhar em companhia com a consciência da individualidade. Estamos presentes de corpo e alma, por gosto e por Amor, sempre que a ocasião se oferece ou é necessário. Estou apostada em saborear este tempo para pensar, para descansar e organizar-me interiormente para que o próximo ano seja um desafio a enfrentar com alegria e aproveitamento para todos e cada um.
O contacto com a blogsfera continuará a ser uma realidade pois escrever faz parte do meu pensar, do meu sentir, com a liberdade de sempre e o prazer de estar com quem se cruze comigo neste caminho sideral.

Fiquem bem!