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segunda-feira, janeiro 12, 2009

MUITAS VIDAS, ALGUNS MESTRES


Estou com aqueles que de mim precisam, sem buscar as razões desses encontros. A troca de experiências é necessária para que se dê a evolução de cada um dos intervenientes neste processo que é a Vida. Desses encontros nasce uma força que me permite seguir com a consciência da liberdade que me assiste e permite o gozo da plenitude do SER e do ESTAR aqui e agora.”

Acreditem que escrevi isto há dez anos! Quando revejo escritos, expressão de sentimentos e sensações, verifico quão actuais continuam a ser. Ainda estou em fase de rescaldo, nesta passagem de ano e, por isso, vou arrumando ideias e impressões que me permitem continuar a trabalhar, clarificando o que me surge em termos de relacionamentos afectivos ou sociais. Os anos vão passando e a experiência de Vida vai-se tornando uma mais valia que não posso desperdiçar.
Por natureza, sou uma pessoa apaixonada, entregando-me de corpo e alma a quem passa pelo meu caminho a necessitar de ajuda, apoio ou atenção. Um instinto maternal um tanto ou quanto exacerbado, confesso, que me leva a acolher no meu regaço adultos em fase espiritual de criança. Como qualquer mãe sabe, o difícil é deixar que os filhos cresçam e se tornem independentes, ao mesmo tempo que consigam manter contacto próximo e livre com quem os acompanhou no seu crescimento. Quando os meus filhos atingiram a idade adulta tive de os deixar ir sem que isso provocasse síndroma do ninho vazio. Nessa altura apliquei-me nos estudos de inglês, frequentando o Instituto britânico durante quatro anos, fazendo lá o que havia para fazer. Ao mesmo tempo comecei a praticar Yoga no Ginásio Clube Português, tendo aderido a esta filosofia com entusiasmo e disciplina, o que veio a dar origem a uma forma de vida que é a minha até hoje. Hoje temos uma relação amorosa de adultos que se sentem livres. Cada um no seu espaço e, juntos, sempre que a ocasião e a vontade o permite.
Começando a dar aulas de Yoga (1978), tive de me aplicar no conhecimento da matéria, frequentando cursos em Inglaterra e Espanha. O envolvimento com os alunos obrigou-me a aprender a lidar com os grupos que se iam formando e com as individualidades que se iam chegando a mim, num processo de gestação próprio de uma relação mestre/discípulo que se foi desenvolvendo espontaneamente. Levei algum tempo a aceitar esse papel, por o considerar de grande responsabilidade e para o qual não sentia que tinha sido a minha intenção primária. Comecei a dar aulas pelo gosto e pela paixão que esta prática despertou em mim, pelo seu papel no auto-conhecimento e bem-estar que me proporcionou desde a primeira hora. A realidade e a experiência mostraram-me que tinha de aceitar essa relação e vivê-la com o mesmo amor incondicional que tive com os meus filhos ou com a minha família biológica. Uma vez mais tive de lidar com a necessidade de aprender o desapego e a não deixar que este novo “ninho” ficasse vazio. Felizmente, hoje em dia, tenho aquilo a que se chama “saber de experiências feito” e a prática da meditação que me têm ajudado a seguir, aberta e disponível, para acolher as almas que ainda tenham como Karma estar um tempo comigo/connosco porque, de facto, não trabalho sozinha. Tenho, também, muito mais ajudas do que naqueles tempos longínquos do começo deste Caminho e, como disse a um amigo, continuo a semear e a cuidar da sementeira até que os Deuses queiram e me sinta útil. Com estes escritos, passa-se o mesmo, continuarei enquanto o gozo da comunicação sideral fizer parte do meu viver.
Fiquem bem!

2 comentários:

cima disse...

E sao sempre tao valiosos os conselhos da Mestre, só me faz confusao como é que coisas tao bem escritas e tao pouca gente comenta ...eu quero é sempre comentar seja uma foto, um texto, uma ideia ...parece que as pessoas teem vergonha , na NET ninguem precisa de ter medo, de se esconder.
Quanto ao texto tambem o meu ninho se vai esvaziando...e custa tanto...
Um grande obrigado pelas "dicas" que quase sem querer me vai dando.

Maria Emília disse...

Obrigada querido Amigo. Também tenho pena que as pessoas não se atrevam a comunicar directamente. Algumas dizem-me de viva voz o gosto, outras por e-mail. Já desisti de pensar o que isso significa e continuarei a expressar os meus "sentires" sempre que tiver esse impulso. O Blog é uma espécie de diário de sensações que partilho com quem tem olhos para ler, pricipalmente nas entrelinhas...
Um grande abraço
ME