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domingo, fevereiro 08, 2009

PROXIMIDADE



Antigamente havia um anúncio de um desodorizante que mostrava um rapaz a correr para uma rapariga com um ramo de flores, num impulso irresistível... Lembrei-me desta cena ao pensar nas atracções irresistíveis a que estamos sujeitos nas relações humanas. Quando convivemos de perto com pessoas de todos os géneros, sejam elas alunos, amigos ou familiares, acontece sermos atraídos ou atrair contactos que ganham uma proximidade inesperada e, por vezes, transcendente. Entra-se nessa relação com naturalidade e com uma disponibilidade que leva a um desenvolvimento para ambas as partes em termos de consciencialização do Eu que somos. O intercâmbio de energias dá-se sem reservas e goza-se esse período com satisfação e sem expectativas pois, assim como começam, as relações acabam sem que haja uma razão plausível. É assim como quem muda de canal... O processo pode, simplesmente, ter origem em situações que se alteram ou circunstâncias que mudam ou por puro desinteresse de ambas as partes ou de uma delas. O Karma tem destas coisas e nem sempre avisa ou dá sinais, suficientemente perceptíveis, que nos possam preparar para as alterações a que temos de nos habituar. Não é muito fácil mudar registos porque somos animais de hábitos e, na verdade, somos um pouco obtusos e algo comodistas...
Ao mesmo tempo, este é um jogo interessante e difícil de jogar, para o qual temos de ter mobilidade suficiente, mental e emocional, sabendo fluir e mantendo-nos bem centrados na nossa essência e com a porta do nosso coração aberta a novas experiências. Felizmente há a grande hipótese de passarmos os relacionamentos para o nível do amor incondicional, como resultado de um trabalho feito ao longo das vivências que nos levaram a aumentar a sabedoria que construímos em conjunto, passo a passo. Cá vem o “desapego” à baila e, antes dele, as mágoas e as penas sentidas pelo que se perdeu ou pelo vazio que a passagem para outro capítulo das nossas vidas, aparentemente, deixou. Costumamos dizer que “quando se fecha uma porta, abre-se uma janela...” e é com essa atitude que vamos crescendo afectiva e espiritualmente. De facto, quando uma relação próxima deixa de o ser, há sempre alguém que aparece e lá estamos nós prontos para dar a mão a quem precisa ou a abraçar novos projectos de desenvolvimento pessoal que funcionam como espelhos em causa própria. No meu caso, considero-me privilegiada e atenta para que possa continuar a servir, tanto o meu semelhante como a mim própria, da melhor maneira possível.
A proximidade requer um cuidado, uma reserva, que só é possível com atenção aos sinais, continuando a confiar nos deuses que nos assistem nesta passagem pela Vida. E sempre agradecendo as evidências que nos mostrem o caminho a seguir e as oportunidades que nos são oferecidas para demonstrar o que valemos e o que estamos prontos para aprender, mesmo que algumas situações escapem ao nosso entendimento imediato. Aceitando, acabamos por perceber que: trabalho feito, trabalho acabado. Venham mais!
Fiquem bem, apesar deste Inverno do nosso descontentamento!

2 comentários:

Essencialma disse...

Parabéns! Conheci hoje o seu blog, tenho alguma familiaridade com estas matérias, apesar de ainda ser um pouco iniciante e prometo seguir o seu blog com atenção!

Maria Emília disse...

Muito obrigada Essencialma! Sempre nos encontramos com algum propósito...
Os Caminhos cruzam-se, seguimos em boa companhia e somos todos principiantes.
Um abraço
ME