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segunda-feira, junho 19, 2006

TEMPO DE LUTA, TEMPO DE CONQUISTA

Como o tempo “não” existe, não me tenho preocupado em demasia com a ordem cronológica dos acontecimentos porque, à medida que as memórias desfilam no meu Ser e no meu Estar, tento ver as situações com uma certa distância, alguma emoção e desapego pois o tempo também nos dá outra medida e outros olhares.
Quando vos disse que, depois da viagem, se seguiram tempos difíceis, não estava a pintar as coisas demasiadamente escuras. A verdade é que a descoberta do Yoga fez com que se desse uma revolução em mim pois comecei a ter mais consciência do que era e como era a minha verdade e ao mesmo tempo que tentava acompanhar o crescimento dos meus filhos que estavam em adolescência aguda, todos ao mesmo tempo!!! Desequilíbrios de vária ordem que, várias vezes, me tiraram do sério... Lidar com uma família em crescimento acelerado, num tempo em que as portas de Portugal se abriram à Liberdade, foi tarefa ciclópica, com resultados nem sempre da melhor qualidade. Não vou entrar pelos caminhos do julgamento porque, de uma coisa estou certa, fiz/fizemos o que podíamos e o que sabíamos para levar a vida com a dignidade possível e a união do grupo familiar num estado desejável. Não foi fácil, nada fácil!!! Volto a dizer que o Yoga foi, para além de muleta, uma ferramenta extraordinária que me permitiu não desistir de continuar em frente, mesmo quando as forças me faltavam. É claro que vivemos, igualmente, momentos de alegria e de esperança que nos compensavam de algum modo e nos davam alento para não soçobrar ao peso das separações temporárias e definitivas. O meu filho mais velho casou-se, a minha filha mais nova deu por finda a sua caminhada pela vida (vide “LUZ, APESAR DAS SOMBRAS”, em Abril). A morte dum jovem dificilmente é compreendida, quando não se encontra motivo suficientemente óbvio para tal opção. Confesso que levei muito tempo a aceitar e a respeitar a sua vontade, mas continuo sem compreender. Com a filosofia do Yoga e todas as práticas a ele associadas, encontrei a paz de espírito necessária para não cair em depressão ou revolta. Hoje, consigo aceitar que há pessoas que escolheram caminhos para os quais não estavam preparados ou não tiveram as condições necessárias para o poderem fazer da melhor maneira e, por isso, escolheram voltar atrás, esperando por outra oportunidade. Viver na matéria não é pêra doce e também há que contar com o livre arbítrio que nos permite liberdade condicionada, mas liberdade para todos os efeitos. A morte, sejam quais forem as circunstâncias e os motivos, perturba-nos sempre porque vivemos na ilusão da eternidade que, aparentemente, se manifesta no corpo físico, o que nos confunde e assusta quando tal acontece. Nós, de facto, somos eternos, o corpo é a roupagem que temos de vestir para fazermos a passagem por esta Terra que voga no espaço, indiferente aos nossos gostos e desgostos, um mistério deveras insondável cá para mim que, sinceramente, não percebo o que aconteceu para aqui virmos parar, a fazer o que estamos a fazer e a ser o que somos, para o bem e para o mal. Aconteceu por acaso ou foi intencional? Acidentes de percurso na ordem cósmica ou um Deus que resolveu fazer experiências?... A cada um a sua resposta.
As minhas estórias vão entrar num capítulo em que a comunidade “Satsanga” faz a sua aparição. Tenho muito que contar!
Fiquem bem!

1 comentário:

aldina disse...

Eu acredito que o despertar mais profundo da nossa inteligência seja exactamente quando interiorizamos honesta e humildemente aquilo que sabemos que nunca entenderemos por mais anos que estejamos vivos neste nosso planeta terra... este é para mim um dos segredos e encantos da eternidade!

beijos de tudo, querida amiga!