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SOLIDARIEDADE

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“A partir do momento em que a consciência do “EU se torna realidade, as mudanças internas fazem-se com confiança no processo de desenvolvimento, agindo cautelosamente, embora sabendo que o crescimento não pode parar! A solidariedade é um dos factores primordiais no avanço do Conhecimento e no sentido da Realização pessoal. A partilha é um acto sagrado e, como tal, tem de ser feita de modo a proporcionar bem-estar e provocar sentimentos que se manifestam em alegria que se expressa em palavras, gestos e acções. Quando nos sentimos bem é porque estamos a fazer o que está certo e, o que está certo significa uma boa ligação com as mais altas esferas. Na verdade, os Guias e os Mestres apontam-nos o Caminho e estão lá para nos ajudar, mas somos nós a desejar seguir por ele.” Ao reler este pensamento, sinto acordar em mim a vontade de ser e estar, cada vez mais, em contacto com aqueles que gravitam no meu círculo de energia e com quem contacto física e mentalmente sempre que o apelo surge e a...

PACIFICAÇÃO

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Como é difícil pacificar emoções!!!... Neste dia chuvoso de uma Primavera adiada, dei comigo a entrar no meu Ser mais profundo e a questionar as emoções que brotam a cada pensamento espontâneo. Procuro observá-las, com alguma distância, na esperança de usar algum pragmatismo na aceitação da minha condição humana. Por vezes, rejeito o que me vem à cabeça por não gostar do que espelha a minha Alma; não que me sinta capaz de estar acima de qualquer suspeita, de me rever no meu lado obscuro... Em sinceridade vos digo, aqui e agora, que as teorias são mais acessíveis do que as práticas e nem sempre consigo aceitar que, apesar de me considerarem uma pessoa forte e determinada, tenho o direito a fragilidades próprias de quem vive na matéria e está sujeita a confrontos, dúvidas e medos. Estou a chegar a uma etapa da minha Vida em que posso olhar para trás e rever as minhas memórias com amor e reconhecimento de que fui cumprindo o meu Karma com a consciência e aceitação dos factos. Muito do que...

OLHOS NOS OLHOS

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Quando me concentro no meu Blog ou nas diferentes formas de comunicação actuais, dou comigo a pensar como é fácil comunicar com o universo que me rodeia! No entanto, também me fica a estranha sensação de estar a “falar” sozinha… Somos capazes de receber, instantaneamente, uma mensagem que vem do outro lado do mundo e, curiosamente, nem sempre falamos com os nossos vizinhos… Eu, por exemplo, acho fantástico os meios de comunicação modernos e a eles aderi de imediato com a curiosidade e o entusiasmo de uma criança, mas continuo a privilegiar o contacto directo, olhos nos olhos, pois não dispenso o sentir a presença do outro e a respectiva troca de energia que esse contacto proporciona. É claro que as facilidades de comunicação por estes meios electrónicos nos permitem alguma reserva e algumas defesas, o que é perfeitamente legítimo e cómodo. Sabendo que, apesar de tudo, a energia posta nestes actos passa tanto quanto as palavras, não posso deixar de pensar que a comunicação verbal imprim...

MEDITAR

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Meditar é mergulhar no nosso espaço interior e entrar em contacto com a Alma que se manifesta através de sensações e impressões. Meditar ao ar livre, com o mar em frente e a brisa a passar pelos nossos cabelos, é uma experiência única. A integração dos elementos faz-se natural e espontaneamente, sentindo aquele espaço como nosso. Os sentidos ampliam-se consideravelmente, mantendo a ligação à terra. Podemos voar com toda a segurança, um voo que nos transcende e nos eleva. Os cheiros penetram nas nossas narinas e falam-nos dos sabores e dos saberes da existência; sentimos na pele o calor de um Sol primaveril. Somos privilegiados no que respeita a paisagens e não devemos perder uma única oportunidade para meditar em comunhão com a natureza, tão pródiga e tão disponível. Foi isso que fizemos no nosso último Encontro. Caminhámos pelas arribas da Praia Grande até à vista da Praia das Maçãs, onde poisamos o nosso Ser e o nosso Estar, em perfeita comunhão com tudo e com todos, presentes e ause...

PARCEIROS ESPIRITUAIS E DESAPEGO

O Caminho espiritual, como qualquer outro caminho, implica associações de vária ordem para que cada etapa seja levada a cabo com sucesso e esforço partilhado. Desde que comecei nestas andanças da tomada de consciência fui-me apercebendo de que havia contactos pessoais e de grupo que tinham, como propósito específico, ajudar-me a desenvolver capacidades e alguns aspectos da minha essência e personalidade a ela agregada e que essas relações tinham uma duração adequada para que o processo seguisse com segurança e alegria. Como devem calcular, não percebi de imediato por que razão algumas pessoas se aproximavam, espontaneamente, de mim e se integravam, ou não, no Grupo de Almas que, eu própria, sem saber como nem porquê, ia formando. Pessoas que se tornavam familiares e muito estimáveis, com quem aprendi e partilhei o que se apresentava a cada momento em termos de acção e Conhecimento. Sempre que se dava um afastamento (natural ou brusco), sentia que, aparentemente, não fazia sentido que r...

CELEBRANDO

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Praia Grande 5 e 6 de Abril 2008 "SATSANGA" - 25 ANOS O Grupo de Almas que respondeu à chamada, reunia as condições necessárias para os trabalhos que propusemos e para os quais contribuíram todos os que fazem parte do núcleo duro do “Satsanga”, os Instrutores que foram desenvolvendo matérias que combinam na perfeição com a ideia de que todos precisamos de várias ferramentas para conseguir atingir os desafios propostos para esta encarnação, num processo de cura da Alma que, assim, se apresenta disponível para avançar com toda a confiança e com a consciência plena dos seus valores e condição. Um percurso longo e esforçado, premiado com a alegria de sentir e de tudo perceber em plenitude, tomando as experiências como forma do verdadeiro Conhecimento. O Grupo estabeleceu-se, no tempo e no espaço, e deu-se espontaneamente a integração total, sem lugar para dúvidas ou hesitações que impedissem o normal fluxo dos trabalhos que seguiram com a habitual disciplina e com o espírito de s...

MESTRES E MESTRES

Na minha já longa experiência de praticante de Yoga e sua Filosofia de Vida, tenho-me deparado com mestres que me proporcionaram a oportunidade de aprender o que tinha de aprender em cada etapa da minha evolução pessoal e espiritual. Há muito que percebi que ninguém ensina nada a ninguém e que somos nós que nos disponibilizamos para absorver os ensinamentos que nos são destinados. O contacto que se estabelece com aqueles que se apresentam capazes de nos oferecer dados da sua própria experiência, é o factor primordial para avançarmos neste processo para o qual despertámos a nossa consciência. Tenho tido o privilégio de viver experiências de contacto com mestres de vária ordem e diferentes condições. Todos precisamos dessa vivência única para que, por fim, encontremos o nosso Mestre interior. Os meus primeiros mestres foram, certamente, a minha Mãe e o meu Pai que me deram a base que me permite seguir o meu Caminho sem vacilar e com a confiança dos que se sentem protegidos e guiados, con...

PÁSCOA

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Neste tempo que vivemos, em que a esperança morre ao virar de cada esquina, temos a felicidade de gozar momentos que nos enchem a Alma e nos permitem viver a experiência de tocar a transcendência. Esta Páscoa coincide com o equinócio da Primavera e em plena Lua cheia, o que só se repetirá daqui a umas centenas de anos e, talvez por isso, sejamos abençoados com vivências excepcionais. Não podia deixar de vos contar que, ontem, fomos assistir a uma sessão relacionada com o dia mundial da poesia, sessão passada na Casa de Fernando Pessoa (claro), com o privilégio de termos a cantar para nós a Aldina Duarte! O espaço foi pequeno para os que a quiseram ouvir e sentir. O meu marido, eu e uma dúzia de pessoas tivemos de ficar sentados nas escadas de acesso ao andar de cima, mas nem por isso deixámos de saborear cada palavra, cada nota da guitarra e da viola que, como sempre, acompanharam a artista com maestria e grande sintonia. A maioria dos que assistiam, estavam presos àquela energia tão ...

CONTACTO

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Tenho andado afastada deste campo, sem que isso manifeste uma distância… Outros afazeres não me têm permitido deixar-me levar pelo impulso que me empurra para a comunicação escrita, via espaço sideral. A preparação do nosso Encontro (ver Site) e as ocupações do dia a dia, não me davam o espaço que preciso para entrar nesta onda. No entanto, hoje, tive um chamamento que proporcionou descobrir uma das mensagens que os meus Deuses me fazem chegar e que encaixa perfeitamente no momento que estamos a viver, a celebração dos 25 anos do “Satsanga”. É assim: “ As luzes brilham em tons de azul que é a calma instalada neste Grupo de Almas. O Amor paira neste espaço que recria a energia cósmica onde tudo É e pode SER. Nada, nem ninguém, vos pode impedir de seguir pelos Caminhos da verdadeira Paz, sem que as sombras vos perturbem. Estão aqui, respondendo ao apelo dos Mestres e dos Guias para cumprirem a missão para a qual foram escolhidos.” OM SHANTI

A GUERRA "IN LOCO"

Continuando com as minhas estórias de vida, venho hoje contar-vos a minha ida para a guerra… O meu marido foi destacado para ir comandar a Flotilha de Lanchas do Lago Niassa, uma das zonas de campanha de Moçambique (1967). Como podem calcular, o céu desabou-nos em cima! Tivemos de tomar decisões drásticas e dramáticas que iriam provocar problemas emocionais e psicológicos que, naturalmente, deixaram as suas marcas. Mais uma vez se iria ter de dar uma separação e avançar para situações de risco. Acabámos por mandar um dos nossos filhos para Lisboa e, contrariando ordens superiores, lá fomos de avião até àquela terra distante. Partimos para a cidade da Beira e de lá para Vila Cabral e, por fim, Metangula cujo acesso só podia ser feito com um avião pequeno (Cessna), visto que as estradas estavam cortadas por causa das minas. Instalámo-nos numa casa que apenas tinha dois quartos, uma cozinha e uma casa de banho. A sala de jantar era num anexo feito em forma de palhota. Aliás, uma das razõe...

SOLIDARIEDADE E LIBERTAÇÃO

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A partir do momento em que a consciência do “Si” (Self) se torne realidade, as mudanças internas fazem-se com confiança no processo de desenvolvimento, passando nós a agir com cautela, mas sabendo que o crescimento não pode parar. A solidariedade é um dos factores primordiais no avanço do Conhecimento e no sentido da realização pessoal. A partilha é um acto sagrado, e como tal, tem de ser feita de modo a proporcionar bem-estar e provocar sentimentos que se manifestem em alegria, que se expressa por meio de palavras, gestos e acções. Quando nos sentimos bem a fazer o que estamos a fazer é porque estamos no caminho certo e o que está certo significa que existe uma boa ligação com as mais altas esferas. Na verdade, os Guias e os Mestres apontam-nos a direcção a seguir, mas somos nós a desejar e a conseguir seguir por aí! Pessoalmente tenho a agradecer aos Deuses que me acompanham, a oportunidade de ter vindo ao mundo e poder vivenciar o Amor Incondicional no encontro com os meus Pares. Pe...

SEGUE A DANÇA

O tempo que passámos na Estação Rádio Naval, na Machava, a cerca de 15 km de Lourenço Marques (agora chamada Maputo), deu para organizar a família e conviver como pessoas normais, numa sociedade de estilo africano em que a vida ao ar livre e despreocupada parecia não ser tocada pela guerra que se desenrolava a Norte. Os miúdos mais velhos começaram a frequentar a escola, enquanto as mais pequenas gozavam os prazeres de um amplo jardim e, ao fim de semana, refrescávamo-nos na piscina da Estação. Foi lá que as crianças deram as primeiras braçadas, aprendendo a nadar por conta própria e com a ajuda dos adultos que frequentavam aquele espaço. Apesar das óptimas condições em que nos encontrávamos, comecei a sentir-me bastante isolada e deprimida, pois não tinha muito com que me ocupar, visto ter vários empregados, como era habitual naquelas paragens. De manhã ia às compras, destinava as refeições que o fantástico cozinheiro nos fazia, dava volta ao jardim e à horta, o que dava para ocupar t...

A SAGA CONTINUA

As mil e uma Vidas que vos prometi contar, seguem agora com a minha ida para Moçambique onde pretendia passar uma temporada com o meu marido que, nessa altura, estava embarcado numa fragata. Como pensava ter uma estadia relativamente curta, agarrei em dois dos meus filhos (o 2º e a 4ª, ainda bebé) e meti-me num navio de passageiros que era a única maneira de conseguir lá chegar sem despender muito dinheiro que, como sabem, não abundava. A viagem durou cerca de 20 dias e, quando atracamos na, então chamada, cidade de Lourenço Marques, tivemos a notícia de que a guerra tinha rebentado também naquela terra longínqua. Passava-se isto em 1964, três anos depois do mesmo ter sucedido em Angola. Não fiquei muito assustada pois informaram-nos de que os problemas se passavam no norte. Outra novidade que fui encontrar, tem a ver com o facto do meu marido me dizer que iríamos ficar numa casa que ele havia alugado pois a ideia de irmos para uma Residencial com duas crianças não lhe parecia cómodo n...

PRIVILÉGIO

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A semana passada, para além de ter andado muito ocupada e de ter tido uma inflamação na garganta que me cansou demais, tive o privilégio de viver uma experiência única e inesperada que me fez esquecer estas pequenas fragilidades. Estava muito sossegada no meu canto, quando recebo uma mensagem escrita da minha Amiga Aldina Duarte a participar que tinha a matriz do seu próximo disco e que gostaria muito que eu o ouvisse em primeira-mão. Claro que não hesitei em aceitar tão gentil convite e passámos a tarde juntas, atentas e deliciadas com o momento. O disco, de seu nome “Mulheres ao Espelho”, é fantástico e vem confirmar aquilo que eu sinto em relação à sua forma de cantar, ou seja a Aldina Duarte é a Juliette Gréco do fado! As letras, na maioria suas, são espectaculares e o acompanhamento dos músicos é excepcional, como sempre. Espero que se consiga a sua rápida edição pois é uma mais valia para a música portuguesa e, particularmente, para o fado na sua essência. A Aldina Duarte tem fei...

MIL E UMA VIDAS III

Acabadas que foram as festas, retomo o fio à meada para vos contar um pouco das minhas numerosas Vidas, que têm sido a minha grande fonte de aprendizagem e desenvolvimento pessoal e espiritual, pois tive de me adaptar a várias circunstâncias e a vários acontecimentos que me obrigaram a crescer muito para além da própria idade. Quando nasceu o nosso terceiro filho, já na nova casa, tivemos a alegria de receber nos braços uma linda menina de olhos azuis que encantou quantos a receberam. Nesse tempo não havia ecografias, por isso, a surpresa foi grande. Tinha tido dois rapazes, daí pensarem que o terceiro também seria do género masculino! Entretanto, acontecimentos familiares, não muito agradáveis, obrigaram-nos a procurar nova casa!!! Não foi fácil porque, com três filhos e pouco dinheiro, as casas em Lisboa já muito caras e não haver as facilidades de empréstimos como há agora. Acabámos por ir parar aos Olivais Sul que, nessa altura, começava a desenvolver-se e era considerado um bairro...

FELIZ 2008

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Caros Amigos(as), Num tempo em que a a consciência nos leva a perdoar, a esquecer e a pôr toda a energia captada na ideia de que o que, realmente, conta é o Amor Incondicional para que alcancemos a verdadeira Paz, nada mais é preciso para entrarmos no novo ano com alegria. Caminhemos, pois, com a esperança em alta e a força que nos dá sabermos que estamos sós, mas não sózinhos. A todos quantos me acompanharam nesta senda, durante o ano que finda, BEM HAJAM!!! Um grande a fraterno abraço, OM SHANTI OM

ROUPA VELHA...

Terminada a azáfama do Natal, preparamo-nos agora para entrar no Novo Ano e, neste compasso de espera, fazermos um balanço destas festividades. “Roupa Velha” é o que fazemos às sobras do bacalhau, por isso, comecei esta prosa com esse título, visto que temos de digerir as emoções que esta época provoca. Confesso que quando se aproxima esta data inevitável, me dá uma preguiça e pouca vontade para avançar com os preparativos próprios e a atenção que é preciso dar a sentimentos e devoções de vária ordem. Antigamente, chegava-me a dar uma grande neura com a saudade a bater-me à porta insistentemente, para não falar na questão do consumismo e da hipocrisia, factores integrantes desta sociedade feita de aparências e de interesses inconsequentes e imediatos. Um dia decidi que o “Natal não é quando o Homem quiser”, mas uma inevitabilidade à qual não adianta fugir e, já agora, o melhor é viver as festividades pelo puro prazer do encontro. É festa é festa!!! Assim que arregaço as mangas, começo ...

BOAS FESTAS!!!

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" A PAZ ESTÁ NO TEU CORAÇÃO PORQUE A PRESENÇA DOS ANJOS É UMA REALIDADE QUE SENTES NESTA VIDA QUE PASSA COMO UMA NUVEM LEVADA PELO VENTO. CONCENTRA-TE NO QUE, VERDADEIRAMENTE, IMPORTA, SÊ COMPLACENTE PARA CONTIGO E APROVEITA TODAS AS OPORTUNIDADES PARA APRENDER E PARTILHAR O CONHECIMENTO ADQUIRIDO." BOM NATAL E FELIZ ANO NOVO!!! OM SHANTI

MIL E UMA VIDAS II

Continuando… Entretanto, tive um apelo irresistível do meu, então, namorado/noivo, e agarrei nas malinhas, apanhei um avião e desembarquei em Pangim (Goa), depois de um casamento por procuração que, naqueles tempos não dava para nos juntarmos sem as bênçãos da Santa Madre Igreja ou de um Conservador do Registo Civil!!! Os primeiros tempos não foram muito fáceis pois estranhei o clima quente e húmido, e tive de enfrentar os trabalhos domésticos a que não estava, minimamente, habituada, menina burguesa de primeira apanha. Começava o dia a estudar o meu livro de receitas predilecto (até hoje), e a encontrar no mercado os ingredientes que se adaptassem ás minhas escolhas. Felizmente, tinha gosto pela cozinha e alguma coisa tinha aprendido com a cozinheira que trabalhava em casa dos meus Pais. Mesmo assim, valeram-me as vizinhas tailandesas que me ensinaram a escamar peixe… As fardas brancas do meu marido (ele é oficial de marinha), treinaram a minha paciência! Passar a ferro não é, propria...

MIL E UMA VIDAS

Num tempo de maior quietude, dou comigo a repensar a minha, já longa, vida e veio-me à cabeça a ideia de que as diferentes etapas desta existência me podem dar o direito de pensar que, desde que cheguei a este mundo, experienciei tantas coisas, tantas emoções, tantas circunstâncias, que posso concluir que neste espaço de tempo passei por várias encarnações e que tenho muita gente da minha família a viver dentro de mim!!! Senão, vejamos: Nasci em Angola, numa casa onde os meus pais viviam e onde o meu irmão mais novo também viu a luz. A minha irmã mais velha nasceu em Lisboa por ocasião de umas férias. Tive uma infância despreocupada e algo livre, pois o lugar onde estávamos permitia andar na rua sem preocupação de espécie nenhuma. O grupo de raparigas e rapazes com quem partilhava as minhas aventuras eram todos da minha própria escola. A bicicleta foi o meu meio de transporte preferido e com ela percorria seca e Meca. Trepávamos às árvores para colher as belas mangas ou matávamos a fom...