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INICIAÇÃO

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Palestra Iniciaçã Celebração “Uma iniciação não é propriamente um exame. É, antes, um processo em que se trabalha a ampliação da consciência e se avança passo a passo, de etapa em etapa. A expansão dá-se em todos os sentidos, não é um caminho puramente ascendente. A verdadeira iniciação acontece quando há concordância entre a razão e a intuição e se aceitam os factos que vão acontecendo sem os questionar, apesar das dúvidas que possam surgir, sem a tentação de voltar atrás por achar mais seguro, mais fácil.” À medida que o curso avançava, íamos pensando no Mantra que gostaríamos de usar, bem como o nome espiritual que nos atraísse. No final dava-se a cerimónia de iniciação, um momento solene que mexe sempre com as emoções. Nesse dia, depois do exame escrito que nos habilitava a um Diploma de Instrutor, fazia parte cada um preparar um Prasad (oferenda) constituído por flores, fruta e umas moedas. A confecção implicava algum esmero pois era representativo da nossa própria energia. Com...

NOVAS ESTÓRIAS

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CURSO DE INSTRUTORES (1985) Voltando às minhas estórias... Em 1984 seguiu para Espanha o primeiro grupo de portugueses para se formarem como Instrutores de Yoga da Associação de Yoga Sivananda de Madrid. Tanto quanto me lembro, eram uns nove. Eu não pude ir nesse ano, porque tinha o Centro a despontar, mas no seguinte já não tive falta. Nesse tempo os cursos tinham a duração de quatro semanas e, por isso, convenci o meu marido a acompanhar-nos para não ficarmos tanto tempo separados. O grupo que formámos (foto acima), meteu-se a caminho Cervera de Pisuerga no Norte de Espanha. Pernoitámos em Castelo Branco em casa da mãe de uma participante (a Teresa Pissarra) e, pela madrugada, rumámos até ao nosso destino. Lá descobrimos a aldeia, muito simpática por sinal e aterrámos uns quilómetros adiante, numa antiga Pousada da Juventude do tempo do General Franco, que foi reactivada para receber o nosso curso. A primeira notícia que tivemos à chegada foi que tínhamos de carregar com as camas par...

OS ELEMENTOS, DIA A DIA

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As minhas estórias passam muito pelas vivências que elas representam. Cada momento, olhado em retrospectiva, dá-me sempre que pensar na natureza dos acontecimentos e sua influência na evolução pessoal e colectiva. Não é por acaso que vivemos determinadas experiências e conhecemos quem conhecemos, daí estes intermezzos filosóficos que vos podem dar ideia dos meus “sentir” e dos meus “estar”. Quando mergulhamos na nossa Essência, libertos do corpo físico, das preocupações, angústias e medos, deparamos com a nossa realidade – aquilo que somos, porque somos e para onde caminhamos. Tudo fica mais claro! A compreensão das coisas torna-se natural, como naturais são os elementos de que somos feitos: Terra, Água, Fogo e Ar. Mexer o corpo, conhecendo cada músculo, cada articulação, respirar cada respiração, transformada em “Prana”, é algo transcendente. Ouvir o bater do coração ao ritmo do EU, é sentir que o silêncio é, de facto, a música da alma. Através da prática do Yoga, como exercício físi...

ALEGRIA DE VIVER

A alegria de viver manifesta-se em cada gesto, em cada palavra pronunciada, em cada acção concretizada através do Amor incondicional, quando trabalhamos no sentido duma materialização consequente, reconhecendo as nossas capacidades e projectando-as de forma plena e generosa com a consciência que nos dá uma Sabedoria própria, assente na humildade e no dever de ensinar para que possamos aprender. É importante meditar e entrar em contacto com o Eu Superior, mergulhando fundo até descobrir o que está para além das emoções geridas pelo Ego, observando o mundo sob outro prisma e fazendo das opções tomadas um acto de plena consciência. As mudanças podem abalar os avanços iniciados, mas a necessidade de evoluir torna-se um impulso irresistível. O bom senso deverá, apesar de tudo, imperar e as emoções descontroladas hão-de ser harmonizadas até se atingir um estado de verdadeira calma e serenidade. A ponte entres estados de consciência (vigília e alterado), faz-se escutando a voz interior que no...

CONHECIMENTO E ORDEM

Uma mente pura tem a consciência de que Corpo, Mente e Espírito é uma e a mesma coisa. Sendo assim, não se deixa perturbar pelos desejos feitos pensamentos, consegue distinguir a Verdade da realidade e sabe que a Essência está para além da aparência. Para chegar a este Conhecimento tem de se entender que os desejos provocam emoções, expectativas e desilusões e que é preciso uma ordem e uma disciplina que estabelece os alicerces da liberdade, desenvolvendo a sensibilidade que é a verdadeira inteligência, o sentir que se manifesta em cada acção, cada gesto. O Conhecimento é a fonte inesgotável das experiências vividas que deixam a sua marca indelével. A informação que chega é importante, mas convém ter em conta que há que discernir, eliminando o que não encaixa no sentir. A evolução dá-se na continuidade do estabelecido e o pensamento fluirá, dando origem aos desejos que permitem estar disponível para outras tantas experiências que farão parte do processo em que se está inserido. O esfor...

À DESCOBERTA

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VISITAS “ As almas curiosas buscam no encontro respostas às questões que ainda não sabem pôr. Precisam de ajuda, suave e firme, para poderem ascender às mais altas esferas, aí onde as respostas não têm perguntas. BASTA OLHAR. BASTA VER. BASTA SENTIR!!!” No subconsciente jaz o Conhecimento adquirido ao longo dos tempos. Essa Sabedoria implícita é importante para levar a cabo o nosso processo de transformação que seguirá de acordo com a necessidade de avançar, mantendo o equilíbrio e a serenidade. As respostas virão sem que sejam formuladas perguntas. Somos aprendizes da própria Vida e como Mestres passaremos o testemunho com a responsabilidade própria de quem sabe que os caminhos se abrem à medida da nossa disponibilidade. O êxito é a resposta a um dever cumprido no sentido da União (Yoga) dos opostos – atracção e repulsa (Raga e Devesha). O Amor incondicional é a realidade assumida sem medo, prova de tolerância e aceitação das diferenças. Serve esta introdução para continuar com as mi...

ARTE DE VIVER

Quando nos tornamos instrumentos da vontade divina estamos em condições de canalizar o fluxo dessa energia cósmica de maneira que ela se torne expressão de criatividade. Somos a materialização daquela vontade e, como tal, temos de deixar transparecer os dons concedidos, sem inibições nem arrogância. A criatividade é um processo de gestação que tem um tempo próprio e dá origem a novas vivências, frutos que manterão ternamente ligados os intervenientes no processo. Essa ligação ultrapassa a compreensão humana pois a criatividade é a forma de aceitarmos a nossa divindade. A serenidade só é possível quando existe um tempo de pausa e de reflexão, escutando o silêncio que cresce dentro de nós, transformando-se em canto de pássaros numa manhã de Primavera. É imprescindível que a nossa alma seja banhada pela Luz para que se renove a esperança de forma inequívoca. Estar aqui e agora, num momento em que o meu corpo pede descanso, é transcender a matéria e sentir que não somos, realmente, o corpo...

IMPRESSÕES

“ UM HOMEM SÁBIO SÓ AGE DE ACORDO COM A SUA PRÓPRIA NATUREZA.” O principal objectivo da Vida é a auto-realização. Todos buscamos a felicidade de alguma maneira embora o sofrimento seja a pedra de toque neste mundo em que vivemos, porque o Homem desta sociedade moderna perdeu o contacto com a natureza afastando-se da sua divindade. No entanto, a dor não é mais do que uma chamada de atenção para que o Homem se volte novamente para as coisas de Deus. A busca da Felicidade faz parte da natureza do Homem, mas já não há quem ensine o Homem a encontrar o Caminho da Felicidade visto que toda a humanidade se virou para si própria e não para os outros, tal como o escorpião, dentro de um círculo de fogo, volta a sua cauda contra si pensando que a morte é o fim. O egocentrismo reinante faz parte desta era que tarda em mudar, exigindo dos mais conscientes um trabalho e uma persistência que só é possível quando se encontra um grupo de apoio. É fundamental entrar em contacto com todos os que estejam ...

INAUGURAÇÃO

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Chegou, por fim, o grande dia (7 de Outubro de 1986). A sala ficou toda enfeitada pela Sita que tem um gosto especial para estes arranjos como podem ver pelas fotos que vos apresento. Começámos com uma meditação, seguida de demonstração da Saudação Sol, uma das praticantes de Almada cantou e terminámos com um belo lanche constituído, como sempre, por fantásticas e generosas iguarias trazidas pelas pessoas. O entusiasmo animou-nos nesta nova etapa e esse entusiasmo dura até hoje, apesar de termos atravessado períodos de grandes problemas. O prédio muito antigo, com a maioria das casas sem recuperação adequada, teve como consequência fazer-nos sofrer de inundações constantes que nos obrigaram a arranjar soluções e acudir sempre que a chuva nos entrava pela casa dentro já para não falar da má vontade de alguns vizinhos menos entendidos nestas matérias ióguicas. Valeu-nos a solidariedade de muitos fiéis praticantes que ora nos emprestavam um aspirador para tirar água da alcatifa, ora nos a...

CIRCUNSTÂNCIAS

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Acreditando que os pensamentos predominantes determinam o curso do nosso destino, quando as circunstâncias se tornaram propícias, comecei a dedicar todos os meus pensamentos à ideia de criar um “Satsanga” também em Lisboa. Mal acordava, imaginava que ele já existia e, depois, o dia seguia normalmente porque é assim que se faz. Se pensarmos que um dia vamos ter o que desejamos, nunca acontece porque é “sempre um dia...”. É preciso criar as imagens concretas para que sejam alimentadas com a energia do pensamento. E foi assim que, um belo dia, o aluno encarregado de procurar o lugar ideal, me telefonou a dizer que achava que tinha encontrado o que procurávamos. Convidei uma amiga, também ela aluna, para me acompanhar ao local para ambas sentirmos na pele a emoção do primeiro contacto com o espaço em causa. Escusado será dizer que foi amor à primeira vista! Era ali que iríamos ficar e logo começámos a imaginar como arranjar o espaço de maneira a servir o nosso propósito. Não foi nada fácil...

YOGA EM ACÇÃO

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Yoga é conhecer o Amor nas acções de cada dia, descobrir a Essência para além da aparência e crer na sabedoria divina. Isto é o que define a filosofia que considera o Homem como um TODO e acentua a ideia de que o Ser é responsável pelo seu próprio destino, baseado no facto de cada acção ter uma reacção de acordo com a intenção. Podemos considerar o Yoga como a Psicologia do comportamento mais antiga do mundo e, a partir desse pressuposto, começámos a desenvolver muitos trabalhos que ajudassem ao auto-conhecimento e à auto-perfeição, dentro daquilo que se apresentava ao nosso dispor. É preciso lembrar que, nos anos oitenta, se começava timidamente a falar da relação corpo-mente-espírito e de uma noção do Transpessoal. Uma das primeiras pessoas a passar pelo Centro, partilhando os seus conhecimentos e a sua experiência, foi o Dr. Henrique Ribeiro, psicólogo e professor (hoje também formado em homeopatia) que nos trouxe como tema “PSICOLOGIA E PARAPSICOLOGIA COMO ELEMENTOS DE TERAPIA!”. P...

EM MOVIMENTO

“A energia em movimento provoca estados alterados de consciência que desencadeiam processos imparáveis, originando todos aqueles acontecimentos que se esperam, apesar de inesperados. O encontro das almas dá-se no instante em que se reconhecem como irmãs, fruto do mesmo ventre celestial. A unidade na diversidade é a prova que precisavam para acreditar.” Ter casa própria permitiu-nos desenvolver um trabalho de acordo com a vibração que se foi estabelecendo e concretizando. A frequência em que nos movimentamos é determinante para o processo em curso. A experiência adquirida ao longo dos anos é a mais valia para qualquer trabalho e muito mais quando nos metemos por caminhos de espiritualidade. O grupo que serviu de base a esta aventura, foi-se consolidando e esta dinâmica permitiu-me avançar com alguma temeridade e a confiança possível. As coisas foram-se fazendo, com as dificuldades próprias de projectos inovadores e mesmo arrojados para a época. O pioneirismo tem o seu preço, mas também ...

DE CAIXEIRO VIAJANTE À CASA PRÓPRIA

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A minha primeira experiência como uma verdadeira Instrutora de Yoga, deu-se quando decidi arriscar oferecendo os meus serviços ao Clube Atlético de Alvalade. Uma amiga fazia lá ginástica e disse-me que não tinham aulas de Yoga, por isso, resolvi apresentar-me à direcção do clube que se mostrou muito interessada. Nesse tempo o clube era muito modesto e gerido por carolas o que me agradou logo. O espaço que encontrámos não era a última maravilha.... um sala onde se faziam trabalhos de pintura decorativa, chão de cimento e com um acesso complicado (tinha de se passar pela sala de “ballet”). Mas, como a vontade de começar era muita, aceitei o desafio e começámos com cobertores no chão, um candeeiro de bicha e o aquecimento, tudo coisas que trouxe de casa. Apesar das condições precárias, começaram a aparecer alunos (mais alunas, claro!) e o entusiasmo pegou de tal maneira que, no ano seguinte, alcatifaram a sala. Duas das primeiras alunas, fizeram-se instrutoras e uma delas, apesar dos seus...

TEMPO DE LUTA, TEMPO DE CONQUISTA

Como o tempo “não” existe, não me tenho preocupado em demasia com a ordem cronológica dos acontecimentos porque, à medida que as memórias desfilam no meu Ser e no meu Estar, tento ver as situações com uma certa distância, alguma emoção e desapego pois o tempo também nos dá outra medida e outros olhares. Quando vos disse que, depois da viagem, se seguiram tempos difíceis, não estava a pintar as coisas demasiadamente escuras. A verdade é que a descoberta do Yoga fez com que se desse uma revolução em mim pois comecei a ter mais consciência do que era e como era a minha verdade e ao mesmo tempo que tentava acompanhar o crescimento dos meus filhos que estavam em adolescência aguda, todos ao mesmo tempo!!! Desequilíbrios de vária ordem que, várias vezes, me tiraram do sério... Lidar com uma família em crescimento acelerado, num tempo em que as portas de Portugal se abriram à Liberdade, foi tarefa ciclópica, com resultados nem sempre da melhor qualidade. Não vou entrar pelos caminhos do julga...

REGRESSO

A paragem em Bombaim foi de algumas horas o que deu para mais algumas compras. Eu, por exemplo, tive de adquirir uma mala para conseguir encaixar o que trazia e o que ainda comprei. As coisas são baratíssimas e uma tentação pela originalidade e, além disso, nós temos o costume de levar lembranças para a família. Nesse tempo não havia por cá o que há agora, é preciso que se note. Jantámos onde calhou, mas eu não estava muito bem disposta; os balanços do comboio fizeram-me enjoar quando poisei os pés em terra. Foram muitas horas com pouco descanso. Depois do jantar começámos a aventura da viagem para o aeroporto. Tínhamos deixado as malas na estação e de lá seguimos, tendo apanhado pelo caminho os festejos do dia de “São” Ganesha. Parecia Carnaval. Grupos de gente empunhando estátuas do deus todo enfeitado, cantavam, dançavam e atiravam “kum-kum” (pó vermelho para dar sorte) uns aos outros. Ao princípio achámos graça, mas a demora do trânsito tornou-se cansativa por causa do pó e do calo...

ÚLTIMOS CARTUCHOS

Chegámos ao último dia de estadia em terreno sagrado. Acordei cedo como sempre e tive de esperar que os meus amigos dessem à costa para tomarmos o pequeno-almoço. Enquanto esperava por eles, quem deu à costa foi o sr. Singh com dois rapazes amigos e curiosos. Fizeram-me companhia e lá estivemos a conversar, com o sr. Singh a fazer de interprete. Falámos de tudo um pouco, expliquei-lhes como era e onde era Portugal, como era a nossa cultura e a nossa religião, etc. Logo que nos despachámos, seguimos para o Ashram do Sai Baba, um mestre muito conhecido tanto lá como no Ocidente. A casa era uma moradia muito bem arranjada e tinha um guarda visto não estar lá ninguém. Como nada de interesse se passasse ali, seguimos em direcção à floresta, atravessando a ponte virámos a montante. Embrenhámo-nos floresta dentro e logo começámos a transpirar. A sensação de estar numa floresta densa, onde o Sol não penetra, é estranha e, de certo modo claustrofóbica. Visitámos uma gruta onde era suposto estar...

NOVAS VISITAS

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À tarde fomos então com o nosso guia visitar o Ashram do Maharish Mahesh que é o “Guru” da Meditação Transcendental. Metade do caminho era semelhante ao daquele em que fizemos a visita ao yogui da montanha, mas a certa altura atravessámos uma denssíssima floresta, linda, linda. O calor é que era sufocante e o suor corria-nos em bica. Ao chegarmos, ainda tivemos de subir uma grande rampa e, no fim, não nos deixaram entrar. Uma barreira de rapazes logo se impôs, dizendo que não era permitida a entrada sem uma licença especial. Por favor, deixaram que visitássemos um exemplar das cabanas próprias para meditar, do tipo “iglo”, com dois andares; em baixo o quarto, lá em cima o espaço suficiente para se ficar sentado e uma casa de banho lá fora. Via-se que havia uma certa pretensão na ideia, coisa do tempo em que os “Beatles” iam à Índia à procura de inspiração. Aliás foram eles que levaram o dito Guru para a América, que lá se está bem melhor do que na Índia... O que ficou estava entregue ...

CERIMÓNIA (PUJA)

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E, assim, fomos avançando na nossa viagem ao tempo de mestres e discípulos, uma etapa que se tornou num prenúncio da minha orientação futura em termos de prática e ensino. Naquela época éramos um tanto ou quanto autodidactas, apesar da frequência dos vários cursos em Inglaterra e País de Gales. A mim faltava-me um método que me permitisse dar um sentido mais consistente à minha maneira de ensinar e viver a própria experiência do Yoga e o contacto com os ensinamentos de Sivananda tornou-se marcante, principalmente, quando comecei a ler os seus escritos e, mais tarde, ao encontrar-me com um grupo dirigido por um dos seus discípulos, o que vos contarei a devido tempo. Rumámos até ao Ashram do mestre Sivananda para assistirmos às cerimónias do Ganesha Puja (louvor ao deus Ganesha), à beira do rio Ganges. Estava um belo dia, segundo me diz o meu diário, a prometer bastante calor. Quando chegámos, ainda estava pouca gente no sítio onde se encontrava uma imagem de Ganesha, considerado o deus ...

ENCONTROS IMEDIATOS

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À BEIRA DO GANGES Começámos o dia pela visita a dois templos. O primeiro tinha um tanque com água, dita sagrada, e mal entrámos aproximou-se de nós um sacerdote oferecendo-se para nos fazer umas rezas e ungir-nos à custa de uma quantas rupias. À saída colocou-nos uma pinta vermelha na testa, acompanhada De outro pedido de rupias... O segundo templo era menos primitivo, não tinha tanque e como trazíamos a pinta na testa ficámos isentos do peditório. Pelo caminho visitámos o Ashram do Suami Sivananda e lá fomos atendidos por uma senhora muito simpática que nos deu o programa das actividades. Tínhamos que organizar bem as nossas visitas para não andarmos sempre de táxi o que fugia ao nosso curto orçamento. Curiosamente, o táxi, de vez em quando parava numa espécie de portagem e conseguimos perceber que passava por caminhos particulares e os donos teriam de ser informados das intenções dos viajantes. Quando chegámos ao hotel fomos...

PARAGEM NO TEMPO

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Acordei relativamente cedo, mas fiz um esforço para dormir até perto das sete porque tinha tido uma noite bastante agitada, talvez pelo cansaço e porque o barulho da ventoinha por cima de mim me incomodava. Quando o marido da minha amiga veio bater-me à porta para irmos tomar o pequeno almoço, soube que ela estava cheia de febre. Resolvemos que o melhor seria levá-la ao médico para cortar o mal pela raiz. Depois do pequeno-almoço, contratámos um táxi que nos levou ao pseudo hospital de Rishikesh. O motorista levou-nos directamente a uma médica que a medicou com os comprimidos suficientes para aquele dia, com ordens para lá voltarmos no dia seguinte. Não é como cá que passam receitas e, depois, ficamos com as caixas cheias de pílulas; lá dão os comprimidos suficientes para o tratamento e pronto! Passámos a manhã toda na conversa, fazendo companhia à doente. Almocei com o marido (a doentinha só queria fruta) e a seguir fomos dar uma volta até ao outro lado da ponte (vide foto acima) para...